[LIVROS] O Cemitério: reflexões sobre morte e sanidade mental (resenha)

[LIVROS] O Cemitério: reflexões sobre morte e sanidade mental (resenha)

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Sinopse Oficial de O Cemitério:

Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza que que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um cemitério no bosque próxima a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação.

Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onda forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis Creed se diverte com as histórias fantasmagóricas do vizinho Crandall.

No entanto, quando o gato de sua filha Eillen morre atropelado e, subitamente, retorna à vida, ele percebe que há coisas que nem mesmo a sua ciência pode explicar. Que mistérios esconde o cemitério dos bichos? Terá o homem o direito de interferir no mundo dos mortos? Em busca das respostas, Louis Creed é levado por uma trama sobrenatural em que o limite entre a vida e a morte é inexistente. E, quando descobre a verdade, percebe que ela é muito pior que seus terríveis pesadelos. Pior que a própria morte – e infinitamente mais poderosa.

Sobre o livro

O Cemitério é considerado o livro que Stephen King menos queria publicar. Segundo o próprio autor, considerava o livro extremamente macabro e temia o que as pessoas achariam se o lessem. Boatos dizem que quando King terminou de escrever o livro, deu para sua esposa lê-lo e ela simplesmente odiou, achou o livro perturbador. Em partes, devido aos fatos “parecidos” com a vida do próprio autor.

Pois na mesma época em que se mudara para o Maine para lecionar, começaram a morar em uma casa em frente a uma estrada perigosa e movimentada. Exatamente na mesma época, Thabita King ficava a maior parte do tempo em casa com o filho pequeno e temendo que esse fosse correndo para a estrada. Assim como a esposa Rachel de Louis no livro.

Após a rejeição do livro por Thabita, e também de seu colaborador Peter Straub, King literalmente escondeu o livro para que não viesse a ser publicado. Porém, como a vida dá voltas, Stephen King ainda devia publicar um livro para a editora que o havia contratado. Não tendo nada escrito e sentindo-se forçado a “dar” algum livro para a publicação, King entregou Pet Sematary – ou O Cemitério em português. Nem o autor e nem a editora esperavam que o livro fizesse tanto sucesso quanto fez, chegando até os dias atuais a ser considerado um dos “clássicos King”.  Mas então, sobre o que fala O Cemitério?

O Cemitério

(Stephen King nas gravações de O cemitério)

O livro fala sobre um gato chamado Churchill e sobre Ellie, filha de Louis que é extremamente apegada ao felino. Também fala sobre Rachel, uma mulher que passa a maior parte do tempo em casa com seu filho Gage e que tem pavor em falar sobre a morte. O cemitério também conta de um velho chamado Jud que vive constantemente a nostalgia dos acontecimentos e pessoas de sua cidade, e de como Jud leva o jovem médico Louis para além da imaginação. Mas principalmente, o livro fala sobre a morte e sua aceitação.

I don’t want to be buried in a Pet Sematary I don’t want to live my life again

I don’t want to be buried in a Pet SemataryI don’t want to live my life again

(Ramones – Pet Sematary)

“Cemitério” de bichos

Assim como em muitos de seus livros, King gosta de mostrar uma família norte americana comum com seus problemas medianos vivendo um dia de cada vez. Louis é  uma pessoa racional, um médico que não aceita explicações esotéricas sobre nada. Ao se mudar para uma cidade do interior do Maine com sua família, começa a duvidar de sua racionalidade.

Tudo andava bem na vida da família Creed, até que Churchill, o gato de Ellie, é atropelado e morto. Quem encontra o gato morto é o vizinho de Louis, um senhor de idade chamado Jud, que mora na casa a frente dos Creed. Jud percebe a preocupação e desespero de Louis ao ver o gato morto, pois reconhece o quanto sua filha iria sofrer, então, Jud Crandall revela um segredo para Louis, um mistério. O velho Jud leva seu vizinho para um cemitério além do cemitério dos bichos, onde crianças enterravam seus animais de estimação; e é assim que Louis conhece o “verdadeiro cemitério”, o cemitério micmac.

O Cemitério

(Reprodução de O cemitério filme)

“Louis continuava a afagá-la. Certo ou errado, acreditava que a filha chorava pela inevitabilidade da morte, pelo fato de a morte ser tão impermeável aos argumentos ou às lágrimas de uma menina. Acreditava que Ellie chorava por sua cruel imprevisibilidade e devido à maravilhosa e terrível capacidade que tem os seres humanos de transformar símbolos em conclusões que podem ser belas e generosas ou extremamente sinistras. Se todos aqueles animais estavam mortos e enterrados, então Church também podia morrer…”

O verdadeiro cemitério (contém pequenos spoilers que não estragam a leitura)

Assim como na maioria de seus livros, Stephen King se diverte pegando histórias e medos antigos do povo norte americano para aplicar uma dose de suspense com misticismo e terror. E é nessa combinação que encontramos o cemitério micmac, o verdadeiro cemitério.

Louis não sabia da existência desse cemitério, até que um dia, uma tragédia ocorre: o gato de Ellie, Church, é atropelado e morto. Em meio ao desespero e confusão em ter que explicar para a filha sobre como seu amado gato estava morto enquanto ela viajava, Louis busca consolo em seu vizinho Jud. O velho Jud já estava familiarizado com os poderes e encantos do cemitério micmac, e justamente por esse fascínio exercido do cemitério para Jud, ele resolve apresentar à Louis o antigo cemitério indígena.

O grande segredo que envolve o cemitério é o seu poder de trazer os mortos de volta à vida. Louis se arrisca nessa aventura e enterra Churchill, esperando que esse retorne. E ele retorna. Talvez o maior poder contido no cemitério não seja de “ressuscitar”, mas sim a influência que o lugar tem sobre aqueles que se envolvem com ele. Observamos aos poucos Louis, um jovem médico indo perder sua sanidade mental e também todo o seu discernimento.

O Cemitério

(Reprodução de O cemitério filme)

Sanidade mental e aceitação da morte

O Cemitério é muito mais do que um livro de terror e suspense, mais do que um livro para se ler e ficar com medo. É antes de tudo, um livro repleto de reflexões sobre o morrer e a aceitação com a morte. Com a nossa cultura ocidentalizada, a morte torna-se a cada dia mais temida e odiada, o que nos ensinou aos poucos rejeitar qualquer reflexão sobre a morte que não seja repleta de sentimentos de inaceitação.

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Apesar de Stephen King ter rejeitado o próprio livro, tendo o considerado como “macabro e depressivo ao excesso”, a leitura que podemos ter de O Cemitério, para além de um livro de terror, é uma reflexão sobre a aceitação das coisas como são, inclusive da própria morte.


O CemitérioO Cemitério

Autor: Stephen King

Suma de Letras

424 páginas

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Autora

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Feminista e estudante de serviço social. Ama Star Wars e é viciada em gatos. Adora conversar sobre gênero e brinca de ser gamer nas horas vagas. Nunca superou o fim de The Smiths.
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