[SÉRIES] Game of Thrones – 7×07: The Dragon and The Wolf (Resenha)

[SÉRIES] Game of Thrones – 7×07: The Dragon and The Wolf (Resenha)

Enfim, é chegado o último episódio da penúltima temporada de Game of Thrones. Desta vez, sem liberação antecipada, seja por hackers ou pela emissora HBO de outro país. Intitulado The Dragon and The Wolf, marca o que trará a oitava e última temporada: a batalha contra o exército de caminhantes brancos. Com mais de uma hora de duração, apresenta importantes flashbacks, bem como informações de impacto, e estabelece as conexões que se desenvolveram ao longo da temporada.

As mulheres no jogo da manipulação

Uma das personagens mais discutidas ao longo das sete temporadas da série e, sobretudo, da temporada que se encerra foi Sansa Stark (Sophie Turner). A jovem iniciou sua trajetória como a menina que queria ser rainha. Movida por sua futilidade e ingenuidade, com o estereótipo de uma lady, foi manipulada, usada e torturada de diversas maneiras. Viu seu pai morrer e foi mantida como prisioneira pela família Lannister, obrigada a casar com um deles e fugiu para ser entregue a um homem cruel, por quem foi estuprada.

Game of Thrones - 7x07

Por trás de sua trajetória de dor, estava um nome que ousava dizer zelar por ela, um suposto zelo também carregado de cunho sexual. Petyr Baelish (Aidan Gillen), ou Littlefinger, ou Mindinho, aquele que dera início a algumas das mais importantes intrigas de Westeros. E apesar de tanto sofrer em um mundo dominado pela vontade masculina, parecia que Sansa ainda não tinha aprendido a conduzir sua própria vida.

A dúvida oscilou em diversos momentos. Às vezes parecia que ela, enfim, tomara consciência de sua capacidade de atuação política. Às vezes parecia que, mais uma vez, se entregava aos controles de alguém. A imagem de jovem ingênua parecia prevalecer diante de suas cenas. No fim, era tudo manipulação. A sua imagem fora utilizada para que os inimigos a subestimassem e ignorassem o que se passava. Como a própria personagem disse no último episódio, ela demorou a aprender, mas aprendeu.

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A tentativa de Littlefinger de reacender a rivalidade entre as irmãs Stark foi uma estratégia traiçoeira. Se os dois episódios anteriores mostraram o início de um conflito entre Arya e Sansa, o sétimo episódio revelou que se tratava de um jogo para pegar Littlefinger em sua própria armadilha. As duas mostraram que os sofrimentos que passaram as transformaram e as fizeram enxergar o que se esconde por trás dos discursos. Expuseram, então, juntas, todos os ataques deste homem que se dizia um amigo, protetor, e um apaixonado, e deram a ele a pena condizente aos seus feitos: a morte pelas mãos de Arya.

Confira as resenhas dos episódios anteriores da 7ª temporada:
>> Game of Thrones – 7×01: Dragonstone
>> Game of Thrones – 7×02: Stormborn
>> Game of Thrones – 7×03: The Queen’s Justice 
>> Game of Thrones – 7×04: The Spoils of War 
>> Game of Thrones – 7×05: Eastwatch
>> Game of Thrones – 7×06: Beyond the Wall 

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O homem redimido por mulheres

Yara Greyjoy (Gemma Whelan) pode ser descrita como aquela que não nasceu como herdeira, mas conquistou seu posto de liderança. E ela merece um destaque, porque estranhamente seu irmão, Theon (Alfie Allen) recebeu um grande destaque no último episódio. Yara Greyjoy fez tudo o que seu irmão não foi capaz de fazer e, por isso, ganhou a confiança de seu povo. Todavia, acabou sendo aprisionada pelo louco e cruel Euron (Johan Philip Asbæk), seu tio. Enquanto isso, Theon fugia mais uma vez.

Theon é sempre retratado como um covarde que um dia fora ambicioso. Em uma de suas traições e covardias, acabou pagando o preço de se tornar um brinquedo de Ramsay Snow (Iwan Rheon), o mesmo homem que estuprara Sansa. Intriga o fato, porém, de que sua covardia seja sempre redimida por seu auxílio no resgate de personagens femininas.

Foi Theon quem primeiro roubou Winterfell, mas também foi ele quem ajudou Sansa a fugir de lá e de Ramsay Snow. Por este ato, Theon ganhou a tolerância de Jon Snow. E novamente, uma chance lhe foi dada. Depois de deixar Yara nas mãos de Euron, Theon perdeu toda a credibilidade junto ao seu povo. Foi zombado, agredido e atacado. Foi recordado de sua castração, a perda do símbolo da masculinidade, como se esta lhe fosse retirada somente pela ausência de um órgão. E, então, relembrado disto, recuperou a força e jurou salvar sua irmã.

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Em primeiro lugar, existe a discussão acerca da masculinidade e da simbologia em torno dela. A série traz o tema da castração também com Varys e o Exército de Imaculados. Apesar das constantes piadas inseridas em falas de personagens, os homens da história não se definem em atos exclusivamente pela presença do órgão sexual – Verme Cinzento, por exemplo, é, antes de tudo, um guerreiro. Theon, no entanto, perde toda a sua força toda vez que é recordado de sua condição de eunuco.

Uma sociedade machista não é prejudicial somente às mulheres, embora estas sejam as principais vítimas do sistema. Mesmo que muitos não se deem conta, homens também são oprimidos. Da mesma forma que as mulheres são definidas pelos padrões estéticos e constantemente sexualizadas, os homens são definidos pela sua virilidade, enquanto seres capazes de manter relações sexuais com os corpos femininos. Um homem sem um órgão sexual, torna-se, assim, inferior aos demais. Theon não deixa de representar esta sociedade que também agride os homens. E ao usar a sua condição para lutar, ao invés de se deixar abater, luta contra essa mentalidade.

O problema? Novamente um homem ressurge das cinzas, ergue a cabeça, supera os infortúnios de sua vida para salvar uma mulher que pode somente contar com ele. Yara era uma personagem feminina forte, que podia ser algo mais na série, além de objeto de redenção de Theon, aquele que sempre se redime através de personagens femininas em apuros.

A maternidade que move o reino

Enfim, o lobo, o dragão e o leão. Daenerys (Emilia Clarke), Jon Snow (Kit Harrington) e Cersei (Lena Hea) se encontram em Porto Real para discutir os rumos da guerra. Com um caminhante branco capturado, Daenerys e Jon podem provar a Cersei que existe um perigo maior além da muralha. Ainda assim, a rainha de Westeros não se convence de que deve se juntar a eles na batalha. Como estrategista, prefere manter-se longe, a salvo, e deixar que seus inimigos se destruam nesta grande batalha.

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No sexto episódio foi revelado que Cersei estaria grávida de Jaime (Nikolaj Coster Waudau). Isto, contudo, não foi suficiente para manter Jaime por perto. Depois de descobrir que Cersei não auxiliaria os exércitos de Jon Snow e Daenerys, na guerra contra o Exército da Noite, mesmo tendo se comprometido, ele parte para o norte. O argumento de que o ouro do Banco de Ferro é o bastante para manter os Lannisters a salvo, apenas o faz crer na instabilidade de Cersei enquanto rainha.

A notícia da gravidez de Cersei pode também ganhar ainda mais relevância na próxima temporada. Não é explicado de que modo, mas esta informação é importante no acordo que Cersei estabelece com seu irmão Tyrion (Peter Dinklage) quanto ao seu apoio na guerra. É preciso lembrar que Tyrion, no episódio anterior, manifestara preocupação quanto à sucessão de Daenerys e sua suposta impossibilidade de engravidar.

Uma nova possibilidade, contudo, se revela. Jon Snow, cujo relacionamento com Danerys vem sendo construído de forma apressada e um tanto forçada ao longo da temporada, questiona a credibilidade das palavras de Mirri Maz Duur (Mia Soteriou) de que Daenerys se tornara infértil. Seria este um indício de uma futura gravidez? Talvez esta seja a ideia de Tyrion quando observa Jon Snow entrar no quarto de Daenerys.

Anterior à cena de Daenerys e Jon Snow, o flashback que confirma, não só a ascendência de Jon, como sua legitimidade enquanto herdeiro do trono. Bran (Isaac Hamsptead-Wright) e Sam (John Bradley-West) trocam informações e revelam que Rhaegar Targaryen (Wilf Scolding) e Lyanna Stark (Aisling Franciosi) se casaram em segredo e conceberam Jon, registrado como Aegon Targaryen, pouco tempo antes da revolta de Robert Baratheon (Mark Addy). Assim, Jon Snow não estaria apenas protagonizando uma nova união entre um lobo e um dragão, mas ele próprio seria ambos.

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O final, assim como o episódio todo, não é surpreendente, embora seja impactante. Na cena final, o exército comandado pelo Rei da Noite avança contra a muralha, que é destruída por Viserion, o dragão ressuscitado. Através de um bom episódio, assim, dá-se o início do fim.

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Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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