Quatro autores nacionais para você conhecer ainda nessa quarentena

Quatro autores nacionais para você conhecer ainda nessa quarentena

Pensando em promover um consumo de conteúdos mais leves, separamos quatro autores nacionais para você conhecer nesta quarentena. Afinal, por que não dar uma chance a nova leva de autores que vem remexendo o gênero jovem-adulto no Brasil e, de quebra, se envolver em suas histórias? Confere a listinha!

Vitor Martins

Vitor Martins, autor de “Quinze Dias” e “Um Milhão de Finais Felizes”. (Foto: Reprodução/Twitter)

Quinze Dias

Felipe é um adolescente gordo (como ele mesmo diz: “nem fofinho, nem cheinho, gordo mesmo”), que vê com brilho nos olhos o começo das férias escolares. Tudo que ele quer é passar os dias assistindo besteira no quarto, na paz que os dias de escola não trazem a ele, graças ao bullying que sofre de seus colegas de sala. O que ele não esperava é que sua mãe fosse oferecer abrigo para o filho, também adolescente, da vizinha — filho este por quem Felipe tem uma queda desde a infância.

“Quinze Dias” traz uma divertida história de verão, com uma narrativa leve e engraçada que não teme em abordar assuntos como gordofobia, preconceito racial e homofobia.

Um milhão de finais felizes

“Um milhão de finais felizes” traz uma história linda, divertida e emocionante. Acompanhamos Jonas, paulista e jovem adulto que, não muito diferente dos outros, se vê perdido na vida. Jonas tem uma relação para lá de complicada com a família e trabalha de atendente em uma cafeteria, enquanto não coloca para frente o seu sonho de ser escritor.

À primeira vista, “Um milhão de finais felizes” podia ser só mais uma história sobre se assumir e enfrentar o peso de uma família cabeça-dura, mas o livro prova justamente o contrário: não existe isso de “mais uma história”. Cada história é inédita, mesmo que perpasse por lugares comum.

Neste livro, Vitor Martins explora as nuances de se descobrir, de aceitar a si mesmo e de encontrar outra família, que não a de sangue. É um livro para encarar de peito aberto, preparado para a montanha-russa de emoções, escrito de tal forma que não deixa dúvidas de que Vitor merece destaque entre os autores nacionais do momento.

Clara Alves

Clara Alves, autora de “Conectadas”. (Foto: Editora Seguinte)

Conectadas

“Conectadas”, de Clara Alves, é aquele clichêzinho gostoso que você não consegue largar. Com uma história repleta de representatividade (temos personagens lésbicas, bissexuais e assexuais, além das duas personagens principais serem não-brancas), o livro traz a história de Raíssa e Ayla, duas garotas loucas pelo jogo on-line Féericos, que acaba sendo a porta de entrada para sua relação virtual. O problema é que Raíssa joga fingindo ser um garoto, uma ideia que ela colocou em prática a fim de evitar o machismo dos outros jogadores, que a diminuíam e/ou assediavam por ser mulher. Quando conhece Ayla, as coisas saem do seu controle e ela acaba não revelando quem está por trás daquele perfil masculino.

A autora, Clara Alves, tem um jeito muito gostoso de escrever, deixando a história fluir e intercalando os capítulos com trechos de chats on-line entre Raíssa e Ayla. Dessa forma, o leitor conhece mais as duas e a sua relação para além do momento temporal no qual o livro é narrado. Curto, leve e uma gracinha, “Conectadas” é aquele romance que te deixa com frio na barriga e gostinho de quero mais. Além disso, a história traz uma reflexão sobre respeitar e conhecer a si mesmo.

Felipe Castilho

Felipe Castilho, autor de “Filhos da Degradação” e “Serpentário”. (Foto: Rafaela Cassiano)

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação

“Filhos da Degradação” é o primeiro livro da saga “Ordem Vermelha”, estimada para ter dois volumes e lançada originalmente na Comic Con Experience de 2018. O livro traz uma mitologia fantástica totalmente original, com direito a criação de novas raças, crenças, línguas e moedas. Alô, fãs de autores como J. R. R. Tolkien! Para os mais chegados na literatura fantástica brasileira, Felipe já era um dos autores nacionais em destaque no gênero com séries como “O legado folclórico”, que une mitologia brasileira ao mundo dos videogames.

“Filhos da Degradação” conta a história de um mundo distópico em que diferentes raças (como humanos, anões, gigantes e outras criadas por Castilho especificamente para esse universo) servem eternamente em prol da deusa Una, que reina há mil anos. A narrativa flui com facilidade, com capítulos alternados entre os personagens principais e chegando a lembrar um jogo de RPG. Um bônus é a inclusão que Castilho traz para a história, escrevendo personagens diversos em gênero, cor e orientação sexual.

É, enfim, uma ótima oportunidade para se distanciar do mundo real, permitindo-se mergulhar em uma aventura cativante e um universo muito bem desenvolvido.

Serpentário

Diferente dos outros livros aqui citados, “Serpentário” pode evocar flashes e reflexões sobre o mundo real. O livro se desenrola como uma crítica social e traz questionamentos ainda bastante atuais sobre diversos tipos de preconceito, mais especificamente o racismo. Repleto de suspense, “Serpentário” é intrigante e capaz de despertar medos que perpassam o sobrenatural.

A história, da mesma forma que em “It – A coisa”, do consagrado autor Stephen King, se passa em dois momentos: a adolescência e a idade adulta dos personagens. A narrativa também é entrecortada por fragmentos atemporais, tanto do passado como do futuro, que complementam a sua simbologia.

Pam Gonçalves

Pam Gonçalves, autora de “Boa Noite”. (Foto: Reprodução)

Boa Noite

Famosa booktuber brasileira, Pam se debruça sobre “Boa Noite” para explorar uma história de amadurecimento e autodescoberta, mas também de reflexão sobre machismo e violência sexual. A narrativa traz uma boa dose de drama, comédia e romance, proporcionando uma leitura leve e fluida, com referências que vão de Harry Potter ao movimento “Vamos Juntas?”.

Por fim, “Boa Noite” é uma daquelas gostosas histórias clichêzinhas, que deixam para trás um sentimento bom e um calorzinho no coração.

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Jornalista, feminista, apaixonada por escrever e doida da problematização. Adooora dar opinião sobre tudo e criticar séries, filmes e livros é uma paixão de infância.
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