Mahou Shoujo: todas nós somos garotas mágicas!

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Um dos primeiros gêneros voltados para o público feminino no entretenimento oriental, o mahou shoujo (“garotas mágicas”), teve muita evolução desde seu surgimento até os dias atuais, e deixou de ser apenas ferramenta de diversão das meninas pequenas para atingir os mais variados públicos.

Em meio século do gênero sendo televisionado, o quanto o mesmo foi crescendo com seus acompanhantes e o quanto podemos tirar de comparativo com a nossa vida, e principalmente, a vida das mulheres? Basicamente dá para dividir em três grandes fases, ao longo de 51 anos de transmissão da categoria: Anos 60-metade de 80, metade de 80-metade de 2000 e os atuais, metade dos anos 2000, dando para encaixar facilmente entre infância, adolescência e vida adulta.

Dezembro de 1966, TV NET – O início da fantasia

Mahou Shoujo
Sally, a primeira garota mágica

Em 5 de dezembro de 1966, em preto em branco na emissora NET (antigo nome da atual TV Asashi) estreava o primeiro anime do gênero mahou shoujo, Mahoutsukai Sally (Sally, a bruxa). Uma produção de Toei Animation, teve seus primeiros 17 capítulos transmitidos ainda em preto e branco, e o restante colorido.
Contava as aventuras e travessuras de Sally, uma princesa bruxa do Reino Mágico no mundo comum. Uma história bem inocente e divertida. A série ganharia uma continuação no final dos anos 80.
Curiosamente nos anos 60 e 70, praticamente a Toei dominava o gênero. As séries dos anos 60, 70 e 80 praticamente seguiam uma formula muito próxima a de Sally, com aventuras causadas pela magia, como troca de roupas.

Março de 1974, TV NET – A primeira guerreira

Mahou Shoujo
A Guerreira do amor, Cutie Honey

Em 30 de março surgia a primeira heroína de batalhas do gênero mahou shoujo, Cutie Honey. Apesar de incluir também muito ecchi e ter como publico alvo os meninos, ela é de relevância dentro das garotas mágicas por ser a primeira que luta contra o mal em vez de apenas se divertir ou se envolver em travessuras com seus poderes. A história criada por Go Nagai narrava as aventuras de Honey Kisaragi, uma androide equipada com um sistema que lhe dá o poder se de disfarçar como a heroína Cutie Honey, lutando com uma organização criminosa chamada Panther Claw. Ainda sendo a primeira heroína de batalha do gênero, os anos 70 e boa parte dos 80 seriam ainda das garotas mais inocentes.

Março de 1982, TV Tokyo – O sutil contato com o crescer

garotas mágicas
A princesa dos sonhos, Minky Momo

Os anos 80 foram recheados de garotas mágicas com habilidade de se transformarem em adultas para suas aventuras e missões, e quem estreou o filão, em 18 de março de 1982, foi Mahou no Princess Minky Momo (Princesa Mágica Minky Momo, conhecida nos países lusófonos como Gigi e a Fonte da Juventude). Essa obra é da Ashi Productions, porem nessa década o Studio Pierrot foi soberano nessas produções recheadas de garotas que ganhavam uma forma adulta. Em Minky Momo acompanhamos a princesinha de Fenarinarsa, o mundo dos sonhos, em sua missão de salvar o reino que precisa dos sonhos do mundo humano. Para recuperar esses sonhos, Minky ganha a habilidade de se disfarçar em sua versão adulta e nas mais variadas profissões.

Março de 1992, TV Asashi – A adolescência da união

 Mahou Shoujo
O primeiro time de belas heroínas, Sailor Moon

Os anos 90 se iniciam com uma sequência de garotas mágicas que herdaram a vontade de lutar de Cutie Honey, e seu principal divisor de águas foi Bishoujo Senshi Sailor Moon (Bela Guerreira Sailor Moon). Produzida pela Toei Animation, é considerada uma grande revolução no gênero, que anos antes já arriscara focar em meninas batalhando (como Genmu Senki Leda, um OVA de 1985 e Devil Hunter Yohko, lançada em 1990). A história dispensa apresentações, sendo extremamente popular no Brasil e em todo o mundo, mantendo fãs fieis desde a primeira aparição na extinta Manchete.

Janeiro de 2011, TBS – As coisas não são tão bonitas de verdade

 Mahou Shoujo

Quando os fansubs começaram a soltar o terceiro capítulo de Madoka (Puella Magi Madoka Magica), muitos se chocaram com a quebra do estilo. Estreado em 6 de janeiro de 2011, o anime desconstruiu o gênero garota mágica e nos mostrou o lado sujo e ruim de se batalhar contra o mal e de que nem todo mascote é bem intencionado – na verdade, pode ser um psicopata. A batalha de meninas escolhidas para impedir que bruxas, entidades misteriosas e malignas façam mal aos humanos coloca a jovem Madoka Kaname em um furacão de emoções e decepções terríveis, onde nem tudo que brilha e é fofo é de fato, bom. Em seguida vieram outros animes de garotas mágicas onde nada é o que parece, como Yuuki Yuna é uma Heroína ou Magical Girl Rising Project, mostrando que nenhuma roupa fofa pode indicar boas aventuras.

Todas nós somos garotas mágicas!

Garotas mágicas em meio século de existência
Garotas mágicas em meio século de existência. (1966-2010)

Com toda a trajetória e as fases das garotas mágicas ao longo dos 51 anos de existência, podemos tirar um paralelo com nós mesmas. Afinal, o gênero cresceu, como todas nós crescemos. Na primeira fase das garotas mágicas, inocentes como as crianças, elas querem mais se divertir, sonhar usando seus poderes. Seus traços também são mais infantis. Quando criança quantas vezes não nos vimos como princesas, nos imaginamos como certas profissionais ou atuamos com os amigos em um teatro improvisado, sonhando com situações com ares lúdicos e mágicos?

Porém a gente começa a crescer e aos poucos as dificuldades começam a surgir. Ainda temos muitos sonhos e esperanças, até alguma inocência, mas precisamos nos transformar para enfrentar os inimigos, como a segunda fase de garotas mágicas se transformavam para enfrentar os inimigos. A pressão da escola, de nos adaptar ao meio, de conquistar o crush e o primeiro contato com o machismo que nos assombrará por toda uma vida não seria diferente os vilões que elas enfrentam nos animes.

Mas o tempo não para e logo nos tornamos jovens adultas. Podemos ter nossos sonhos, mas agora os desafios possuem um peso maior. Somos maiores de idade e o que faremos terá duras consequências, a lei do retorno será implacável como a magia que cobra seu preço em Madoka ou Yuuki Yuna, enfrentaremos decepções ainda maiores e nem tudo será tão colorido como a ambientação de Rising Project. A frustração e os engodos são enormes; em um passo em falso seremos eliminadas. Tal qual o desafio das heroínas mais atuais do gênero.

Não é difícil dizermos que somos garotas mágicas; sempre fomos. Nossa magia de amadurecer, enfrentar as adversidades, lutar contra o machismo do dia a dia sem perder nosso brilho e esperança nos faz uma mahou shoujo. Podemos não ter os itens cheios de luzinhas, nem roupas com babados ou poderes brilhantes, mas temos nossa alma, nosso coração, nossa inteligência.

Somos todas, sem exceção, garotas mágicas, Guerreiras desde o nascer!


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