7 leituras para os fãs de “Frankenstein” e Mary Shelley

7 leituras para os fãs de “Frankenstein” e Mary Shelley

Frankenstein, obra-prima de Mary Shelley, é um dos livros de horror e ficção científica mais celebrados, importantes e influentes do século XIX, e serve de base até hoje para inúmeras releituras interessantíssimas no mundo literário. Com a chegada de outubro, mês do Halloween, separamos sete leituras indispensáveis para esse período, obras que evocam toda a magnitude da história de Victor Frankenstein, seu monstro questionador e demais personagens do livro.

1) “A sombria queda de Elizabeth Frankenstein”, de Kiersten White

leituras para os fãs de "Frankenstein" e Mary Shelley

Elizabeth Frankenstein é uma personagem que, na obra de Mary Shelley, não possui muito destaque, mas em “A sombria queda de Elizabeth Frankenstein” ganha um livro inteiramente para si, nesta que é uma adaptação comemorativa do bicentenário do livro original, lançada no Brasil em 2018 pela Plataforma21, pelas mãos de Kiersten White (também autora da “Saga da Conquistadora” e “A Farsa de Guinevere”) e com tradução de Lavínia Favero.

Na trama, acompanhamos a história de Mary Shelley pelos olhos de Elizabeth, uma garota de origem muito humilde, que passa por diversas privações e violências desde o nascimento e é vendida por sua própria guardiã à família Frankenstein.

“Raios arranhavam o céu, deixando um rastro de veias nas nuvens e marcando a pulsação do próprio universo.”

(pág. 11)

Um mundo de novas oportunidades se abre para ela, que passa a viver em um local de farturas, completamente diferente do contexto social em que nascera. É na nova casa que ela conhece Victor Frankenstein, filho de seus novos guardiões, um garoto apaixonado pelos livros e pela ciência que logo se aproxima de Elizabeth e com ela constrói uma relação de muita cumplicidade e amor.

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Não demora muito para que, com o passar dos anos, Elizabeth comece a perceber que seu adorado Victor se afunda cada vez mais em comportamentos e vícios autodestrutivos, obsessões assustadoras com poder devastador — para si e para os demais ao redor dele. Elizabeth terá, então, de decidir se seu amor por Victor é forte o bastante para aguentar o que quer que venha pela frente, inclusive o fato de o rapaz querer desafiar a morte.

Em “A sombria queda de Elizabeth Frankenstein”, os leitores se deparam com uma narrativa poética e fluida, que homenageia com louvor a obra original. A personagem conduz os leitores pelo universo aterrador de “Frankenstein”, evidencia as atrocidades cometidas por Victor no intuito de elevar o próprio ego, mas não deixa de ter sua história contada e ampliada e, a própria voz, ouvida.

Elizabeth, mesmo tendo escapado dos abusos da infância, reencontra o velho conhecido monstro metamorfoseado em um relacionamento abusivo escondido no aparentemente pacífico lar dos Frankenstein. Kiersten White constrói uma história que, para além de apresentar elementos conhecidos do público leitor de Mary Shelley, garante grandiosas surpresas.

2) “Ela e o Monstro”, de Linda Bailey

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Mary Shelley para baixinhos? Temos sim! A DarkSide Books lançou em 2020 a biografia ilustrada da autora, voltada para o público infantil, mas facilmente apreciada por todas as idades. Com tradução de Nilsen Silva e belíssimas ilustrações de Júlia Sardà, a obra de Linda Bailey conta a história de Mary, filha da escritora, filósofa e ativista pelos direitos da mulher, Mary Wollstonecraft, uma garota criada pelo pai, o filósofo William Godwin, com acesso irrestrito à literatura e às artes no geral e que, por conta disso, pôde crescer livre e passou a desenvolver também o gosto pela escrita em uma época em que mulheres eram descredibilizadas e pouquíssimas poderiam publicar as próprias histórias.

Mary Wollstonecraft

Certa noite, quando estava hospedada em Genebra com seu marido, o poeta Percy Shelley, na casa do também poeta Lord Byron, uma tempestade inesperada fez aflorar no anfitrião a vontade de desafiar seus convidados a escreverem uma história de terror. Nessa mesma noite o esboço de “Frankenstein, ou o Prometeu moderno” surgiu, desconcertando Mary por um bom tempo até, finalmente, ter o livro finalizado.

A obra aborda, também, os percalços de Mary Shelley para ter o direito de assinar o próprio livro, que chegou a ser creditado à Percy Shelley — afinal, para a sociedade da época, uma obra de tamanha sofisticação não poderia ter sido escrita por uma mulher.

Mary Wollstonecraft

No fim, após muitos desgastes em sua vida pessoal e artística, Mary conseguiu assumir as rédeas de sua grandiosa criação e é respeitada até hoje como uma das percursoras da ficção científica e dona de uma das obras mais importantes de horror de todos os tempos.

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O livro é uma excelente forma de introduzir leitores iniciantes ao universo da autora e de inspirar meninas a criar seus próprios mundos — e monstros.

3) “Mulheres Extraordinárias: As Criadoras e a Criatura”, de Charlotte Gordon

Seguindo a linha das biografias, a DarkSide também publicou em 2020, com tradução de Giovana Louise Libraron, a obra “Mulheres Extraordinárias: As Criadoras e a Criatura”, que acompanha a vida da mãe de Mary Shelley, Mary Wollstonecraft, e seu legado para o feminismo atual, bem como os primeiros passos e a vida adulta da autora de “Frankenstein”.

Obra muito completa sobre ambas, “Mulheres Extraordinárias” traz à tona o machismo ao qual mãe e filha eram submetidas naquela época, sobretudo por serem mulheres livres, intelectuais e influentes em seus meios sociais.

4) “O Clube Mary Shelley“, de Goldy Moldavsky

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Goldy Moldavsky, utiliza no YA “O Clube Mary Shelley”, lançado em 2022 pela editora Melhoramentos, e com tradução de Augusto Iriarte, toda a atmosfera soturna da obra original para criar uma história em que acompanhamos a adolescente Rachel Chavez, apaixonada por filmes de terror e que encontra neles a companhia que não tem no mundo real.

Presa aos universos tão variados de suas obras preferidas, ao receber o convite para participar do Clube Mary Shelley, uma sociedade secreta que busca pregar peças e fazer testes de terror nos demais alunos da escola, Rachel imediatamente embarca no desconhecido tão convidativo, mas que vai aos poucos se mostrando cada vez mais perigoso e letal.

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Com uma atmosfera sombria e diversas surpresas, “O Clube Mary Shelley” aposta no nome da autora e em seu legado para despertar o mais inquietante e instigante dos sentimentos: o medo.

5) “Frankenstein e outras histórias”, de Junji Ito

leituras para os fãs de "Frankenstein"

O aclamado mangaká Junji Ito, grande fã da obra de Mary Shelley, também se debruçou em fazer sua versão do livro, que contempla todo o horror causado por Victor Frankenstein à própria criatura e aos seus amigos e familiares. O mangá “Frankenstein”, publicado pela Pipoca e Nanquim em 2021, com tradução de Drik Sada, une a poderosa história de Mary Shelley ao body horror característico do desenhista, criando uma atmosfera assustadora e encantadora na mesma proporção. O texto adapta muito bem a história original e serve de complemento para a leitura do romance.

A obra de Ito conta, ainda, com diversas outras histórias originais do autor e é uma excelente pedida para os fãs de horror.

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6) “M is for Monster”, de Talia Dutton

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Em “M is for Monster”, quadrinho lançado em 2022, os leitores conhecem a doutora Frances, cientista que, após perder a irmã mais nova em um acidente, vê em um experimento arriscado a tentativa de ter Maura de volta à vida: assim como Victor Frankenstein, Frances coleta as partes do corpo da irmã e, com o auxílio de uma máquina, uma noite chuvosa e um raio, revive a garota — mas será mesmo que quem voltou foi Maura?

O quadrinho, que será lançado no Brasil no começo de 2023 pela editora Suma de Letras, é inspirado em “Frankenstein” na abordagem inicial, porém completamente original em seu desenvolvimento, e aborda temas como identidade, luto, transferência de expectativas dentro da própria família e os laços que unem entes queridos.

leituras para os fãs de "Frankenstein" e Mary Shelley

A obra, cujo estilo de desenho é muito bonito e que, na monocromia de seus tons azulados passa toda a melancolia vivida por Frances e pela criatura, apresenta também personagens femininas muito cativantes e une personagem LGBTQIA+, el maride de Frances, Frankie, que é não binárie.

7) “A Complex Accident of Life”, de Jessica McHugh

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Há espaço para “Frankenstein” até mesmo na poesia: Jessica McHugh, autora estadunidense de ficção especulativa, em “A Complex Accident of Life”, utiliza a técnica blackout poetry para modificar o texto de Mary Shelley, que consiste em destacar em um texto apenas palavras que, quando juntas, formam um encadeamento de ideias, por meio das quais surgem novos sentidos e propostas. A autora faz isso em algumas páginas do livro de “Frankenstein” e um mundo de novos significados surge, ampliando as mensagens da obra de formas surpreendentemente criativas.

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Mary Shelley e seus escritos sempre serão referências excelentes de autora e opções de leituras de horror. Aproveite o mês do Halloween e aposte em uma de nossas indicações e na obra original da autora! Bons sustos!

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Autora:

105 textos

Formada em Letras, pós-graduada em Produção Editorial, tradutora, revisora textual e fã incondicional de Neil Gaiman – e, parafraseando o que o próprio autor escreveu em O Oceano no Fim do Caminho, “vive nos livros mais do que em qualquer outro lugar”.
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