Game of Thrones – 8×01: Winterfell (resenha)

Game of Thrones – 8×01: Winterfell (resenha)

No domingo (14), na HBO, estreou a aguardada oitava e última temporada de Game of Thrones. Durante dois anos, os fãs esperaram, entre especulações, teorias e indícios, para ver como a série baseada nos livros de George R. R. Martin seria finalizada. E embora o primeiro episódio não tenha sido de cenas eletrizantes, o que talvez leve a crer que não foi tão emocionante quanto outros, foi um bom episódio inicial. Focou não tanto na ação, mas na conquista dos espectadores pela remissão a elementos anteriores, reuniu personagens que há muito não se encontravam em cena, por exemplo, e finalizou, assim, com muitas referências ao primeiro episódio da série.

[AVISO: CONTÉM SPOILERS]

A rota dos reis e rainhas a Winterfell

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Arya (Maisie Williams) e Jon Snow (Kit Harrington) (Foto: reprodução)

A sétima temporada de Game of Thrones terminou, então, com a formalização da aliança entre Jon Snow (Kit Harrington) e Daenerys Targaryen (Emilia Clarke). Mas não apenas isto. Jon Snow reconheceu Daenerys como sua rainha – o que lhe trará consequências, enquanto nomeado rei no Norte.

O primeiro episódio da oitava temporada, intitulado “Winterfell“, começa, desse modo, com a entrada de Daenerys e Jon na cidade, mas também com o reencontro de diversos personagens. A cena, assim como todo o episódio, remete às cenas iniciais de Game of Thrones. É, portanto, um anúncio de que o fim é chegado. Se na primeira temporada a rainha Cersei (Lena Headey) e o rei Robert Baratheon (Mark Addy) adentram Winterfell com sua comitiva, enquanto um jovem Bran Stark (Isaac Hampstead-Wright) escalava muros para observar, agora já são outros personagens que o fazem. Um novo casal de rei e rainha, um novo menino a observá-los enquanto passam com seu exército, entre dothraki e imaculados, e, obviamente, seus dragões.

Reencontro de antigos personagens de Game of Thrones

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Foto: reprodução

Assim como o jovem menino, Arya observa o retorno do irmão. Entre todos os Stark, Arya (Maisie Williams) e Jon sempre foram os que mais demonstravam afeto um pelo outro. Mas antes que os últimos dos irmãos Stark possam finalmente se reunir, há outras pessoas que Arya precisa reencontrar.

O primeiro é Sandor Clegane (Rory McCann), mais conhecido como The Hound (O Cão). Para aqueles que não se recordam, Sandor foi gravemente ferido, na 4ª temporada de Game of Thrones, em uma batalha contra Brienne de Tarth (Gwendoline Christie). Embora tivesse pedido clemência a Arya, que fugiu de Brienne e o encontrou à beira da morte, ela se recusou a matá-lo, deixando-o sofrer até que morresse, além de roubar seu dinheiro. E ainda que não esperasse vê-lo novamente, não a espanta tanto o fato de que ele esteja vivo.

O segundo, por fim, é Gendry (Joe Dempsie), ferreiro e filho ilegítimo do Rei Robert Baratheon, esquecido durante algumas temporadas. Gendry e Arya se conheceram, então, quando ela se passava por um menino para fugir da rainha Cersei, após a morte de seu pai, Ned Stark (Sean Bean). Contudo, Arya tem outros objetivos além de reencontrar um antigo amigo.

A jovem entrega a Gendry o desenho de uma nova arma. Ao ser questionada sobre agulha, a sua atual arma, Arya lhe mostra uma adaga de aço valiriano, antes pertencente a Mindinho (Aidan Gillen). Isto leva a crer, portanto, que a sua nova arma será forjada com esse material. No entanto, o desenho da arma faz pensar em uma lança também e em vidro de dragão. Seria uma potente engenharia para matar os White Walkers ou para riscar o último nome de sua lista – Cersei?

Cersei em seu trono de ferro

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Cersei (Lena Headey) (Foto: reprodução)

Enquanto isso, Cersei lida com as suas escolhas em Porto Real. A jornada dela sempre foi bastante solitária. Queria poder, mas lhe negaram por ser mulher. Casou-se com um rei, mas sem amor. Teve três filhos com seu irmão e amante, Jamie (Nikolaj Coster Waudau), mas nenhum sobreviveu. Engravidou novamente dele, mas ele, discordando de suas escolhas, partiu para apoiar Jon Snow e Daenerys. Enfim, restou apenas Cersei em seu trono de ferro.

Embora só, Cersei ainda possui aliados. Contudo, são aliados que desejam tanto poder quanto ela e capazes de tudo para conseguir o que desejam. Euron Greyjoy (Johan Philip Asbæk) havia prometido ajudá-la, contanto que eles se casassem, e, ao lhe trazer um exército, também deseja que ela tenha relações sexuais com ele. É uma cena desagradável, tanto para Cersei quanto para as espectadoras, e a atriz Lena Headey afirmou ter protestado, inicialmente, contra a cena. Pela sua perspectiva, Cersei teria lutado contra isso. No entanto, assim como Cersei cedeu à demanda de Euron, Lena Headey aceitou o caminho estabelecido por David Benioff e D. B. Weiss, showrunners de Game of Thrones.

Obviamente, é preciso considerar a posição de Cersei. A rainha já não possui ninguém mais com quem possa contar. Sua família ou morreu ou abandonou-a. Agora Cersei possui apenas a ela mesma e a seu filho – sobre o qual Euron ainda não tem ciência. E sem a aliança com Euron, provavelmente enfrentaria uma derrota – e outras consequências ainda piores – mais facilmente. Então, também não se pode enxergar como um ato de escolha plena que ela tenha cedido à pressão de Euron.

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Os traidores de Game of Thrones

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Yara (Gemma Whelan) e Theon (Alfie Owen-Allen) (Foto: reprodução)

Concomitantemente ao arco de Cersei, há outros em Porto Real. O primeiro envolve Qyburn (Anton Lesser), a mão da rainha, e o antigo amigo de Tyrion (Peter Dinklage), Bronn (Jerome Flynn). Bronn sempre exerceu um papel de “faz tudo” e demonstrou, também, não ter apego a alianças, senão àquelas que o favorecem. Assim, Qyburn lhe ordena uma missão: ao entregar-lhe uma besta, pede, dessa forma, para que ele mate os irmãos traidores da rainha de uma forma irônica. Afinal, aquela é a mesma espécie de arma utilizada por Tyrion para matar seu pai, Tywin Lannister (Charles Dance).

O segundo arco envolve os outros Greyjoy. Yara (Gemma Whelan) havia sido capturada em Stormborn (2º episódio da 7ª temporada de Game of Thrones) por Euron. Já seu irmão Theon (Alfie Owen-Allen), que também estava na embarcação na noite do ataque, conseguiu fugir. E seu paradeiro, até então, era desconhecido. Desse modo, resta o seguinte questionamento: teria Theon, novamente, abandonado as pessoas?

O episódio responde a essa pergunta, trazendo Theon de volta a Porto Real. E, assim, ele resgata sua irmã e governante das Ilhas de Ferro –  o único lugar a que os White Walkers não conseguiriam chegar, uma vez que não atravessam a água. Yara aproveita, dessa maneira, para retomar seu território, enquanto Euron e seu exército estão em outro lugar. Theon, contudo, decide que é hora de retornar a Winterfell e ajudar os Stark depois de toda a sua traição.

Daenerys e a desconfiança do Norte

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Foto: reprodução

Assim como começa em Winterfell, o episódio termina em Winterfell. E não sem razões. Winterfell foi o começo da série, mas também é a primeira cidade na rota de um inimigo capaz de unir tantos personagens: o Rei da Noite e seu exército de White Walkers. No entanto, o inimigo em comum nem sempre é capaz de superar as diferenças internas e as lutas de poder.

Se Arya ficou emocionada ao rever o irmão, o mesmo não se pode dizer da reação de Sansa (Sophie Turner). Embora esteja contente com o retorno de Jon, Sansa não encara de forma positiva a proximidade de Daenerys, acusando-o de ter se ajoelhado por amor e não para proteção do Norte, e o mesmo sente os demais povos do Norte, que recriminam Jon Snow por ter se utilizado do título que eles lhe conferiram, de Rei no Norte, para reconhecer outra rainha, uma que sequer vivia em Westeros. Eles, dessa maneira, não a reconhecem como sua rainha e tampouco veem com bons olhos a aliança com os Lannister.

Daenerys, até então, legitimava seu poder em um misto de ações voltadas ao povo – como na libertação dos escravos – e de demonstração de poder. Contudo, o temor pode não ser suficiente. Pelo contrário, talvez lhe traga ainda mais problemas, como no caso de Sam (John Bradley-West), que descobre que seu pai e seu irmão foram executados por ela. Talvez o temor pelos dragões não seja suficiente para conter essas animosidades ou para fazer o Norte confiar em Daenerys – talvez nem mesmo o amor de Jon Snow por ela.

O Rei no Norte

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Foto: reprodução

O episódio de Game of Thrones ainda traz Jon Snow voando em um dragão com Daenerys. Ela, assim, convida-o a subir em Rhaegal, enquanto voa em Drogon, e isto reforça, então, a linhagem de Jon  e seu sangue de dragão. Afinal, ele também é um Targaryen, como ficou revelado no último episódio da 7ª temporada de GOT.

Até então, os únicos que sabiam da ascendência de Jon Snow eram Bran e Sam. No entanto, enfurecido com Daenerys, Sam vai falar com Jon Snow sobre as escolhas da rainha e revela algo que, ainda não se sabe, pode colaborar ou atrapalhar planos como o de Davos (Liam Cunningham), Tyrion e Varys (Conleth Hill) acerca de um eventual casamento entre Jon e Daenerys, ante o visível afeto entre eles. Ele revela, desse modo, que Jon Snow não é filho de Ned Stark, mas filho legítimo de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen. Jon Snow é, na verdade, Aegon Targaryen, 6º de seu nome e, portanto, legítimo herdeiro do trono de Westeros.

Como Varys ressalta, contudo, “nada dura”. Diante dos fatos, um romance pode acabar, uma pretensão ao trono pode tornar-se ilegítima e outras podem começar, dando início a uma verdadeira guerra. Do mesmo modo, inimigos podem retornar, ou mesmo um velho amigo, e, enquanto o jogo de poder se desenrola, o exército de White Walkers continua a avançar sobre Westeros, deixando, então, uma surpresa para Tormund (Kristofer Hivju), Beric Dondarrion (Richard Dormer) e Eddison (Ben Crompton).

O retorno de um velho amigo: os caminhos de Game of Thrones

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Bran (Isaac Hampstead-Wright) (Foto: reprodução)

Em uma das paredes, um jovem lorde da família Umber, que alguns minutos antes tinha se manifestado na reunião do conselho do Norte, aparece morto e exposto em uma estranha posição. É, portanto, uma aviso do Rei da Noite de que eles já estão do lado de dentro da muralha. E estão próximos. Winterfell é a próxima cidade.

Bran sabe que o tempo é curto e, não bastasse a proximidade física, sabe que há um dragão ao auxílio deles. Talvez isto o tenha levado a dar a adaga de Mindinho a Arya na temporada passada, a mesma adaga que ela mostrou a Gendry, a mesma adaga que ele recebeu de Mindinho, a mesma adaga com que o tentaram assassinar na 1ª temporada de Game of Thrones quando ele viu mais do que devia.

Apesar de saber disso, ele espera o retorno de um grande amigo. O primeiro episódio de Game of Thrones terminou de um modo que, dizem algumas teorias, se não tivesse ocorrido, poderia ter impedido todos os demais fatos. Um menino escalando muros flagra, então, uma rainha e seu amante, mas acaba sendo empurrado da janela e fica paraplégico. E uma série de eventos se seguem a esse primeiro. O que teria sido diferente, entretanto, se ele nunca tivesse flagrado aquela cena?

O velho amigo de Bran Stark volta, então, a Winterfell pela primeira vez desde aquele episódio em que fora flagrado com sua irmã. Jamie, que se negara a apoiar Cersei, retorna, enfim. Dessa vez, no entanto, não há glória em sua chegada e tão logo desce de seu cavalo e avista aquele que, no fim de um primeiro episódio (intitulado, não coincidentemente, “Winter is Coming, em oposição ao título deste episódio, “Winterfell), sete temporadas antes, ele tentou matar, empurrando de uma janela.


Edição realizada por Gabriela Prado e revisão por Isabelle Simões.

Escrito por:

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Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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