Os melhores álbuns de 2022

Os melhores álbuns de 2022

Entre álbuns melancólicos, introspectivos e dançantes, confira os melhores álbuns de 2022 e que mais nos fizeram companhia ao longo do ano.

Laurel Hell – Mitski

Capa do álbum "Laurel Hell", da cantora e compositora Mitski. O álbum entra na lista melhores álbuns de 2022.
Laurel Hell entra na lista melhores álbuns de 2022 | Imagem: Dead Oceans / Divulgação
Escolhido por Isabelle Simões

Considerado como um dos 100 melhores álbuns de 2022 pela revista Rolling Stone, Laurel Hell é o sexto álbum da cantora e compositora nipo-americana Mitski.

A canção de abertura, Valentine, Texas, já nos avisa: “Let’s step carefully into the dark / Once we’re in, I’ll remember my way around” (“Vamos adentrar cuidadosamente nas trevas / Uma vez que estivermos dentro, lembrarei do meu caminho“, tradução livre). É o prelúdio do inferno de Laurel – o alter ego de Mitski – com suas feridas, medos e anseios, mas não significa que ele não possa ser dançante ao som de sintetizadores.

Mitski é o tipo de artista que representa muitas de nós. Num mundo cada vez mais voltado para pessoas extrovertidas e extremamente comunicativas, é gratificante ver uma artista como Mitski, uma mulher introvertida e reservada, ou seja, tudo o que a indústria musical não espera do comportamento de uma mulher, performando sua dramaturgia envolta a letras cortantes.

Destaque para um dos momentos mais catárticos desse ano: o coro emocionado do público, cantando todas as suas canções, do início ao fim, durante a primeira edição do Primavera Sound em São Paulo.

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As canções de Laurel Hell conversam com os nossos anseios nas noites silenciosas. Dessa forma, a jornada purgatorial de Mitski nos mostra o processo de pacificação da artista diante dos seus piores pesadelos. E nos traz a seguinte lição: não esqueça de dançar enquanto enfrenta o monstro que lhe aflige.

Durante 32 minutos e 11 faixas, Mitski é a nossa melhor amiga. Alguém que sabe muito bem o que nos dizer durante as conversas mais profundas da alma.

Dance Fever – Florence and the Machine 

Capa do álbum "Dance Fever", da artista Florence and the Machine. O álbum entra na lista dos melhores lançamentos de 2022.
Imagem: Polydor Records / Divulgação
Escolhido por Ana Lígia

Depois de 4 anos – e do consideravelmente suave High as HopeFlorence and the Machine retorna com o sombrio e visceral Dance Ferver. Como o próprio nome diz, o álbum se inspira no estranho evento histórico que ocorreu na França, em 1518, quando uma verdadeira febre da dança acometeu a  população, que dançou até a morte. 

Florence sempre foi uma compositora sincera e até brutal ao escrever e cantar sobre as suas próprias experiências de vida. Em seus álbuns anteriores, ela nos conta sobre namoros fracassados, o problema com a bebida, a ansiedade e a depressão – assim como idealizações suicidas – sua relação com a família e toda a sua angústia existencial. Em Dance Ferver não é diferente, embora dessa vez ela pareça mais ciente dos demônios que a assombram e como, talvez, silenciá-los – mesmo que por um breve momento. 

Em músicas como Free, Girls against God e Choreomania, Florence canta sobre sua ansiedade e até mesmo momentos depressivos. A cantora nunca escondeu que luta contra transtornos mentais, mas em Dance Ferver ela nos conta que encontrou um antídoto momentâneo para as suas angústias e algo que silencia as vozes na sua cabeça: a dança. Pois, como a própria diz em Free, And for a moment, when I’m dancing I am free. (“E por um momento, quando estou dançando, eu sou livre”, tradução livre.)

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Florence também parece cada vez mais ciente da misoginia presente no meio musical, principalmente no cenário do rock. Ela não só se mostra consciente do problema, mas enfurecida e talvez entediada. Ela também reflete – não com arrependimento, mas com súbita compreensão – sobre sua ambição e sobre as suas escolhas, assim como tudo o que ela abriu mão em nome da sua carreira.

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Além disso, ela reflete sobre os seus relacionamentos amorosos e como eles também foram permeados por essa misoginia quase invisível, mas que após vista, é impossível não se tornar ciente dela em diversas áreas da vida. É possível observar muito bem esses questionamentos em King, Dream evil girl e a curta, porém incrível, Restraint

Florence Welch e sua banda retornam mais dançantes, mas não menos sombrios. Fazendo alusões históricas e usando a vida da vocalista como material para músicas brutais e sinceras. 

Harry’s House – Harry Styles

Capa do álbum "Harry's House", do cantor e compositor Harry Styles. O álbum entra na lista de melhores álbuns de 2022.
Harry’s House entra na lista melhores álbuns de 2022 | Imagem: Columbia Records/ Divulgação
Escolhido por Bianca Smiderle

Harry’s House é considerado pela crítica e pelo público o mais intimista e musicalmente completo entre os três álbuns de Harry Styles. O músico britânico passeia por elementos musicais de décadas passadas e explicita ainda mais suas inspirações em seu mais recente trabalho. Harry evidencia o estilo de artistas como Prince e David Bowie sem perder a narrativa iniciada em seu álbum autointitulado e sustentada em Fine Line, do mesmo modo que mantêm sua personalidade intacta.

Falar sobre sentimentos nunca foi um problema para Styles, que convida o ouvinte a reconhecer suas próprias fragilidades em músicas como Matilda e até dançar as inseguranças do artista como fez na popular As it Was.

A valorização do instrumental e trabalho vocal faz com que Harry’s House ande na contramão de produções que buscam o máximo da sintetização, e deixe de ser um compilado de músicas para se tornar uma experiência sentimental imersiva.

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Hold The Girl – Rina Sawayama

Capa do álbum "Hold The Girl", da cantora e compositora Rina Sawayama . O álbum entra na lista de melhores álbuns de 2022.
Imagem: Dead Oceans / Divulgação
Escolhido por Milena Machado 

Hold The Girl é o segundo álbum de estúdio da cantora nipo-britânica Rina Sawayama, lançado em 16 de setembro de 2022. O álbum foi composto durante o lockdown de 2020 e possui uma produção experimental com influência da sonoridade do pop dos anos 2000, música country, além de uma pitada do euro pop e do rock industrial dos anos 90

Para simplificar, este álbum soa como uma colaboração entre Shania Twain e Nine Inch Nails. As letras tratam de temas como superação de traumas de infância, preconceitos sofridos pela comunidade LGBTQIA+, o controle da religião sob corpos femininos, a experiência da quarentena e a eterna luta por compreensão pela geração de nossos pais. 

Algum desses temas já foram abordados por Sawayama em seu álbum de estreia, mas em Hold The Girl ela os apresenta de forma mais aprofundada e sagaz. Destaque para a faixa título, onde Rina nos lembra de abraçar a nossa criança interior e ser para ela o adulto que ela precisava ter como companhia na infância. A garotinha que fomos um dia ainda está dentro de nós, então segure-a. 

Rosalía – Motomami

Capa do álbum "Motomami", da cantora e compositora Rosalía . O álbum entra na lista dos melhores lançamentos de 2022.
Motomami entra na lista melhores álbuns de 2022 | Imagem: Columbia Records / Divulgação
Escolhido por Julia Bueno

Desde sua estreia, a cantora espanhola Rosalía tem demonstrado ser uma das artistas mais versáteis e criativas da atualidade. Com Motomami, ela reforça ainda mais essa imagem. Durante o álbum, Rosalía mescla de forma genial diferentes gêneros musicais, desde o reggaeton ao avant-jazz. Já através de suas composições, o álbum explora temas intimistas como espiritualidade, sexualidade e amor próprio. Por isso, a própria cantora relata ser sua obra mais pessoal, sendo um autorretrato fonográfico.

Com um viés mais experimental, no álbum existe um conceito de dualidade, este explicado em seu título. De um lado, “moto” vinculado mais a força, enquanto “mami” associado a vulnerabilidade. Por isso, ouvimos uma alternância de sensações durante os 42 minutos do disco. O que torna a experiência de escutar Motomami mais rica, ousada e nada previsível. Assim, explicando o porquê de ter sido um dos álbuns mais elogiados do ano, devido principalmente às miscelâneas e experimentações, executadas de forma magistral.

Terno Rei – Gêmeos

Capa do álbum "Gêmeos", do grupo Terno Rei.
Gêmeos entra na lista melhores álbuns de 2022 | Imagem: Balaclava Records / Divulgação
Escolhido por Julia Bueno

Sendo considerada na atualidade uma das principais bandas de indie rock do país, Terno Rei retornou com o excelente álbum de estúdio Gêmeos. A banda paulistana, formada pelo quarteto Ale Sater, Bruno Paschoal, Greg Maya e Luis Cardoso, traz neste álbum composições singelas acerca de situações cotidianas da juventude.

Como um todo, Gêmeos explora referências distintas e utiliza diferentes instrumentos. Os exemplos ficam por conta do excelente instrumental post-punk, presente na canção Difícil, além dos usos de violão e violino, dando um toque de sensibilidade em algumas canções.

Ademais, logo no primeiro single, Dias da Juventude, enxerga-se o principal propósito do álbum, trazendo à tona um sentimento de nostalgia, falando sobre tempos que não voltam mas estão guardados na memória. 

Através do disco, é comprovado o quanto a sonoridade do Terno Rei é bastante consistente, e que a cada álbum a banda vem evoluindo seja no caráter instrumental ou lírico.

Heal – The Rose

Capa do álbum "Heal", do grupo sul-coreano The Rose . O álbum entra na lista dos melhores lançamentos de 2022.
Heal entra na lista melhores álbuns de 2022 | Imagem: Transparent Arts, Windfall / Divulgação
Escolhido por Ket Lira

Marcando o retorno da banda The Rose, composta pelo quarteto de amigos Woosung, Hajoon, Dojoon e Jaehyeong, Heal é o primeiro projeto musical do grupo após o hiatus de 2 anos e meio em razão do serviço militar dos membros sul-coreanos. Intimista e dançante, com uma pegada de R&B e pop alternativo, Heal, como já diz o nome, teve o objetivo de curar quem fosse escutar suas músicas.

A atmosfera da volta da banda iniciou com o Heal Project, em que as Black Roses (nome dos fãs da banda) enviaram suas histórias de cura (relatos, conflitos, momentos de superação). E a partir disso, as músicas do álbum seriam inspiradas nessas histórias.

O álbum conta com 10 músicas. A abertura é com “~“, um instrumental que busca transmitir a sensação de agitação e movimento. O álbum se conclui com ““, para indicar a sensação de calmaria e tranquilidade. Uma brincadeira sonora e visual com o movimento da água agitada e depois parada. Dessa forma, a obra é sequencial em suas músicas, onde cada faixa traz o processo de cura ao se ajudar, ter a companhia de bons amigos, construir sua autoestima e ser mais positivo.

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Explorando os sentimentos de insegurança e autoestima, The Rose trouxe uma reflexão em Definition of ugly is sobre a pressão em se sentir julgado, caçoado e excluído entre um grupo de pessoas, sobretudo pelo julgamento do da aparência física.

Em Childhood, o quarteto canta sobre as expectativas e sonhos que construímos na infância e o paralelo da vida adulta. Shift trata sobre amor e companheirismo, de estar junto com de seu amigo e de apoiá-lo em momentos difíceis. Yes canta sobre o otimismo em trazer a positividade e a possibilidade de trazer mais afirmativas para a própria vida. O álbum também traz outras faixas como Sour, Cure e See-saw, em que cantam o conforto e angústias da saudade e amor.

The Linda Lindas – Growing Up

Growing Up entra na lista melhores álbuns de 2022 | Crédito: Reprodução/Facebook
Escolhido por Juliana Trevisan

A banda The Linda Lindas estourou na internet com um vídeo de uma apresentação numa biblioteca tocando Racist, Sexist Boy. A partir daí, a vida da banda mudou completamente e elas já tocaram em dezenas de festivais, dividindo palco com bandas como Bikini Kill, Sleater Kinney e Yeah Yeah Yeahs, para citar algumas.

O grupo, formado por 4 adolescentes com ascendência latina e asiática, revive as raízes do movimento riot grrrl e dá novos ares ao punk. Growing up é um disco que fala sobre as complexidades da adolescência, a importância da amizade, inseguranças e solidão de modo honesto e identificável, agitado e inclusive motivacional de alguma forma.

Midnights – Taylor Swift

Midnights, de Taylor Swift, é um dos melhores álbuns de 2022.
Midnights entra na lista melhores álbuns de 2022 | Imagem: Divulgação
Escolhido por Flávia Azolin

Esse ano, Taylor Swift surpreendeu novamente seus fãs ao anunciar um novo álbum de estúdio. A premissa do intitulado Midnights é explorar algumas das noites insones da cantora, onde memória, angústia, esperança e sonho se misturam.

Já era notório o quanto as madrugadas eram uma hora produtiva para as canções de Taylor, que explorou um pouco de cada ponto de sua carreira no álbum. O resultado foram canções bastante diversas, que remetem a momentos diferentes da carreira da artista, um prato cheio para os fãs, que com toda certeza encontraram uma reminiscência de sua era favorita em algum ponto do álbum. 

O ponto alto do Midnights são as canções melancólicas, com letras confessionais, pelas quais Taylor Swift sempre se destaca. Músicas como You’re on Your Own, Kid, Bigger Than the Whole Sky e Would’ve, Could’ve, Should’ve partem o coração dos fãs enquanto retratam angústias e desilusões comuns a todos. E, nesse sentimentalismo tão fácil de se identificar, os ouvintes encontram um conforto ao se conectarem com os relatos ora amargos, ora esperançosos de Taylor. 

Leia também >> Midnights: o rememorar das madrugadas insones

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