[CINEMA/LISTA] Melhores filmes com protagonistas femininas lançados em 2017

[CINEMA/LISTA] Melhores filmes com protagonistas femininas lançados em 2017

Dando continuidade aos melhores lançamentos do ano trazemos mais uma lista, dessa vez listamos alguns dos melhores filmes lançados em 2017 com protagonistas femininas. 

Atômica 

por: Laís

Melhores filmes

Charlize Theron interpreta Lorraine Broughton, uma espiã do MI6 que viaja para a Berlim do final dos anos 80 em plena Guerra Fria, no intuito de resgatar o corpo de outro espião e uma lista contendo nomes de agentes duplos. A atmosfera da trama, pautada nos dias que antecederam a queda do Muro de Berlim, é lindamente construída com planos-sequência de tirar o fôlego e cores que contrastam entre a frieza do azul e a quentura de vermelhos que explodem na tela. Lorraine é uma personagem incrível: forte, ágil e extremamente girl power, não mede esforços para que seu trabalho seja cumprido a qualquer custo –  e seus demônios interiores sejam acalentados. As cenas de ação em que a protagonista acaba com os rivais, orquestradas pelas melhores músicas dos anos 80, fazem de Atômica, obra adaptada do quadrinho Atômica: A Cidade Mais Fria, de Antony Johnston e Sam Hart, um espetáculo filmográfico. A representatividade feminina também fica por conta de Delphine Lasalle (Sofia Boutella), com a qual Lorraine se envolve amorosamente.

A direção do filme é de David Leitch (John Wick e Deadpool 2) e conta ainda com a participação de James McAvoy, John Goodman, Til Schweiger e Bill Skarsgård.

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Mulher-Maravilha

por: Ibiti

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Mulher-Maravilha não é um filme perfeito. Quando a personagem foi criada, na década de 40, pelo psicólogo norte-americano William Moulton Marston, o propósito foi “(…) estabelecer, entre as crianças e jovens, um modelo de feminilidade forte, livre e corajosa; para combater a ideia de que as mulheres são inferiores aos homens, e para inspirar meninas à autoconfiança e às realizações no atletismo, nas ocupações e profissões monopolizadas pelos homens” (Lepore, 271-272).

A reaparição da heroína nos nossos dias não vem exatamente com esse propósito. Mas, a princesa das Amazonas luta por justiça e contra o crime. Infelizmente, as questões feministas foram deixadas de lado ou pouco destacadas. Outro problema diz respeito a praticamente todos os filmes de ação com mulheres protagonistas. Elas sempre estão sozinhas. Se não fossem pelas Amazonas que aparecem no começo do filme, as aventuras de Diana Prince seriam apenas dela no meio de muitos homens.

No entanto, alguns aspectos positivos do filme fazem com que ele esteja nesta lista. Mulher-Maravilha foi dirigido por uma mulher, Patty Jenkins. A boa aceitação da crítica e do público colocou o longa entre os mais vistos do ano e esse alcance é importante para visibilizar personagens femininas fortes e independentes. Tudo isso garantiu uma continuação e que a direção seguisse com Jenkins. Finalmente, talvez tenha começado uma mudança em Hollywood sobre a lenda de que mulheres não sabem fazer ou protagonizar um bom filme de ação. Parece que começamos a ser levadas à sério. E, o mais importante, o filme conta uma boa história e de forma correta o suficiente para emocionar muitas mulheres adultas que esperaram um longo tempo para ver uma super-heroína dominar as salas de cinema. Também emociona a meninas que, agora, têm uma nova inspiração para seguir. Parece que a segunda parte do propósito da personagem, como sonhava o dr. Marston, começou a ser cumprido. Outra vez.

  • Fonte: 1. Lepore, Jill (2017). A História Secreta da Mulher-Maravilha. Rio de Janeiro: Best Seller.
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>> Mulher-Maravilha: O filme que precisávamos e merecíamos

Verão 1993 

por: Samantha

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Verão 1993 (Estiu 1993), escrito e dirigido por Carla Simón, tem uma direção de atrizes mirins fenomenal. Com um elenco extraordinário, o filme se debruça sobre a infância da diretora. As duas crianças que protagonizam o filme foram encontradas numa seleção de elenco que durou cerca de seis meses. Em Verão 1993, a câmera segue o ponto de vista da pequena Frida (Laia Artigas) que, com apenas 6 anos de idade, precisa lidar com a morte de seus pais, por conta do vírus da Aids, numa época em que a doença ainda era pouco conhecida. Esta perda altera radicalmente seu modo de vida, ao ter que mudar-se da urbana Barcelona para uma pequena cidade no campo.

Conduzindo o roteiro e a câmera de forma naturalista, Carla Simón cria uma atmosfera que emula o documental, sem jamais esbarrar na autocomplacência. Ao libertar o choro contido durante todo o filme, a diretora exorciza uma parte difícil de sua infância, já que o roteiro tem inspiração autobiográfica. Indicado da Espanha para concorrer a uma das vagas na categoria de filme estrangeiro no Oscar 2018, o filme ganhou o Grande Prêmio da mostra Geração no Festival de Berlim 2017, além de melhor filme de estreia.

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>> Verão 1993: luto e adaptação familiar na infância (crítica)

Como Nossos Pais

por: Candida

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No ano em que o movimento feminista brasileiro se firmou, o filme Como Nossos Pais, dirigido por Laís Bodanzky, trouxe a rotina de Rosa, a personagem de Maria Ribeiro. A vida dela poderia ser um quadrinho da cartunista francesa Emma, que realizou o excelente Era Só Pedir.

Rosa se responsabiliza sozinha pela casa e criação das filhas ao mesmo tempo que trabalha. Já seu marido, nem sabe nem onde ficam as coisas na cozinha. O pai irresponsável, vivido por Jorge Mautner, representa o desbunde do fim dos anos 60/início de 70. A mãe, vivida por Clarice Abujamra, é uma socióloga prática e engajada em causas sociais. Assim como a Sonia Braga de Aquarius, são mulheres idealistas de esquerda que viveram intensamente a contracultura, mudaram costumes, mas se esqueceram de olhar para dentro de casa. É uma geração que foi trabalhar fora, porém ao invés de propor a divisão de tarefas, escolheu poupar os homens e contratou alguém para realizar os serviços domésticos que não queriam mais fazer. São pessoas que apesar de terem feito tudo que fizeram, ainda são os mesmos e vivem como seus pais. Rosa não quer mais ser assim, cabe a geração dela a tarefa de propor e lutar pela colaboração masculina. O que também é um trabalho ingrato.

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>> Como Nossos Pais: As relações entre as mulheres e o fim da reprodução do patriarcado

Jogo Perigoso

por: Jéssica

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Jogo Perigoso é uma adaptação da obra feita por Stephen King. Neste ano, em que o autor foi tão comentado e teve tantas obras adaptadas, talvez uma das melhores tenha sido Jogo Perigoso. Um final de semana, um casal querendo experimentar coisas novas, um final trágico, e uma mulher que é obrigada a reviver todos os seus traumas presa a uma cama. A protagonista Jessie, interpretada por Carla Gugino, desempenha um papel maravilhoso e dá um baile de interpretação: é uma mulher extremamente forte, que descobre em meio ao seu sofrimento como pode melhorar, como pode usá-lo pra ajudar outras pessoas que sofreram abusos como os dela.

Sabemos que as pessoas sentem as coisas de formas diferentes e que as vezes as coisas não são simples, mas é interessante ver a personagem de Jessie lutando, sobrevivendo e lidando com todos os seus problemas durante o filme e se fortalecendo a cada lembrança, a cada memória, a cada situação ultrapassada. O filme é forte, não é de um tom leve, mas é uma obra incrível. Não somente sobre superar um abuso, mas a forma como ela pode fazer isso, a construção da personagem, a forma como ela lida com seu “monstro” faz de Jogo Perigoso um filme interessante e que eu gostei de ter visto em 2017. Não recomendado pra quem tem gatilhos com estupro e abusos.

Uma Mulher Fantástica

por: Carol

Uma Mulher Fantástica, Melhores filmes

Pense um pouco em quantos filmes você já assistiu em que personagens trans não servem como alívio cômico ou não possuem um destino trágico. Pense ainda em quantos destes são interpretados por atrizes realmente transgênero na vida real. Deu pra contar em mais de uma mão? Pois é. O cinema e o audiovisual somente agora estão começando a trazer a visibilidade merecida para pessoas trans. Uma Mulher Fantástica é justamente um desses filmes. E é uma belíssima história sobre resiliência e o lugar da mulher na sociedade.

Marina (Daniela Vega) é uma jovem que trabalha como garçonete de dia, e como cantora em bares à noite. Ela vive com seu namorado Orlando (Francisco Reyes), e os dois possuem uma relação amorosa e próspera, apesar dele ser bem mais velho que ela. Uma noite, entretanto, Orlando acorda passando mal e Marina o leva ao hospital. Lá, após ter de esperar no corredor, ela recebe a terrível informação de que ele teve um derrame e faleceu. Sem nem ter tempo de processar a notícia direito, Marina é interrogada pela polícia, acionada pelo médico que desconfiou do envolvimento dela na morte de Orlando, por puro preconceito. O filme acompanha a jornada de Marina durante o luto e na luta por seus direitos.

Jovem Mulher 

por: Duda Gambogi

Melhores filmes

A compilação dos momentos cômicos de Paula (Laetitia Dosch) sob uma música alegre e alternativa, no trailer de Jovem Mulher (2017), e a sinopse que a descreve como “uma mulher fascinante em uma cidade fascinante” preenchem (provavelmente por motivos mercadológicos) vários requisitos dos clichês das comédias românticas. A protagonista – uma jovem bonita e burguesa, que seria mais uma de sua classe se não fosse por um desejo de liberdade enorme que confronta o decoro esperado das mulheres – também nos é familiar, outro indício que tornaria Jovem Mulher (o próprio título também é um deles) mais um dos dramas burgueses e açucarados feitos a metro pela indústria cinematográfica.

Ao oposto do que indica a sinopse, entretanto, o objetivo da diretora Léonor Serraile parece ser, exatamente, quebrar com essa fascinação. Ele já fica claro na primeira cena do filme: conhecemos Paula durante uma crise nervosa, dentro de um hospital. Ela sai dele, e passa a maior parte do filme perambulando pela cidade. Entretanto, em vez de transitar levemente pela metrópole tão bela e decadente quanto ela mesma como fizeram tantas outras, de Audrey Hepburn à Brittany Murphy, Paula carrega sua liberdade como um fardo, inútil na lógica dos lugares desenvolvidos, onde o capital é onipresente e a felicidade só parece possível para os que se adequam às suas regras.

O pulsante desejo de vida de Paula contrasta com todas as proibições e os códigos de comportamento que lhe são impostos a cada lugar que pisa. Ela cruza esses limites como se não os enxergasse, com uma leveza admirável e, por vezes, graciosa, mas antes sintomática de um desespero do que de paz interior. A flanação sem rumo da jovem mulher por belos cenários é uma busca desesperada por qualquer tipo de pertencimento e pelo afeto perdido nos nossos tempos, por alguma testemunha de sua existência. Ela segue procurando, motivada por um romance de outra ordem: aquele que inventamos para continuarmos a preencher o esvaziamento crescente de nossas relações, e nos mantermos vivos e levemente inadequados.

Manifesto

por: Maria

Melhores filmes

Foi uma surpresa feliz ver o experimental Manifesto em cartaz no Brasil, tendo sido exibido em um impressionante número de capitais fora do eixo Rio-São Paulo, como Florianópolis, São Luís e João Pessoa (de fato, em sua oitava semana, em 14 de dezembro, o filme permanecia em cartaz em quatro cidades). Claro que isso em muito se deveu à fama de sua genial protagonista, a atriz australiana Cate Blanchett, que no filme interpreta treze personagens diferentes. Este tour de force coloca mais uma vez, de maneira inquestionável, a autoria cinematográfica como algo complexo e em permanente litígio, já que fica claro que Blanchett, num trabalho primoroso de corpo e voz, assina a obra com a mesma força que o artista visual alemão Julian Rosefeldt, que dirige o longa.

A narrativa bastante original se constrói através de uma série de proposições dramáticas concisas (um mendigo num mundo com ares pós-apocalípticos, uma operária numa fábrica futurista, uma mãe antiquada que comanda uma refeição em família, uma artista que inaugura uma exposição, etc.). Nessas situações Blanchett apresenta monólogos que replicam textos de grandes manifestos de movimentos artísticos, como Futurismo, Dadaísmo e Dogma 95, textos que emergem bastante deslocados de seu contexto original, transsignificados, restaurando as palavras a um estado anterior ao peso da proposta estética ou política a que se referiam. Nesse processo dialético, a obra causa inquietação, ampliada pelos grandes e precisos planos gerais, que parecem remeter a realidades alternativas sem qualquer traço onírico. Todas as sequências surgem como se peças de um grande museu fossem, como se o espectador pudesse caminhar por elas cruzando um espaço amplo e asséptico. Proporcionando uma perspectiva de fruição completamente distinta do trivial, Manifesto não foi apenas um dos melhores filmes, mas uma das mais ricas experiências artísticas de 2017.

Thelma

por: Isabelle Simões

Representante da Noruega no prêmio de Melhor Filme Estrangeiro para o Oscar de 2018, Thelma, do diretor Joachim Trier (“Oslo, 31 de Agosto”; “Mais Forte Que Bombas”) é um filme que utiliza o realismo fantástico e o terror como ambientação para contar uma história sobre desejos reprimidos, controle dos corpos das mulheres e libertação.

O filme questiona o papel da instituição da Igreja Católica aliada ao patriarcado como castração e controle dos desejos, principalmente, sobre a sexualidade feminina. Thelma (Eili Harboe) é uma uma estudante universitária que muda para Oslo para cursar Biologia. É a primeira vez que ela irá viver sozinha e experimentar coisas novas, tendo em vista que foi educada com rigidez pelos pais que seguiam com afinco os princípios religiosos. Desde o início do filme vemos que seu pai (interpretado por Henrik Rafaelsen) exerce uma grande influência nas escolhas da filha e da esposa (interpretada por Ellen Dorrit Petersen). Mesmo morando longe da família, Thelma não consegue se desprender totalmente do controle ele exerce em sua vida, sempre recorrendo a sua opinião quando experimenta algo que foge dos costumes religiosos que lhe foram ensinados. 

Thelma faz sua primeira amizade em Oslo com a simpática Anja (Kaya Wilkins) e a partir desse encontro, que também desperta sua sexualidade reprimida, tudo muda ao seu redor. Alguns acontecimentos sobrenaturais passam a ocorrer e Thelma questiona toda a educação recebida, além de desvendar alguns acontecimentos do passado. 

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