3 animações dirigidas por mulheres que provavelmente você não sabia

3 animações dirigidas por mulheres que provavelmente você não sabia

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Com o desenvolvimento da indústria cinematográfica, o ramo de animações passou a ser considerado um dos mais lucrativos, ainda mais quando pensamos em indústrias como a Disney e a Pixar. Mesmo com essa hiper-produção e grande progresso, no tocante à representatividade, ainda estamos em passos lentos. 

A representatividade demonstrou grandes ganhos ao longo do tempo. Podemos ver isso no desenvolvimento de novas protagonistas femininas que se destacam por serem fortes, independentes e inteligentes, que não buscam somente um par romântico, mas têm a intenção de desenvolver suas personalidades e identidades, como podemos ver em “Mulan” (1998), “Moana” (2006) e até mesmo em “Lilo e Stitch” (2002). Entretanto, temos que pensar a representatividade muito além de protagonistas e personagens bem desenvolvidos, retratando mulheres e meninas com características reais e relevantes, perpassa também sobre quem está produzindo o conteúdo que consumimos. 

O nosso consumo como um todo está direcionado. Muitas vezes, a produção cultural, literária, política e entre outras é feita majoritariamente por homens. Afinal, esses compõem a categoria social que está sendo incentivada a participar do mundo público, do trabalho criativo e intelectual. Enquanto isso, as mulheres são desencorajadas a produzirem qualquer coisa que saia da esfera do que é esperado delas: de ser mãe, esposa e dona de casa.

Assim, quando pensamos em feminismo, enquanto movimento social e político que busca a igualdade entre os gêneros e, consequentemente, com o fim do patriarcado que oprime as mulheres diariamente, não devemos somente encorajar o aparecimento de personagens mulheres incríveis, como podemos ver seu crescimento ano após ano, mas também incentivar que mulheres ocupem os espaços de criação, e de uma forma geral, espaços de poder

A disputa desse campo está diretamente relacionado a toda forma como pensamos a sociedade. Pode ser de forma social, cultural ou política, pois não é uma circunstância que afeta apenas a indústria do entretenimento, mas que ultrapassa como entendemos a política, a cultura e o social como um todo, quebra o dever-ser das mulheres e o patriarcado, como um todo, pois valoriza e incentiva a participação e a criação das mulheres em quaisquer espaços. Então, quando pensarmos em representatividade feminina não lembremos apenas de personagens fortes, mas também de quem estava por trás para que ela e muitas outras pudessem ser criadas. 

Dessa forma, preparamos uma pequena lista de animações dirigidas por mulheres e que muito provavelmente você nem imaginava!

Valente (2012) – Dir. Brenda Chapman, Mark Andrews

Imagem de Merida com um arco de flecha na mão, pronta para atirar

Uma jovem princesa chamada Merida foi criada por seus pais para ser a sucessora perfeita ao cargo de rainha. Dessa forma, ela deve seguir a etiqueta e os costumes do reino de uma forma geral. Entretanto, essa garota dos cabelos rebeldes acredita não ter a menor vocação para esta vida traçada por sua família que a enclausura e a confina em padrões de feminilidade. Quando uma competição para escolher seu futuro marido é organizada, Merida decide recorrer à ajuda de uma bruxa, a quem pede que sua mãe mude, para que a deixe trilhar seu próprio caminho. Mas, quando o feitiço surte efeito, a transformação da rainha não é exatamente o que Merida imaginava. Agora caberá à jovem ajudar a sua mãe e impedir que o reino entre em guerra com os povos vizinhos.

Esse filme facilmente se assemelha ao já clássico Mulan, com seus traços de mulheres fortes e independentes, que quebram os padrões e possuem uma identidade e discursos bem delimitados. Mas Valente também tem características muito distintas, como os cabelos cacheados e rebeldes da Merida, que tanto influenciou a forma de como garotinhas viam seus próprios cabelos, a própria relação familiar que se desenvolve entre a mãe da princesa e esta, sobre a necessidade de evoluirmos como pensamos sobre os padrões e imposições que são feitas aos homens e mulheres da nossa sociedade, entre muitos outros. Um filme delicioso e importante. 

Frozen (2013) –  Dir. Jennifer Lee, Chris Buck

Imagem de Elsa e Anna, uma olhando para a outra e uma segurando as mãos da outra

O filme que muitos consideram ser o grande destaque e marco das animações da Disney desde a sua Renascença, e a obra que definitivamente sedimentou o retorno da Disney ao topo. Na época em que foi lançado, fazia tempo que uma animação do estúdio tinha um impacto cultural tão forte assim. Ele é até hoje a animação mais lucrativa da história, arrecadando mais de um bilhão em bilheteria. É o único filme dirigido por uma mulher até hoje a arrecadar tanto assim!

Bem, o longa conta a história de duas irmãs, Elsa e Anna, filhas do rei de Arendelle. Elsa possui poderes capazes de criar neve e gelo, e durante a infância das duas, ela utiliza de seus poderes para brincar com sua irmã. Mas, durante uma de suas brincadeiras, Elsa, acidentalmente, quase mata Anna congelada, fazendo com que Elsa seja obrigada a viver isolada dos demais, inclusive de sua irmã, e também reprimindo ao máximo os seus poderes.

A memória de Anna sobre os poderes da irmã e sua antiga relação são apagados de sua memória. Relacionando-se ao isolamento forçado de Elsa, Anna passa a se sentir abandonada por sua irmã, criando tensões em seu relacionamento.

Os anos se passam, e quando o rei e a rainha de Arendelle morrem, chega o momento de Elsa ser coroada a nova rainha. Agora, as irmãs precisam conviver e se relacionar apesar dos traumas e de uma infância isolada e solitária de ambas. É um filme que possui alguns problemas de narrativa, entretanto, tem muito a ensinar sobre amor e união, sobre se doar para as pessoas que você ama e irmandade. Um filme imperdível, ainda mais considerando seu grande fenômeno e que muitíssimas pessoas não conhecem que é dirigido por uma mulher incrível. 

Shrek (2001) – Dir. Vicky Jenson, Andrew Adamson

Imagem de Shrek e Burro, lado a lado, assustados com algo

“Then I saw her face, now I’m a believer

Not a trace, of doubt in my mind

I’m in love, I’m a believer”

Se você foi uma criança nos anos 2000 é praticamente impossível que não se conheça Shrek. O que acontece é que todos conhecem o fenômeno que foi o filme, mas não sabem que foi dirigido por uma diretora fantástica. 

Shrek é um temido e aterrorizante ogro verde que ama a solidão em seu pântano. Ele vê a sua rotina interrompida quando diversas criaturas de contos de fada são exiladas para lá por ordem do maligno Lorde Farquaad. Shrek anuncia que irá conversar com Farquaad para mandá-los de volta ao seus lugares de origem. Em sua jornada ele leva consigo um Burro tagarela, irritante e muito muito animado que conheceu junto às criaturas.

Enquanto isso, Farquaad busca incansavelmente tornar-se um rei, utilizando de um espelho mágico para encontrar uma princesa pretendente. Com isso, o espelho lhe oferece três opções, das quais ele escolhe a Princesa Fiona, que está presa em uma torre em um antigo castelo bastante distante, rodeado por larva e guardado por um dragão. O espelho também tenta mencionar uma “pequena coisa que acontece à noite”, mas o lorde não lhe dá ouvidos.

Shrek e Burro chegam no palácio de Farquaad onde acabam no meio de uma disputa. O vencedor teria o “privilégio” de resgatar Fiona para que o lorde se casasse com ela. Os dois derrotam facilmente os outros cavaleiros, e Farquaad concorda em retirar os seres mágicos do pântano se Shrek lhe trazer Fiona. Dessa forma, começa uma jornada em busca de resgatar a princesa. 

O filme popularizou um estilo jocoso e metalinguístico que é tão comum hoje em dia. A todo momento brinca com a sua própria história, parodiando diversos grandes contos de fada já tão famosos da Disney. Não realiza a mesma fórmula, mas ri e tira sarro dessas histórias. Marcou toda uma geração e verdadeiramente revolucionou a forma de fazer cinema!


Edição/revisão por Mariana Teixeira.


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Autora

Estudante de Direito, nordestina, pode falar sobre Studio Ghibli e feminismo por horas sem parar, amante de cinema e literatura (ainda mais se feito por mulheres), pesquisadora, acumuladora de livros e passa mais tempo criando listas inúteis do que gostaria.
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