25 obras essenciais de ficção científica escritas por mulheres (Parte 1)

25 obras essenciais de ficção científica escritas por mulheres (Parte 1)

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A história da ficção científica no mundo ocidental deve muito às mulheres. Muitos dos trabalhos mais antigos e influentes no gênero de ficção científica foram escritos por mulheres que têm sido grandes escritoras do gênero ao longo dos anos. Para provar esta afirmação, montamos em uma lista rápida com 25 livros de ficção científica essenciais escritos por mulheres. Confira!

O Mundo Resplandecente, de Margaret Cavendish

Publicado em 1666, esta é indiscutivelmente a primeira obra de ficção científica escrita, apesar de seu gênero ser um pouco fluído, então não nos admira que a obra tenha sido citada e referenciada nos trabalhos de escritores como Alan Moore e China Miéville. É a história de uma mulher que atravessa do Pólo Norte para um mundo habitado por animais falantes, homens-peixe e outras maravilhas surreais. Lá, ela é declarada Imperatriz e comanda uma invasão de sua terra natal. É uma história clássica sobre portais, se quiserem saber nossa opinião, e uma obra verdadeiramente pioneira do gênero.

Frankenstein, de Mary Shelley

Dois séculos após ser escrito, Frankenstein continua a ser adaptado, copiado, interpretado e mal compreendido. A interpretação popular afirma que “a humanidade não deveria brincar com as leis da natureza”, mas o romance de Shelley é mais sutil que isso. Frankenstein é um livro categoricamente pró-ciência, que acusa a humanidade por sua insensibilidade em relação a vidas não humanas. O “monstro” do livro é inteligente e trágico – o verdadeiro vilão é o próprio Dr. Frankenstein, não porque ele persegue o conhecimento e avanços tecnológicos, mas porque ele despreza os resultados de seu trabalho e se recusa a aceitar as consequências de suas ações. Os fãs do terror sempre tentam classificar a obra como uma história de terror, mas nós, fãs de ficção científica, dizemos: vamos lutar por Frankenstein.

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A Cidadela do Medo, de Gertrude Barrows Bennett

Publicado em 1918, este romance (escrito sob o pseudônimo de Benneett, Francis Stevens) é frequentemente descrito como “pre-Lovecraftiano” e há poucas dúvidas de que ele tenha influenciado os últimos trabalhos de Lovecraft. A história de aventureiros que encontram por acaso uma cidade perdida na floresta sul americana possui componentes de ficção científica, terror, fantasia e vários outros gêneros especulativos. Há mortais possuídos por deuses maléficos, criaturas estranhas criadas por meios misteriosos e cenários surreais e surpreendentes. O fato de Bennett ser tão pouco conhecida atualmente é um crime. Entre outras coisas, ela é tecnicamente uma escritora muito melhor que Lovecraft.

Metropolis, de Thea von Harbou

Thea von Harbou era esposa de Fritz Lang e seu romance é a base para o famoso filme de mesmo nome – um dos primeiros exemplos de filme de ficção científica. Ela também colaborou no roteiro, então podemos dizer que o filme não existiria sem as contribuições de Thea. A história de uma cidade futurista e mecanizada que depende do trabalho árduo de pessoas que são escravizadas no subsolo enquanto a alta sociedade aproveita a vida na superfície ainda é usada até hoje por cineastas da era moderna. As ideias do filme Metropolis são profundamente influentes e a maioria delas veio do livro fantástico escrito por Harbou.

Mizora, de Mary E. Bradley

Publicado em 1880, esse romance utópico conta a história de uma civilização escondida dentro da terra (acessível, mais uma vez, pelo Pólo Norte). Essa sociedade é muito avançada e possui coisas como videofones, carne artificial e controle de clima. Os cidadãos também vivem em perfeita harmonia e não há brigas, crime ou violência. Não é necessário dizer que a sociedade dos Mizorans é composta exclusivamente por mulheres. Em algum ponto no passado elas “eliminaram” os homens e perseveraram sem eles. Temos que mencionar que na história há um racismo feio e profundo, uma vez que as Mizorans também acreditam fervorosamente em eugenia. Mas pela simples importância histórica, vale a pena considerar esta obra.

Herland – A Terra das Mulheres, de Charlotte Perkins Gilman

Mais uma história sobre uma sociedade feminina perfeita, o romance de Gilman conta a história de três homens aventureiros que ficam sabendo sobre a lenda de uma civilização populada exclusivamente por mulheres. Os homens conseguem localizar a comunidade e ficam surpresos ao descobrir que as lendas são verdadeiras e que o mundo que eles chamam de Herland prospera sem homens. Gilman conta uma história muito boa (Leia aqui a resenha do livro) enquanto explora papéis sociais de gênero com uma profundidade surpreendente para 1915. Os homens lutam para lidar com comportamentos diferentes e com seus próprios preconceitos, tentam fugir sem sucesso e lentamente se veem apaixonados por seu novo lar.

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Orlando, de Virginia Woolf

Orlando irá surpreender aqueles que pensam em Woolf como sinônimo de romances pós-modernos cheios de técnicas de fluxo de consciência. Pode-se até chamar a história de superficial e fácil de entender (pelo menos relativamente). Ainda mais surpreendente é o fato de que Orlando (Leia aqui a resenha do livro) é uma exemplo antigo de livro de ficção científica (foi publicado em 1928) que fala de temas feministas por meio da prepotência delirante de um jovem rico nascido no século 16 que de repente acorda e descobre que foi transformado em uma versão biologicamente feminina de si mesmo e ainda por cima parou de envelhecer. As aventuras de Orlando param de ser particularmente relacionadas à ficção científica a partir desse ponto (fora a aparente imortalidade), mas a forma como Woolf explora o privilégio masculino e as metas feministas no contexto da prepotência especulativa continua sendo poderosa e muito divertida.

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The Long Tomorrow, de Leigh Brackett

Leigh Brackett foi uma das escritoras de ficção científica mais influentes do século 20. Se você não a conhece, pelo menos você sabe agora que ela escreveu o roteiro original de O Império Contra-Ataca. Seu celebrado romance, de 1955, é pós-apocalíptico e se passa nos Estados Unidos após uma terrível guerra nuclear. Ao contrário da maioria das histórias como essa, nas quais a sociedade imediatamente começa a reconstruir suas tecnologias, o povo desse mundo culpa a tecnologia pela devastação ocorrida. As religiões que são contra a tecnologia aumentam em número de membros, são criadas leis que restringem o tamanho máximo das comunidades e quais tecnologias podem ser usadas, e as pessoas são apedrejadas até a morte por usarem dispositivos proibidos. É uma história sombria e em alguns aspectos está datada quando comparada aos padrões modernos, mas todas as histórias sobre mundos pós guerras nucleares devem muito a The Long Tomorrow.

The Tomorrow People, de Judith Merril

Um dos primeiros mistérios de ficção científica, este livro conta a história de um único sobrevivente de uma expedição a Marte. O astronauta Johnny Wendt se recusa a contar o que aconteceu com seus companheiros exploradores e algumas páginas do diário de bordo estão desaparecidas. Vislumbres de vida no planeta vermelho, poderes telepáticos e outros elementos de ficção científica sempre parecem estar fora do alcance das pessoas que tentam ajudar Johnny, e as reações violentas dele a qualquer tipo de ajuda significam que os mistérios não serão resolvidos facilmente. Merril foi uma das primeiras escritoras a reconhecer o quanto desconhecemos sobre exploração no espaço em uma época em que outros escritores presumiam que seria rápido e fácil.

Pictures Don´t Lie, de Katherine Maclean

O machismo tem um custo real. Apesar de Katherine Maclean ter sido bastante publicada durante o século 20 e algumas de suas histórias terem sido adaptadas para rádio e televisão, ela não é tão conhecida como deveria ser atualmente. Esta coleção de histórias inclui a história que dá nome ao livro, talvez seu trabalho mais elogiado e mais adaptado. Mas qualquer coisa escrita por Maclean vale a leitura, incluindo seu romance vencedor do prêmio Nebula, de 1971 (que mais tarde foi expandido), Missing Man.

Amatka, de Karin Tidbeck

A celebrada escritora de contos Karen Tidbeck começa seu romance distópico de estreia a partir de uma ideia central bizarra e cansativa: em um mundo colonizado distante cada produto e objeto tem que ser nomeado em voz alta constantemente, pois senão perde sua coerência e se transforma em uma massa disforme. A sociedade se tornou rigidamente comunista, decretando regras severas para garantir que coisas vitais não se derretam de repente, mas ainda existe algum resquício da vida privada. Vanja recebeu a tarefa de entrevistar fazendeiros na cidade sombria e sem graça de Amatka sobre produtos de higiene que eles possam estar interessados em comprar. O que ela encontra lá desafia sua fé no sistema de fala que supostamente mantém as coisas no lugar. É um livro tão estranho, criativo, satírico e intrigante quanto a premissa promete.

Justiça Ancilar, de Ann Leckie

A visão do romance vencedor de prêmios de Leckie tende a se focar em sua abordagem da prosa sem gênero, que dá um pronome feminino para cada personagem. Isso é uma coisa fácil de ser entendida quando discutida, mas a questão real que Leckie quer mostrar tem a ver com individualidade – ou seja, o que significa ser um indivíduo com livre arbítrio e com a habilidade de afetar o curso dos eventos à sua volta? É uma reflexão muito mais profunda e que tem ligação com os livros mais antigos citados nesta lista. Uma reflexão que é frequentemente deixada de lado em favor de uma discussão mais prática sobre gêneros, ou em favor de uma simples admiração por uma história contada por uma grande escritora. Nossa opinião é que a questão importante que a autora discute tem mais a ver com nossa responsabilidade como seres sencientes frente ao universo do que com as tendências de uma cultura que se refere a todos pelo pronome “ela”.

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Uma Dobra no Tempo, de Madeleine L’Engle

Este clássico (Leia aqui a resenha do livro / graphic novel) persiste no mercado desde sua publicação, mas tem ganhado muito mais atenção ultimamente graças a sua adaptação para o cinema. A menina de 13 anos Meg Murry não tem armas, nem treinamento especial, nem superpoderes e nem acessórios. E mesmo assim ela é indiscutivelmente a heroína desse clássico. A insegurança e estranheza de Meg não a tornam fraca, mas sim humana, e isso é uma das coisas que a transformam em uma personagem incrível. A outra coisa é que, enquanto ela usa seu cérebro e bom senso com frequência, ela também alcança feitos incríveis por causa de suas emoções – um toque maravilhoso se considerarmos que frequentemente uma “mulher forte” significa uma mulher que nunca mostra emoções.

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Downbelow Station, de C.J. Cherryh

Uma das maiores óperas espaciais já escritas, esse romance venceu o prêmio Hugo e é geralmente incluída nas listas de melhores obras. Apesar de se passar no mesmo universo que as histórias de Company Wars também escritas por Cherryh, Downbelow Station é um excelente romance de volume único que detalha a exploração dos sistemas estelares próximos por humanos, financiada não pelo governo, mas por uma corporação que constrói uma série de estações espaciais em sistemas que não possuem planetas. O Mundo de Pell é o primeiro mundo habitável que a corporação encontra e as pessoas que vivem na estação construída em sua órbita o chamam de Downbelow e a estação, de Downbelow Station. A história se passa no final das guerras iniciadas pelas duras políticas que a corporação impõe às suas estações e ao Mundo de Pell. A obra é rica em detalhes e povoada por personagens fascinantes.

Fullmetal Alchemist, de Hiromu Arakawa

A história desse manga escrito e ilustrado por Arakawa se passa em um universo alternativo no qual a alquimia é a principal força da ciência e é governada pela Lei da Troca Equivalente – que tem como premissa que para se criar alguma coisa deve-se usar outra coisa de valor igual. Alquimistas são proibidos de transmutar ouro … ou seres humanos. A tentativa de transmutar humanos resulta em desfigurações horríveis e punição para o alquimista, o que nossos protagonistas, dois irmãos, descobrem da pior forma. De escala épica, a história vai ficando incrivelmente intrincada e emocional ao longo de seus 26 volumes e provou influenciar incrivelmente os escritores de ficção científica no mundo todo. A série não deixa de discutir temas obscuros e problemas da vida real e é notável por sua apresentação de personagens femininas complexas em um manga shonen (manga “de meninos”)que é tipicamente considerado um domínio masculino.

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Quem teme a Morte, de Nnedi Okorafor

Muitas das pessoas que leem o romance de 2010 de Okorafor ficam fixadas no ambiente africano, na política racial e como a violência contra as mulheres é mostrada. Embora seja um livro brutal e muitas vezes desconfortável de se ler, ele também tem uma história poderosa que cumpre com uma das metas primárias da ficção científica: o mundo real sendo extrapolado em um futuro fantástico. A história também é uma extrapolação do poder em suas muitas formas: como violência, conhecimento e coragem. Não é uma obra de escapismo uma vez que o assunto que aborda é difícil de engolir. Todos os aspectos, incluindo o imaginário, o estilo de escrita e o diálogo foram propositalmente construídos para desacelerar a leitura, como se a autora quisesse forçar a leitora a realmente ver o que ela está revelando. Assim como todas os grandes romances, levaremos anos para decifrar a história.

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Synners, de Pat Cadigan

Juntamente com Gibson, Cadigan é uma mestra do sub-gênero cyberpunk . Apesar de ter sido escrito antes da existência da nossa internet moderna, Synners acerta em muitos dos detalhes ao construir um distopia na qual as pessoas fogem de um mundo doente e triste por meio de implantes cerebrais que os permitem vivenciar os sonhos e desejos de outros. Os carros possuem o equivalente a localizadores GPS. Existe uma espécie de pré rede social chamada de “Dataline” que é muito parecida com o Facebook (ao ponto que os dados estão sendo monetizados e controlados). Existe até uma referência perspicaz à legalização do casamento entre pessoas de mesmo sexo para um livro publicado em 1991. A história está muito a frente de seu tempo e ainda é relevante.

A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin

Facilmente um dos livros de ficção científica mais famosos já escritos, a obra prima de 1969 escrita por Le Guin conta a história de Genly Ai, mandado por uma confederação planetária para negociar a entrada de Gethen. Ai fica confuso pelo fato de que os Gethens – e, consequentemente, todas as facetas de sua cultura inteira – são ambissexuais: eles não possuem orientação sexual fixa, o que é uma barreira suficientemente grande para dificultar muito o entendimento de Genly. Esta questão se torna importante uma vez que ele se vê envolvido na política local e é eventualmente preso e enviado para um campo de concentração onde espera-se que ele morra. A grande conquista aqui é o modo como Le Guin luta com essas ideias pesadas sem sacrificar a tensão da história, transformando o livro em um clássico absoluto,  mesmo que o tema de gênero já tenha evoluído em muitos sentidos.

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O Conto da Aia, de Margaret Atwood

Os temas feministas e a exploração de uma sociedade verdadeiramente misógina abordados por este livro incrível são assustadoramente aplicáveis 30 anos após sua primeira edição. O segredo é que a autora não cria uma história simples sobre “homens são maus” em sua sociedade distópica, na qual mulheres são tratadas mais ou menos como reprodutoras. Atwood explora (Leia aqui a resenha do livro) como ambos os sexos apoiam e contribuem para uma visão assustadora de opressão. Sim, claramente foram os homens que reformularam o mundo para retirar todos os poderes políticos, econômicos e legais das mulheres. Mas as mulheres da república de Gilead são muitas vezes participantes voluntárias e cruéis na opressão das Aias que são forçadas a gerar seus filhos.

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Dawn, de Octavia E. Butler

A série Xenogenesis, de Butler, começa com este livro brilhante, cuja história acontece após um holocausto nuclear que deixa a Terra inabitável. Poucos humanos são salvos por uma raça alienígena chamada Oankali. Dois séculos e meio depois, Lilith acorda em um navio Oankali. Ela fica horrorizada pela aparência dos aliens, bem como por seus muitos tentáculos sensoriais e três gêneros. Os Oankali fizeram a Terra ser habitável novamente e planejam devolver a Humanidade para o planeta. Mas, em troca, eles pedem que lhes seja permitido cruzar com os humanos e querem que Lilith os ajude a convencer seu povo.

As coisas dão errado a partir daí, mas este é apenas o começo de uma série ótima que explora biologia e identidade e como essas duas coisas estão relacionadas, de uma forma que poucos escritores são capazes de fazer. O universo Oxford de Willis, no qual residem professores universitários de 2050 que viajam ao passado para pesquisar períodos históricos significantes começou com um livro muito sério e igualmente essencial chamado Doomsday Book. Mas sempre gostamos mais de sua sequência engraçada, uma farsa que se passa na Era Vitoriana sobre amor, paradoxos e erro de identidade. Cada história da série de Octavia Butler é marcada pela pesquisa exaustiva de Willis, pelas tramas que terminam em suspense e por personagens tão adoráveis que você vai querer tirá-los da página e abraçá-los. Estes livros são algumas das obras mais gostosas de ler do gênero de ficção científica mesmo quando lidam com, no caso de Doomsday Book, mortes por doenças em grande escala.

Beggars in Spain, de Nancy Kress

Edição genética, fusão a frio, humanos que foram modificados para não dormirem – e isso é apenas o começo. O romance de Kress de 1993 se passa em um futuro onde o crescimento dos Sleepless (pessoas que provam ser quase superhumanas em suas capacidades e tempo de vida) inicialmente gera violência e depois transforma o mundo de uma maneira inesperada. Ao longo de décadas, Kress descreve como a América se reorganiza em uma sociedade de castas: os Sleepless no topo e os Livers na base, uma vez que a filosofia denominada Yagaísmo (nome dado por causa dos cientistas responsáveis pelos Sleepless) dita que apenas aqueles que são produtivos importam e apenas os relacionamentos contratuais dão certo. A história intrigante criada por Kress está repleta de reviravoltas.

Ref: Planeta Colonizado nº 5, Shikasta, de Doris Lessing

O primeiro romance de Lessing, da série Canopus em Argus, é uma viagem selvagem em grande escala, repleta de reviravoltas surpreendentes – mesmo que as leitoras mais experientes do gênero consigam prever as maiores revelações da história. Não importa: a história de um planeta colonizado pelo Império Canopus e preso em uma relação de benefícios com o resto o Império é genial. Os nativos do planeta, chamado Rohanda (“fértil”), prosperam até que alguma coisa dá errado e eles são acometidos por uma doença degenerativa que faz com que eles coloquem os desejos individuais antes do bem da comunidade. Os habitantes de Canopus dão um novo nome ao planeta: Shikasta, que significa “ferido”, enquanto outros poderes galácticos se movem ao redor deles. É uma história imensa e um livro importante que não recebe nem de perto a atenção que merece.

Filhos da Esperança, de P.D. James

O apocalipse imaginado por James é uma estrangulação lenta da raça humana por meio da maneira mais simples possível: esterilidade. Apesar de que a causa da inabilidade de reprodução da raça humana não ser explorada em detalhe o fato é que as taxas de fertilidade vêm decaindo no mundo real há algum tempo, fazendo com que o fim desse mundo lento e choroso seja terrivelmente plausível, bem como o colapso social em volta dele. E isso é só parte da razão pela qual este livro é tão incrível – o único livro de ficção científica que James escreveu. A obra é tão elegantemente montada e consegue comunicar suas ideias sobre existência, fé e amor de maneira tão simples que é leitura obrigatória para qualquer fã de ficção científica.

All Systems Red, de Martha Wells

O mais recente livro de Wells imagina um futuro dominado por empresas, no qual os imperativos de aderência burocrática às políticas e de necessidade de entregar todos os contratos a quem cobra menos fazem com que cada missão planetária necessite de uma SecUnit fornecida pela empresa. As SecUnits são androides com inteligência artificial construídos com peças baratas, tão suscetíveis a ter problemas mecânicos quanto o equipamento vagabundo que deve manter a expedição viva. A SecUnit que narra a história hackeou seu próprio modulo Governador, conseguindo, assim, senciência e livre arbítrio e desprezaria os humanos que deveria proteger se não os achasse tão entediantes (apesar de referir a si mesmo como Robô Assassino, por razões que ficarão claras). Quando seus humanos são atacados por algo que não consta em seu banco de dados de experiência, o Robô Assassino deve concentrar a sua mente irritadiça e quase onisciente na missão de salvar não apenas seus humanos, mas a si próprio. Essa história curta é surpreendentemente engraçada e cheia de detalhes do universo futuro, o que nos dá mais justificativa para comemorar as sequências que estão por vir.

Infomocracy, de Malka Older

O romance de estreia de Older imagina um mundo onde a população está dividida em grupos de 100 mil, denominados centenals. Cada centenal pode votar no governo para o qual eles querem proteger – governos que vão desde Philip Morris (dominado por corporações) até grupos baseados em políticas com nomes como Liberty. Uma organização global chamada Information procura controlar as eleições e assegurar que os vários governos cumpram suas promessas e sigam as regras. E quando um pesquisador que trabalha para um governo chamado Policy 1st se depara com uma conspiração para estragar as eleições, ele se une a um agente da Information e ambos lutam para descobrir a verdade, expor a trama e sobreviver. A imaginação feroz de Older e sua visão detalhista fazem com que seu mundo futurista seja completamente plausível e seus personagens, sinceramente falhos. É uma das estreias que mais promete nos últimos anos e as sequências impressionam ainda mais.

Tradução parcial realizada por Maria Amelia Fleury Nogueira, do texto original publicado no site Barnes & Noble.

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Fundadora e editora-chefe do Delirium Nerd. Revisora. Apaixonada por gatos, café, cinema do oriente médio, quadrinhos e animações japonesas. Ouve muito Harry Styles e cantoras melancólicas.
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