[LIVROS] O Livro de Memórias: O medo de perder seu próprio futuro (Resenha)

[LIVROS] O Livro de Memórias: O medo de perder seu próprio futuro (Resenha)

“Se você está lendo isso, deve estar se perguntando quem você é. Vou dar três dicas.” É assim que Samantha McCoy começa O Livro de MemóriasDepois de ser diagnosticada com Niemann-Pick tipo C, essa doença que faz com que a personagem perca a memória gradativamente, ela decide escrever uma espécie de diário, que fará com que a Sammie do Futuro possa utilizar para consultar, caso comece a esquecer de coisas importantes.

Sinopse de O Livro de Memórias:

“Uma história emocionante sobre aprender a viver quando a vida não sai como a gente espera. Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho – nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância e de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.” 

– Cia. das Letras.

 O Livro de Memórias

O plano parece ótimo à princípio, e mesmo depois do diagnóstico, Samantha se mantém positiva e acredita que a força de vontade será o suficiente para ajudá-la a vencer esse obstáculo. Mas é aos poucos que ela percebe que a NP-C é mais do que apenas um pequeno obstáculo, mas sim algo que vai afetar toda a sua vida. Vai afetar seus planos, mudar seus objetivos, afetar suas relações, seu dia a dia e fazê-la rever sua forma de viver. A história tem personagens bem diversificados, e mesmo com o tema pesado consegue manter um tom leve, já que teria sido escrito pela própria Samantha de forma informal para ela própria ler depois.

Samantha é a clássica aluna inteligente do ensino médio, boas notas, sem amigos e poucas habilidades sociais. Ela é extremamente competitiva e seu objetivo é se tornar uma advogada de sucesso. Além de sua família, as outras personagens que vemos incluem Maddie, uma garota bem mais leve e social que Samantha (e que tem um moicano vermelho), Stuart, que é um escritor iniciante e nosso clássico garoto misterioso que adoramos, com suas roupas pretas e óculos escuros. E por último, Cooper, o amigo de infância de Samantha que foi expulso do time de beisebol por fumar maconha.

“Observei a gigantesca sala de madeira, repleta de garotas magricelas e jogadores de beisebol tirando foto de si mesmos. É isso que as pessoas fazem em festas?”

O diário de Sam é todo escrito em seu computador e celular, por isso abandona diversas regras de escrita. Isso foi um recurso muito interessante no livro, pois deixou a escrita muito mais livre e pessoal dando um toque mais descontraído e nos aproximando da protagonista. Inclusive há algumas partes em que ela escreve enquanto está confusa em função da perda de memória, sem ter certeza de onde está ou sem o efeito dos remédios. São capítulos rápidos e confusos que ajudam muito a mostrar o que ela realmente está passando.

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“Desculpe por não estar escrevendo bem meus analgésicos estão fazendo efeito mas sinceramente escrever sob efeito de analgésico é mais fácil porque não fico tão preocupada em deixar bonito sabe?”

Mas além de ter NP-C, Sammie também é uma adolescente (ou jovem-adulta). O livro começa quando ela está terminando o ensino médio, e acompanhamos todos os seus dramas cotidianos. Provas, clube de debate, formatura, festas, namorados, amizades, pais, irmão, e por aí vai. Gradativamente vamos observando como ela lida com tudo isso com cada vez mais dificuldade, mais perdas de memória e mais confusões de não saber onde está. E além das perdas de memória, ela precisa lidar com o medo da perda de memória. O medo de estragar momentos importantes por esquecer de repente onde está.

“Davy me perguntou por que eu queria os deixar os dentes tão limpos. Ela me viu escovar os dentes três vezes no período de uma hora antes de deitar. Acho que esqueci que já tinha escovado.”

Além da forma leve de escrita, o livro nos lembra muito a adolescência com todos os seus dramas e acontecimentos cotidianos. Mas são os detalhes que fazem com que O Livro de Memórias consiga ir muito além. Vemos os pais de Sam com dificuldades para pagar todos os médicos e consultas que ela precisa, os amigos se afastando por não saberem como lidar com a situação e o desespero de uma pessoa que tem todas suas ambições e sonhos tirados dela de um dia para o outro.

A leitura desse livro é quase obrigatória. Mesmo com o tom leve e dos dramas adolescentes, a história é triste e em especial realista, fugindo das romantizações, mostrando todas as formas como a vida de Samantha foi afetada e as dificuldades que ela tem de aceitar e conviver com as limitações que surgiram de um dia para o outro.

“— Você não precisa ser nada além de você mesma.
— Às vezes ser eu mesma é demais para dar conta.”


O Livro de MemóriasO Livro de Memórias

Lara Avery

Companhia das Letras

392 páginas

Onde comprar: Amazon

Este livro foi cedido pela editora para resenha.

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Autora:

25 textos

Apaixonada por livros de capa dura, filmes com bastante drama, histórias em quadrinho, jogos de estratégia e essas coisitas mais. Sempre começa a escrever mais textos do que é capaz de terminar. Formada em desenvolvimento de sistemas, fã de Tolkien e criadora do Dragões Encaixotados.
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