Nimona: fantasia com anti-heroína metamorfa na Idade Média

Nimona: fantasia com anti-heroína metamorfa na Idade Média

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Sim, o mercado editorial no Brasil escutou nossas preces e trouxe o tão aguardado, o tão esperado “Nimona”, o quadrinho mais divertido que eu li nos últimos tempos. Devo dizer que aguardava a publicação desse material aqui no Brasil desde quando lançaram lá fora e acho que muita gente também. Por esses quadrinhos serem fora da curva Marvel e DC, pensei que demoraria muito até termos aqui, mas de uma forma bem inesperada soube que a Intrínseca tinha assumido a tarefa e o prestígio de trazer uma obra tão legal e divertida. É necessário contar como surgiu esse quadrinho, que já na sua pré-venda tinha uma base sólida de fãs.

Nimona começou como uma webcomic, um quadrinho online com um material incrível que era lançado no Tumblr. A questão central é que ficou tão popular que, antes mesmo de a história terminar, a editora Harper Collins foi esperta o bastante e comprou os direitos de publicação. O sucesso foi tão grande que a autora Noelle Stevenson é uma das quadrinistas mais prestigiadas atualmente. Agora vamos falar um pouco da história!

Nimona

Nimona – que dá nome ao título – é uma metamorfa, uma adolescente impulsiva e talvez um pouco sanguinária. Ela se torna comparsa de Ballister Coração-Negro, que é um vilão, muito inteligente e honesto. Logo nas primeiras páginas já podemos ver o caos se formando quando eles descobrem que a Instituição na qual todos confiam faz experimentos científicos perigosos. Esses experimentos são testados escondidos da população, que permanece ignorante sobre essas ações. Eles tentam intervir e fazer com que todos descubram a verdade, mas é muito difícil alguém confiar em um vilão e em sua comparsa. No meio disso tudo, eles ainda precisam sempre enfrentar Sir Ouropelvis, um herói contratado pela Instituição, mas que tem um passado com Ballister muito problemático.

A relação de Nimona e Ballister acaba sendo um dos pontos altos da história. Ela age de modo impulsivo e ele, racional. Ver esses dois com conflitos de ideais é muito interessante. Para Nimona, eles são vilões e o caos deve reinar, mas para Ballister as coisas não funcionam assim, e mais adiante descobrimos o porque desses personagens agirem dessa forma.

Nimona

Nimona

Outro ponto muito interessante é que o quadrinho se passa nos tempos antigos, algo como a Idade Média, mas eles têm uma tecnologia de ponta e a ciência já é bem avançada. É bom falar que Nimona destoa de tudo, em seu modo de falar e em suas roupas, o que acaba sendo muito divertido.

O maior mérito de Nimona é construir uma história divertida e emocionante na dose certa, sem cair em certos clichês, o que poderia facilmente acontecer em uma história desse tipo. O quadrinho acaba sendo tão atrativo pela construção desses personagens que, quando fazemos um rápido panorama da história, acaba ficando superficial e não conseguimos demonstrar como esses personagens são tão humanos e cheio de conflitos internos.

Nimona

Nos tempos atuais, nos quais as histórias de quadrinhos tentam ser emocionantes e acabam ficando um emaranhado de clichês, Nimona surge e corre para o outro lado, fazendo uma história simples e bonita, sem ter muitas pretensões de criar o “melhor” quadrinho de todos os tempos.

Para terminar, vale mencionar o trabalho de edição da Intrínseca, que trouxe o quadrinho para o Brasil. A HQ tem uma capa comum e mole, o que torna a leitura mais confortável. Na capa ainda podemos ver pequenos desenhos em verniz e o papel é de qualidade. Fiquei bastante satisfeita, porque o quadrinho veio com um ótimo acabamento.


Nimona

Nimona

Noelle Stevenson

Editora Intrínseca

272 páginas

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Leitora compulsiva. Apaixonada por animações. Jane Austen e Virginia Woolf são suas escritoras favoritas. Louca por séries. E uma escritora em progresso.
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