[DOCUMENTÁRIO] “Audrie & Daisy”: o poder destrutivo da violência sexual e do bullying

[DOCUMENTÁRIO] “Audrie & Daisy”: o poder destrutivo da violência sexual e do bullying

Durante os 16 dias de ativismo na luta contra a violência à mulher, os blogs envoltos pelo #feminismonerd se propuseram a discutir as problemáticas em torno da representação de mulheres como uma matriz que reitera os discursos de violência e ódio, quanto veículos que visibilizam a discussão. Sabemos que apenas a exposição e discussões possibilitam o combate direto, a resolução e identificação do problema. Como reitera a escritora e teórica feminista Audre Lorde : “é preciso transformar o silêncio em linguagem e ação”.

O dia 25 de novembro é considerado o Dia Internacional de Luta pelo Fim da Violência contra a Mulher. A criação da data foi escolhida através da Organização das Nações Unidas no ano de 1999, como uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, que foram brutalmente assassinadas em 1960 pelo ditador dominicano Rafael Leônidas Trujillo. Além de ser uma data triste, é importante para passarmos a refletir sobre essa violência de gênero que as mulheres sofrem diariamente – que além de se manifestar por vários modos (violência física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial) constitui um problema enraizado e naturalizado em nossa sociedade. 

Hoje falaremos sobre o documentário “Audrie & Daisy”, que retrata os sérios danos que a violência sexual e o bullying nas redes sociais causam na vida de mulheres que foram vítimas. 

*AVISO DE GATILHO: ESTUPRO E SUICÍDIO*

“Audrie & Daisy” é um documentário dirigido por Bonni Cohen e Jon Shenk e exibido pela primeira vez na edição de 2016 do Festival de Sundance. A obra mostra entrevistas com vítimas que superaram o medo de expor suas histórias e contam como foi e continua sendo lidar com um trauma tão pesado. O documentário aborda as famílias que perderam suas filhas e que não conseguiram suportar o impacto da violência que elas sofreram, cometendo suicídio. 

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O filme tem duas histórias principais: a de Audrie Pott e Daisy Coleman. Audrie foi abusada sexualmente quando tinha 15 anos de idade, após ficar bêbada em uma festa. Fotos do acontecido se espalharam pela internet e quando chegaram até ela – que não se lembrava de nada – ficou desesperada. Audrie passou a sofrer bullying nas redes sociais e não conseguiu lidar com a situação horrível que estava vivendo. Cometeu suicídio cerca de 1 semana depois.

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Audrie Pott

Daisy sofreu violência sexual quando tinha 14 anos, por um rapaz de 17 anos que era amigo de seu irmão mais velho. Daisy tinha bebido com sua amiga Paige e foi convidada por esse amigo de seu irmão para ir até a casa dele beber com outros amigos. As duas decidiram ir até o local e foram abusadas sexualmente. Daisy foi deixada pelos garotos no chão do quintal de sua casa de madrugada e foi encontrada por sua mãe. Paige foi deixada em casa e apagou.

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Daisy e Paige

Os pais de Audrie contam em depoimentos emocionados o que a filha passou e a dor pela perda dela, mas boa parte do documentário fala sobre a experiência de Daisy até então, e de como sua família a ajudou a enfrentar todo o trauma sofrido. 

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Delaney Henderson

A história de Delaney Henderson também é contada no documentário. Delaney foi atrás de Daisy logo após saber de seu caso através das redes sociais, e mesmo não a conhecendo, sentiu a necessidade de prestar apoio por saber que estava passando naquele momento o mesmo terror que já havia sofrido anteriormente, pois tinha sido estuprada aos 16 anos.

As histórias de outras meninas também são apresentadas no documentário.

Da esquerda para a direita: Daisy Coleman, Ella Fairon, Delaney Henderson e Jada Smith (todas elas têm suas histórias apresentadas no documentário)

“Audrie & Daisy” fala sobre o julgamento perpetrado pela sociedade, sobre o machismo e misoginia,  sempre presentes em casos de estupro, e o bullying desencadeado, principalmente, através das redes sociais.

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No documentário, trechos de depoimentos dos acusados em ambos os casos são apresentados – um ponto interessante para que se veja como o agressor se comporta quando questionado sobre as acusações do crime cometido. Os argumentos são sempre vagos, e na verdade tudo o que querem é que o julgamento termine logo para se livrarem das acusações.

É um documentário necessário e que serve de alerta para as famílias, para que os pais estejam atentos às atitudes de suas filhas e filhos, evitando com que sofram essas formas de violência e, principalmente, ensinando e conscientizado para que os meninos não cometam crimes como os apresentados no documentário. Em tempos de Bolsonaros e Trumps, a nossa melhor arma é a informação e a luta para que o agressores sejam punidos. 

“Audrie & Daisy” está disponível no catálogo da Netflix.


Textos voltados para a ação nerd pelo fim da violência contra a mulher:

 Sites envolvidos nessa campanha:

Autora:

Formada em Rádio e TV, maratonista e viciada em séries, eterna amante de um bom filme, escreve desde quando só conseguia usar desenhos para contar suas histórias, apaixonada por “Titanic” e uma quase bailarina que aprendeu muita coreografia em clipe da MTV. Sonha em morar no Canadá, escrever um livro, ter filhos, ser doula e conseguir colocar suas séries em dia.
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