[LIVROS] A trilogia da Biblioteca Invisível: A saga de uma mulher entre mundos e livros

[LIVROS] A trilogia da Biblioteca Invisível: A saga de uma mulher entre mundos e livros

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A editora Morro Branco lançou os três primeiros livros da saga da Biblioteca Invisível no Brasil. A saga, criada pela autora Genevieve Cogman, já chegou a ser comparada com outras sagas inglesas consagradas como Harry Potter e Doctor Who. E de fato o universo criado pela autora é algo novo dentro da literatura e ao mesmo tempo é uma grande homenagem aos amantes de livros.

A organização secreta da Biblioteca tem agentes espalhados por diversos universos e tem como missão recuperar livros raros que mantém o equilíbrio dos mundos. Nesses universos encontramos criaturas mágicas, como feéricos, vampiros, lobisomens e dragões, além de criaturas que usam magia, ordem, caos e a “Linguagem”, um tipo de poder que só pode ser usado pelos Bibliotecários.

Analisamos os três primeiros livros lançados por aqui, mas ao todo a autora já lançou cinco livros que dão continuidade a saga da agente da Biblioteca Irene e de seu misterioso ajudante Kai. Conheça a saga de Irene pelos universos alternativos:

A Biblioteca Invisível

Biblioteca Invisível

A Biblioteca Invisível é o primeiro livro de uma saga criada pela escritora Genevieve Cogman. Junto com ele completam a trilogia, lançada pela editora Morro Branco, os livros A Cidade das Máscaras e A Página em Chamas.

No primeiro volume da saga conhecemos Irene, uma espiã agente da “Biblioteca”, uma organização secreta que existe fora do tempo e espaço e coleta exemplares de livros raros que só existem em determinadas realidades. Ela é encarregada de treinar um novo aprendiz chamado Kai, enquanto cuidam de uma missão em uma Londres de uma realidade diversa, onde existem vampiros, lobisomens, feéricos e um detetive, no melhor estilo Sherlock Holmes, chamado Valle.

Uma das coisas que chama a atenção de imediato é a forma como Irene deve se portar em cada mundo que atravessa pelos corredores da Biblioteca. Dependendo do universo, as mulheres são menos ou mais liberadas e até a maneira de se vestir implica no tratamento que uma mulher receberá, assim como a maneira de falar, mais ou menos submissa, entre outras coisas.

No primeiro livro somos apresentados aos misteriosos agentes da “Biblioteca”. Também conhecemos um elemento interessante que é a “Linguagem”, um tipo de poder que só os Bibliotecários podem usar e que faz as coisas atenderem o comando da palavra deles e a forma como isso é dito.

Também conhecemos o misterioso aprendiz de Irene, Kai, e o começo da relação dos dois. A relação de Irene com o seu aprendiz se desenvolve de maneira ambigua deixando em aberto os verdadeiros sentimentos que eles começam a nutrir um pelo outro. Não conseguimos saber se eles são só amigos ou nutrem uma paixão secreta, além do fato de ser Irene quem comanda a relação, sendo esse um ponto positivo.

O que torna interessante perceber a maneira como os personagens masculinos interagem com ela, pois é ela quem sempre está no lugar de liderança na história. É interessante notar que esse não é o foco central da história, quando se trata de personagens femininas geralmente se costuma associá-la o seu par como algo romântico, mas esse não é o caso aqui, a relação dos dois é saudável e a amizade sempre vem em primeiro lugar.

“A Biblioteca Invisível é um sonho para os amantes de livros.”

– Barnes e Nobl

A relação de Irene com as personagens femininas na trama se desenvolve um pouco diferente do que os personagens masculinos. Vemos inicialmente o recurso da rivalidade feminina colocada na história, quando Irene reencontra uma agente do seu passado, mas que acaba caminhando para uma mudança interessante na relação das duas ao longo da trama, quando os desentendimentos do passado são melhor traballhados.

A relação de Irene com a sua mentora Cordélia também é baseada na ideia de mestre e aprendiz. E essa é provavelmente o maior apoio que Irene recebe na trama.

Trama inclusive, cheia de reviravoltas e ação que deixam a leitora focada na história e no que Irene fará a seguir.

No geral, o primeiro livro é ótimo e traz uma trama interessante e envolvente. Temos um pequeno vislumbre do que a “Linguagem” é capaz de fazer e conhecemos um pouco do funcionamento da “Biblioteca” e o livro deixa pontas soltas para a continuação da saga no segundo livro A Cidade das Máscaras.

A Cidade das Máscaras

Biblioteca Invisível

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No segundo volume A Cidade das Máscaras a história evolui consideravelmente, assim como o desenvolvimento dos personagens e suas motivações. Se no primeiro volume Irene deve cumprir sua missão, custe o que custar, nessa segunda parte ela se vê forçada a tomar suas próprias decisões e até desacatar as autoridades da Biblioteca para resgatar o seu amigo Kai, que foi sequestrado e levado para um mundo de intenso caos. Tudo isso sem receber ajuda de ninguém. Dando ainda mais espaço para o protagonismos da moça.

Nessa segunda parte conseguimos entender mais sobre o funcionamento do caos e dos feéricos, entidades mágicas que frequentam os mundos que Irene visita e que possuem papéis importantes na trama.

Também sabemos um pouco mais sobre o universo dos Dragões e a ordem que se opõe ao caos dos féericos. Entendemos, também, como funcionam os jogos de poder dessas criaturas mágicas e a possibilidade de uma guerra entre eles. Também sabemos como funcionam as viagens entre mundos dessa criaturas, que viajam de maneira diferente dos Bibliotecários. O cenário de uma Veneza alternativa também é o destaque da trama que resgata a essencia da Ópera e bailes de máscara.

“Vi este livro ser comparado a Doctor Who, mas tenho certeza de que será comparado a Harry Potter.”

– Bastian’s Book Review

A Cidade das Máscaras consegue ser mais envolvente que o primeiro livro, pois também nos dá uma mostra do que a Linguagem é capaz de fazer, moldando mentes e materiais apenas com as palavras de Irene. A mudança de cenário de Londres para Veneza também é bem-vinda, ao desviar o foco das histórias de detetive e colocar o protagonismo de Irene em evidência, deixando ela mais livre para tomar as suas decisões. A autora também retira a rivalidade feminina do foco da trama, que incomodou no primeiro livro, e apresenta outras personagens femininas interessantes, que colaboram com a protagonista.

Também é bom destacar um Bônus no final do livro com os segredos da Biblioteca, que são úteis para a leitora saber mais sobre a organização mais importante da trama.

A Página em Chamas

Biblioteca Invisível

No terceiro livro A Página em Chamas já temos os personagens que conhecemos nas tramas anteriores consolidados. Irene, Kai e o detetive Valle tem uma rotina e a Biblioteca já tem as suas possibilidades claras para a leitora, além do principal vilão Alberich estar mais presente do que nunca na história.

A ação está presente do começo ao fim do livro e as suposições do primeiro livro são deixadas de lado para dar lugar a uma série de acontecimentos que não dão tempo para a leitora tomar folêgo. A cada capítulo uma sucessão de acontecimentos sobrepôe rapidamente os anteriores. Levando a uma conclusão que vai custar caro demais para Irene e a própria Biblioteca.

A relação de Irene com os personagens masculinos parece se desenhar em um triângulo amoroso entre ela, Valle e Kai, mas tudo fica no campo do desejo dos personagens e pouca coisa fica clara. As relações de amizade feminina também estão melhor desenvolvidas e o que antes se desenhava como rivalidade assume uma forma de cooperação interessante. Além dos laços que são criados entre as personagens.

As viagens entre mundos pela Biblioteca e o uso da Linguagem continuam sendo um ponto forte dessa história, e as várias possibilidades de narrativas que isso possibilita. Porém, a autora continua focando no eixo “Europa” quando embarca os seus personagens em suas missões por outros mundos alternativos.

Uma novidade nesse livro é uso da magia, que acabou não sendo demonstrado nos outros livros, mas nesse desempenha um papel importante. Assim como os novos agentes da Biblioteca que são apresentados a leitora. Finalmente vemos como eles intereagem entre si antes de pegarem uma missão ou quando estão em grupo.

O desenrolar da história dessa vez é mais rápido e sem espaço para grandes surpresas narrativas, como se tudo se encaminhasse para um final onde Irene se vê obrigada a escolher entre o que ela acredita e o futuro Biblioteca. Em um confronto em que ela ficará dividida entre confiar em alguém próximo que a traiu para tentar salvar os universos paralelos e a própria Biblioteca.

Os três primeiros livros do universo da Biblioteca Invisível colocam o protagonismo de Irene como algo que ela teve que conquistar, passando de uma Bibliotecária Júnior para alguém capaz de resgatar dragões e lutar sozinha contra inimigos mais fortes do que ela, além de mostrar uma evolução clara da personagem. Nesse terceiro volume tudo isso é posto a prova e a protagonista continua crescendo na história.

A autora Genevieve Cogman tem mais dois livros que dão continuidade as aventuras de Irene pelas realidades paralelas e dão fim a saga. Vamos aguardar o lançamento por aqui!

Sobre a autora

Biblioteca Invisível

Genevieve Cogman é uma escritora britânica, fã de autores como Tolkien e de livros como Sherlock Holmes. Antes de lançar A Biblioteca Invisível, o seu  primeiro livro, trabalhou como escritora freelance de RPG, tendo escrito para RPGs como: “White Wolf Publishing: Hearts, Swords and Flowers: The Art of Shoujoe” e “Dresden Files RPG” da Evil Hat Productions. Ela também tem mestrado em Estatística Aplicada à Medicina. Atualmente, além de escritora freelance, também trabalha como Especialista em Classificação Clínica. Ao todo ela planeja lançar oito livros para a saga da Biblioteca.


Biblioteca InvisívelA Biblioteca Invisível – Vol. 1

Genevieve Cogman

Editora Morro Branco

368 páginas

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Biblioteca InvisívelA Cidade das Máscaras – Vol. 2

Genevieve Cogman

Editora Morro Branco

400 páginas

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Biblioteca InvisívelA Página em Chamas – Vol. 3

Genevieve Cogman

Editora Morro Branco

416 páginas

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Formada em artes visuais e apaixonada por arte, música, livros e HQs. Atualmente pesquisa sobre mulheres negras no rock. Seu site é o Sopa Alternativa.
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