[SÉRIES] American Gods – 02×01: A Casa na Pedra (resenha)

[SÉRIES] American Gods – 02×01: A Casa na Pedra (resenha)

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Depois de uma longa espera, finalmente os fãs do escritor britânico Neil Gaiman puderam conferir a estreia da segunda temporada da série American Gods, exibida nos Estados Unidos pelo canal Starz e, mundialmente, pelo serviço de streaming Amazon Prime Video.

Na trama, as espectadoras acompanham Shadow Moon (Ricky Whittle), um ex-detento que encontra-se sem rumo após um terrível acidente tirar a vida de sua esposa, Laura Moon (Emily Browning). No caminho de volta para casa e para o funeral de Laura, Shadow conhece o estranho Mr. Wednesday (Ian McShane), que oferece a ele um emprego de motorista e guarda-costas, com a condição de que o homem não o faça tantas perguntas. Sem muitas opções, Shadow aceita o emprego e descobre, aos poucos, um mundo totalmente inesperado, povoado por deuses vingativos e excêntricos. A segunda temporada dá continuidade aos acontecimentos do episódio Come to Jesus, e cria muitas expectativas para o que poderá acontecer dali em diante.

[CONTÉM PEQUENOS SPOILERS DA PRIMEIRA TEMPORADA]

Com a saída dos showrunners Bryan Fuller e Michael Green, muito se discutiu sobre a posterior qualidade da série, agora comandada pelo próprio Gaiman, que em sua primeira temporada apresentou uma grande riqueza visual e textual, as quais mediaram pautas sociais, raciais e de gênero muito importantes para o cenário mundial atual. É notória a diferença do tom de uma temporada para outra, apesar de ter-se como respaldo um episódio apenas: com desenvolvimentos de arcos muito rápidos, diferente dos roteiros dos oito episódios da temporada passada, “A Casa na Pedra” retoma a busca de Mr. Wednesday, que revelou ser o deus nórdico Odin, por aliados em uma guerra que está prestes a acontecer contra os novos deuses.

American Gods
Imagem: reprodução

Neste episódio, não há a inserção dos trechos de “vinda à América”, os quais introduziam as dinâmicas de povos imigrantes e suas respectivas crenças que, aos poucos, moldaram o que hoje forma a cultura do território norte-americano; no lugar disto, os produtores decidiram fazer uma breve recapitulação da primeira temporada, a fim de fazer um gancho imediato com o que seria exibido em seguida.

Após saírem do banquete de Ostara (Kristin Chenoweth), ocasião na qual Mr. Wednesday mostrou todo o seu poder e incitou a deusa a lançar uma maldição de infertilidade sobre a Terra para que as pessoas voltassem a cultuá-la, ele, Shadow, Laura e Mad Sweeney (Pablo Schreiber) viajam juntos até a Casa na Pedra, local turístico construído há muitos anos e que serve de ponto de concentração de poder pela suas atrações que atraem diversos visitantes. É lá que encontram Bilquis (Yetide Badaki), Anansi (Orlando Jones), Jinn (Mousa Kraish) e Salim (Omid Abtahi). Com exceção de Salim, Laura e Mad Sweeney, os demais se dirigem ao carrossel, e com a ordem de Mr. Wednesday, sobem no brinquedo, deixando Shadow sem reação e um pouco descrente do propósito daquele evento.

American Gods
Imagem: reprodução

Após embarcarem no brinquedo, têm-se a primeira cena impactante do episódio: em um local paradisíaco, Shadow e os demais deuses encontram-se com outras divindades ainda não apresentadas na série, como Mama-Ji, a deusa hindu Kali (Sakina Jaffrey). Os efeitos visuais surreais surpreendem pela beleza e é muito interessante observar os deuses, incluindo Odin, em suas formas primitivas. Todos conversam sobre a necessidade de juntarem-se para combater os novos deuses e até mesmo Shadow, antes apenas espectador, participa da discussão. A crescente deste personagem e sua tomada de consciência sobre um universo fantástico desconhecido e, também, sobre si mesmo e suas próprias crenças fazem com que a espectadora sinta-se aos poucos cada vez mais aliviada e situada ao acompanhar a trama através da mente dele. Ao passo que todo o nonsense vai fazendo sentido, Shadow sente que as peças do quebra-cabeças de seu passado e presente vão se encaixando.

American Gods
Mama-Ji. Imagem: reprodução
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Neste episódio, as espectadoras também acompanham o assustador Mr. World (Crispin Glover) e Technical Boy (Bruce Langley) dialogando sobre a possibilidade de vencerem Odin na hipotética batalha, mesmo desfalcados, pois a Mídia (antes interpretada por Gillian Anderson, e que agora ganhará voz através da Nova Mídia, a atriz Kahyun Kim) está desaparecida. A dupla mostra-se obcecada para iniciar uma carnificina entre os velhos deuses.

Outra dupla que chama a atenção pelo destaque que ganhou, diferente do livro, é Mad Sweeney e Laura Moon. Mesmo deslocada e deixada de lado pelo próprio esposo, ela insiste em acompanhá-lo e protegê-lo a qualquer custo. Laura só não se sente tão sozinha, pois Mad Sweeney, após ter contado a ela que o acidente que a matou havia sido providenciado por ele a mando de Mr. Wednesday, tenta se redimir da culpa, nem que seja lhe oferecendo atenção.

American Gods
Mad Sweeney e Laura Moon. Imagem: reprodução

Bilquis também possui muito destaque no episódio. Uma das personagens mais interessantes da série, cuja história começou a ser contada em capítulos anteriores, e que por mais que tenha se unido aos novos deuses, mostra uma parcela de fragilidade, medo e culpa por deixar um pouco de lado a sua personalidade poderosa, apenas para reparar a dívida que tem com Technical Boy.

Nota-se na estrutura técnica do episódio uma tentativa de manter o “padrão Fuller de qualidade”. Para quem já assistiu à série Hannibal e à primeira temporada de American Gods, os planos minimalistas eram um banquete para os olhos e também importantes dentro da narrativa ritualística da trama. Por mais que a excelência de Fuller não tenha ainda sido atingida, o esforço dos novos produtores vale a pena e a série se mantém muito bonita e de tirar o fôlego em diversos momentos.

American Gods
Imagem: reprodução

Outro resultado das altas expectativas alimentadas pela dupla Fuller e Green foi a queda nos diálogos, principalmente nos de Anansi, o deus africano contador de histórias. Sua primeira aparição na série, feita sob a luz de um discurso inflamado acerca da escravidão do povo africano e sobre seu posterior futuro de perseguições e preconceitos, parece muito distante e injusta perto do que lhe reservaram para este primeiro episódio. O personagem ainda é um dos mais carismáticas da trama, mas poderia ter mais momentos icônicos desde o início (agora, nos resta torcer por mais surpresas).

O episódio termina de forma muito sombria, algo que não havia acontecido anteriormente, e deixa um gancho tenebroso para o desenrolar desta temporada que, segundo os produtores, promete “explodir as mentes” de seus espectadores na season finale


Deuses Americanos Come to Jesus Deuses Americanos

Editora Intrínseca

Ano de publicação: 2011.

574 páginas

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Autora

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É estudante de Letras e fã incondicional de Neil Gaiman – e, parafraseando o que o próprio autor escreveu em O Oceano no Fim do Caminho, “vive nos livros mais do que em qualquer outro lugar”.
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