The Witcher: segunda temporada consolida a série mas diverge dos livros

The Witcher: segunda temporada consolida a série mas diverge dos livros

The Witcher acaba de se consagrar uma das melhores séries de fantasia já produzidas. Sim, pessoal, a segunda temporada de The Witcher é sólida e enriquece o conteúdo original. 

Com o aumento de orçamento da Netflix, devido ao estrondoso sucesso da primeira temporada e a boa recepção da animação “Lenda do Lobo” (dublado por Theo James), todo mundo esperou uma melhora significativa na série. Mesmo assim, o que recebemos superou nossas expectativas: temos um grande sucesso nas mãos. 

Fica ao leitor o aviso de que o texto possui spoilers dos livros e da segunda temporada. O Bardo mandou avisar.

Geralt de Rívia e Henry Cavill em The Witcher

Seria árduo falar sobre o bruxo sem mencionar o trabalho do ator. Henry Cavill colocou tudo de si no personagem, que cresce de sua personalidade taciturna para uma com mais responsabilidades afetivas. Para os leitores das tramas de Sapkowski, é como perambular nas folhas dos livros e reencontrar um Geralt já conhecido. Que ainda sofre com as feridas físicas e sentimentais de antes.

Henry Cavill como Geralt de Rívia na segunda temporada de The Witcher
Henry Cavill como Geralt de Rívia | Imagem: Netflix (reprodução)

Nesse sentido, agora Geralt precisa proteger sua “criança do Destino”: Cirilla de Cintra (Freya Allan). Não é uma tarefa das mais fáceis, mas o bruxo nunca foge de desafios. E quando ele finalmente aceita o laço emocional existente, nada o impede de deixar Ciri em segurança. 

Adentrando a aventura, tudo parece sem rumo, florestas longas e feras novas. Podemos falar que a espada de prata vai encontrar tanta ação quanto a de aço. (E vale mencionar que os monstros são impressionantes e mais variados que na primeira temporada. Fica um elogio ao time de efeitos especiais da série, que proporcionou ao telespectador uma experiência única.)

Publicidade
Agnes Born (A Bruxa) e Ciri (Freya Allan) na segunda temporada de The Witcher
Agnes Born (A Bruxa) e Ciri (Freya Allan) | Imagem: Netflix (reprodução)

Mas se você espera um Geralt repleto de “hmm” e que ele vá permanecer quieto, prepare-se para um witcher ácido, de língua afiada e que sempre sabe quando se posicionar.

Em segundo lugar, agora existe uma balança nas mãos do experiente witcher: de um lado, suas responsabilidades, do outro, seus afetos. E, desta vez, incluímos seus irmãos witchers no pêndulo que o guia, assim como a relação com Vesemir – famoso entre os fãs da saga e mestre para todos os bruxos vivos da Escola do Lobo. Em suma, os atores estão afiados na química e Henry Cavill, bom, ele merece um parágrafo só dele.

Leia também >> Quer saber como funciona a magia em The Witcher?
Ciri e Geralt na segunda temporada.
Ciri e Geralt na segunda temporada | Imagem: Netflix (divulgação)

Não é novidade o fato dele ter ido atrás do papel mês após mês, por ser fã dos jogos e possuir suas convicções pessoais. Por exemplo, ele nunca escolhe Triss (Anna Shaffer) como parceira romântica de Geralt nos jogos, justamente por ser completamente fiel ao mundo dos livros. Se alguém ainda duvida da capacidade dele em ser um ator refinado em seus papéis, a segunda temporada de The Witcher rebate isso. Aliás, Anna faz bom uso de seu tempo em tela para cativar os fãs, além de cumprir um papel vital em Kaer Morhen, onde Ciri vivia isolada com os witchers. 

The Witcher dos livros x The Witcher das séries 

Estamos diante de um Geralt muito mais próximo daquele que encontramos nos livros que aquele visto na primeira temporada. Ele é muito mais ativo em suas falas, sempre pronto para uma boa ironia, e detém um senso sobrecomum de dever. 

Entretanto, vale fazer uma nota sobre a morte de um dos bruxos que aparece nos livros como uma figura simpática, um irmão de verdade para Geralt. Esse falecimento provocou uma revolta entre os leitores de The Witcher, porém indiferença aos espectadores. E aí está o deslize: eles fizeram da morte de Eskel (Basil Eindenbenz) algo trivial. 

Eskel (Basil Eindenbenz) e Ciri (Freya Allan) na nova temporada de The Witcher
Eskel (Basil Eindenbenz) e Ciri (Freya Allan) | Imagem: Netflix (reprodução)

Entre o “mal menor e o maior” da temporada, existe para ambas as versões, Cirilla. E ela é o fio condutor capaz de transformar Geralt no personagem que encontramos agora: um homem capaz de admitir o coração partido e a falta de Yennefer (Anya Chalotra), disposto a proteger Ciri a qualquer custo e a usar sua inteligência e sagacidade antes de explodir. Esse Geralt é familiar e deve ser o que veremos adiante nas telas.

Por fim, vale comentar o quanto Henry Cavill insistiu em inserir falas diretas do livro “O Sangue dos Elfos” no roteiro, além da sua liberdade criativa em “agir como o Geralt faria” nos sets. Em uma entrevista privada para convidados da Netflix, que aconteceu dia 14/12, ele mesmo admitiu ser difícil dividir a tênue linha de quem era Henry ou Geralt, após sete meses de gravações intensivas. Contudo, não apenas do Lobo Branco se faz The Witcher. 

Publicidade
Árvore em Kaer Morhen com os medalhões dos bruxos caídos
Árvore em Kaer Morhen com os medalhões dos bruxos caídos. | Imagem: Netflix (reprodução)

Leoa, Princesa, Witcher, Feiticeira, Sangue dos Elfos. Cirilla de Cintra

Ciri é a personagem mais poderosa do universo de Andrezj Sapkowski. A Netflix finalmente faz jus aos livros e nos entrega diversas amostras na segunda temporada de The Witcher. Em outras palavras, ela está no trilho de reivindicar suas origens e todo seu poder. Ela é aquela Ciri que divide capítulos com Geralt, cresce a cada um deles, tanto como evolui conforme os episódios se passam. 

Cirilla de Cintra
Ciri de Cintra (Freya Allan) | Imagem: Netflix (reprodução)

No entanto, toda essa força passa a tornar-se o grande propulsor de todas as tramas. Como isso é possível? Diversos reinos encontram-se em guerra declarada. Nilfgaard quer a cabeça de qualquer um que a esconde e deseja colocar as mãos na adolescente. Os demais reinos querem descobrir o que há por trás da herdeira de Cintra.

A Ciri da Netflix é alguns anos mais velha que a princesa escrita por Sapkowski. E as situações do mundo fazem com que ela amadureça ainda mais. Mas nada muito exagerado, pois Freya Allan se destaca tanto por sua atuação quanto pela determinação de sua personagem: agora temos uma Ciri muito similar àquela das outras mídias. 

Leia também >> Ciri: saiba porque todos querem a Princesa de Cintra
Ciri de Cintra (Freya Allan) em The Witcher
Ciri de Cintra (Freya Allan) | Imagem: Netflix (reprodução)

Ela é a razão pela qual reinos e mais reinos se envolvem em esquemas. É a pessoa por trás de profecias. É aquela cuja linhagem advinda dos elfos antigos foi escondida pela Rainha Calanthe. Mas são em momentos extraídos dos livros que ela brilha: seu treino nos campos dos witchers, a teimosia contra ordens de Geralt (que eventualmente torna-se cumplicidade), sua determinação em matar Cahir e enfrentar a Caçada Selvagem são os pontos altos. Existe uma trama em particular que desvincula-se da série: a possessão ao final da temporada. O resultado, porém, equilibra o número de witchers para algo mais semelhante com o dos livros.

Yennefer de Vengerberg e suas alianças improváveis na segunda temporada

Durante a busca de uma divergência primordial entre livros e o seriado da Netflix, teríamos que coroar a trama de Yennefer. A outrora feiticeira mais poderosa perde seus poderes na Batalha de Sodden e desaparece. O que acontece em sua linha do tempo é uma sessão de encontros possíveis apenas pela adaptação. Veja bem, Yennefer e Jaskier (Joey Batey) nunca foram próximos nos livros. No entanto, durante uma entrevista, Anya Chalotra e Joey Batey revelaram que pediram por mais cenas juntos. Sendo assim, é justificável que a relação entre ambos cresça durante a nova jornada.

Yennefer de Vengerberg (Anya Chalotra) e Jaskier (Joey Batey) em The Witcher
Yennefer de Vengerberg (Anya Chalotra) e Jaskier (Joey Batey) | Imagem: Netflix (reprodução)

Yennefer tem de encarar seu maior medo: o vazio. Filha abandonada do Caos (como definem a magia em The Witcher), ela também se vê numa situação atípica entre Francesca Findabair (Mecia Simson) e Fringilla Vigo (Mimi Ndiweni). As três encaram um desafio na floresta, algo que se torna muito maior do que o previsto conforme a trama se desenrola. Esse trecho não está inserido no livro base para a temporada, “O Sangue dos Elfos”, mas serve um propósito: demonstrar que há vulnerabilidade da parte das feiticeiras. E falamos do emocional, de quem são seus ideais, sua visão de mundo. 

Mecia Simson (Francesca Findabair) na segunda temporada de The Witcher
Mecia Simson (Francesca Findabair) | Imagem: Netflix (reprodução)

Nesse contexto, remover os poderes de Yennefer entrega para Anya Chalotra a chance de brilhar mais uma vez e, enfim, encaminhar sua personagem de volta para seu Destino: Geralt e Ciri. Enquanto alguns podem interpretar as ações dela como egoístas, é ao libertar Cahir (Eamon Farren) que ela propulsiona o gancho para futuros reencontros e o verdadeiro chamado do próprio personagem. Da mesma forma, é ela quem traz Jaskier de volta, e as cenas entre ambos são repletas de química e momentos divertidos. 

Leia também >> Em The Witcher, o Continente é das Feiticeiras!

Foi no vazio do Caos que ela se reencontrou, portanto, mesmo este sendo um ponto de atrito em relação aos livros e à opinião de vários fãs, tentem ver por esse lado: a segunda temporada de The Witcher humanizou uma personagem outrora reconhecida apenas por seu poder. 

Qual o saldo do Continente? 

A segunda temporada de The Witcher é muito mais sólida que a prévia, mesmo divergindo em certos aspectos do livro. O espectador casual irá se divertir com personagens carismáticos, novos witchers, e a performance de Vesemir, o mestre dos bruxos da Escola do Lobo. Parece também que encontramos um Dijkstra (Graham McTavish) excepcional.

Ciri e Triss na segunda temporada
Ciri e Triss (Anna Shaffer) na segunda temporada de The Witcher | Imagem: Netflix (rdivulgação)

Seja como for, descobrimos explicações para a criação do mundo na Conjunção das Esferas (um enorme cataclisma que trouxe os humanos para o Continente, causando problemas para os habitantes anteriores: os Elfos).

Em seguida, conhecemos uma versão mais insegura de Fringilla Vigo, e podemos decidir se estamos do lado do Norte, dos Elfos Livres, de Kaer Morhen ou até de Nilfgaard! Aliás, prepare seu coração para o final, pois finalmente os fãs vão saciar sua sede em encontrar os reais inimigos do Continente (ou de Ciri e de sua recém-formada família).

Notas de rodapé feitas para um bardo muito talentoso: prepare-se para mais um hit musical, o piar da coruja mais poderosa do Continente que muito promete na próxima temporada, e Burn, Butcher, Burn! 

Joey Batey (Jaskier) performa "Burn, Butcher, Burn"
Joey Batey (Jaskier) performa “Burn, Butcher, Burn”. | Imagem: Netflix (reprodução)

 

 

 

 

Edição e revisão por Isabelle Simões.

Autora:

46 textos

Escrevo onde meu coração me leva. Apaixonada pelo poder das palavras, tentando conquistar meu espaço nesse mundo, uma frase de cada vez.
Todos os textos
Follow Me :