Triss Merigold e suas múltiplas facetas em The Witcher

Triss Merigold e suas múltiplas facetas em The Witcher

Existem personagens com a capacidade de provocar grande comoção no cerne emocional de uma história – sem que, de fato, sejam protagonistas. E se existe uma personagem com essa capacidade em The Witcher, é a querida e controversa Triss Merigold (Anna Shaffer). Como alguém pode ser amado e causar controvérsias ao mesmo tempo? Você vai ficar sabendo em alguns instantes. 

Quem é Triss Merigold?

Triss é uma lendária feiticeira da Temeria (um dos reinos do Norte), conhecida nos livros como a 14ª da colina – referência à Batalha de Sodden Hill, cujas consequências perduram por todo o restante da saga. Ela é severamente ferida por queimaduras e, ao contrário das feiticeiras conhecidas por sua vaidade, decide manter aqueles traços. Seu corpo, agora, era um mapa tracejando a guerra que sobreviveu.

A manipuladora do caos é conhecida, a princípio, como melhor amiga de Yennefer (Anya Chalotra) e por fazer parte do círculo de confiança de Geralt de Rívia (Henry Cavill). Por tal motivo, é convidada para Kaer Morhen no intuito de auxiliar a educação da princesa Cirilla (Freya Allan). Aliás, se não fosse a intervenção de Triss, os homens de Kaer Morhen iam continuar tratando o corpo de Ciri como equivalente hormonal aos seus. Há uma passagem, por exemplo, onde Merigold ensina para a adolescente sobre menstruação e que estava tudo bem tirar o dia de folga quando estivesse com cólicas. 

Triss Merigold em The Witcher
Triss Merigold em The Witcher | Imagem: Netflix (divulgação)

Isso pode parecer algo simplório, mas, no mundo de The Witcher, é um ato de bondade e preocupação que não vemos sendo entregue de graça por aí. Principalmente dentro da Fortaleza repleta de homens, os quais parecem mais carinhosos com ela do que com as demais detentoras da magia.

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Mas Triss Merigold sempre foi mais que uma jovem feiticeira com o coração em pleno aprendizado: era conhecida por ser uma incrível curandeira e capacitada em poções de alto nível. Por alguma ironia amarga do Destino, sempre foi alérgica a poções e qualquer elixir, não podendo ser usado na feiticeira nada de cunho mágico deste tipo. Dessa forma, a moradora temporária de Kaer Morhen usa um amuleto para se curar, na ocasião de ficar doente pelo uso do produto alquímico. 

Destinos de Triss Merigold 

Por outro lado, existe um grande “porém” na personalidade dócil de Merigold— nos livros e jogos, a personagem usa da magia para finalmente seduzir Geralt, por quem tinha uma paixão platônica nos livros, e não correspondida na série da Netflix. O seriado teve muito cuidado em não colocar Anna Shaffer, atriz, no meio de uma família já muito bem definida. Afinal de contas, já vimos inúmeros triângulos amorosos por aí. 

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Destinos de Triss Merigold 
Triss Merigold em The Witcher | Imagem: Netflix (divulgação)

Durante uma entrevista para o Cheat Sheet, a produtora Lauren Hissrich menciona que não possui interesse em “perder seu tempo” com um triângulo amoroso. Sua exata frase é “o que não queríamos era uma mulher que está constantemente desejando um homem que não pode ter.” 

Ou seja, para os fãs dos jogos que esperavam por um romance entre a maga de cura e o Witcher, podem acalmar o coração. Isto traz uma mudança também nos livros, ainda que não grandiosa, pois lá eles nunca vivem um romance real. A showrunner disse ainda que os sentimentos de Triss Merigold são sobre “sair de um trauma e aprender a lidar com ele.” 

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A decisão, apesar de não agradar todo público, leva a série para um caminho diferente da costumeira “disputa” pelo personagem principal. Essa decisão pode ser considerada polêmica para grande parte dos fãs originários dos jogos, mas os que acompanham a saga dos livros sabem que o ato cometido por Triss no gameplay não foi nada admirável. 

Seguindo o tropo do triângulo, ela mente para um Geralt desmemoriado e esconde a presença de Yennefer e Ciri na vida do guerreiro a fim de seduzi-lo. Ver algo remotamente parecido em streaming não seria acréscimo algum para a personagem. 

Triss Merigold, personalidade e importância

Quando você perde a esperança no amor, mas continua caminhando porque sabe que em algum lugar haverá uma resposta melhor para você: essa é uma definição justa de Triss Merigold. Sem esperanças em sua paixão, sem justificativas para trair a amizade de Yennefer, além de envolvida com Ciri ao ponto de chamar a leoa de “irmãzinha”, Triss é um pedaço de todas nós. 

Pessoas errantes, com feridas abertas no peito, o coração na mão, e um falso senso de direção – mas não se engane, a feiticeira consegue passar por cima de tudo isso para defender quem ama. Se você decidir tornar-se um leitor da saga, irá perceber que ela nada mais é do que alguém cujas intenções boas ainda não encontraram o molde correto. 

Perfil da Triss Merigold

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Triss Merigold é, sim, capaz de amar. Durante o diálogo na série da Netflix com Geralt, ela se sente próxima dos mutantes por também ter, agora, um trauma pessoal. O diálogo é sutil e complicado, mas com sensibilidade podemos entender que ela nada mais quer do que um suporte. Um guia. Seja na magia, na amizade ou no amor. 

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Eventualmente ela encontra essa figura em Yennefer, Ciri, Vesemir (Kim Bodnia), Geralt. Ainda que seja facilmente manipulada pela Loja das Feiticeiras (união das feiticeiras mais poderosas do reino). Adiante na história, ela se depara com a fúria de Yennefer em defesa da filha, Ciri, e a questiona quem ela quer ser. Não quem esperam que seja. 

Fechando as pálpebras e refletindo, todos nós temos um pedaço de Triss Merigold: aquele cantinho perdido, que deseja nada mais do que ser acolhido. Mas quando ela não está nesse humor, é divertida, sorridente, até mesmo dócil se você ignorar os ardis da Loja. Um coração no lugar certo, cujo medo de Ciri – retratado na segunda temporada da Netflix – é justificado pelo receio de que a humanidade encontre seu fim através da menina. 

Merigold, perspectivas e mudanças

A feiticeira passou por diversas mudanças entre as diferentes versões de The Witcher. Talvez seja a personagem com maiores transformações, mas as versões dos livros e da série são as mais próximas. A adaptação extrai a essência da personagem com esperanças de que a Netflix não vá enfiar a feiticeira em histórias de disputas femininas desnecessárias. 

Consciente de que alguns lamentam o pilar formado por Geralt, Ciri e Yennefer, é sempre bom lembrar que uma Triss mais independente e com suas habilidades em usos práticos é a vantagem para seus amantes. Existe, portanto, o caminho da vingança, da união com Tissaia, da possível consolidação de sua amizade com Yennefer (mesmo sendo isto difícil caso ela se vire contra Ciri). 

A importância de Triss Merigold em The Witcher

Há amor para Merigold, mas esse sentimento não vem de todas as formas desejadas. Assim como o poder. E ela usará o seu poder, amor e a bússola correta no coração em seus próximos passos. Ao menos é o destino apresentado aos ávidos leitores da saga, enquanto simultaneamente é o desejo que fica para a versão interpretada pela espetacular e cativante Anna Shaffer, na versão da Netflix. 

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Inclusive, gostaríamos de demonstrar repúdio por todos os ataques que a atriz sofre nas redes sociais. O motivo? Ela não é a ruiva de olhos verdes e tez pálida que aparece em The Witcher 3. Ela é muito mais do que isso. Triss e Anna Shaffer são repletas de coração e qualquer forma de racismo deve ser repudiada. Além do que, curiosidade: a Triss dos livros não tem absolutamente nenhuma relação com a dos jogos. 

Triss Merigold é uma força imparável na história de The Witcher. Sobrevivente da batalha da Colina, guerreira das cicatrizes e um dos mais jovens membros das feiticeiras mais poderosas do Continente, ela é um ser humano propenso a falhas e reparos. E acima de tudo, superações, como todas nós.


Edição e revisão por Isabelle Simões.

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Escrevo onde meu coração me leva. Apaixonada pelo poder das palavras, tentando conquistar meu espaço nesse mundo, uma frase de cada vez.
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