Quer saber como funciona a magia em The Witcher?

Quer saber como funciona a magia em The Witcher?

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Unleash your chaos, Yennefer“. A frase foi dita por Tissaia de Vris na batalha contra Nilfgaard e muitos podem pensar que o caos ali mencionado era algo muito mais poético do que de fato era. No universo de The Witcher, mágica é caos. Os primeiros humanos receptores da magia vieram com a Conjunção das Esferas, um evento que colidiu diversos mundos paralelos, mas apenas um pequeno grupo consegue usar a magia que passou a correr energicamente pelo continente.

Decifrando a magia em The Witcher

Primeiramente, pense na magia como um personagem de vida própria, com temperamento difícil e múltiplos segredos. Por trás de cada elemento natural, vive uma criatura mítica de algum universo paralelo. Eles julgam a necessidade dos humanos em extrair a força de seus elementos. Feiticeiros e feiticeiras pedem licença da natureza para usar Fogo, Terra, Ar e Água para seus próprios objetivos egoístas ou de boa fé. 

Decifrando a magia em The Witcher
Imagem: reprodução

O fogo, por exemplo, não deve ser usado. Em várias passagens dos livros de The Witcher podemos entender que sobreviventes do uso intenso do fogo apenas permanecem vivos porque o fizeram para salvar alguém. A própria Yennefer de Vengerberg alerta sua pupila Ciri, durante o treinamento mágico, que não se deve extrair magia do elemento fogo, mesmo que ele esteja sempre disponível.

Nesse sentido, entenda que extrair magia diretamente do fogo não significa não usá-lo. Em The Witcher, uma feiticeira ou um mago deve “roubar” energia de algum elemento para poder conjurar feitiços — e ao roubar algo, eles te roubam de volta: sua energia vital. Você pode até criar suas esferas de chamas, mas não extrair as labaredas do elemento primário. 

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Para aprendizes e iniciantes, o melhor é o uso da água — e a água vinda de um rio ou lago, uma água nascente. Águas de oceanos poderosos pedem magos poderosos para controlar sua fúria. Temos ainda terra e ar, mas a terra demanda muita força e o ar é bastante furtivo. 

A mágica tem vida e escolhas e sua opção nunca é acabar nas mãos de um feiticeiro, por mais justo que ele seja. Deixando ainda mais claro: nada vem de graça, nem mesmo para os poderosos conjuradores. Invocar feitiços, extrair poderes e usar da magia natural são ações que demandam esforço físico, por isso é possível detectar tanto na literatura quanto nos jogos uma imensa distância entre pessoas que podem apenas fazer pequenos feitiços de cura e outras, como Yennefer ou Eilhart, que conjuram mortos e se transformam em animais. 

Magia de Elite e Magias Proibidas

Geralt e Yennefer no jogo The Witcher
Cena do jogo The Witcher. Imagem: reprodução

Todavia, apenas duas magias são notoriamente proibidas: demonologia e necromancia. A primeira não é particularmente difícil, mas traz para o nosso mundo criaturas indesejadas e pode encurtar o tempo de vida de um jovem bruxo.

A segunda, necromancia, pode ser usada apenas para condições de estudo, jamais para retornar seres humanos. E, ao contrário da demonologia, a necromancia demanda uma quantidade gigantesca de poder. Apenas Magos de Elite podem fazê-lo, como Yennefer e Eilhart. E não, não é qualquer estudante de Aretuza que pode ser considerada uma feiticeira de elite. 

Educação Mágica 

A educação mágica em The Witcher
Cena de The Witcher. Imagem: Netflix (reprodução)

Aretuza, para quem não sabe, é a escola de prestígio onde as garotas predispostas à magia vão para desenvolver seus poderes. Contudo, algumas outras acabaram indo também — filhas de ricos, que financiavam os luxos da instituição. Afinal, ao contrário dos homens, muitas mulheres só podiam recorrer aos estudos como esperança de um bom futuro.

O correspondente masculino de Aretuza é a Escola de Ban Ard, em Kaedwen. Ao contrário do que a série da Netflix mostra, nos livros não existe nada muito sério sobre Ban Ard, sendo Aretuza o palco principal para as problemáticas de magia. 

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Devido ao extremo prestígio do qual gozavam, feiticeiras e magos eram convidados por membros reais para integrarem suas cortes. A princípio, não como Conselheiros, mas adivinhos, leitores, prestadores de serviços. Com o passar do tempo, mais e mais mágicos foram se envolvendo em elementos políticos, tornando-se parte vital das cortes. Diz-se até que as escolas começaram a detectar desde cedo suas melhores alunas para enviar cada uma para a corte que lhe fosse mais apropriada.

Da Corte dos Reis para o Tabuleiro Político 

Influência e poder… esse se tornou um jogo perigoso na vida daqueles controladores de magia, agora jogadores políticos, e conforme a influência dos magos foi crescendo visivelmente, mais incômodo isso trouxe aos Reis, Rainhas e aos civis. Causou até mesmo uma divisão entre os bruxos, culminando na famosa traição que ocorreu em Thanedd.

Após uma sucessão de perdas para a causa da mágica, um grupo de elite decidiu deixar opiniões políticas de lado e formar uma aliança, uma união para garantir que a magia não deixasse de existir, a despeito de qualquer que fosse o reino onde estivessem. Esse grupo é um dos mais famosos entre os amantes dos livros: The Lodge – ou, em tradução nacional, A Loja das Bruxas. Ela é formada por Philippa Eilhart, Síle de Tansarville, Sabrina Glevissig, Triss Merigold, Keira Metz, Margarita Laux-Antille, Yennefer de Vengerberg, Francesca Findabair, Ida Emean aep Sivney, Assire Var Anahid e Fringilla Vigo. 

A Loja das Bruxas em The Witcher
A Loja das Bruxas em The Witcher. Imagem: reprodução

Aliás, vale pontuar que Yennefer estava ali apenas por uma sucessão de eventos infelizes (e também por seu incomparável poder). Eilhart é uma espécie de lenda no Universo Witcher, sendo uma metamorfomaga que pode se transformar em coruja e exerceu sua influência política durante muitos anos. Se você considera os jogos canon, ela continuou poderosa e irredutível mesmo depois de perder ambos os olhos numa tortura horrorosa sofrida pelo Rei Radovid. Então, claramente ela sentava na ponta da mesa e dava as cartas. 

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Existem inúmeras passagens das feiticeiras durante os livros e elas são mulheres… reais. Mulheres que erram, brigam, discutem e discordam, mas no final das contas são elas que se unem para resolver uma guerra sem fim. E o que acontece com aquelas que terminam a Guerra? Recebem medo. E se os saltos temporais de Ciri durante os capítulos não estão errados, tudo leva a crer que, após o final da Guerra de Nilfgaard, teve início a Caça às Bruxas. Esse mesmo elemento é reaproveitado nos jogos, que se passam após as histórias dos livros, culminando numa literal Inquisição em The Witcher 3

A histeria ao redor das bruxas no continente é comparável ao que ocorreu na vida real e às crenças europeias sobre reuniões de bruxas. Existem quatro correntes de crenças vindas de lá: a primeira é a de que nunca existiu, sendo apenas uma invenção religiosa para aumentar sua riqueza e apavorar a população.

A segunda fala sobre a tradição murrayista, publicada no livro O culto das bruxas na Europa Ocidental, e relaciona bruxaria com uma antiga religião fértil que cultuava Dianus desde a Idade Média — essa teoria foi desacreditada por historiadores. As outras duas teorias misturam superstições e paganismo, como os motivos para a histeria da população controlada pelas instituições religiosas.

E é por isso que The Witcher assemelha-se a eventos da vida real em diversos momentos, pois não, não tivemos o uso de magias incríveis mudando o curso da vida, mas tivemos mulheres perseguidas por escolhas que divergiam do que era imposto pela sociedade. 

Bruxaria e mulheres reais em The Witcher 

Todas as etapas da bruxaria estão ali em The Witcher e você precisa apenas observar, mesmo que acabe antes da derrocada. Temos os documentos de Jaskier, as entrevistas de Sapkowski e as viagens de tempo de Cirilla. Todavia, as feiticeiras talvez sejam as personagens com a história mais completa em The Witcher, logo após Ciri. Elas estão no centro de tudo, tentando usar os poderes de Ciri, tentando controlar os ímpetos de guerra de homens apaixonados por batalhas e tentando usar de todos os meios para realizar seus propósitos. 

Contudo, elas não são perfeitas e nem devem ser. São quebradas, apaixonadas, ambiciosas, humanas e reais. Esse é um dos elementos mais apaixonantes nos livros de The Witcher: perceber que, tendo a oportunidade de ficar em apenas um witcher, Sapkowski decidiu nos entregar um grupo de mulheres incrivelmente fortes, capazes de dar as cartas e mudar o curso do mundo.

Prepare-se, portanto, para se apaixonar pela humanidade de todas elas; para odiar a humanidade de todas elas; e para, sem dúvidas, reconhecer a humanidade em todas elas.


Arte em destaque por Ilya Dykov, edição por Isabelle Simões e revisão por Gabriela Prado.


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Escrevo onde meu coração me leva. Apaixonada pelo poder das palavras, tentando conquistar meu espaço nesse mundo, uma frase de cada vez.
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