Melhores de 2021: Séries

Melhores de 2021: Séries

Obras sul-coreanas, true crime nacional, investigação com mulheres protagonistas, adolescência sem tabus, horror gore, viagem no tempo e a despedida da primeira mulher a comandar a Tardis, e um presente para fãs de Beatles. Confira a seguir nossa lista das melhores séries lançadas em 2021.

Indicações: Ket Lira

A Caminho do Céu

Melhores do Ano: Séries - A Caminho do Céu
Cena de “A Caminho do Céu” | Imagem: Netflix

Lançado em 2021, o mini drama A Caminho do Céu, disponível na Netflix, veio com uma sinopse inocente mas imediatamente emocionante: trouxe a história de um pai, Han Jeong-woo (Ji Jin-Hee) e seu filho, Han Geu-Ru (Tang Joon-sang) que possuem uma empresa chamada “Caminho para o céu”; que oferece serviços de limpeza e organização dos quartos e aposentos de pessoas que faleceram recentemente. A história, ainda que singela, é emocionante. Afinal, discutir o luto – ainda mais em tempos tão melancólicos como vêm sendo os últimos dois anos – é um tópico sensível e inegavelmente doloroso.

O k-drama conseguiu explorar as mais diversas temáticas em seus oito capítulos, com um pouco mais de quarenta minutos de duração. A série retrata histórias de pessoas diversas lidando com a partida de alguém. Temos críticas ao sistema econômico e educacional da Coreia do Sul, além de assuntos como violência doméstica, abandono afetivo –  da pessoa idosa e/ou pessoa com deficiência, exploração de mão de obra – ou do menos favorecido – e corrupção.

Ainda que possa parecer ter uma aura agressiva, essas pautas são apenas um plano de fundo dos episódios – e ainda assim, conseguem ser bem desenvolvidas – pois o ponto central da obra é explorar a saudade, o amor, a compaixão e, por muitas vezes, o perdão. Tang Joon-sang retrata os anseios e angústias do jovem Geu Ru, um garoto autista que lida com o luto. A atuação do ator é emocionante e  respeitosa, pois consegue apresentar de maneira empática o perfil de uma pessoa no espectro.

Apresentando a importância de segundas chances, de renascer e de não só amar mas ter respeito ao próximo, A Caminho do Céu entrega um misto formidável e caótico de emoções, reflexões que perdurarão por muito tempo em sua mente e coração.

Me tira daqui 

Melhores Séries de 2021: Me tira daqui
Cena de “Me tira daqui” | Imagem: Netflix

A primeira sitcom sul-coreana da Netflix trouxe um elenco surpreendente: pessoas não-asiáticas e não-amarelas como protagonistas. Me tira daqui apresenta uma universidade de Seul que aloja alunos das mais diversas nacionalidades. 

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Ainda que possua muitos personagens e que possa causar um estranhamento com as risadas de fundo (afinal, é uma sitcom!), a narrativa do k-drama é bem desenvolvida ao retratar o crescimento de cada personagem. Além de toda a diversidade apresentada, Me tira daqui trabalha com assuntos que todos nós, independente da faixa etária, somos capazes de nos identificar. Problemas com a família, traições de amigos e namorados, a descoberta da própria sexualidade, medos, anseios, primeiros amores e decepções.

Para quem já consome o audiovisual sul-coreano há um tempo, é um deleite assistir pessoas não-asiáticas e não-amarelas falando em coreano, trazendo, assim, uma sensação de proximidade. Inclusive, o ator Youngjae, que faz parte do elenco, é membro do grupo de k-pop GOT7 e entre os episódios faz algumas referências ao grupo. Assim como a atriz Minnie, que também é uma idol de k-pop do grupo G(I)DLE. Sua personagem ainda cita vários nomes de k-dramas populares entre o público.

Indicação: Elisa Guimarães

O Caso Evandro

Melhores Séries de 2021: O Caso Evandro
Imagem promocional de “O Caso Evandro” | Globoplay

Nascida a partir do podcast Projeto Humanos, criado por Ivan Mizanzuk, a série documental O Caso Evandro, do Globoplay, joga luz sobre um terrível crime ocorrido nos anos 90, no litoral do Paraná. Mais importante, porém, é o que a série revela sobre a sequência de crimes cometidos pelas autoridades da época para forçar os sete acusados pela morte do menino Evandro Ramos Caetano, de 6 anos, a confessar o assassinato.

Desde os tempos de podcast, O Caso Evandro é um excelente trabalho de investigação jornalística. O esforço de Mizanzuk trouxe à tona evidências que comprovam o uso de tortura para arrancar confissões de que o menino teria sido sacrificado em um ritual de magia negra. Já a versão de O Caso Evandro para o streaming, dirigida por Michelle Chevrand e Aly Muritiba, não apenas tem o mérito de apresentar o caso para um público que não consome podcasts como também é uma excelente série de true crime.

O Caso Evandro evita as armadilhas mais comuns do gênero e oferece uma análise aprofundada de um caso criminal que é um verdadeiro suco de Brasil, envolvendo desde racismo religioso até as sequelas deixadas pela ditadura militar.

Indicação: Juliana Trevisan

Mare of Easttown

Melhores Séries de 2021: Mare of Easttown
Cena de “Mare of Easttown” | Imagem: HBO

A série da HBO, criada por Brad Ingelsby e dirigida por Gavin O’Connor, é uma preciosidade dentro do universo de suspense policial. Em Mare of Easttown a atuação de Kate Winslet recebe destaque por nos entregar uma protagonista real, com diversas nuances e camadas nos papéis que desempenha enquanto mulher, mãe e detetive. O drama que ronda as personagens representa um dos atrativos da série, que discute saúde mental, racismo, suicídio, sobrecarga de trabalho e o atravessamento de questões pessoais nas profissionais e vice-versa.

Indicação: Elisa Silveira

Doctor Who: Flux – 13ª temporada

Doctor Who: Flux
Imagem promocional de “Doctor Who: The Flux” | BBC

A 13ª temporada de Doctor Who (também reconhecida por seu subtítulo “Fluxo”) é a última temporada de Jodie Whittaker no papel de Doutora e também a última temporada com o showrunner Chris Chibnall. Em um formato diferente das demais, o Fluxo conta com apenas 6 episódios que são continuações diretas um do outro, ou seja, a temporada toda é como uma única história repartida em seis partes. E que maravilhosa história é o Fluxo! 

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Finalmente fazendo jus a grandiosidade de Jodie no papel de Doctor, essa temporada não se limita a pequenas aventuras da semana, mas explora outros planetas, outros fluxos temporais e outros passados que até então desconhecíamos. Yaz (Mandip Gill) também tem papel de destaque, ganhando um desenvolvimento até então muito superficial. A sua relação com a Doutora finalmente evolui, sendo agora uma amizade que soa verdadeira e profunda; como toda relação de Doutor/companion deve ser. Além de Yaz, outros personagens secundários, como Dan (John Bishop) e Vinder (Jacob Anderson), ajudaram a cativar o público – detalhe que também foi uma surpresa positiva. 

A temporada teve alguns episódios melhor construídos do que outros, mas manteve um ritmo frenético que condizia com os eventos tratados. Jodie Whittaker deixará Doctor Who com a certeza de ter recebido um roteiro à altura, e será lembrada por algumas das melhores atuações que já passaram por esse papel.

Indicação: Elisa Guimarães

Pen15

Pen15 - melhores séries de 2021
Cena de “Pen15” | Imagem: Hulu

De longe a melhor série sobre a adolescência da última década, PEN15 lançou seus últimos episódios na plataforma Hulu no dia 3 de dezembro. A segunda parte da segunda temporada marcou o encerramento da série criada por Maya Erskine, Anna Konkle e Sam Zvibleman. Foi um final ao mesmo tempo doloroso e divertido, perfeito para uma série tão agridoce quanto o período da vida que retrata.

Lançada em 2019, PEN15 fala sobre a entrada na adolescência de duas melhores amigas, Anna Kone e Maya Ishii-Peters. Baseadas nas versões mais jovens de Erskine e Konkle, as protagonistas são também interpretadas pelas duas criadoras da séries, ambas na casa dos 30. Apesar de ser uma comédia rasgada, a série não tem medo de falar sério quando é necessário. O resultado é um retrato fiel e emocionalmente sincero do fim da infância.

Ao longo de seus últimos episódio, PEN15 nos joga em uma verdadeira montanha-russa. Sem dar spoilers, as histórias giram em torno da relação de Anna com a família, da primeira experiência sexual de Maya, e do desejo de crescer mais rápido do que a vida permite. Um destaque fica por conta do episódio “Yuki”, centrado na mãe de Maya, interpretada pela mãe verdadeira da atriz, Mutsuko Erskine. Com um ritmo bem distinto do resto da série, o episódio fala sobre o passado da personagem e sua sensação de não pertencimento ao mundo em que vive.

Indicações: Isabelle Simões

The Beatles: Get Back

The Beatles: Get Back - Melhores Séries do Ano
Cena de “The Beatles: Get Back” | Imagem: Disney Plus

Lançado pelo streaming Disney Plus em novembro de 2021, The Beatles: Get Back, a minissérie documental de Peter Jackson, foi mais que um presente para os fãs da banda The Beatles. Com 55 horas de filme gravado e mais 140 horas de áudio gravado, a obra nos mostra a emocionante jornada ao vivo da gravação do álbum “Let it Be“, no decorrer do mês de janeiro de 1969. 

Antes da era da digital, a única forma que o público poderia se aproximar de seus artistas favoritos, os musicais, neste caso, era através da presença em shows e apresentações. Mas com o surgimento da internet e a chegada do Youtube, Spotify, Instagram, entre outros, basta um clique ou toque para todos façam parte do processo criativo de um músico. E The Beatles: Get Back veio para mostrar a genialidade desses quatro jovens britânicos de vinte e poucos anos que revolucionaram o cenário musical na década de 60, ao mesmo tempo que acalentaram os corações das jovens pelo mundo afora. A Beatlemania permitiu que a banda se tornasse todo esse sucesso conquistado. Sim, graças às jovens fãs!

Além disso, o documentário desmente a afirmação machista que há muito vinha sendo reproduzida por partes do fandom: que Yoko Ono, na época namorada de Lennon, seria a motivação do término da banda. Em The Beatles: Get Back vemos que Yoko não apenas estava bastante tranquila nos bastidores da gravação, tricotando, lendo, comendo um franguinho numa boa, como também fez parte do processo criativo em alguns momentos, curtindo em harmonia junto com todos os integrantes. Paul, aliás, tece elogios à Yoko e menciona que o próprio Lennon foi o responsável pelo distanciamento criativo da banda. 

The Beatles: Get Back nos permite viajar no tempo e conferir todos os detalhes de um dos momentos mais marcantes da história da música: a última apresentação ao vivo do quarteto no Rooftop Concert, com a participação de Billy Preston – que ilumina o documentário com a sua chegada nos ensaios. O final trouxe uma das cenas mais bonitas de todas: Ringo afetuosamente dando as mãos para Paul e Linda McCartney, como um gesto de agradecimento por ter feito parte desse acontecimento mágico. Nesse momento também agradecemos por tudo o que esses quatro jovens foram capazes de nos entregar: a trilha sonora de nossas vidas.

Round 6 

Round 6 
Cena de “Round 6” | Imagem: Netflix

A segunda maior estreia da Netflix em 2021 e a obra mais assistida de toda a plataforma, Round 6, também conhecida como Squid Game, chegou sem muito alarde ou divulgação. No entanto, não demorou para que a série sul-coreana se tornasse um dos fenômenos culturais mais comentados durante o ano passado, ocupando o primeiro lugar do top 10 da Netflix em 94 países, incluindo Estados Unidos e Brasil.

Esquecido no churrasco por cerca de 10 anos, o projeto do criador Hwang Dong-Hyuk foi recusado diversas vezes. Trazendo uma alegoria da sociedade capitalista através do formato reality show competitivo, Round 6 conta a história de pessoas com problemas financeiros que são convidadas a competir em um jogo misterioso e mortal. Além de misturar elementos vistos em Battle Royale (2000) e Jogos Mortais (2004), esse horror gore foi inspirado na vida do próprio diretor. Em entrevista para a CNN, Hwang comentou sobre os jogadores Seong Gi-hun (Lee Jung-jae) e Cho Sang-woo (Park Hae-soo): 

“Eles representam dois lados de mim mesmo […] Igual a Gi-hun, fui criado por uma mãe solo em um lar com dificuldades financeiras no bairro de Ssangmun-dong. Ao mesmo tempo, como Sang-woo, estudei na Universidade Nacional de Seul (UNS) e todas as pessoas do bairro onde morei depositavam muita confiança em mim, tinham orgulho.”

Com a segunda temporada confirmada pela Netflix, Round 6 mostra que o audiovisual sul-coreano é repleto de narrativas envolventes, criativas e únicas, sem medo de abordar temas relevantes e universais. E embora a cultura sul-coreana tenha obtido um maior reconhecimento na grande mídia nos últimos anos, o país sempre contou com excelentes produções. Portanto, é ótimo presenciar o sucesso mundial desses profissionais que sempre tiveram suas ideias copiadas e adaptadas demasiadamente pelo “selo hollywoodiano de qualidade”. 

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