Linda Linda Linda: uma história que cresce com amizade e música

Linda Linda Linda: uma história que cresce com amizade e música

Você já ouviu falar do filme Linda Linda Linda? O cinema mundial está lotado de vários clássicos dos anos 2000 que falam sobre amizade na adolescência, então que tal sair um pouco do eixo hollywoodiano e ir além? Vem conhecer sobre esse sucesso japonês!

O longa lançado em 2005 é dirigido por Nobuhiro Yamashita, já famoso em sua terra natal por seus filmes coming of age. E o título é esse mesmo! Linda Linda Linda foi nomeado por conta da música homônima, da banda Blue Hearts, um sucesso j-punk na década de 1980. A canção é o ponto principal que une as protagonistas da história, que naquele momento só queriam tocar no festival de rock da escola. 

Amizade feminina e música no filme japonês "Linda Linda Linda" (2005)
Cena do filme “Linda Linda Linda” | Reprodução

Linda Linda Linda: em busca de um sonho

A trama se passa em apenas três dias – o tempo que falta para o festival acontecer – e segue as amigas Kei (Yû Kashii), Kyoko (Aki Maeda) e Nozomi (Shiori Sekine) em busca de uma vocalista para sua banda. É então que elas encontram Son (Bae Doona), a estudante coreana de intercâmbio da escola. Em seguida, as amigas passam a ensinar Son a cantar em japonês, enquanto aprendem a tocar as músicas da apresentação em seus instrumentos: Kei na guitarra, Kyoko na bateria e Nozomi no baixo.

As meninas sonham em tocar com a banda, e com o tempo, o espectador entende a relação de cada uma delas com os seus instrumentos e de onde vem a paixão pela música. Cada personagem é um próprio mundo cheio de angústias, indecisões e vontade de alcançar seus objetivos, e o desejo de tocar e o amor pela música as une de forma transformadora.

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Son não possui uma relação tão próxima assim com a música, e é aqui que os dois aspectos mais importantes da história se unem em uma coisa só: ao passar três dias inteiros com as meninas, ela descobre o poder da união e da arte. Não só ganhar a competição, mas também compartilhar segredos, sonhos e momentos divertidos se torna uma parte importante daquilo tudo. 

Crescer não é fácil

Cena do filme "Linda Linda Linda" (2005)
Cena do filme “Linda Linda Linda” | Reprodução

O filme aborda diversas questões de crescimento e autoconhecimento. Vai além de temas superficiais e consegue sintetizar em um curto espaço de tempo todas as angústias e impulsos que rodeiam a adolescência. Amores não correspondidos, problemas familiares e dificuldade para se encaixar na sociedade estão presentes ao longo da trama, de uma forma tão sutil quanto o próprio passar do tempo. 

São esses detalhes que fazem de Linda Linda Linda uma grande narrativa de amadurecimento, ainda que não foque diretamente no crescimento em si. Em cada personagem encontramos singularidades. Fica visível, portanto, que são histórias que existem fora do eixo principal do roteiro. E, assim como é na vida real, com as amizades e conexões que vão se formando, alguns pontos ficam mais claros, mesmo que nada seja explicado no final.

O que torna essa história ainda mais interessante são os plots que vão acontecendo no decorrer do filme, sem uma grande explicação. É como se quem assiste também está vivendo aquele momento, experienciando uma semana atípica no colégio, sem saber o que vai acontecer depois que tudo acabar.

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O ex namorado mais velho, a menina que já não é mais amiga, aquela nota baixa…é tudo tão trivial mas ao mesmo tempo tão grandioso na adolescência, e está tudo presente no longa. Por isso, ensaiar na sala de música depois do horário permitido, passear pela cidade ou sair de casa escondidas são grandes aventuras para aquelas quatro meninas que só querem fazer música e ganhar das bandas masculinas com quem irão competir. 

Cena do filme "Linda Linda Linda"
Cena do filme “Linda Linda Linda” | Reprodução

À medida em que aprendem a tocar as músicas do repertório, a conexão entre elas aumenta. O filme apresenta uma espécie de amizade que cresce e se fortalece na arte. Linda Linda Linda ensina e surpreende, sem deixar de ser leve e fluido.

Sabe aquele filme que é aconchegante? Que tem o poder de te deixar vidrada na tela e ansiar por mais quando acaba? Essa é sensação que a obra transmite. Terminamos o filme querendo explorar mais aquele pequeno universo do ensino médio japonês e da vida de cada uma das protagonistas.

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Baiana, graduanda em Jornalismo pela UFSJ. Apaixonada por cinema, exploradora de gêneros musicais esquisitos e leitora de clássicos russos nas horas vagas.
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