Os melhores quadrinhos de 2022

Os melhores quadrinhos de 2022

2022 foi marcado por excelentes lançamentos de quadrinhos no Brasil, sobretudo de sucessos mundiais e autores premiados, no entanto, pouco conhecidos por aqui até então. Confira a nossa lista dos melhores quadrinhos lançados neste ano!

Lore Olympus vol. 1, de Rachel Smythe (Suma HQ)

Capa do quadrinho "Lore Olympus vol. 1", da quadrinista Rachel Smythe . A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

A série de quadrinhos Lore Olympus, de autoria da artista e folclorista neozelandesa Rachel Smythe, é um sucesso na internet. Lançado gratuitamente no Webtoon, site que publica quadrinhos virtuais (os famosos webcomics), Rachel passou a causar um grande furor entre os fãs da nona arte e da mitologia greco-romana.

A história de Lore Olympus (tradução de Érico Assis) é uma releitura contemporânea do mito “O Rapto de Perséfone”. Nela, acompanhamos Perséfone, deusa da primavera, se desvencilhar da mãe superprotetora, a deusa Deméter, e conquistar um mundo cosmopolita totalmente novo e atraente.

Página de "Lore Olympus vol. 1", da quadrinista Rachel Smythe, lançado pela Suma HQ.
Página de Lore Olympus vol. 1.

Certo dia, acompanhada da deusa Ártemis, Perséfone vai a uma festa e nela conhece Hades, o deus do Submundo. Mesmo ele tendo fama de obscuro e sinistro, a conexão entre os dois é imediata, mas ambos terão um mar de desencontros pela frente, incluindo fantasmas do passado e do presente, para que o amor entre os dois possa, de fato, florescer.

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Página de "Lore Olympus vol. 1", da quadrinista Rachel Smythe, lançado pela Suma HQ.
Página de Lore Olympus vol. 1.

Indicado para quem gosta de histórias gregas sob uma nova roupagem, como as histórias Circe e A Canção de Aquiles, ambos de Madeleine Miller, Lore Olympus é uma obra cujo texto é instigante e repleto de ganchos para os capítulos seguintes, como em uma boa série ou novela.

O quadrinho também tem uma arte de encher os olhos, lindamente colorida em tons neon que casam muito bem com a personalidade de cada personagem e suas características dentro de suas histórias clássicas.

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A Suma HQ publicou, para a alegria dos fãs, o volume 2 da série, que continua compilando os próximos capítulos da história de Perséfone e Hades.

Social Fiction, de Chantal Montellier (Comix Zone)

Capa do quadrinho "Social Fiction", da quadrinista Chantal Montellier, uma das quadrinistas feministas francesas mais importantes de todos os tempos. A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

Chantal Montellier é uma das quadrinistas feministas francesas mais importantes de todos os tempos. No entanto, ela só teve sua primeira obra autoral publicada no Brasil este ano (antes disso, apenas a HQ O Processo, uma adaptação do livro de Franz Kafka, havia sido publicada por aqui em 2013 pela editora Veneta, obra que conta com ilustrações da autora e roteiro de David Mairowitz).

Página de "Social Fiction", da quadrinista Chantal Montellier, lançado pela Comix Zone.
Página de Social Fiction.

A autora, que já teve trabalhos publicados em jornais e revistas de grande circulação como o Le Monde e L’Express, também publicando na famosa revista de ficção científica Métal hurlant, começou sua jornada nos quadrinhos em mídias de esquerda, como a L’Humanité, Revolution, Le Combat syndicaliste e l’Unité.

Valendo-se de pautas sociais, sobretudo as problemáticas de gênero impostas às mulheres, e questionando o sistema capitalista e suas diversas formas de opressão, temos em Social Fiction (tradução de Fernando Paz) uma joia da ficção científica e das discussões políticas que se mantém atualíssimas ao redor do mundo.

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Página de "Social Fiction", da quadrinista Chantal Montellier, lançado pela Comix Zone.
Página de Social Fiction.

Na HQ, acompanhamos três histórias, intituladas Wonder City, Shelter e 1996, em que futuros distópicos — não tão distantes do que já vivemos, infelizmente — são palco de guerras e do abuso de poder masculino, que ao menor sinal de crise coloca em cheque o direito das mulheres.

A edição da Comix Zone conta com extenso e excelente prefácio acerca da vida e da obra de Chantal, adaptado da tese de doutorado Histórias em quadrinhos e feminismo na França: a revista Ah! Nana (1976-1978), de Natania Nogueira, uma das fundadoras da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS e estudiosa de quadrinhos feitos por mulheres.

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Imbatível 2 – Super-herói da proximidade, de Pascal Jousselin (Saber e Ler Editora)

Capa do quadrinho "Imbatível 2 – Super-herói da proximidade", do quadrinista Pascal Jousselin . A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

Imbatível é uma das HQs mais criativas lançadas no país desde o ano passado. O super-herói que brinca com as próprias convenções do gênero e com a quebra de expectativas, usando e abusando da metalinguagem, ganhou este ano um segundo volume pelas mãos do quadrinista francês Pascal Jousselin, ainda melhor que o primeiro.

Página de "Imbatível vol. 2", do quadrinista Pascal Jousselin, lançado pela Editora Saber Ler.
Página de Imbatível vol. 2.

Em Imbatível 2 – Super-herói da proximidade (tradução de Cristina Fernandes), os leitores continuam acompanhando as aventuras do carismático herói Imbatível que, apesar de tentar descansar e seguir uma vida tranquila, sempre tem a paz perturbada por vilões maquiavélicos, desta e de outras dimensões, e cientistas ambiciosos que ameaçam não só a ele, como também os demais cidadãos da cidadezinha em que vive.

O quadrinho é um compilado de diversas histórias curtas, muito engraçadas, coloridas e leves, e pode ser lido por todas as idades, inclusive em período escolar, o que fomentará ainda mais o gosto pela leitura nos pequenos leitores.

Monstros, de Barry Windsor-Smith (Editora Todavia)

Capa do quadrinho "Monstros", do quadrinista Barry Windsor-Smith . A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

A aclamada HQ Monstros (traduzida por Érico Assis), do já conhecido autor britânico Barry Windsor-Smith (também celebrado por seus trabalhos em X-Men e Demolidor), foi um dos maiores lançamentos do ano, tão grande quanto o tempo de dedicação do autor à sua magnífica obra: Barry levou 35 anos para concluí-la.

Na trama, cuja narrativa viaja entre os anos de 1949 e 1964, acompanhamos a vida do jovem estadunidense Bobby Bailey, que após um passado terrível e vitimado por diversas violências vindas do pai, ex-soldado da Segunda Guerra Mundial, decide na década de 60 se alistar no exército.

Página de "Monstros", do quadrinista Windsor-Smith, lançado pela Editora Todavia.
O experimento nazista de Monstros. | Imagem: divulgação

Sem ter parentes próximos, uma casa, sequer um emprego, o rapaz de 22 anos é entrevistado pelo sargento Elias McFarland, um homem negro que precisa lidar com a pressão de seu serviço e o medo de que algo aconteça à esposa e aos dois filhos pequenos. Esse personagem acaba fazendo a ponte entre Bobby e o secreto Projeto Prometheus, uma experiência nazista levada aos Estados Unidos que mudará para sempre os rumos da vida do rapaz e de Elias que, arrependido de sua ação, também passará por enormes provações.

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Página de "Monstros", do quadrinista Windsor-Smith, lançado pela Editora Todavia.
O experimento e Elias McFarland. | Imagem: divulgação

Monstros não poupa violência gráfica, em um traço extremamente minimalista, para falar sobre os terrores reais aos quais a sociedade submete as pessoas, sobretudo as mulheres e a população negra. Com um pé no gênero noir, na ficção científica e até mesmo em tropos sobrenaturais, o quadrinho é uma obra-prima que discute, sem rodeios, a existência de monstros de carne e osso em nossa sociedade.

Corso, Danilo Beyruth (Comix Zone)

Capa do quadrinho "Corso", do quadrinista Danilo Beyruth. A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

Lançamento de HQ em 2022 com animaizinhos protagonistas? Também tivemos! Corso, quadrinho nacional de Danilo Beyruth, também autor de LOVE KILLS, abriu o ano com uma história de ficção científica para lá de interessante: nela, conhecemos Corso, o cãozinho piloto da República dos Cães, que acaba enfrentando as tropas da Monarquia dos Gatos em uma batalha espacial e, para se salvar, cai com sua nave e naufraga em um planeta estranho e hostil.

Página de "Corso", do quadrinista Danilo Beyruth, lançado pela Comix Zone.
Página de Corso.

A partir daí, Corso terá de estabelecer amizades com criaturas diferentes de sua natureza para conseguir sobreviver no local, passando por diversas provações e fazendo descobertas inquietantes — sobre o local e sobre si mesmo.

Página de "Corso", do quadrinista Danilo Beyruth, lançado pela Comix Zone.
Página de Corso.

A arte do quadrinho, em preto e branco, é muito expressiva e bonita de se acompanhar, o que promove uma imersão maior na história e na dinâmica entre os personagens. Os leitores podem aguardar muita ação, aventuras e cenas de tirar o fôlego!

Satânia, de Fabien Vehlmann e Kerascoët (DarkSide Books)

Capa do quadrinho "Satânia", da dupla Fabien Vehlmann e Kerascoët. A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

Nesta acalorada aventura rumo ao desconhecido, acompanhamos Charlie, uma garota que decide juntar um grupo de homens expedidores para juntos descerem aos confins da Terra em busca de Constantin, seu irmão há muito desaparecido. O rapaz, um cientista, acreditava que o Inferno realmente existia, mas não tanto como na visão cristã, mas sim na Teoria da Evolução de Charles Darwin.

O motivo está na razão que os chamados demônios ou satanianos – como são denominados no quadrinho os habitantes de Satânia – seriam os antigos homens das cavernas que, isolados da superfície, se tornariam os temidos monstros das profundezas da Terra. Portanto, restará ao grupo descobrir se esta teoria de Constantin é verdadeira e se o rapaz ainda está vivo após enfrentar as temidas criaturas.

Página de "Satânia", da dupla Fabien Vehlmann e Kerascoët, lançado pela Darkside Books.

Página de "Satânia", da dupla Fabien Vehlmann e Kerascoët, lançado pela Darkside Books.
Páginas de Satânia.

Além de uma excelente aventura com o pé no suspense, na ficção científica e no terror, Satânia (tradução de Maria Clara Carneiro), narra a jornada de Charlie aos confins da própria alma, uma vez que se torna um busca não apenas pelo irmão, como também por si mesma.

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A Mão Verde e Outras Histórias, de Nicole Claveloux e Édith Zha (Comix Zone)

Capa do quadrinho "A Mão Verde e Outras Histórias", das criadoras Nicole Claveloux e Édith Zha. A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

2022 foi definitivamente um bom ano para a estreia de quadrinistas francesas em solo brasileiro. Nicole Claveloux e Édith Zha, dois grandes nomes dos quadrinhos feministas europeus (também conhecidas pelos seus trabalhos nas revistas Métal hurlant e Ah! Nana). E assim como Chantal Montellier, elas abordam em A Mão Verde e Outras Histórias (tradução de Fernando Paz) uma perspectiva onírica das relações interpessoais, que muitas vezes beiram a atmosfera do horror e do surrealismo.

Página de "A Mão Verde e Outras Histórias", das criadoras Nicole Claveloux e Édith Zha, lançado pela Darkside Books.
Página de A Mão Verde e Outras Histórias. | Divulgação

Com cores vivas e um traço para lá de fabuloso (cada quadro das histórias é uma verdadeira obra de arte), além de personagens estranhíssimos e narrativas envolventes, as autoras criam nos contos que compõem a HQ verdadeiros contos de fadas para adultos. A narrativa vale-se de problemas corriqueiros como a falta de comunicação entre pessoas, a busca pelo prazer e bem-estar psicológico em meio ao caos do cotidiano, além do medo da passagem do tempo que faz pessoas e coisas perecerem.

Página de "A Mão Verde e Outras Histórias", das criadoras Nicole Claveloux e Édith Zha, lançado pela Darkside Books.
Página de A Mão Verde e Outras Histórias. | Divulgação
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Recomendado para os fãs de Social Fiction e de Minha coisa favorita é monstro, de Emil Ferris, A Mão Verde e Outras Histórias é uma obra indispensável para fãs de terror e fantasia, sobretudo quando estes gêneros ampliam as discussões de aspectos realistas que nos cercam.

O homem rabiscado, de Serge Lehman e Frederik Peeters (Editora Nemo)

Capa do quadrinho "O homem rabiscado", dos criadores Serge Lehman e Frederik Peeters. A obra entra na lista dos melhores quadrinhos de 2022.

Três gerações de mulheres, um homem-pássaro e um segredo sombrio. O homem rabiscado (tradução de Fernando Scheibe) é um autêntico contos de fadas sombrios, cuja narrativa permanece na mente do leitor por muito tempo.

Nela, acompanhamos a vida de Betty Couvreur, uma ilustradora francesa de livros infantis que precisa lidar com a filha adolescente, Clara, e com a mãe idosa e renomada escritora de livros infantis, Maud. Enquanto isso, ela luta com um grave problema de afasia, condição neurológica que a impede de se comunicar pela fala quando passa por momentos de grande estresse.

Página de "O homem rabiscado", dos criadores Serge Lehman e Frederik Peeters, lançado pela Editora Nemo
Página de O homem rabiscado.

Em dado momento, quando um grave acontecimento retira dos eixos a família Couvreur, Clara recebe, no apartamento da avó, a visita de um misterioso homem mascarado com o corpo coberto por penas, que irrompe o local procurando algo que pertencia a ele.

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A partir de então, inicia-se uma busca incessante de Betty e Clara para descobrirem quem era aquela pessoa peculiar e qual seria a relação dela com Maud – mas coisas terríveis virão à tona e elas precisarão se unir mais do que nunca.

Página de "O homem rabiscado", dos criadores Serge Lehman e Frederik Peeters, lançado pela Editora Nemo.
Página de O homem rabiscado.

Com um traço belíssimo e uma cor azulada percorrendo todos os quadros, o que une as imagens ao clima chuvoso e aterrador de uma Paris que esconde seus fantasmas, O homem rabiscado é a HQ certa para quem ama mitologia, suspense e terror.


E você? Quais são foram seus quadrinhos favoritos de 2022? Deixe nos comentários! <3

Fotos: Laís Fernandes para o Delirium Nerd | Crédito

Escrito por:

108 textos

Formada em Letras, pós-graduada em Produção Editorial, tradutora, revisora textual e fã incondicional de Neil Gaiman – e, parafraseando o que o próprio autor escreveu em O Oceano no Fim do Caminho, “vive nos livros mais do que em qualquer outro lugar”.
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