Game of Thrones – 8×02: A Knight of the Seven Kingdoms (resenha)

Game of Thrones – 8×02: A Knight of the Seven Kingdoms (resenha)

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O segundo episódio de Game of Thrones, intitulado “A Knight of the Seven Kingdoms“, foi ao ar no domingo (21) na HBO. A 4 episódios do fim, então, trouxe um aspecto diferente à série. Não trouxe mortes, nem grandes surpresas, mas, sim, despedidas. Se o primeiro episódio da oitava temporada de GOT foi de um clima nostálgico, o segundo episódio concedeu uma noite de calmaria aos personagens, uma última antes de uma grande batalha. E, embora não o tenha feito em palavras, questionou: o que você faria na última noite antes da morte? Ou, melhor seria, na última noite antes do Rei da Noite alcançar Winterfell?

O cavaleiro dos Sete Reinos em Game of Thrones

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(Foto: Divulgação)

“A Knight of the Seven Kingdoms” é, na verdade, título de um prequel de A Guerra dos Tronos. E narra dessa forma a história de Egg e Dunk ainda durante o reinado Targaryen, com menção a conhecidos personagens, como o Corvo de Três Olhos. Como em um conto de Game of Thrones, portanto, a iminência da morte desperta nos personagens conhecidos os últimos desejos. Assim, poderão lutar – e talvez morrer – com honra, como cavaleiros a serviço dos Sete Reinos. E traz, então, um clima diferente a uma série reconhecida por seus episódios de batalhas – ou apenas acontecimentos – sangrentos. Afinal, quem não se recorda do famoso casamento vermelho de Robb Stark (Richard Madden) ou da morte de Oberyn Martell (Pedro Pascal)? Embora destoante do cenário geral, é um episódio que emociona, justamente por trazer a carga de finalização própria de uma última temporada.

A série da HBO, iniciada em 2011, tão logo apresentou em seu enredo este que seria um dos grandes conflitos de todos os seus protagonistas. Independentemente de qualquer guerra pelo trono, existia um inimigo maior à espreita além das muralhas de Winterfell. Um exército mais cruel que todos os exércitos, como Gendry (Joe Dempsie) descreve a Arya (Maisie Williams), esperava pela oportunidade de atravessar o continente e, assim, instaurar uma longa noite, de memórias de uma humanidade anterior. Desse modo, com a estreia daquela que é a última temporada, cada dia é um dia mais próximo desse grande embate. Mas antes que pudesse se encerrar, os criadores da série, David Benioff e D. B. Weiss concederam esse respiro ou uma chance de dizer as últimas palavras antes do fim.

[AVISO: CONTÉM SPOILERS]

A redenção do Leão Dourado

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Jamie Lannister (Nikolaj Coster Waudau) (Foto: Divulgação)

O primeiro episódio da série, intitulado “Winterfell“, terminou na cidade que o nomeou. Com uma cena que fazia referência ao primeiro episódio da série, encerrou com a chegada de Jamie (Nikolaj Coster Waudau) à cidade e seu encontro com Bran (Isaac Hempstead-Wright), o atual Corvo de Três Olhos. No entanto, antes que esses velhos “amigos” como Bran se refere, Jamie precisa ser levado a julgamento. Ele foi, sem dúvidas, um dos personagens que mais sofreu transformações em Game of Thrones. De sua glória inicial, pouco restou 7 temporadas depois. O personagem inclusive destaca esse fato com seu irmão Tyrion (Peter Dinklage).

Em uma conversa entre a irmãos – a última que, talvez, eles tenham – Tyrion confessa que gostaria de saber o que seu falecido pai, Tywin Lannister (Charles Dance), diria ao ver seus filhos morrendo em Winterfell, depois de tudo. Quando ali chegaram pela primeira vez, Jamie era um leão dourado, e Tyrion, um “bêbado depravado”. Mas também Jamie dormia com sua irmã, e o único amigo de Tyrion dormia com a irmã. Agora, Tyrion é mão da rainha e Jamie abandonou Cersei (Lena Headey) para ajudar os Sete Reinos.

Contudo, nem todos podem ver com os mesmos olhos a situação. Como confiar no homem que matou seu rei, quando jurou protegê-lo, e que lutou por sua irmã e amante ao ponto de ameaçar os Stark tantas vezes? Em sua defesa, ele afirma que abandonou Cersei, porque ela nunca pretendeu cumprir seu plano de ajudar na luta contra o Rei da Noite. E afirma que defenderia sua família sempre, mas a luta contra o Exército da Noite é uma questão de sobrevivência.

Duas rainhas: desavenças entre Sansa e Daenerys

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Sansa Stark (Sophie Turner) e Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) (Foto: Divulgação)

Daenerys (Emilia Clarke), entretanto, não parece convencida do discurso de Jamie. Tyrion tenta auxiliar o irmão, mas acaba por despertar ainda mais o ressentimento da rainha. Isto porque Tyrion, mesmo sendo a mão da rainha, aconselhou-a a confiar em Cersei, tendo sido tolo.

Em um primeiro momento, Sansa (Sophie Turner) parece estar de acordo. Ela não esquece que Jamie fazia parte dos planos que acabaram na prisão e morte de seu pai, Ned Stark (Sean Bean). Há, contudo, alguém que dividiu com Jamie grandes infortúnios e que lutou junto a ele mesmo diante de interesses opostos: Brienne de Tarth (Gwendoline Christie). Brienne, todavia, foi também quem ajudou Sansa e Theon (Alfie Owen-Allen) na fuga de Ramsay Bolton (Iwan Rheon). E lembra Sansa de que somente pode ajudá-la, porque Jamie lhe deu a espada para cumprir com a promessa feita a Catelyn Stark (Michelle Fairley) de proteger suas filhas. Brienne afirmaria que lutaria lado a lado com ele, e isto basta para que Sansa, que já demonstrou receio em relação a Daenerys, apoie a permanência de Jamie.

A decisão passa, então, para Jon Snow (Kit Harrington), o Rei no Norte. Contudo, Jon ainda está mexido com a revelação de Sam (John Bradley-West) de que ele é Aegon Targaryen. E acaba apoiando, dessa forma, a decisão da irmã, contrariando Daenerys. A rainha até tenta, posteriormente, se acertar com a lady Stark. Há, todavia, uma questão difícil de ser superada, O cinismo de Sansa é certeiro em apontar a Daenerys que, apesar do amor entre ela e Jon, existe uma batalha de plano de fundo. E superado o Rei da Noite, quem reinaria sobre o Norte?

O que está morto não pode morrer: o retorno de Theon a Winterfell

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Sansa Stark (Sophie Turner) e Theon Greyjoy (Alfie Owen-Allen) (Foto: Divulgação)

O episódio não é de redenção apenas para Jamie. Também o é para Theon Greyjoy, aquele que traiu os Stark, mas pagou por sua traição. Torturado por Ramsay Bolton, Theon cresceu na série. E no primeiro episódio da oitava temporada ressurgiu para salvar sua irmã Yara Greyjoy (Gemma Whelan) do navio de Euron Greyjoy (Johan Philip Asbæk). Contudo, enquanto Yara navegou para as Ilhas de Ferro – o único lugar de Westeros a que os white walkers não chegariam e que, portanto, podem ter um papel significativo na trama -, Theon rumou para Winterfell.

Ao chegar, compartilha um momento de emoção com Sansa. Afinal, os dois viveram importantes momentos de superação em conjunto. E compreendem, assim, a dor pela qual o outro passou dentro daquelas muralhas que um dia, antes de tudo se iniciar, era seu lar. Ele pede, então, para lutar por Winterfell, se ela permitir. É a sua forma de se redimir pela covardia que um dia o levou a trair os Stark.

Theon, contudo, não é o único a retornar a Winterfell. “O que está morto não pode morrer” é o lema da casa Greyjoy. No entanto, aplica-se bem à situação do Exército da Noite. Isto porque, se eles estão mortos, não podem morrer. E se não podem morrer, como podem ser derrotados? Com sua crueldade, deixaram, enfim, um recado através dos Umber, o qual é repassado por Tormund (Kristofer Hivju), Beric Dondarrion (Richard Dormer) e Eddison (Ben Crompton) ao retornar a Winterfell: Rei da Noite está chegando. Até o raiar do sol, a batalha mais esperada de Game of Thrones começará. Portanto, resta apenas uma noite.

Fugir ou enfrentar o Exército de Caminhantes Brancos?

Com menos de um dia para se preparar, Jon e Daenerys precisam organizar seus exércitos para a grande batalha. Reúnem, dessa forma, as principais lideranças para que possam estabelecer qual a estratégia diante da chegada do Rei da Noite. As criptas podem abrigar as crianças e mulheres, mas quem lutará em uma batalha frente à morte? E como lutarão? Arya questiona se o fogo de dragão mata o Rei da Noite, mas esta é uma pergunta para a qual ninguém tem um resposta.

Tyrion deseja lutar. Já lutou na batalha de Blackwater, por exemplo. No entanto, Daenerys ainda recuperou a confiança em sua mão. E manteve Tyrion na posição apenas por conta do conselho de Jorah Mormont (Iain Glen). Sor Jorah agiu em defesa de Tyrion ao dizer que errar é humano, e que Tyrion era a melhor mão que ela poderia ter. Contudo, Daenerys subestima o Lannister em campo de batalha, e é ácida ao dizer que ele será de mais valia nas criptas, pois, vencendo a batalha, ela precisará dele.

Agora, então é necessário pensar como o Rei da Noite para poder vencê-lo. Levá-lo a uma armadilha nas criptas é uma opção logo descartada, pois o espaço limitado apenas os prejudicaria diante do poderio do inimigo. A outra opção é levá-lo a um campo aberto. Mas o que poderia atrair a atenção do Rei da Noite? Bran parece ter uma resposta.

O Corvo de Três Olhos

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Bran Stark (Isaac Hampstead-Wright) (Foto: Divulgação)

Antes do ultimato, Bran dissera a Jamie que não contara a ninguém sobre o Lannister tê-lo jogado da janela, pois ele não poderia ajudar na guerra próxima. Além do mais, não fosse por Jamie, ele ainda seria Brandon Stark e não a outra coisa que ele é agora: o Corvo de Três Olhos. E como Corvo de Três Olhos, Bran é a principal ameaça ao Rei da Noite.

Em sua ânsia de destruir a humanidade, o rei quer apagar a memória do mundo como eles conheciam. E se o corvo possui uma memória do mundo, portanto, é preciso aniquilar o corvo para apagar o último resquício de memória. Desse modo, assim como buscou os outro corvos, o Rei da Noite o caçará. E uma vez que ele foi tocado, a marca sempre revelará onde Bran está. Esconder-se nas criptas, portanto, seria inútil. Por essa razão, Bran se oferece como isca. Contudo, esperar sozinho em um local aberto é se entregar na situação de Bran. Theon, então, se voluntaria para ficar com o Stark que deveria ter protegido desde o começo. E todos concordam que ele aguarde junto a Bran no bosque sagrado.

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“A Knight of the Seven Kingdoms” pode ser sobre uma cavaleira

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Brienne de Tarth (Gwendoline Christie) e Jamie Lannister (Nikolaj Coster Waudau) (Foto: Divulgação)

A história que antecede Game of Thrones, intitulada “A Knight of Kingdoms“, fala sobre Duncan, um cavaleiro que em muito se assemelha a Brienne. E talvez por essa razão decorra o nome episódio, apesar de outras referências. Assim, por exemplo, há referência na narrativa ao Maister Aemon (Peter Vaughan), irmão do personagem Egg e mentor de Jon e Sam na Patrulha da Noite, também é mencionado no episódio. Igualmente, o Corvo de Três Olhos antes de Bran aparece no prequel. E a figura do corvo já foi mencionada como de relevância ao episódio.

A história de Brienne, todavia, é uma das partes mais emocionantes do episódio. Brienne de Tarth, feita lady por ter nascido mulher, nunca quis o casamento. Queria ser como os cavaleiros, mas não era um homem. E muito embora não tivesse o título, sempre viveu como um. Em um roda, aqueles que um dia já lutaram contra os Stark se reúnem para beber e cantar e falar de suas derrotas e glórias. Mas Brienne é a única que não pode ser chamada de Sor. Em sua última noite, todavia, o título que lhe é merecido lhe é concedido.

Jamie diz que basta um cavaleiro para consagrar o outro. E em nome dos Sete Reinos, faz de Brienne de Tarth uma legítima cavaleira. Desse modo, não apenas permite que Brienne vá para a batalha com a honra que merece – e se diz honrado em lutar ao lado dela – como faz jus à amizade construída ao longo das últimas temporadas – uma das mais bonitas de Game of Thrones.

Quem disse que haverá depois em Game of Thrones?

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Sandor Clegane (Rory McCann) e Arya Stark (Maisie Williams) (Foto: Divulgação)

Antes do aviso da chegada do Exército da Noite, Jamie pergunta a Bran sobre o que haverá depois. E Bran lhe devolve uma pergunta: quem disse que haverá depois? Diante de um inimigo que sequer está vivo, a morte é possibilidade batendo às portas de Winterfell. E todos devem estar preparados para o que vem em seguida.

As crianças vão para as criptas. Mas suas família estarão enfrentando a morte de frente. Assim, quando uma menina diz que quer lutar e defender Winterfell junto a seus irmãos, é difícil não se comover, principalmente quando é convencida por GIlly (Hannah Murray) e Sor Davos (Liam Cunnigham) de que deve defender as criptas bravamente.

Lyanna Mormont (Bella Ramsey) também deveria ir às criptas, mas ela resiste. A brava e jovem Mormont que encantou a todos os fãs de Game of Thrones, não quer se esconder. Ela quer lutar, ainda sob o risco, contrariando seu primo Jorah Mormont – com quem o encontro foi, no mínimo, decepcionante, e apenas para dizer que aconteceu na série. Jorah ainda recebe de Sam a espada de aço valiriano que antes pertencia a seu pai.  Verme Cinzento (Jacob Anderson) e Missandei (Nathalie Emmanuel) discutem sobre seu futuro em Westeros ou fora dele, uma vez que parecem não se encaixar naquela realidade. E Arya passa a noite junto a Gendry, que conta ser um bastardo Baratheon e entrega a arma com vidro de dragão que lhe foi pedida.

A última vigília de Game of Thrones

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Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) e Jon Snow (Kit Harrington) (Foto: Divulgação)

Na torre, Jon Snow, Sam, Eddison e Ghost – o lobo albino reaparece – reúnem-se como nos tempos da Patrulha da Noite. No entanto, são os últimos sobreviventes cumprindo seu dever. Preparam-se, assim, para a última noite de seu dever. “E agora nossa vigília começa”. E não terminará até as suas mortes, como diz o juramento um dia feito.

Antes que possam enfrentar o que lhes espera, Jon e Daenerys compartilham um momento em frente ao túmulo de Lyanna Stark. Jon revela de forma abrupta o que Sam lhe contará, causando reação de dúvida em Daenerys. E não seria de se esperar menos. Afinal, coloca em cheque toda a pretensão de uma vida. Dany cresceu achando que tinha direito ao trono de ferro. Deixou de lutar contra Cersei para ajudar Jon Snow, mas nunca desistiu de seu objetivo. Uma vez que Jon seja Aegon, tudo muda. Ele se torna o herdeiro legítimo. E tudo pelo que ela lutou parece sem sentido.

A cena, todavia, é rápida, como muitos elementos de Game of Thrones devem ser nessa reta final. Não há mais tempo para tanto desenvolvimento com tanto a ser finalizado em poucos episódios. E também não há mais tempo frente à chegada dos white walkers. Com uma trombeta, Daenerys e Jon Snow são interrompidos. É chegado, enfim, o momento da grande batalha.


Edição realizada por Isabelle Simões.


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Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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