[CINEMA] Mulher-Maravilha: O filme que precisávamos e merecíamos

[CINEMA] Mulher-Maravilha: O filme que precisávamos e merecíamos

Depois de 75 anos de espera, Mulher-Maravilha, a grande guerreira amazona da DC, ganhou sua estreia solo nas telonas, e foi com grande estilo!

[Não contém spoilers]

Antes de começarmos a resenha, gostaríamos de deixar claro que a crítica feita aqui sobre a declaração de Gal Gadot, não afeta de maneira alguma a avaliação sobre o filme, já que se trata de uma [OPINIÃO] da autora do artigo. Portanto, gostaríamos de deixar claro que o site é feito por várias pessoas, com vivências e opiniões distintas, o que faz com que ele seja tão rico e múltiplo.

Mulher-Maravilha, dirigido por Patty Jenkins e escrito por Allan Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs, fez sua grande estreia nos cinemas nacionais na última quinta-feira, dia 1º, e já conseguiu arrebatar o coração dos fãs. O filme, desde sua estreia, vem ganhando cada vez mais apoio dos fãs e da crítica, sendo o filme mais bem sucedido do DCEU neste aspecto, e podendo ser também uma de suas maiores bilheterias, o que com certeza vai abrir espaço para mais filme de super heroínas e também vai dar chance para mais mulheres dirigirem blockbusters.

Com uma história de origem simples e contada de maneira bem fechada e articulada, a maior preocupação do filme foi estabelecer Diana como pessoa e como super heroína, mostrando a extensão de seus poderes (vistos parcialmente na luta final de Batman v Superman), e a maneira como ela encarava o mundo dos homens em sua primeira visita a ele.

A inocência e ao mesmo tempo a força e a inteligência passadas por Gal Gadot em tela são quase palpáveis, fazendo com que você fique grudada à tela, ao mesmo tempo em que quer correr à loja de fantasias mais próxima e comprar uma fantasia (parafraseando Lupita Nyong’o). A direção de Jenkins faz toda a diferença, pois ela se coloca claramente focada na direção de atores, dando profundidade aos personagens e às atuações, que (talvez com a exceção de um personagem, especialmente no final do filme) se encaixam perfeitamente na trama.

As  relações de Diana com os personagens que a cercam são bem estabelecidas, e Gadot e Chris Pine conseguem estabelecer uma boa química entre Diana e Steve Trevor, mas o relacionamento entre eles não é o que define Diana, que se coloca como opinativa e decidida. O grupo de apoio ao redor dos dois também é muito bem aproveitado, dando destaque especial à Etta Candy, fiel companheira da Mulher-Maravilha nos quadrinhos desde a década de 1940, e que foi muito bem utilizada no longa, com suas aparições pontuais, mas significativas, servindo como uma personagem mais cômica, ao mesmo tempo em que é uma ponte entre as mulheres amazonas, com quem Diana conviveu a vida inteira, e as mulheres do mundo exterior no início do século XX. 

Mulher-Maravilha
Etta Candy
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Como visto nos trailers, o filme é divido entre partes na ilha de Temiscira, lar das Amazonas, e o mundo dos homens durante a Primeira Guerra Mundial. É muito interessante os contrastes de tom e de cores feitos a partir disto, ao mesmo tempo em que a mudança de um ambiente para outro é feita de maneira orgânica. Na ilha, outro núcleo obviamente importante, o visual das amazonas é digno de um épico grego, indo do visual da rainha Hipólita (interpretada por Connie Nielsen) até as armaduras de cada membro do exército,  que é mostrado sempre em treinamento (vale lembrar que algumas amazonas foram interpretadas por lutadoras profissionais, como lutadora de boxe Ann Wolfe, que interpretou uma das amazonas mais conhecidas dos fãs, a guerreira Artemis). A cena de batalha na praia, entre o exército das amazonas e os soldados alemães é uma das melhoras cenas do filme, com a Antíope de Robin Wright mostrando todo o poder de luta das guerreiras amazonas.

Mulher-Maravilha
Antíope

Jenkins também estabelece uma boa articulação entre as cenas mais calmas (com diálogos e até algumas piadas) e as cenas de ação (que são um verdadeiro deleite visual, especialmente toda a sequência da terra de ninguém). A última cena de luta é talvez a mais fraca, mas a sequência logo após a batalha tem uma mensagem visual tão delicada e ao mesmo tempo tão bonita, que vale pelo final como um todo. 

Jogando em campos mais seguros do que seus antecessores de DCEU, Mulher-Maravilha é um ótimo filme para os fãs da heroína e também para o público de uma forma mais geral. Ele conseguiu estabelecer o espaço da Amazona dentro do Universo, e nos fez entender sua posição de liderança na Liga da Justiça, fazendo com que fiquemos ainda mais ansiosas para ver os próximos filmes do estúdio.

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16 Textos

Bat-fã, que ama cachorros, quadrinhos, chocolates e coisas velhas. Formada em História pela Universidade de São Paulo; tem como metas de vida trabalhar com arquivo histórico e HQs (de preferência ao mesmo tempo), e convencer sua irmã mais velha de que a Canário Negro venceria em um combate corpo a corpo contra a Caçadora.
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