[DESENHOS] O Último Unicórnio: Uma pérola esquecida dos anos 80

[DESENHOS] O Último Unicórnio: Uma pérola esquecida dos anos 80

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Não é raro sentirmos uma nostalgia de desenhos que costumávamos assistir na infância, especialmente daqueles que, de alguma forma, nos moldaram nas pessoas que somos hoje. Uma destas pérolas do passado se encontra no desenho de 1982 O Último Unicórnio, baseado no livro de Peter S. Beagle de mesmo nome, que traz, entre muitas coisas, uma história de solidão mística e com protagonismo feminino.

Confira a sinopse:

 “Um bravo unicórnio, que descobre talvez ser o último de sua espécie, vai em busca de seus semelhantes, para isso tendo que atravessar terras longínquas. No caminho junta-se a um mágico, e ambos enfrentarão um malvado rei cujo objetivo é o de capturar todos os unicórnios do mundo. ”

Sendo um desenho de aventura mágica, e, portanto, se aproximando de clássicos esquecidos como O Caldeirão Negro, vemos uma diversidade de personagens e narrativas que se misturam com a procura do (suposto) último unicórnio pelos seus iguais, já sendo ele próprio um grande elemento mágico da história.

O Último Unicórnio

A magia presente nela, porém, ainda aumenta de figura com os demais personagens da epopeia, como o mágico Schmendrick que, desde o momento em que se encontra com o unicórnio, tem o interesse de ajuda-lo com sua missão, tendo, porém, que conhecer a si mesmo para isso e libertar a sua própria e verdadeira magia em território de farsas mágicas constantes.

O Último Unicórnio

No mais, as diversas criaturas místicas retratadas na história, além do próprio unicórnio, aumentam a sensação de estarmos vendo uma saga épica se desenrolar na frente de nossos olhos, sendo ela o combustível para lendas futuras e uma maior crença em traços fantásticos “reais” em nossas vidas, tal qual aquelas apresentadas pelos grandes estúdios.

O tipo de ilustração com que o desenho é feito, entretanto, não se aproxima daquelas típicas da Disney-Pixar ou Dreamworks, tendo, por isso uma característica única. Apesar de feito em 2D, a técnica usada para a animação – considerando aqui os movimentos dos personagens e as paisagens – parece tão mística quanto a própria história contada, valendo de complemento para ela, sendo difícil imaginar a narrativa de outra forma.

O Último Unicórnio

A trilha sonora acrescenta ainda mais misticidade a história, servindo para complementar a narrativa de forma essencial e interessante. Quanto ao protagonismo feminino, é curioso – ou à frente de seu tempo? – pensar que apesar do nome ser O Último Unicórnio, ao longo dos 92 minutos de filme tal personagem se apresenta como de gênero e sexo femininos. Essa condição, porém, não significa nem que a personagem seja fraca nem, em oposição, que seja (caricaturalmente) forte, passeando ela, a todo momento, por ambas as características, havendo situações de absoluta independência e de estranha inércia da mesma.

O Último Unicórnio
“O que os homens sabem?”

Em meio aos desafios enfrentados pelo (a) unicórnio, a história ainda consegue manifestar lições de coragem, amizade e amor, sendo estas misturadas com a solidão vivida pela personagem principal, bem como com questões filosóficas que podemos trazer para nossas próprias vivências, como sobre o que é necessário para se alcançar a felicidade ou a que custo perdemos nossa dignidade, ou próprias almas, por ganância.

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O Último Unicórnio
“Eu não me arrependo. Eu posso sentir pena, mas não é a mesma coisa.”

Apesar de poder ser visto como um conto de fadas, O Último Unicórnio é, acima de qualquer coisa, um desenho diferente, que desde seu lançamento foi esquecido e adotado pelo nicho underground, nem por isso, porém, possuindo uma história, e uma mensagem, indignas de serem apreciadas.

O Último Unicórnio

Dito isso, talvez se você é uma ávida espectadora de animações Disney, esse desenho, com seu traço, trilha e história peculiares, não seja para você, mas, se ousar dar uma chance a tal animação esquecida dos anos 80, poderá se surpreender com uma história mística e atípica daquelas que estamos acostumadas a ver.


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