Virginia Woolf decidiu que iria ela mesma mudar o mundo com suas ideias

Virginia Woolf decidiu que iria ela mesma mudar o mundo com suas ideias

Virginia Woolf decidiu que iria ela mesma mudar o mundo com suas ideias. Ela nasceu e viveu toda sua vida em Londres, fonte de inspiração e paixão, onde muitos de seus romances se passam. Virginia era uma mulher especial, não apenas pelo seu conhecimento literário além do comum, ou por seu talento excepcional na escrita, mas por sua contribuição na pauta feminista também. A autora conseguiu captar as engrenagens sociais com tamanha exatidão que seus esforços em melhorá-las estavam muito à frente de qualquer pessoa da era vitoriana.

Essa poesia de Virginia Woolf

Aos 33 anos, a autora finalizou sua primeira obra, a qual ela passou anos se dedicando. Desde este início até o último livro de sua bibliografia, Virginia Woolf deixou sua marca registrada: o fluxo de consciência e a leveza de retratar cotidianos. Tal marca registrada fez com que seus livros fossem todos sobre “nada” e isso significava que eles eram sobre “tudo”. Muitos autores se inspiraram na sua literatura para criarem as suas próprias, como a grande Clarice Lispector no Brasil.

Virginia Woolf
Virginia Woolf. Foto: reprodução
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Contudo, não era apenas seu estilo narrativo que a destacava; a autora ainda deixava rastros de sua militância a cada página que escrevia. Esses detalhes fizeram toda a diferença para definir a grandiosidade de seu trabalho, seja através da inspiração de Orlando, (sua amiga e amante Vita-Sackville West) ou na independência e solidão de Mrs. Dalloway.

O livro O Sol e o Peixe traz textos da autora baseados em experiências próprias, assim como as crônicas reunidas em Cenas Londrinas. Ela adorava colocar como fundo as ruas de Londres, além de capturar com suas palavras pequenos detalhes: a luz do sol que tingia o calçado de amarelo alaranjado, uma folha que cai lentamente com o vento ou até mesmo uma senhora comprando flores.

Essa sociedade londrina

Além disso, os retratos da elite britânica também se tornaram uma marca de suas obras, onde Virginia Woolf fazia questão de deixar suas críticas com um quê de sarcasmo. As situações cômicas e exageradas nas quais os personagens entravam – sempre com muita graça, sempre de um jeito muito inglês – reforçaram suas habilidades narrativas. Seguindo esse exemplo, Machado de Assis também costumava brincar com os estereótipos das classes médias e altas brasileiras, como podemos ver no conto O Alienista ou em Dom Casmurro.

Dessa forma, Virginia abordava ocasionalmente temas de extrema relevância em sua vida política. Ela fazia parte do movimento sufragista, além de possuir ideias democráticos muito fortes. Portanto, Woolf nunca tentava esconder tais objetivos, como os impulsionou através de seu trabalho na literatura.

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Monks House | Imagem: Reprodução
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Sendo assim, Virginia Woolf falou mais sobre a humanidade em Mrs. Dalloway do que muitos autores sonham fazer em um trabalho de uma vida. E em suma, caracterizou a sociedade em que estava inserida de maneira fantástica. Seu olhar e sua maneira de retratar as pessoas perdurou por muito tempo, sendo válido e importante até hoje.

Para além de seus escritos ficcionais, a autora também se destacou através de seus ensaios, cartas e diários. O ensaio mais famoso é possivelmente Um Teto Todo Seu, sua mais marcante crítica feminista, onde ela declara a relevância da independência e da estrutura para as mulheres. Com isso, Virginia Woolf se torna – seja do modo poético ou científico – uma referência na escrita, eternizada em obras hoje consideradas clássicos absolutos.

Essa coisa chamada vida

Quanto à vida pessoal de Virginia, muitos pesquisadores se dedicam a compreender os problemas pelos quais a autora passava até chegar a se suicidar em 1941. Ela nunca chegou a ser diagnosticada com nenhuma doença mental, mas os estigmas relacionados à saúde mental eram ainda mais fortes na sociedade inglesa daquela época. Virginia poderia ter passado por anos por um quadro depressivo e jamais ter recebido a ajuda necessária.

Outro tabu da época que a afetava era quanto à sexualidade, a qual Virginia nunca pôde ser totalmente livre. É fato que ela também amava mulheres, e a sociedade não tolerava mulheres que amam mulheres – e muito pouco mudou desde então. Embora fosse casada com Leonard Woolf, Virginia nutria um relacionamento com Vita Sackville-West, uma poeta. Tal relacionamento inspirou o filme Vita e Virginia, uma das obras biográficas da autora, onde é possível compreender algumas de suas inspirações e problemas pessoais.

E como qualquer mulher interessada em política e educação, Virginia Woolf não era sempre bem vista. Apesar do reconhecimento de suas contribuições no campo artístico e social, ainda há quem sinta medo de seus ideais. Ainda há quem sinta medo de Virginia Woolf.

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Virginia Woolf | Imagem: Reprodução

Por fim, espera-se que o trabalho de Virginia seja inspiração para a luta de outros, e que assim a liberdade – em seu sentido mais puro e essencial – possa vir para todos. E que entenda-se, finalmente, através do levante político e da delicadeza da arte, o que significa para nós esta coisa chamada vida.

Autora:

13 textos

Estudante de Letras na Universidade de São Paulo, apreciadora de boas histórias e exploradora de muitos mundos. Seus sonhos variam entre viajar na TARDIS e a sociedade utópica onde todos amem Fleabag e Twin Peaks.
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