O Esquadrão Suicida: uma jornada divertida de vilões não tão vilões

O Esquadrão Suicida: uma jornada divertida de vilões não tão vilões

O Esquadrão Suicida reverte o legado deixado pelo primeiro filme e apresenta uma história bonita e divertida, mas não muito inovadora.

Sob a direção de James Gunn, O Esquadrão Suicida ganha um novo filme, 5 anos após o primeiro. O longa não é exatamente um remake nem uma sequência, sendo uma história muito independente da anterior. A trama acontece a partir da mesma ideia do filme de 2016: os Estados Unidos precisam de vocês e vocês precisam dos Estados Unidos para obter redução de suas penas. Todos saem ganhando. Exceto pelo fato de que, é claro, muitas coisas dão errado na missão.

Com muitos nomes de peso, dentre eles Peter Capaldi, Viola Davis e Idris Elba, o filme traz de volta atores que já faziam parte do primeiro filme (como Margot Robbie interpretando Arlequina e Joel Kinnaman interpretando Rick Flag) e também escala muitos atores novos. O filme chama a atenção para o número muito grande de vilões, diferentemente do primeiro filme que contava apenas com 6 vilões principais. A classificação indicativa também alerta para a violência explícita do filme.

Sem mais delongas, vamos para os pontos positivos e negativos do novo filme do Universo Cinematográfico da DC Comics?

O Esquadrão Suicida de James Gunn

O Esquadrão Suicida de James Gunn
Cena de “O Esquadrão Suicida” | Imagem: reprodução

Já consagrado por Guardiões da Galáxia no MCU, James Gunn agora também apresenta sua visão sobre os personagens da concorrente, DC Comics. Sendo diretor e roteirista de O Esquadrão Suicida, o filme apresenta suas marcas registradas de violência, bizarrice e trilha sonora marcante.

Com um leque de personagens estranhos, o roteirista capricha na hora de referenciar os vilões da DC e dar profundidade a eles. Ao longo das quase 3 horas de duração do filme, acompanhamos alguns personagens nada críveis, mas maravilhosos. Dentre eles temos assassinos de aluguel, assaltantes, humanos geneticamente modificados, aliens e até uma espécie de deus tubarão.

É impossível não se simpatizar com nenhum dos vilões, sendo que explorar seus lados mais humanos é um dos grandes pontos do filme. É possível se emocionar muito com as histórias dos personagens e até achá-los muito fofos! Isso é evidente com o ratinho Sebastian buscando “bondade” no Sanguinário (Idris Elba), ou na Caça Ratos 2 (Daniela Melchior) dizendo que “vale a pena morrer porque foi boa”. Nesse sentido, O Esquadrão Suicida cativa o público e acerta em cheio ao tentar isso.

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O Esquadrão Suicida
Cena de “O Esquadrão Suicida” de James Gunn | Imagem: reprodução

O excesso de personagens

James Gunn aproveita o potencial da equipe de super-vilões utilizando tanto personagens memoráveis, como a Arlequina, quanto personagens esquecidos, como o Bolinha (David Dastmalchian). E isso parece funcionar muito bem! Os personagens têm química entre si, nos divertimos com eles, e de uma maneira muito irônica é possível até se identificar com eles. De certo modo, o longa nos faz sentir a sensação de que os vilões desse Esquadrão Suicida têm mais em comum conosco do que o Superman ou Mulher-Maravilha. A realidade sofrida e difícil dos vilões soa mais realista do que a realidade de Bruce Wayne.

No entanto, por ter tantas opções para se trabalhar, Gunn se perde um pouco na hora de utilizar os personagens. O filme tem gente em excesso, e embora muitos dos personagens sejam bons e relevantes, outros acabam tendo seus potenciais desperdiçados, em uma trama cujo os eventos quase não possuem consequências.

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Dessa forma, com tantas mortes, sangue e xingamentos, o peso que tais elementos deveriam ter para o filme se perde, tornando O Esquadrão Suicida um filme que poderia ser sério, mas escolhe usar tudo isso para diversão. O que funciona até certo ponto, mas depois acaba se tornando algo simplesmente insensível, perdendo o peso dramático do longa.

A redenção total de Harley Quinn

Arlequina (Margot Robbie) em "O Esquadrão Suicida"
Arlequina (Margot Robbie) em “O Esquadrão Suicida” | Imagem: reprodução

Além disso, a Arlequina que vemos em The Suicide Squad não é a mesma personagem do primeiro filme. Isto é, a ela ganha muito mais espaço para seu desenvolvimento. O pontapé inicial para a redenção de Harley Quinn se deu em Birds Of Prey, e graças ao brilhante trabalho de Margot Robbie a vilã se torna cada vez mais parecida com ela mesma e mais distante daquela versão sexualizada do filme de 2016.

Em uma cena especialmente impactante, Harley Quinn faz um breve discurso sobre os sinais de um relacionamento abusivo. Sem deixar de lado seu jeito divertido e um tanto psicótico, Arlequina rompe de vez seu histórico de submissão a personagens masculinos. Com uma performance impecável de Margot Robbie, é possível ver em seus olhos as sequelas de seu relacionamento abusivo com Coringa e as marcas da difícil caminhada para se tornar independente.

Uma adaptação verdadeiramente quadrinhesca

Os trajes muito fiéis aos dos quadrinhos pareciam dar poder aos atores de conseguirem, de fato, encarnar os personagens. Portanto, as cores frias do cenário em contraste com o sangue, além das músicas alegres e do humor bizarro, compõem o tom perfeito para o que se espera de um filme do Esquadrão Suicida.

filme de James Gunn
Cena de “O Esquadrão Suicida” | Imagem: reprodução

Além disso, a edição do filme – o que inclui todos as transições, jogos de câmera, efeitos visuais – pode ser considerada uma das razões pelas quais o filme foi tão bom! O Esquadrão Suicida consegue ser um blockbuster da melhor qualidade. E embora o termo “blockbuster” tenha se tornado quase pejorativo, não é nesse sentido que nos referimos ao longa. Ele tem muita bizarrice, como ação demais, músicas comerciáveis, porém nada disso é necessariamente ruim. Trata-se de um filme divertido que não se perde em metáforas ou seriedade. Ele é sério quando precisa e nada mais.

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Valeu a pena?

Com uma onda cada vez mais crescente de reboots e remakes, não deixa de haver uma dúvida a respeito de O Esquadrão Suicida: por que essa história importa?

Tubarão-Rei em "O Esquadrão Suicida"
Tubarão-Rei em “O Esquadrão Suicida” | Imagem: reprodução

Filmes sem um propósito facilmente se perdem no meio de tantos outros parecidos. Estes só possuem relevância enquanto o assistimos, mas não permanecem em nós. Já O Esquadrão Suicida carrega o peso do primeiro filme, que não foi nada bem recebido pela crítica, e tenta reverter esse legado. E consegue. Assim, os personagens adicionados do novo filme dão luz ao propósito desta história. Só quando somos relembradas daquele velho ditado de que “ninguém é totalmente bom, nem totalmente ruim” é que percebemos porquê é importante contar a história da Caça-Ratos 2, do Sanguinário e do Tubarão-Rei (Sylvester Stallone).

Para além do caráter emocional do filme, O Esquadrão Suicida também diverte muito. Não é nada que não tenhamos visto antes, mas é, sem dúvidas, uma fórmula que ainda funciona bem. Sem nos importarmos demais com as mortes (pois esse fator é muito repetitivo no longa), acabamos cedendo para a diversão. Portanto, acaba por ser um filme de herói não muito marcante mas ótimo.

Em conclusão, há críticas a serem feitas. Infelizmente, o filme acaba se tornando apenas a jornada de resolver uma missão (suicida), além da crítica mais interessante ser trabalhada de uma forma bem rasa. Mesmo assim, o filme consegue escolher bem sua proposta, nos conduzindo em uma aventura divertida sobre vilões que podem não ser tão vilões assim.

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Elisa Silveira é uma estudante de Meio Ambiente apaixonada por muitas coisas, como Doctor Who, séries de comédia e literatura. Na maior parte do tempo está estudando ou escrevendo coisas; no tempo livre, sonha com mundos fantásticos.
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