Game of Thrones – 8×03: The Long Night (resenha)

Game of Thrones – 8×03: The Long Night (resenha)

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O aguardado terceiro episódio da oitava e última temporada de Game of Thrones, intitulado “The Long Night (“A Longa Noite”) foi ao ar, então, no domingo, dia 28 de abril. Se para alguns o episódio foi angustiante, para outros talvez não tenha superado as expectativas. No entanto, é certo que a grande ansiedade influenciou as perspectivas. Afinal, este era um dos momentos mais esperados desde o início da série. Era, enfim, o momento em que os protagonistas enfrentariam a grande ameaça de além da muralha: os white walkers.

No final da sétima temporada de GOT, dois elementos marcaram a vinda do exército da noite e, consequentemente, a sua aproximação dos muros de Winterfell. Em primeiro lugar, Viserion, um dos dragões de Daenerys (Emilia Clarke), é acertado pela lança do Rei da Noite, tornando-se, após sua morte, um dragão a serviço do Exército da Noite; portanto era uma das expectativas do público o momento em que Viserion, montado pelo Rei da Noite, lutaria contra seus irmãos, Drogon e Rhaegal, e sua mãe Daenerys.

Em segundo lugar, a magia que protegia os Sete Reinos contra a passagem dos white walkers se quebrou. A passagem de Bran (Isaac Hempstead-Wright), que fora marcado pelo Rei da Noite em uma de suas visões, rompe com a magia, permitindo que os white walkers ultrapassem a muralha de gelo e avancem pelo território.

[AVISO: CONTÉM SPOILERS]

The Long Night: o terceiro episódio de Game of Thrones

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Brienne (Gwendoline Christie) e Jamie (Nikolaj Coster Waldau) (Foto: Reprodução)

O episódio começa, então, com a longa noite e a escuridão é uma das marcas do episódio, em contraste à luz que, em muitos momentos, representa a salvação. Na noite escura e fria, o exército liderado por Daenerys e Jon Snow (Kit Harrington) aguarda o momento de contra-atacar o exército de white walkers antes que ele os ataque. À frente encontram-se os Dothraki, mas antes que eles possam cumprir seu papel, uma aguardada personagem aparece.

Melisandre (Carice Van Houten) ainda não havia aparecido na última temporada. Sua última aparição foi no início da sétima temporada de Game of Thrones, após falar a Daenerys sobre a lenda do Azor Ahai. Cabe lembrar que a lenda fala de um príncipe prometido que põe fim à Longa Noite. Melisandre, contudo, não deixa claro quem exerceria esse papel, tendo já errado uma vez ao acreditar que Stannis Baratheon (Stephen Dilane) era o príncipe prometido e retorna, dessa vez, para cumprir seu propósito, de acordo com a vontade do Senhor da Luz.

Ao se aproximar, Melisandre pede a Jorah Mormont (Iain Glen), líder, então, do exército de dothraki, que ordene a eles que levantem suas armas e recita: “Senhor da Luz, lance sua luz sobre nós. Senhor da Luz, defenda-nos, pois a noite é escura e cheia de horrores”. Isto faz com que suas armas se acendam, possibilitando-os que se lancem contra a escuridão desconhecida. A noite, contudo, é cheia de horrores e o que pretendia ser ou um ataque surpresa ou a revelação da localização do inimigo logo se torna a morte. As luzes se apagam novamente e os que sobrevivem retornam, desse modo, correndo.

A guerra contra os white walkers

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Verme Cinzento (Jacob Anderson) (Foto: Reprodução)

Os white walkers, então, chegam e todos os exércitos, dentro dos quais se encontram Brienne (Gwendoline Christie), Tormund (Kristofer Hivju), Jaimie (Nikolaj Coster Waldau), Verme Cinzento (Jacob Anderson), Eddison (Ben Crompton) e Sam (John Bradley-West) unem-se a essa batalha contra a morte. O episódio de Game of Thrones é sombrio como toda guerra deve ser. É sangrento, com corpos se misturando à fumaça de fogo e gelo, e apesar dos esforços de todos, talvez seja impossível vencer o inimigo dessa vez. Diante do poderio do Exército da Noite, dessa maneira, os exércitos retornam para dentro dos muros de Winterfell.

Assim como eles, adentrou a cidade a feiticeira vermelha Melisandre. Após a benção do Senhor da Luz, Melisandre passa por Verme Cinzento e fala “Valar Morghulis” e é, então, respondida com o tradicional “Valar Dohaeris”. Ou seja, “todos os homens devem servir” e “todos os homens devem morrer”, e se é com a morte que estão lidando, nada mais coerente que o deus da morte esteja tão presente. Após o breve encontro, segue para os portões de Winterfell.

Apesar da desavença que possui com Davos (Liam Cunningham) – decorrente do equívoco em sua crença que levou à morte a princesa Shireen (Kerry Danielle Ingram) -, este autoriza sua entrada por entender que há um propósito em sua presença ali. Quando, então, Verme Cinzento tenta acender as trincheiras que protegem Winterfell e aqueles que recuam, sem sucesso, vê na feiticeira uma salvação. Melisandre pede mais um favor ao Senhor da Luz e, embora demore a acontecer, as chamas se acendem novamente, postergando o fim iminente, até que o Exército da Noite encontra um forma de ultrapassar as chamas e invadem, finalmente, o castelo, gerando ainda mais apreensão.

As criptas de Winterfell

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Sansa (Sophie Turner) e Tyrion (Peter Dinklage) (Foto: Reprodução)

As criptas de Winterfell, no episódio de Game of Thrones, abrigam não apenas os mortos. Embora os mortos, em todo o episódio, sejam vistos como uma ameaça, parecem oferecer, desse modo, uma proteção e abrigam, assim, personagens como Tyrion (Peter Dinklage) e Missandei (Nathalie Emmanuel).

Embora comece nos muros de Winterfell, Sansa (Sophie Turner) é logo enviada por Arya (Maisie Williams) também às criptas. Lá sua irmã estaria mais segura e teria melhor função em face à batalha que se travava. Dessa maneira, aceita a arma oferecida por sua irmã mais nova e se junta aos protegidos. Encontra, então, um Tyrion ainda descontente com a decisão de Daenerys de deixá-lo nas criptas. Seu orgulho foi ferido, tendo já experiência em guerras através da batalha de Black Water. Talvez ele pudesse enxergar o que mais ninguém via; no entanto, esta não é uma guerra travada pela inteligência. Desta vez, não são as estratégias de guerra que vencerão.

Como na batalha de Black Water, os momentos de angústia, mesmo diante da suposta proteção, criam laços e relembram-se que Sansa e Tyrion já foram casados em Game of Thrones, antes que a herdeira dos Stark fugisse de Porto Real com Petyr Baelish (Aidan Gillen) e Tyrion conhecesse Daenerys. Durante a espera, os dois relembram essa época. Contudo, segundo a Stark, o casamento nunca teria dado certo, pois Tyrion teria de dividir sua lealdade com Daenerys.

A angústia aumenta quando eles percebem que os mortos estão dentro de Winterfell; ouvem os gritos dos seus aliados do lado de fora, mas nada podem fazer que não comprometa sua segurança. Apenas não desconfiavam de que os mortos de dentro também poderiam ser seus inimigos.

A dança dos dragões

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Viserion (Foto: Reprodução)

Como já mencionado, um dos grandes momentos aguardados pelos fãs era batalha entre Viserion, Drogon e Rhaegal, e não demora muito, então, para que ela aconteça. Já no início do episódio de Game of Thrones, Daenerys surge montada em Drogon, enquanto Jon Snow surge em Rhaegal – que montou, pela primeira vez, no primeiro episódio da oitava temporada de GOT. Ao mesmo tempo em que os dois poderiam usar os dragões para auxiliar seus exércitos, precisam estar atentos ao Rei da Noite, montado em Viserion. Afinal, eles sabem que o rei está à procura de Bran e precisam protegê-lo. Na noite enevoada, então, as chamas azuis de Viserion se destacam e os ataques entre os dragões se assemelham a uma dança – nos livros, o título A Dança dos Dragões faz referência a uma guerra civil.

Tanto Jon quanto Daenerys são atacados em diversos momentos, mas resistem. O Rei da Noite, no entanto, se separa de Viserion e quando Dany o vê sozinho, decide testar a teoria levantada por Arya emA Knight of the Seven Kingdoms. Descobre, contudo, que o fogo de dragão não é capaz de matar o Rei da Noite e ele e Drogon acabam sendo atacados. Jon, então, surge para enfrentar o grande inimigo, mas ele utiliza seu poder para ressuscitar os mortos – inclusive aqueles que morreram por Winterfell ou estavam nas criptas. Embora Daenerys e Drogon ressurjam para salvar o recém descoberto Targaryen, talvez a batalha contra o Rei da Noite não seja uma batalha de Jon Snow.

O saldo de mortos de Game of Thrones

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Daenerys (Emilia Clarke) e Jorah Mormont (Iain Glen) (Foto: Reprodução)

Quando a preview do terceiro episódio da última temporada de Game of Thrones saiu, certamente todos se perguntaram quem morreria – e as possibilidades eram muitas. Poderia ser Brienne, recém consagrada cavaleira; poderia ser Jaimie, em sua redenção. No entanto, o saldo de mortes foi menor que o esperado para um batalha épica como a que se esperava. Durante sete temporadas, o exército de white walkers foi apresentado como o grande inimigo. Contudo, apareceram em apenas um episódio de três da última temporada, na metade dela e não no final, e, apesar de terem causado grandes estragos, não foram, de longe, tão grande quanto o que se esperava para os personagens recorrentes. De fato, o saldo de mortos, até o momento, é composto majoritariamente por figurantes.

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A primeira morte é de Eddison, que cai ao ajudar Sam. Dele, seguem a morte de Lyanna Mormont (Bella Ramsay), que morre bravamente ao matar um dos gigantes tornados white walker na sétima temporada de GOT. Ela não é, todavia, a única de sua família a perecer. Assim como ela, Jorah Mormont é um dos personagens regulares que morre, em defesa de sua rainha.

O laço com Daenerys é bastante explorado ao longo do episódio. É quando ele recua do primeiro ataque liderando os dothraki que Daenerys assume sua posição com Drogon. Mesmo quando Jon Snow lhe avisa que o Rei da Noite está vindo, ela afirma que os mortos já estão lá, e quando ela e Drogon estão sendo atacados por white walkers, Jorah aparece para lutar junto a ela uma última vez. Ao final, ela e seu filho/dragão choram abraçados ao corpo daquele que um dia os traiu, mas também os amou.

Bran: o último corvo de Game of Thrones

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Bran Stark (Isaac Hempstead-Wright) (Foto: Reprodução)

Por fim, outra morte de um personagem que cresceu na série: Theon Greyjoy (Alfie Owen-Allen) se voluntariara a proteger Bran nos bosques sagrados. Era uma forma de se redimir por ter atacado Winterfell quando Bran cuidava do lugar, mesmo tendo sido ali criado junto aos Stark; Theon tenta se desculpar com o Stark, mesmo que este lhe diga que tudo o que ele fez o levou ao seu lugar: seu lar, Winterfell. Depois de defender bravamente o Corvo de Três Olhos, Theon morre pelas mãos do Rei da Noite, mas não sem o perdão de Bran, que diz: “você é um bom homem”.

Sozinho, Bran encara o destino. Antes, havia largado em corvos, embora as razões não tenham sido explicadas. Pode ser que apenas quisesse vislumbrar a batalha; pode ser que quisesse encontrar através deles o Rei da Noite; ou pode ser que tivesse encontrado uma forma de estender sua vida diante da chegada do inimigo. No momento em que o Rei da Noite o alcança, contudo, ele está ali, à espera do que virá.

Como explicado no episódio anterior, o Rei da Noite precisa destruir o Corvo de Três Olhos para apagar a memória da humanidade. Somente assim poderá instaurar a Longa Noite – e, por essa razão, todos tentavam proteger Bran. Para a surpresa de todos, entretanto, não é Jon Snow, tampouco Daenerys, que aparece. É uma outra e valente personagem.

Arya e a profecia de Melisandre

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Melisandre (Carice Van Houten) e Arya (Maisie Williams) (Foto: Reprodução)

Algumas temporadas antes, Arya teve seu encontro não apenas com o Deus da Morte, mas também com a feiticeira vermelha. Na ocasião, esta lhe disse que ela fecharia muitos olhos, olhos castanhos, olhos verdes e olhos azuis, e que elas voltariam a se encontrar. No episódio anterior de Game of Thrones, o encontro entre Arya e Melisandre já havia sido relembrado através de Gendry (Joe Dempsie). Ainda não era certo, contudo, o significado da menção ao nome da sacerdotisa vermelha.

Arya é a personagem que mais batalha no episódio. Suas cenas são dirigidas para mostrar as habilidades adquiridas ao longo das temporadas de Game of Thrones – as quais explicam seu final. No entanto, mesmo ela enfrenta perigos e precisa de auxilio e, aparentemente, o Senhor da Luz está ao seu lado. Em “A Knight of the Seven Kingdoms” (episódio 8×02), Arya também teve seu encontro com Sandor Clegane (Rory McCann) e Beric Donderrion (Richard Dormer), dois personagens ressuscitados pelo Senhor da Luz para um propósito desconhecido, e tanto Beric quanto Sandor se colocam ao auxílio da Stark diante o ataque dos white walkers – inclusive Sandor, que estava paralisado por pânico em função do medo de fogo que adquirira ao ser queimado pelo seu irmão, o Montanha.

Quando Beric morre, Melisandre diz que ele cumpriu seu propósito. Dá a entender, desse modo, que sua missão era proteger Arya nesse confronto. Mas com qual razão? Melisandre relembra a Arya: o que se diz a Deus da Morte? Hoje não.

A batalha final de Game of Thrones

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Arya Stark (Maisie Williams) (Foto: Reprodução)

Utilizando suas habilidades e a adaga de mindinho, um dia utilizada para tentar matar Bran, Arya corre em socorro a seu irmão, e quando parecia que o Rei da Noite a mataria, ela crava a adaga de aço valiriano no mesmo local em que, um dia, o vidro de dragão dera origem ao primeiro white walker. Ela fecha, desse modo, um par de olhos azuis. Segundo David Benioff e D. B. Weiss, a decisão de que ela seria a responsável pela morte do Rei da Noite é anterior à sétima temporada, inclusive, e isto justifica a opção de Bran de dar a ela a adaga de Mindinho, assim como o destaque da personagem nos últimos episódio. Embora fosse uma das várias teorias criadas, foi uma escolha, o que por si só talvez não compense as expectativas do episódio.

O episódio prometia ser grande – e foi. Trouxe uma “heroína” que não Daenerys ou Jon Snow, mesmo quando isto era o esperado. Contudo, deixou as espectadoras sem saber o que esperar da série e talvez não em um bom sentido. Como já ressaltado, a batalha contra o Rei da Noite era a mair aguardada da série, ainda mais que a batalha pelo trono propriamente dito, e ninguém sabe o que esperar nos três episódios ainda restantes ou se é possível criar expectativas para alguma reviravolta; nem mesmo Melisandre parece ver perigo maior que o já passado, tendo retirado seu colar e perecido. Resta, então, aguardar o que virá para confirmar se os produtores surpreenderão ou apenas encerrarão a série.


Edição realizada por Gabriela Prado e revisão por Isabelle Simões.


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Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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