5 motivos para maratonar Aggretsuko

5 motivos para maratonar Aggretsuko

A cultura coreana e japonesa estão cada vez mais presentes no cotidiano – e isso é maravilhoso, já que muitas produções orientais acabam sendo ofuscadas pelas produções americanas. Além da música, na esfera cultural também encontram-se livros, filmes e séries que mostram um pouco mais do cotidiano japonês e como suas narrativas tomam caminhos diferentes dos quais estamos acostumadas.

Afinal, o que aborda Aggretsuko?

5 motivos para maratonar Aggretsuko
Imagem: reprodução/Netflix

Para a surpresa de muita gente, o anime Aggretsuko, original da Netflix, é um deleite para os olhos, ouvidos e coração: é a perfeita série conforto, que te faz dar gargalhadas e também ficar pistola com a realidade. Criada em 2018 pelo estúdio Fanworks, a equipe técnica é repleta de mulheres (importantes para a construção do roteiro e das reviravoltas).

Nesta série animada japonesa, a história acompanha Retsuko, uma raposinha vermelha fofa e certinha que trabalha no setor de contabilidade de uma grande empresa em Tóquio. Retsuko, entretanto, reprime bastante seus sentimentos e também sofre muito assédio moral no trabalho, o que faz com que ela consiga extravasar toda a sua fúria no karaokê e xingar todos que a oprimem e a pressionam a se encaixar na rotina viver-trabalhar-morrer.

Leia também >> A leveza da realização pessoal em “Querida Konbini”

Quando solta a voz, a raposinha se transforma em uma roqueira de death metal revoltada com a sua realidade e com tudo de injusto e opressor que a cerca. E como uma recente apreciadora da cultura oriental e também contra qualquer tipo de injustiça – além de fã de animações fofinhas -, é meu dever te mostrar 5 motivos para maratonar as três temporadas de Aggretsuko, essa animação maravilhosa da nossa querida Netflix.

1. Animação impecável

Retsuko, a simpática raposinha de Aggretsuko
Retsuko, a simpática raposinha de Aggretsuko | Imagem: reprodução/Netflix

Aggretsuko tem uma animação única e bem característica, mostrando com pequenos e sutis detalhes cada expressão das personagens e as mudanças de cenário. A perspectiva do visual também é um ponto forte na animação japonesa, que conta com cores bem chamativas, brilhos e muitos movimentos impecáveis – parabéns aos designers!

2. Personagens cativantes

Cada personagem de Aggretsuko, todos animaizinhos, tem seu jeitinho especial e sua maneira de lidar com a vida – o que é, também, o que nos difere de outras pessoas. Apesar de serem animais muito diferentes e que não seguem o raciocínio da cadeia alimentar, eles apresentam trejeitos e pensamentos bastante semelhantes aos nossos. Isso é excelente para a produção, a qual tenta se aproximar do público trazendo esse sentimento de compreensão entre quem assiste e as personagens.

Fenneko, Aggretsuko e Haida
Fenneko, Aggretsuko e Haida | Imagem: reprodução/Netflix

Além da protagonista Retsuko, uma raposinha muito carismática, fofinha e toda tímida, sua colega de trabalho Fenneko é quem mais me chamou a atenção, talvez porque consegui me identificar em seus dilemas e em seus palpites durante cada diálogo da série.

Leia também >> Diretoras Japonesas: protagonismo feminino e cotidianidade

Fenneko acaba se tornando uma mediadora entre as relações das outras personagens da série, apresentando um humor levemente ácido e toques de ironia que combinam demais com o traço todo certinho e colorido do anime. É importante notar quando as personagens se assemelham aos telespectadores, principalmente porque é isso que também torna uma produção memorável.

3. Cenário musical

Como eu estou adentrando agora no mundo oriental, muita informação a respeito dos idols – cantores e artistas dos grupos de j-pop e k-pop – acabam me chocando um pouco, como o fato de eles treinarem e ensaiarem até tudo sair “perfeito” de acordo com a opinião dos gerentes e produtores. Em Aggretsuko isso também é mostrado, mas, claro, de uma forma mais sutil e menos crítica.

Aggretsuko
Imagem: divulgação/Netflix

Na terceira temporada acompanhamos uma reviravolta na história de Retsuko e é nesta temporada também que as situações tanto positivas quanto negativas em relação à fama na música são pontuadas. Stalkers, haters e o trabalho excessivo até atingir certo ponto de perfeição são abordados e nada disso esconde como as personagens são afetadas, o que é bem interessante para quem é novo no mundo musical japonês – porém triste e um pouco desesperador para tantos idols que veem na carreira musical um refúgio de suas vidas opressoras por conta de uma cultura muito conservadora.

4. Comédia intrínseca e leve

Em cada pedacinho de Aggretsuko há uma nova oportunidade de dar risada e simpatizar com os acontecimentos.

Por exemplo, quando Retsuko se revela no karaokê para suas amigas, o espanto nem é tanto para as colegas de trabalho, mas sim para a própria Retsuko: ela é aceita sem julgamentos e compreendida, visto que, diante de toda a atmosfera opressora e horrível de seu trabalho – parte disso por ter um chefe muito cuzão e odioso -, isso nem seria uma possibilidade para a raposinha.

Leia também >> Mulheres nos Quadrinhos: Talessa Kuguimiya
série animada japonesa
Imagem: divulgação/Netflix

Dessa maneira, Aggretsuko consegue elucidar como é importante reconhecer o que te incomoda e também como identificar o que te proporciona paz, sempre de uma maneira leve e cômica. Há muita ironia em cada episódio – são 10 episódios por temporada – e as expressões e reações das personagens são impagáveis – e tudo isso fica ainda mais incrível quando a gente lembra que é animado. Em Aggretsuko a vida adulta fica bem mais legal!

5. Discussões importantes sem perder a suavidade

Há tipos e tipos de filmes e séries que abordam questões importantes e necessárias para se dialogar em uma sociedade patriarcal e opressora, e em Aggretsuko isso se torna muito fluido e compreensível sem que se perca no meio da narrativa.

Retsuko e seus superiores abusivos
Retsuko e seus superiores abusivos | Imagem: reprodução/Netflix

Não só Retsuko, mas outras personagens também acabam sofrendo assédio, machismo e violência verbal e psicológica durante os dias no trabalho, fazendo com que essas mesmas personagens duvidem de suas mentalidades e de suas intenções. Em Aggretsuko é interessante ver como esse ponto é encaminhado no decorrer dos 30 episódios, já que tudo é abordado com a comédia da animação e com a seriedade das lições de moral – sim, na série presenciamos diversas lições de moral que são extremamente válidas.

Leia também >> O complexo universo feminino nas animações de Satoshi Kon

Nos diálogos de Aggretsuko é muito comum vermos conversas sobre não aceitar menos do que merece, sobre se impor diante de injustiças, além de mostrar quando algo te incomoda e reconhecer quem te apoia e está ali por você. E tudo isso foi elaborado com muito cuidado e atenção aos detalhes, o que entra também no segundo tópico deste artigo: cada personagem prefere levar a situação de um jeito, mas isso não anula a importância de vermos as decisões de outros integrantes do “elenco”.

Aggretsuko é uma obra perfeita para quem busca uma série conforto, umas risadas sem compromisso e uma animação extraordinária – e também pra quem cansou um pouco dos estereótipos de fofura, feminilidade e formas de expressão contidas para definir as personagens femininas.


Revisão realizada por Isabelle Simões.

Escrito por:

9 Textos

Redatora e revisora de textos, apaixonada por língua portuguesa, jornalista de formação e curiosa nas artes gráficas. Escreve sobre terror, sci-fi e comédia e sempre tem uma garrafinha de água na mão. LGBTQIA+ e antifascista.
Todos os textos
Follow Me :