[SÉRIE] American Gods – 1 x 06: A Murder of Gods (Resenha)

[SÉRIE] American Gods – 1 x 06: A Murder of Gods (Resenha)

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Estaria Shadow começando a crer definitivamente em fatos sobrenaturais? Esta fé, que move diversas nações em prol de paz interior e milagres pessoais começará a atingi-lo? No sexto episódio de American Gods, A Murder of Gods (“Um Assassinato de Deuses”), o protagonista se vê ainda mais angustiado em busca de respostas para os últimos acontecimentos e a trama fica ainda mais obscura quando Wednesday vai atrás de mais um aliado incomum para a realização de seu plano.

[CONTÉM SPOILERS DE A MURDER OF GODS]

 A Murder of Gods

Em mais um trecho de Vinda à América, acompanha-se um grupo de imigrantes mexicanos atravessando ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos. Por serem cristãos, antes de atravessarem à nado a correnteza de um rio, pedem que Deus os proteja para que nada de ruim aconteça. Ao anoitecer, partem para um mergulho incerto até a outra margem do rio, ao passo que um dos imigrantes começa a se afogar, mas é resgatado por um misterioso homem de cabelos grandes e escuros e vestes claras. Ele caminha com facilidade sobre a água e impressiona a todos. O homem salvo do afogamento pergunta à misteriosa figura o seu nome e, respondendo em um excelente espanhol, diz que ele já conhece seu nome, por ele próprio se tratar de Jesus Cristo. Felizes com a travessia, o grupo é abordado por carros, dos quais saem pessoas armadas atirando e matando muitos dos imigrantes. Jesus toma a frente do homem que salvara e morre baleado no peito e nas mãos, caindo ao chão como se fosse mais uma vez crucificado.

 A Murder of Gods

Shadow e Wednesday voltam da delegacia e, muito bravo por falta de respostas, e ainda sem entender o que acabar de acontecer na sala de interrogatório com Marilyn Monroe, Mr. World e o Technical Boy, Shadow diz estar confuso quanto à veracidade das coisas estranhas que vira até aquele momento, incluindo a aparição de Laura. Wednesday faz com que Shadow reflita sobre a existência de deuses e este pergunta a ele onde todas aquelas pessoas estavam antes dele conhecê-lo; Wednesday o explica que todos os eventos sobrenaturais existem e estão ao alcance dos humanos, mas que as pessoas têm medo de buscar o desconhecido e preferem ficar em suas zonas de conforto, presas à realidade. Os dois voltam ao hotel e partem, deixando Laura, correndo atrás do carro, para trás.

Laura volta a encontrar Mad Sweeney enquanto procura por seu carro. Mad Sweeney cobra novamente sua moeda da sorte, mas a mulher não lhe dá ouvidos. Ele diz que conhece alguém que pode ajudá-la a viver novamente sem o auxílio da moeda e, irritada, Laura pergunta qual é a verdadeira identidade do homem e ele a revela: é um leprechaun. Os dois tentam roubar um táxi para irem embora dali, mas o táxi pertence a Salim, que ameaça atirar em Mad Sweeney, caso ele não desista do roubo. Salim pergunta ao leprechaun se ele conhece algum jinn, pois ele próprio anda há dias procurando por um. Mad Sweeney pede que Salim os leve até Kentucky e ele o ajudará a encontrar o jinn.

No carro, Shadow começa a se sentir mal e vê que o ferimento causado pela estranha árvore na delegacia estava dolorido e infeccionado. Wednesday diz conhecer diversos feitiços e, parando o carro para ajudar Shadow, consegue tirar de dentro dele a raiz que se movia, fruto de Mr. Wood, a árvore da delegacia. Wednesday diz que Mr. Wood era as florestas que existiam antes da industrialização e que aos poucos sacrificou suas árvores em prol da modernidade e das construções. Ainda assustado com o momento da “cirurgia”, Shadow é consolado por Wednesday, ouvindo dele que “a religião faz quem não teme nada, temer os deuses”, uma clara alusão ao que Shadow estava passando naqueles dias confusos e aterradores.

Salim, Laura e Mad Sweeney conversam enquanto pegam a estrada. O homem conta um pouco sobre seus dias em Nova York, sobre a solidão e as dificuldades que passou enquanto viveu na cidade. Ele deixa claro que seu propósito agora é encontrar o jinn, pois esse é o seu “pós-vida”, ao passo que Laura diz não querer mais encontrar sua família; assim como Salim, seu propósito é seguir Shadow aonde quer que vá. No meio do caminho, Laura induz Salim a fazer o desvio da rota do Kentucky e os três vão parar no Jack’s Crocodile, bar em que Shadow briga com Sweeney no primeiro episódio da série.

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 A Murder of Gods

Uma cidade um tanto incomum se estende à frente de Shadow e Wednesday: Vulcan, no Estado da Virgínia. Muito patriotas, absolutamente todos os habitantes empregam seu tempo, hobbies e pensamentos à indústria bélica e, sem saber, servem de sacrifícios para o deus Vulcan (Corbin Bernsen), o deus romano do fogo, encarregado de forjar armas para os deuses. Vulcan é dono de uma fábrica de projéteis e, algumas vezes por ano, causa a morte de alguns de seus funcionários em imensos tanques de lava para se fortalecer. Ao chegarem na cidade, Shadow e Wednesday observam uma passeata liderada pelo deus, que após um discurso inflamado do líder, culmina em tiros em homenagem ao chefe da fábrica que acabara de morrer. Wednesday vai ao encontro do velho amigo e, muito bem recebido, o convida a ir para Winsconsin, participar de sua guerra. Na casa de Vulcan, Wednesday e ele conversam sobre a obsessão dos moradores da cidade acerca do armamento. Vulcan explica que cada bala disparada o deixa mais forte. Ele aceita participar da guerra de Wednesday e este pede que o amigo forje uma espada para que ele leve ao campo de batalha.

Shadow desconfia que Vulcan possa ser uma má pessoa por traz de toda a hospitalidade. Wednesday nota a preocupação no rosto do homem, que preocupado com Laura, é induzido por Wednesday a fechar os olhos e imaginá-la: Shadow consegue enxergá-la perfeitamente, olhando a família ao redor da mesa de jantar, mas sem coragem de se aproximar para não ser vista. Assim como no momento em que conjurou neve, no terceiro episódio, Shadow nota que os poderes que se manifestam ao seu redor conseguiram mais uma vez se estender até ele.

A Murder of Gods
Vulcan

Vulcan forja uma esplendorosa espada para Wednesday, mas ao entregá-la diz ter contado aos Novos Deuses sobre seu plano e onde estavam naquele momento. O grupo de Mr. World logo mais chegaria ao local. Sentindo-se traído, Wednesday pergunta o porquê de ele ter tomado aquela atitude e Vulcan responde que foram os Novos Deuses que permitiram a ele migrar seu poder ancestral de manusear o fogo para algo contemporâneo como as armas de pequeno e grande porte, já que antes ele não tinha a importância de agora. Ele diz existir com a ajuda deles e não poderia traí-los como Wednesday estava sugerindo. Sem pensar duas vezes, Wednesday corta a cabeça de Vulcan e o empurra em um dos barris de leva, levando Shadow a entrar em estado de choque.

A Murder of Gods

Salim faz sua prece virado para Meca, enquanto Mad Sweeney e Laura o observam. Ela parece admirar em Salim a fé que, em vida, foi deixando aos poucos ao crescer. Em um curto diálogo os dois concordam que, acima da fé, a vida, simplesmente, pode ser ótima.

Você é o que você adora“, diz Vulcan a Wednesday antes de ser morto. O perfil extremamente nacionalista dos norte-americanos é abordado neste episódio, bem como a importância dada ao consumo desenfreado de armamento e às caçadas legalizadas na maioria dos Estados. Mesmo quando se assume não possuir crenças em uma força superior ou manifestações sobrenaturais de qualquer tipo, o ser humano tende a projetar nas coisas que dá valor toda a sua energia, sonhos, vida (e isso pode dizer muito ao seu respeito e vir a determinar sua personalidade – boa ou ruim).

A volta repentina de Salim foi uma surpresa muito agradável. Notavelmente tocado emocionalmente pelo jinn, é impossível não torcer a cada instante pelo reencontro dos dois – e por um possível relacionamento homossexual abordado tão poeticamente quanto no episódio em que os dois se conhecem. O trio improvável, Laura, Mad Sweeney e Salim ainda renderá muitos momentos leves para a série, pois os três, mesmo sendo tão diferentes, unem-se em um ponto comum: os propósitos que as mudanças drásticas na vida tanto clamam para serem encontrados.


 A Murder of Gods Deuses Americanos

Editora Intrínseca

Ano de publicação: 2011.

574 páginas

Onde comprar: Amazon


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É estudante de Letras e fã incondicional de Neil Gaiman – e, parafraseando o que o próprio autor escreveu em O Oceano no Fim do Caminho, “vive nos livros mais do que em qualquer outro lugar”.
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