Dash e Lily: uma comédia romântica natalina para se apaixonar

Dash e Lily: uma comédia romântica natalina para se apaixonar

Lançada em novembro de 2020 pela Netflix, Dash e Lily é baseada no best-seller “O caderninho de desafios de Dash e Lily” de David Levithan e Rachel Cohn. A série também tem a participação de David Levithan como produtor, além de Nick Jonas como produtor executivo.

Os oito episódios, que giram entre 20 e 30 minutos, trazem a história de como Dash (Austin Abrams) e Lily (Midori Francis) se conhecem através de um caderninho de “pistas e anotações” deixado numa livraria.

Aviso: pode conter pequenos spoilers da série

Dash e Lily: os opostos se atraem ou se distraem?

Dash (Austin Abrams) e Lily (Midori Francis).
Dash (Austin Abrams) e Lily (Midori Francis). Foto: Alison Cohen/Netflix

A série começa com Dash numa livraria, procurando sabe-se-lá-oque, mas que, por fim, acaba encontrando um caderninho vermelho que tem escrito na capa: “você tem coragem?”(do you dare?). Ao abrir o caderninho, o garoto encontra um desafio que, pelas pistas, percebe que será resolvido através dos livros presentes na livraria. Nesse ponto, ficamos com o questionamento – será que não aprendemos nada com Gina Weasley em Harry Potter? – Brincadeiras à parte, nos primeiros dez minutos já ficamos com a expectativa de que a amarração da história será baseada em livros, romance adolescente e muito clima natalino.

Midori Francis como Lily em Dash e Lily.
Midori Francis como Lily em Dash e Lily. Foto: Alison Cohen/Netflix

Porém, primeiro, vamos falar de Dash e Lily. O primeiro episódio da série chama “Dash” e nos mostra um pouco da personalidade digamos que, ranzinza, do garoto. Ele não gosta do Natal, prefere à solidão (ou a companhia dos livros), é taciturno e tem dificuldades de relacionamentos. Fica claro que seu desgosto pelo Natal é por conta de traumas do passado relacionados com à época e a solidão é sua maior defesa. Entretanto, isso não o faz ser razinza, mas sim o fato dele julgar todas as pessoas que são o seu oposto, ou seja, pessoas como Lily.

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Sim, a Lily é o oposto de Dash. O segundo episódio tem seu nome e nos mostra que a menina é falante, animada, esperançosa com o mundo e, principalmente, é uma fã irremediável do Natal, com a certeza que o mundo é mais bonito nessa época. De maneira oposta à Dash, fica claro que seu apego e entusiasmo são por conta de ter apenas ótimas lembranças familiares relacionadas à essa época do ano.

Austin Abrams como Dash em Dash e Lily.
Austin Abrams como Dash em Dash e Lily. Foto: Alison Cohen/Netflix

Como, infelizmente, a vida não é só feita de bons momentos – nem na ficção – Lily, assim como Dash, tem problemas de relacionamentos com as pessoas por conta de traumas escolares e, portanto, também prefere a companhia dos livros e de seus pensamentos.

Porém, a menina é extremamente apegada à sua família e não tem muitos amigos, diferente de Dash, que tem amigos e alguns problemas familiares. Ou seja, num primeiro momento, fica ambíguo para quem está assistindo se eles vão distrair um ao outro ou atrair um ao outro. No entanto, com o decorrer da série, vemos que pode ser bem mais do que apenas salvar alguém da solidão ou ajudar a superar os traumas passados.

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O que mais além de Dash e Lily?

É obvio que a trama está centrada nos desafios, encontros e desencontros deles. Porém, a construção de Dash e Lily traz mais do que isso. Nova York é o plano de fundo, mas nos deixa com a impressão que é também uma personagem da história. A cidade parece mais do que uma selva de pedra que não para nunca.

Além disso, a forma com que os elementos nativos são colocados em cena nos deixa com vontade de visitar a cidade e de nos perder nos 30 quilômetros de livros da livraria Strand – local onde tudo começa. Também ficamos com vontade de comer os pratos típicos nada saudáveis e dar uma volta pelas ruas da cidade que, de acordo com a série, se tornam mais bonitas no Natal. Essa representação, aliada à trilha sonora impecável, deixa os corações – de quem gosta e de quem não gosta de Natal – quentinhos ao assistir à produção.

Cena de Dash e Lily, série da Netflix
Cena de Dash e Lily. Foto: Alison Cohen/Netflix

Outro ponto importante sobre a série é a naturalidade sobre a diversidade. Representatividade quase não é um problema no elenco da série, pois as pessoas “diferentes” estão lá, vivendo seus contextos, seguindo suas vidas – interferindo na vida de Dash e Lily – e sendo tratadas como iguais. A única crítica sobre isso que podemos fazer é a falta de representatividade de pessoas com deficiência que, se levarmos em conta o contexto, não celebram festas de fim de ano, não compram livros ou sequer andam pelas ruas de Nova York.

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Os episódios passam rápido e, quando percebemos, somos encantadas pela magia das festas de fim de ano. Momentos natalinos – mágicos ou não – a parte, é importante falarmos sobre um roteiro que força uma certa maturidade que é difícil encontramos em adolescentes. Na série, eles apresentam uma facilidade em resolver conflitos dificilmente vista até mesmo em pessoas mais velhas e/ou que cuidam de seu bem-estar e saúde mental. Porém, mesmo com esse incômodo, há pouco para ser criticado em relação ao roteiro. Os diálogos são construtivos, o humor é leve e contagiante e não há nenhuma personagem que não te deixe minimamente interessada na sua história pessoal.

Dash e Lily: livros, romance e muito clima natalino
Cena de Dash e Lily. Foto: Alison Cohen/Netflix

Como uma distração fofa para os tempos conturbados que atravessam o mundo, Dash e Lily tem todos os elementos esperados das comédias românticas, natalinas ou não. É uma série que tem todos os clichês possíveis, desde cenas de táxis abandonados no meio do trânsito até esbarrões entre os protagonistas antes de se (re) conhecerem. Porém, a impressão que fica é que até os próprios clichês se apaixonaram por essa história.

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Lésbica, feminista, produtora de conteúdo, fluente em inglês e memes brasileiros. Sua trajetória pode ser seguida de uma adolescente emo para uma hipster meio torta, sempre bebendo muito café. Ativista dos direitos humanos, é fundadora do Coletivo Fé.ministas que trabalha feminismo e religião. Nunca nega um bom papo, mas se o assunto estiver relacionado com cultura nerd, signos ou gatos trabalha na base dos slides com muita convicção.
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