Mulheres nos Quadrinhos: Kelly Thompson

Mulheres nos Quadrinhos: Kelly Thompson

Kelly Thompson é uma escritora norte-americana de romances e quadrinhos, agora exclusiva pela Marvel, indicada duas vezes ao Eisner. Thompson chegou a cursar design gráfico na Universidade do Arizona em 1994, mas em 1997 mudou o foco de seus estudos para a arte sequencial na SCAD (Savannah College of Art and Design), onde concluiu em 1999 sua graduação. Antes de se dedicar completamente aos quadrinhos, a escritora trabalhou paralelamente em uma empresa de arquitetura residencial de ponta como recepcionista e depois como gerente de escritório. 

Enquanto utilizava o trabalho diário para pagar as contas, Kelly escrevia histórias em quadrinhos, romances e textos em seu blog, que futuramente tornaram-se materiais para veículos como CBR (coluna “She Has No head!”), Comics Should Be Good, Lit Reactor e Publishers Weekly, atuando como colunista e revisora. Para alguns que enxergam a chegada da escritora aos roteiros de HQ’s como notável, Thompson acredita que não há nada de especial sobre:

“Eu acho que a coisa mais notável sobre como eu entrei – como eu trabalhava enquanto tinha um emprego diário – é que não há nada de notável nisso. É como quase todo mundo chega lá, sabe? Pagando o aluguel com X, Y ou Z (ou todos os três!) enquanto você tenta descobrir como fazer sua paixão pagar por isso.”

Prosa antes das histórias em quadrinhos

Antes de chegar à Marvel em 2015, Kelly Thompson se aventurou em publicações independentes durante a faculdade, mas não chegou a publicá-las. Além disso participou de projetos coletivos como Womanthology (2012), coletânea feita por mais de 150 mulheres das histórias em quadrinhos, entre elas Gail Simone, Fiona Staples e uma iniciante Kelly Thompson. O projeto, no valor de 25 mil dólares, foi financiado com sucesso via Kickstarter atingindo US$125.000.

Alguns trabalhos da quadrinista Kelly Thompson
Antes da Marvel, Thompson também trabalhou com textos em prosa (Imagem: reprodução)

Os romances também contribuíram para o desenvolvimento da escrita de Thompson, que publicou dois livros The Girl Who Would Be King (2012) e Storykiller (2014). O primeiro narra a história de duas adolescentes com superpoderes e agendas completamente opostas. Mas apesar de ter sido publicado apenas em 2012, a escritora começou a desenvolvê-lo em 2005, quando os super-heróis não estavam no hype de hoje. Na época, Thompson não tinha dinheiro para contratar um ilustrador ou habilidades suficientes para desenhá-lo como uma graphic novel, a solução encontrada foi a prosa financiada por Kickstarter. A publicação abriu diversas portas para a autora, que conseguiu um agente e o livro chegou a ser cotado para adaptação cinematográfica.

Storykiller seguiu pelo mesmo caminho, financiamento colaborativo. Kelly precisava de 20 mil dólares para viabilizar a publicação, mas atingiu quase 58 mil no Kickstarter. Seu segundo livro conta a jornada de uma garota que descobre que todas as histórias são reais, inclusive as mais monstruosas. Em seu tumblr, a escritora avisa que haverá um segundo volume da obra em breve sob o título Storykiller 2: all of them are true.

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Kelly Thompson fazendo morada na Casa das Ideias

O ano de 2015 foi um marco para a entrada definitiva de Kelly Thompson no universos dos quadrinhos. A escritora publicou pela Dark Horse Comics sua primeira graphic novel em parceria com Meredith McClaren, Heart in a Box. Porém, o quadrinho que faria o nome de Thompson ser lembrado é Jem & The Holograms (IDW), em parceria com Sophie Campbell. O remake em quadrinhos da série de TV americana dos anos 80 ficou nas mãos de Thompson, entre 2015 e 2017; as parcerias com veteranas das HQs se expandiriam ainda em 2015, com a chegada da artista à Marvel.

"Jem & The Holograms", quadrinho de Kelly Thompson
“Jem & The Holograms” coloca Thompson no mapa de vez. (Imagem: reprodução)

Kelly Sue DeConnick foi a veterana escolhida para dividir com Kelly Thompson a série Captain Marvel & The Carol Corps, para a novata a experiência não poderia ter sido melhor:

“Trabalhar com Kelly Sue foi ótimo – eu era uma grande fã e acho – especialmente olhando para trás, a parceria de novos escritores com veteranos um ótimo modelo que realmente ajuda a moldar e a fortalecer esse novo escritor, além de auxiliar no controle de qualidade do livro que você está fazendo um “test drive”.”‘

Aparentemente o “test drive” foi excelente, já que desde 2019 Thompson segue escrevendo Capitã Marvel. Em cinco anos de Casa das Ideias, a escritora trabalhou em inúmeros títulos, como Deadpool (2019-), Uncanny X-Men (2018), Jessica Jones (2018-2019), Rogue & Gambit (2018), Star Wars: Phasma (2017), Hawkeye (2016-2018), Hawkeye Generations (2017), A-Force (2016-2017) e Star Wars Annual (2016). Em meio a tantas colaborações, Kelly Thompson não se tornou apenas a mais nova queridinha da Marvel Comics, mas também assinou um contrato de exclusividade com a editora em 2018.

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Kelly Thompson tem grandes títulos em suas mãos na Marvel.
Kelly Thompson tem grandes títulos em suas mãos na Marvel. (Imagem: reprodução)

Após tantos títulos, não demorou muito para que Thompson fosse indicada ao “Oscar dos quadrinhos”, o Eisner, por duas vezes. Em 2018, concorreu na categoria “Melhor Série Contínua” com Hawkeye, história com foco em Kate Bishop, a segunda Gavião Arqueiro, que abre um escritório de investigações na Costa Oeste dos Estados Unidos; a série foi cancelada em 2018 após 16 volumes. Já em 2019, Kelly Thompson foi indicada como “Melhor Roteirista” por Nancy Drew (Dynamite), Hawkeye, Jessica Jones, Mr. & Ms. X, Rogue & Gambit, Uncanny X-Men e West Coast Avengers (Marvel). No entanto, será que a escritora leva o prêmio em 2020? Vamos aguardar!

Fontes:


Edição/revisão por Isabelle Simões.

Escrito por:

Rafaella Rodinistzky é graduada em Comunicação Social (Jornalismo) pela PUC Minas e atualmente cursa Edição na Faculdade de Letras da UFMG. Participou do "Zine XXX", contribuiu com a "Revista Farpa" e foi assistente de produção da "Faísca - Mercado Gráfico". Você tem um momento para ouvir a palavra dos fanzines?
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