[LIVRO] Legião: A continuação de “O Exorcista” chega ao Brasil! (Resenha)

[LIVRO] Legião: A continuação de “O Exorcista” chega ao Brasil! (Resenha)

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Com o livro O Exorcista, William Peter Blatty colocou seu nome no rol dos mestres do horror contemporâneo, tendo sido reconhecido com um Oscar de melhor roteiro adaptado pelo filme homônimo de 1973. Já no cinema, “O Exorcista” ganhou uma sequência em 1977 que recebeu o título de O Exorcista II: Herege, que não contou com a participação de Blatty na produção e recebeu pesadas críticas por remeter muito pouco à qualidade do clássico original.  Dez anos depois do sucesso do primeiro filme, William Peter Blatty publicou o livro que retrata acontecimentos posteriores ao exorcismo da garota Reagan e da morte do padre Karras. Menos conhecido pela base de fãs brasileiros, Legião retrata uma série de assassinatos investigados pelo Tenente Kinderman, o detetive peculiar que aparece em O Exorcista para investigar a morte bizarra de Burke Dennings, diretor do filme no qual Chris MacNeil, a mãe de Reagan, trabalhava na época dos terríveis acontecimentos narrados no livro.

“Então Jesus lhe perguntou: ‘Qual é o seu nome?”
‘Meu nome é Legião’, respondeu ele, ‘porque somos muitos.’”

Legião começa com o detetive refletindo sobre a maldade que rege o mundo dos humanos. Blatty preenche páginas e mais páginas dos primeiros capítulos do livro com considerações filosóficas e teológicas que nos levam, assim como muitos personagens ao redor do detetive, a nos preocuparmos com a sanidade dele.

Logo descobrimos o que deixou Kinderman tão perturbado mesmo após tantos anos trabalhando como policial investigando crimes hediondos: O assassinato brutal de um garotinho mudo que foi crucificado vivo em um abrigo para barcos próximo à famosa universidade de Georgetown e que seria apenas o primeiro de uma série de crimes bizarros cujas únicas evidências são as digitais de várias pessoas diferentes e  que levam o detetive a reabrir antigos casos de assassinatos cometidos pelo Geminiano, um serial killer (livremente inspirado no assassino do Zodíaco – que nunca foi capturado) dado como morto e que possui uma macabra semelhança com alguém do passado do detetive.

Legião

Assim como em O Exorcista, Legião alterna o tom entre um romance policial e terror sobrenatural. A presença de um demônio é subjetiva, apesar  dos temas centrais do livro serem quase que exclusivamente teológicos: questões como vida e morte, a existência do mal, a bondade que se anula diante de atos de maldade, a existência ou ausência de um deus criador, o propósito da Criação, etc.

A maior parte desses temas se apresentam em conversas entre Kinderman e o padre Dyer, outro personagem de O Exorcista que retorna à história de forma bem diferente do simpático padre do primeiro livro. Aqui, Dyer parece estar cansado e menos confiante na salvação das pessoas através da fé e da bondade.

Com um cenário um pouco datado, onde computadores ainda eram a grande novidade e os métodos de investigação não eram nem de longe tão sofisticados como os que temos agora, acompanhamos a investigação dos assassinatos exclusivamente sob o ponto de vista do detetive.

Legião

Seu ceticismo quanto ao método científico e o pessimismo quanto ao abandono da humanidade à própria sorte dita o ritmo até o fim da história. Se em O Exorcista Blatty acertou na metáfora sobre as inseguranças sociais da época, em Legião temos uma narrativa muito mais pessoal.  Ainda que falte um pouco da força do primeiro livro, Legião, com grande frequência, prova o talento de William Petter Blatty em mexer com o psicológico do leitor e oferece uma profunda (e perturbadora) metáfora sobre a fragilidade da consciência humana, assim como traz de volta os paralelos entre doenças psicológicas como a depressão, ansiedade e a culpa (e como elas podem se manifestar até nas pessoas consideradas como fortes pela sociedade) com a possessão demoníaca de forma a causar arrepios até nos leitores mais céticos.

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A título de curiosidade, Legião ganhou uma versão cinematográfica em 1990, roteirizada e dirigida por William Peter Blatty, chamado de O Exorcista III: Legião, por pressão do estúdio que queria vender o filme como uma sequência direta ao clássico de 73. Mas o filme sofre muito com a limitação de orçamento e as mudanças no roteiro, como a cena de exorcismo no final do filme que foi incluída como uma exigência para que ele fosse produzido.

Legião chega nas mãos dos leitores brasileiros em uma bela edição da Editora Darkside, que se superou com os cuidados com a parte gráfica, com destaque para as iluminuras presentes na contracapa e no início dos capítulos e o esmero com a tradução de Eduardo Alves.

Legião
Detalhe da contracapa

Sorteio

Estamos sorteando 1 exemplar do livro, participe! O resultado sairá dia 11/08. Boa sorte! 

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Legião

Legião

Autor: William Peter Blatty

DarkSide Books

Capa dura

304 páginas

Esse livro foi cedido pela editora para resenha.

Compre aqui: Amazon

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Autora

49 Posts

Formada em Comunicação Social, mãe de um rebelde de cabelos cor de fogo e cinco gatos. Apaixonou-se por arte sequencial ainda na infância quando colocou as mãos em uma revista do Batman nos anos 90. Gosta de filmes, mas prefere os seriados. Caso encontrasse uma máquina do tempo, voltaria ao passado e ganharia a vida escrevendo histórias de terror para revistas Pulp. Holden Caulfield é o melhor dos seus amigos imaginários.
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