SZA: a mulher por trás do fenômeno

SZA: a mulher por trás do fenômeno

É praticamente impossível viver em 2024 sem ter ouvido ao menos uma música da SZA, a cantora de 34 anos mais indicada para o Grammy Awards, premiação que aconteceu em 4 de fevereiro.

Apesar de sua primeira mixtape em outubro de 2012, intitulada See.SZA.Run, e de ter colaborado como co-autora de Feeling Myself ao lado de Beyoncé e Nicki Minaj em 2014, o trabalho da cantora foi amplificado em 2016, com sua participação na faixa Consideration, de Rihanna.

Seu primeiro álbum de estúdio, Ctrl, foi lançado em junho de 2017 e aclamado pelo público e crítica especializada. No ano seguinte, SZA se juntou a Kendrick Lamar em All the Stars, faixa incluída na trilha sonora do filme Pantera Negra.

Seu projeto mais recente, SOS, lançado em 2022, lhe rendeu três categorias no Grammy 2024 (Música do Ano, Álbum do ano, Gravação do Ano), além de outras seis indicações.

Cantora estadunidense SZA
Cantora estadunidense SZA | Foto: Instagram/Reprodução

A adolescência da cantora foi marcada por altos e baixos

Solána Imani Rowe, mais conhecida pelo nome artístico SZA (inspirado pelo Alfabeto Supremo, em que o acrônimo SZA é formado a partir das palavras Salvador, Zigue-zague e Allah), nasceu em St. Louis, no estado do Missouri, Estados Unidos, em 8 de novembro de 1989, mas cresceu em Maplewood, Nova Jersey.

Filha de um produtor executivo do canal de notícias CNN e de uma executiva da empresa de telecomunicações AT&T, ela tem uma meia-irmã mais velha chamada Panya Jamila, e um irmão mais velho de nome Daniel.

SZA cresceu em uma família religiosamente diversa, com mãe cristã e pai muçulmano. A cantora foi criada na fé islâmica, frequentando uma escola preparatória muçulmana após as aulas regulares. No entanto, precisou lidar com o bullying por conta de sua religião, principalmente durante a 7ª série, após os ataques de 11 de setembro. Tais provocações a levaram a parar de usar seu hijab regularmente.

Desde pequena, os pais de Rowe perceberam seu talento musical. Seu pai a introduziu aos grandes nomes do jazz, como Miles Davis e John Coltrane, enquanto sua mãe a incentivava a explorar seu dom vocal e a encorajava a se apresentar em shows de talentos na escola.

Paralelamente, ela também se envolveu em atividades como animação de torcida, e a ginástica se tornou uma paixão de longa data, com Solána se destacando como capitã da equipe e alcançando reconhecimento nacional durante seu segundo ano na Columbia High School, em Maplewood.

No entanto, sua devoção à mitologia e sua dificuldade em lidar com interações sociais tornaram-na novamente alvo de bullying por parte de seus colegas.

Após sua formatura em 2008, passou por três faculdades diferentes antes de se estabelecer na Delaware State University para estudar biologia marinha. Porém, desistiu no último semestre e começou a trabalhar em diversos empregos para se manter financeiramente.

SZA se inspira em grandes obras cinematográficas em suas composições

Apesar de ter mencionado em entrevistas anteriores que é influenciada pela potência vocal de Ashanti e Ella Fitzgerald, e tem Lauryn Hill como uma de suas inspirações pessoais, nota-se que muitas das características das composições presentes em seu mais recente álbum remetem a grandes obras do cinema, como filmes dirigidos por Tarantino e Rachel Talalay, por exemplo.

A segunda faixa de SOS, que rendeu a SZA três de suas nove indicações ao Grammy 2024, tem traços de Kill Bill (2003), filme homônimo dirigido por Quentin Tarantino.

A música é cantada pelo ponto de vista de uma mulher que, por não superar o término do relacionamento, não aceita que seu ex-namorado esteja feliz com outra pessoa e considera, ao longo da canção, cometer um duplo assassinato para parar de vê-lo feliz com alguém que não seja ela. Até que, nos últimos versos, ela finalmente o faz, e mesmo assim continua amando seu ex-companheiro.

Além da clara referência no título da composição, a ligação com a obra de Tarantino se dá na narrativa de vingança de uma personagem principal feminina com traumas emocionais evidentes. Igualmente, as cenas de ação do videoclipe podem ser comparadas às cenas de luta fortemente presentes no filme.

SZA durante performance de "Kill Bill", durante o Grammy Awards de 2024
SZA durante performance de “Kill Bill”, durante o Grammy Awards de 2024 | Foto: Reprodução

Apesar de mais discreta, Used também faz referência a um clássico do cinema mundial: a saga Star Wars (1977 – 2019), dirigida por George Lucas.

A composição aborda temas cotidianos como relacionamentos, autossabotagem, autodescoberta e desafios emocionais. A letra expressa sentimentos de solidão, confusão emocional e uma busca incessante (e decepcionante) pelo amor romântico correspondido.

A aparição tímida de Star Wars se dá quando a cantora se compara ao personagem Obi Wan como uma metáfora para sua própria capacidade de foco e sabedoria, que, em alguns momentos, parecem ser desafiados e desacreditados por outras pessoas.

Ghost in the Machine faz referência ao filme homônimo de 1993, dirigido por Rachel Talalay. A faixa 12 de SOS fala sobre relacionamentos, autoconsciência e a busca por conexão humana genuína em um mundo cada vez mais desapegado e superficial.

A letra aborda questões de egoísmo, vaidade e a dificuldade em encontrar significado e satisfação em interações interpessoais. Além disso, questiona a natureza das relações e o desejo por felicidade e satisfação emocional.

Há uma sensação de desconexão e insatisfação subjacente, enquanto a letra reflete sobre a busca por algo mais significativo e autêntico em meio a um ambiente social que muitas vezes parece vazio e superficial.

Apesar de a obra de Talalay ser um thriller de ficção científica, as semelhanças entre a música e o filme residem na exploração de temas relacionados à humanidade, identidade e conexão emocional em um contexto moderno.

Ambos abordam a busca por significado e autenticidade em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e pela superficialidade das interações humanas.

O sucesso da artista se reflete em suas premiações 

Desde sua indicação ao Academy Awards de Melhor Canção Original em 2019, com All the Stars em parceria com Kendrick Lamar, até a indicação no ARIA Music Awards em 2023 na categoria de Melhor Artista Internacional, SZA tem se mostrado uma figura proeminente.

Em 2021, Kiss Me More, trabalho em que canta com Doja Cat, foi eleita a Colaboração do Ano pelo American Music Awards. Além disso, ela venceu o prêmio de Artista Feminina de R&B/Soul em 2018.

SZA foi indicada ao Grammy de Melhor Artista Revelação em 2018 e ganhou como Melhor Performance em Grupo ou Duo de Pop em 2022 com Kiss Me More. No Soul Train Music Awards, ela ganhou como Artista Revelação em 2017 e Melhor Artista Feminina de R&B/Soul em 2023.

Seu impacto na música vai além das fronteiras dos Estados Unidos, pois foi indicada ao MTV Europe Music Awards em diversas categorias, incluindo Melhor Artista Feminina de R&B em 2022.

SZA durante Grammy Awards de 2023
SZA durante Grammy Awards de 2023 | Foto: Reprodução

SZA é uma figura proeminente na música contemporânea não apenas por sua habilidade artística, mas também por sua capacidade de se conectar com o público em um nível pessoal. Suas letras frequentemente abordam experiências cotidianas que ressoam com pessoas de todas as idades, pois há uma identificação com os problemas e desabafos contidos nas canções.

Ela fala sobre amor e relacionamentos de maneira autêntica, acessível e descreve sentimentos que muitas vezes são escondidos ou menosprezados. Seja discutindo os altos e baixos dos relacionamentos românticos ou refletindo sobre autoconhecimento, suas músicas oferecem um espelho para as experiências comuns e complexas que muitos enfrentam em suas vidas diárias.

Nos palcos, SZA irradia autenticidade, hipnotizando o público instantaneamente. Sua presença é magnética, e ela se entrega às emoções e contextos de suas músicas, criando um ambiente íntimo e quase teatral. Sua voz é poderosa, mas é sua capacidade de transmitir emoção crua e honestidade que realmente prende a atenção do público.

Além disso, a cantora é uma voz importante na luta pela representatividade racial e de gênero na indústria musical. Como uma mulher negra, ela desafia estereótipos e padrões predominantes ao abraçar sua própria identidade e individualidade.

Grande parte de suas composições reflete suas próprias experiências, dando voz a mulheres que frequentemente se sentem silenciadas ou não representadas.

Considerando a grandiosidade do trabalho e da presença de SZA, ela pode ser vista não apenas como uma artista, mas como uma força da natureza. Sua obra transcende gêneros musicais e suas letras ressoam com pessoas, explorando os cantos mais íntimos do coração humano.

SZA desafia as convenções e abre caminhos para uma nova era de expressão e conexão. Ao lembrar o ouvinte da beleza da vulnerabilidade e da importância de ser autenticamente quem somos, a artista se torna uma inspiração para uma nova geração do pop global.

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Uma jornalista apaixonada por música, literatura e cinema. Seus maiores hobbies incluem criar playlists para personagens fictícios e falar sobre Taylor Swift nas redes sociais.
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