Mulheres nos Quadrinhos: Talessa Kuguimiya

Mulheres nos Quadrinhos: Talessa Kuguimiya

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Talessa Kuguimiya é uma artista visual, quadrinista e ilustradora. Ela produz publicações infantis, animações clássicas e diversas HQs, dentre elas seu projeto mais recente, Deimos e Phobos. O Delirium Nerd conversou com a artista sobre seu trabalho e futuros projetos. Confira!

Quando você começou a desenhar? E como surgiu o seu interesse em quadrinhos?

O ato de desenhar começou muito cede e criar histórias vem desde pequena. Para mim o desenho sempre vem junto com um contexto ou uma história e desta forma surge também a narrativa. Na verdade, eu não pensava que um dia fosse atuar na área de quadrinhos, sabia que seria na área artística, mas não tinha certeza em qual. Ainda hoje eu procuro trabalhar com diversas linguagens, pois a multi linguagem sempre me interessou.

Diante da pandemia, eventos foram suspensos, eliminando possibilidades de divulgação para muitos artistas. Sendo uma artista visual, como você tem lidado com essa situação?

Sim, de fato sem os eventos há uma redução na possibilidade de divulgação e a interação direta com o público, o que considero de igual importância. Porém todas as áreas profissionais precisaram se adaptar a essa nova realidade, não somente a artística. Assim como muitos artistas, também recorri ao que as tecnologias atuais possibilitam. Utilizar as mídias sociais, a internet, as plataformas e criar uma nova estratégia.

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Como artista independente é preciso realizar diversas tarefas, não só produzir, como divulgar os seus trabalhos nas mídias e participar de conversas feitas em formatos de lives, entrevistas, além de gerenciar a sua loja virtual. Essas são alguns exemplos de atividades que também precisamos atuar.

Arte do novo projeto de Talessa Kuguimiya, "Deimos e Phobos".
Arte do novo projeto de Talessa, “Deimos e Phobos”. (Imagem: divulgação)

A sua arte tem um equilíbrio lindo entre uma delicadeza infantil (em projetos como “Minski”) e detalhes com muita intensidade (como em “Cinco Vermelhos”). Quais artistas e referências você diria que inspiram o seu traço?

Para mim é complicado identificar exatamente qual artista ou referência inspiram o meu traço. Como crio histórias com temas e estilos diferentes, costumo explorar diversas linguagens artísticas. Ao final, crio híbridos. Acredito que esteja mais ligado a uma inspiração intuitiva e uma conjuntura de referências que vi e experienciei até o momento.

O que acontece é que os próprios leitores encontram referências de seu repertório e reconhecem no meu traço. Algumas vezes eu nem conheço as referências ou artistas que eles mencionam, mas acho isso interessante.

Grande parte do seu trabalho é transmidiático. Como você interpreta a combinação de HQs com a mídia interativa? E quais são as vantagens de uma obra multimídia?

Como mencionei anteriormente, gosto de trabalhar com várias linguagens (pintura, desenho, fotografia, animação, vídeo, digital) e a utilização do QRcode em minhas produções. A primeira vez que usei o QRcode foi na faculdade, em um trabalho que fiz, creio que em 2014. Como nunca havia visto esse tipo de interação em HQs, achei interessante a proposta e se tornou uma ponte de ligação entre as linguagens.

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Utilizo a interação com códigos QR desde 2015 e venho desenvolvendo o conceito de expansão narrativa desde então. Existem várias possibilidades de apresentar esse tipo de interação, eu exploro uma delas. Na minha perspectiva é uma outra maneira de fazer e ler HQ, uma ramificação e uma possibilidade para a linguagem.

Arte do projeto "Minski", de Talessa Kuguimiya
Arte do projeto “Minski”, de Talessa Kuguimiya (divulgação)

Como surgiu o personagem Minski? E como você vê a criação para o público infantil?

A Minski surgiu de forma peculiar, não foi uma inspiração. Ela surgiu de rabiscos simples e descomprometidos. A proposta de Minski é apresentar diversos momentos e acontecimentos curtos, às vezes inseridos em contextos desconexos e aleatórios.

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Minski é um personagem lúdico e nonsense que tem agradado adultos e crianças, talvez pelo seu comportamento inusitado e que expressa, de forma espontânea e inocente, os acontecimentos ao seu redor. Dessa maneira, gosto de criar conteúdos para diversos tipos de públicos, assim exercito uma outra forma de pensar e exploro outros “universos”.

Um dos seus projetos, o “Cinco Vermelhos”, se passa no período Edo do Japão, e é caracterizado por muitas influências de formas de arte japonesas. Como é a experiência de absorver e externar essas influências culturais?

Para mim foi um desafio e fiquei muito feliz por compartilhar um pouco dessas influências culturais que fazem parte da minha origem. Foi um processo natural, pois o contato com a cultura japonesa sempre esteve presente na minha vida. Em “Cinco Vermelhos”, eu procurei agregar alguns aspectos da cultura, algumas mais conhecidas do que outras aqui no ocidente.

Como foram inspiradas nas técnicas japonesas e abordei mais de uma linguagem artística (sumiê, ukyo-e, teatro Kabuki, Haikai) para fazer as artes dos quadrinhos, a minha preocupação foi juntá-las de forma harmônica com os meus traços, além de desejar que as características das linguagens fossem reconhecíveis.

Arte do quadrinho "Cinco Vermelhos". Imagem: Talessak
Arte do quadrinho “Cinco Vermelhos”. (Imagem: divulgação)

Recentemente, você iniciou uma campanha de pré-venda do seu próximo projeto, “Deimos e Phobos”. Pode falar um pouco sobre ele?

Sim, a campanha da minha nova HQ “Deimos e Phobos”, desta vez não será por meio do Catarse. É uma campanha de pré-venda e lançamento no meu próprio site, com acesso gratuito e aberto ao público. Com isso, o custo final terá um impacto menor para quem quiser adquirir um exemplar, assim poderei dar um desconto especial aos meus leitores. Além disso, disponibilizei recompensas e haverá o lançamento virtual da HQ com algumas atividades nesse dia.

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Para aqueles que quiserem saber mais sobre a campanha, aproveito para deixar o link do projeto e da campanha de pré-venda. Irei postar mais novidades no meu site durante esse período e anunciarei a programação das atividades em breve.

Por fim, o que você imagina para o futuro da sua arte? Já tem ideias para os seus próximos projetos?

É interessante pensar no futuro, porque o futuro já é o presente e o presente se torna passado quase que simultaneamente. Tenho planos, mas tudo vai depender do que vai acontecer. Tenho dois projetos, um deles, uma outra HQ, já em andamento. A previsão era lançar também este ano, mas com a nova realidade, creio que ele será adiando para o primeiro semestre do ano que vem.

Arte do projeto "Deimos e Phobos". Imagem: Talessak
Arte do projeto “Deimos e Phobos”. Imagem: Talessa Kuguimiya (divulgação)

Sobre a HQ

“Deimos e Phobos” é um projeto gráfico de história em quadrinhos, cujo tema principal é contar histórias inspiradas nas civilizações antigas, como a mesopotâmica, egípcia, romana entre outras. E, como Talessa tem feito na maioria dos seus projetos, ele também será interativo. A HQ segue o gênero aventura, romance e ficção.

Nas páginas da HQ serão inseridos os códigos de barras QRcode que remeterão o leitor a outros conteúdos disponíveis na internet (mídia interativa) o que torna a HQ também interativa.

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Sinopse

Um arqueólogo descobre uma nova civilização que acredita ser antecessora à Egípcia e à Mesopotâmica. Ele investiga a cultura e os costumes desse povo por meio de artefatos descobertos nas suas últimas escavações e tenta decifrar a sua história cheia de simbologia e significados. O leitor acompanha a trajetória do pesquisador e dos acontecimentos dessa civilização.

Uma terra castigada pela grande fome e serpenteada por conflitos de forças entre o líder Dismas e Arius. Pela disputa de poder sobre o sol e a água e seus segredos. De um lado os Ninurta, liderados por Dismas e de outro os Adad, liderados por Arius.


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Formada em História, Fernanda é escritora e trabalha com tradução, legendagem e produção de conteúdo. Gosta de games, quadrinhos e filmes. Passa a maior parte do tempo falando do seu cachorro ou do MCU.
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