[LIVROS] Robô Selvagem: Literatura infanto-juvenil para qualquer idade (Resenha)

[LIVROS] Robô Selvagem: Literatura infanto-juvenil para qualquer idade (Resenha)

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O novo livro de Peter Brown suporta uma camada de elogios e adjetivos para o descrever. Robô Selvagem foi lançado aqui no Brasil pela Editora Intrínseca e já cativou o coração de muitas leitoras. Peter é conhecido por escrever livros voltados para a literatura infanto-juvenil, um segmento literário que é repleto de magia, romance, aventuras e mais um monte de coisas. Mas, assim como “O Mágico de Oz” e “Harry Potter”,conseguiram um público abrangente, não só crianças e adolescentes/jovens, Robô Selvagem também consegue ser um livro que pode ser lido por todas as idades.

Sinopse Oficial de Robô Selvagem

Peter Brown sempre foi fascinado por robôs e pela natureza, e depois de anos imaginado, escrevendo e desenhando, ele deu vida a Roz, uma robô que, ao abrir os olhos pela primeira vez, se vê sozinha numa ilha.

Ela não tem a menor ideia de como foi parar ali, mas foi programada para sobreviver. Depois de suportar uma tempestade intensa e escapar de ursos furiosos, ela se dá conta de que sua única esperança é se adaptar ao ambiente, e vai ter que aprender isso com os nada simpáticos animais que habitam a ilha.

Tudo parece melhorar quando Roz consegue, aos poucos, se aproximar dos bichos e criar um laço inquebrável com um filhote de ganso abandonado. Mas sua natureza é diferente, e o misterioso passado da robô, que a levou àquele ambiente selvagem, está prestes a retomar para assombrá-la.

Robô selvagem é uma história comovente e cheia de aventuras sobre o que acontece quando a natureza e a tecnologia colidem inesperadamente, como os humanos afetam o mundo ao nosso redor e o que significa estar vivo.

Robô Selvagem

Robôs podem ter sentimentos?

Antes de começarmos a falar sobre o livro, vamos pensar sobre um antigo dilema que sempre vem à tona ao falarmos de robôs: eles podem ter sentimentos? Ou somente possuem uma programação para agir semelhante aos humanos? Escritores como Isaac Asimov ou a própria literatura cyberpunk, costumam abordar questões ligadas à inteligência artificial mixadas com questionamentos humanos.

A ficção científica é constantemente relacionada com perguntas pessoais do ser humano, seja até onde podemos avançar tecnologicamente ou mesmo até que ponto conseguimos exercer a empatia pela nossa espécie e pelas outras existentes.

Asimov é considerado “o pai dos robôs”, por ter nascido em 1920 e ter tido um pensamento à frente de sua época, chegando até mesmo a “prever” ganhos tecnológicos. O escritor foi um dos primeiros e mais relevantes autores a falar sobre robótica, chegando ao ponto de formular as três leis da robótica, que são responsáveis por estabelecer um convívio pacífico entre humanos e robôs.

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por ócio, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, excetos nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.

3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

É importante falarmos de Isaac Asimov, pois a maioria de livros, filmes e jogos que envolvam a temática robótica, possuem uma carga de forte influência do pai dos robôs. E no livro Robô Selvagem, não é diferente, Peter Brown se inspirou na fonte asimoviana.

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Robô Selvagem

Roz é uma robô que não estamos acostumadas a encontrar na cultura pop. Frequentemente as obras de ficção científica nos apresentam robôs, androides e ciborgues femininas que são fabricadas e desenhadas para o gênero masculino, como a Pris de Blade Runner ou Eva, de Ex Machina. O gênero feminino  quando é representado nessas obras, consegue focar (na maioria das vezes) no prazer masculino. Ou seja, seres robóticos que possuem características femininas, mas que são modelados para agradar aos homens.

Robô Selvagem

[Contém pequenos spoilers que não estragam o prazer da leitura]

Em Robô Selvagem encontramos o oposto desta representação sexualizada. Roz foi fabricada para ajudar. Seguindo as Leis de Asimov, em sua programação Roz não pode ferir nenhum ser vivo ou computadorizado. Logo que acorda na ilha, sem humanos ou robôs, somente com animais, Roz tenta estabelecer uma relação de diálogo com os outros seres.

Inicialmente, sua tentativa é infrutífera. Os animais nunca haviam visto nada parecido como a robô e começam a chama-la e tratá-la como “monstro”. A não aceitação que Roz convive, a leva a buscar outros meios de se inserir na ilha e buscar uma convivência pacífica com os animais. (o que não é muito diferente de situações encontradas na vida real, onde pessoas ou um grupo de pessoas são discriminadas e marginalizadas, sendo assim excluídas ou invisibilizadas daquele convívio social).

Após se isolar e observar o que cada animal fazia ou dizia, Roz desenvolve a habilidade de poder se comunicar na linguagem dos pássaros, ursos ou raposas, aprende a conversar com cada habitante da ilha. Ao perceberem que a robô consegue se comunicar, os animais começam a enxergá-la com um olhar diferente, e alguns param de tratá-la como um monstro.

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Robôs podem ter sentimentos?

Peter Brown nos leva a essa reflexão em seu livro. Ao decorrer de sua jornada na ilha, Roz depara-se com uma situação onde é levada a adotar um filhote de ganso. Isso mesmo, uma robô adota e começa a agir como a mãe de um animal. É a partir desse ponto que Robô Selvagem passa a ensinar mais lições do que nunca.

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O livro acerta ao mostrar com todas as letras que existem diferentes tipos de famílias e configurações familiares. Bico-Vivo, filho de Roz, possuía sua mãe robô como família. Durante a narrativa, observamos a luta que Roz e Bico-Vivo tiveram para serem reconhecidos por outros animais como uma família. Fazendo uma comparação com adoção de menores por pessoas LGBT’s, que também sofrem diariamente pelo reconhecimento de serem uma família, percebemos que o maior laço existente dentro de uma família, é o afeto.

“Há muitos tipos de mãe – respondeu a robô. – Algumas mães passam a vida cuidado dos filhos. Outras põem ovos e imediatamente os abandonam. Algumas mães cuidam dos filhos de outras mães.”

Robô Selvagem

Robô Selvagem é um livro repleto de referências à cultura popular, um livro que consegue nos fazer chorar e nos apaixonarmos ainda mais por essa fascinante dúvida em relação aos robôs, se possuem sentimentos ou se todas as suas ações são meramente computadorizadas. Vale dizer que o livro é o marco de encontro entre tecnologia e natureza, mostrando até que ponto pode haver a cooperação entre estas.

Durante a leitura conseguimos visualizar novamente as grandes perguntas existenciais quando nos deparamos com a inteligência artificial, mas também, mergulhar no universo mágico que Peter Brown nos apresenta. Mas acima de tudo, Robô Selvagem foi escrito para qualquer idade e para qualquer pessoa. Seja quem se interessa por literatura robótica ou quem é fã de “O Naufrago”, quem assistiu “Wall-E” e chorou, ou simplesmente quem ama ler livros, vai se emocionar com a história de Roz e suas aventuras.

Sobre o autor

Peter Brown é autor e ilustrador de diversos livros infantis que foram best-sellers em outros países. Estudou ilustração no Art Center College of Design, na California, Estados Unidos. Já foi premiado com o Best Illustrated Children’s Book Award, do The New York Times, e eleito ilustrador do ano pelo Children’s Choice Book Award.Pela Intrínseca, publicou também “Sr. Tigre solto na selva“, indicado como leitura Altamente Recomendável pela FNLIJ, e “Minha professora é um monstro (Não sou, não)“, eleito pela revista Crescer como um dos melhores livros infantis de 2016.


Robô SelvagemRobô Selvagem

Autor: Peter Brown

Editora Intrínseca

Este livro foi cedido pela editora para resenha

288 páginas

Onde comprar: Amazon

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Feminista e estudante de serviço social. Ama Star Wars e é viciada em gatos. Adora conversar sobre gênero e brinca de ser gamer nas horas vagas. Nunca superou o fim de The Smiths.
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