All Too Well (Taylor’s Version) e o seu renascimento glorioso

All Too Well (Taylor’s Version) e o seu renascimento glorioso

Lançada originalmente em 2012, All Too Well ganhou uma versão estendida em novembro de 2021, como faixa do álbum Red (Taylor’s Version). A canção se tornou a música mais longa a alcançar o número 1 da Billboard Hot 100. Antes, o posto era ocupado por American Pie (1971), do cantor estadunidense Don McLean, que permaneceu no topo do chart por quatro semanas em 1972. 

Um ano após o relançamento de seu quarto álbum, All Too Well (Taylor’s Version) rendeu à cantora uma indicação na categoria “Música do Ano” no Grammy Awards 2023. Sobre a nomeação para a premiação, Swift declarou no Instagram:

“Tantas razões para perder a cabeça hoje, mas… ‘All Too Well’ é a música da qual mais me orgulho, de tudo que escrevi. O fato de ser indicada para Música do Ano no Grammy, um prêmio que nunca ganhei, que homenageia a composição… É importante e surreal.

Acabei de falar ao telefone com Liz Rose, minha coautora de ATW, e relembrei como começamos a compor juntas quando eu tinha 14 anos. Ela acreditou em mim na época e estamos sendo nomeadas juntas agora. É tão fofo que não aguento.

Quero divagar sobre a magia e o mistério do tempo e do destino em recuperar minha arte, mas, em vez disso, acho que vou gritar por dez minutos seguidos. E pensar em como isso não teria acontecido sem vocês.”

Reação de Taylor Swift à nomeação de All Too Well (Taylor’s Version) para o Grammy 2023 | Foto: Reprodução / Instagram

Entre os indicados na mesma categoria, estão: abcdefu (Gayle), About Damn Time (Lizzo), As It Was (Harry Styles), Bad Habit (Steve Lacy), Break my Soul (Beyoncé), Easy On Me (Adele), GOD DID (DJ Khaled Featuring Rick Ross, Lil Wayne, Jay-Z, John Legend & Fridayy), The Heart Part 5 (Kendrick Lamar) e Just Like That (Bonnie Raitt).

Swift também foi indicada em outras categorias da mesma premiação: “Melhor Música Country”, por I Bet You Think About Me, “Melhor Música Escrita Para Mídia Visual”, por Carolina, “Produtor do ano, não-clássico”, por All Too Well – 10 Minutes Version, e “Melhor Videoclipe”, por All Too Well: The Short Film.

A cerimônia do Grammy acontecerá no dia 5 de fevereiro de 2023, com transmissão do canal oficial da premiação no YouTube e pelo canal TNT.

All Too Well (Taylor’s Version) é sobre a confusão de sentimentos de um relacionamento passado

Apesar das diferenças de duração da primeira versão da canção, a versão estendida e o curta metragem que dá vida aos versos de Taylor (5, 10 e 14 minutos, respectivamente), a perspectiva sobre um relacionamento passado continua a mesma.

A canção fala sobre um romance desigual, com ações e reações desproporcionais entre o casal. Ela se doa inteiramente à relação, se preocupa com seu amado e gosta de demonstrar sua paixão. Já ele, prefere não demonstrar carinho publicamente, passar o tempo com os amigos, e deixá-la de lado quando estão na companhia de outras pessoas. Quando a moça finalmente externa toda a frustração de ser renegada pelo namorado, ele prefere praticar uma espécie de gaslighting, agindo como se toda a raiva dela fosse exagero e não passasse de delírio.

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All Too Well relembra momentos de algo que significou muito para Taylor. Por outro lado, para seu amado da época, não passou de uma fase. Segundo a narrativa, as marcas emocionais que renderam uma música de 10 minutos, não foram o suficiente para ele. São atitudes aparentemente insignificantes que são capazes de marcar permanentemente o outro. Atos impensados que viram traumas e provocam mudanças de comportamento que tornam impossível a realização do desejo de voltar a ser o que era antes.

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Taylor Swift em "All Too Well: The Short FIlm"
Taylor Swift em “All Too Well: The Short FIlm” | Foto: Reprodução / YouTube

A canção também aborda a frieza de quem não dá importância para a sensibilidade, do ponto de vista de quem precisa do seu carinho. Tal desprezo pelo lado emotivo de um relacionamento acarreta no fim de um romance que, segundo a protagonista da história, tinha tudo para dar certo. 

Um dos motivos para tantas pessoas se identificarem com uma canção tão forte e melancólica é a definição dos sentimentos que precedem e sucedem uma paixão. Descrever como é doloroso se apaixonar e assistir o relacionamento acabar apenas pela falta de esforço e compreensão do outro é um certo conforto para quem passa ou já passou por situações do gênero. 

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Amor, tristeza e raiva são sentimentos comuns e que podem sim coexistir. É normal sentir nostalgia pelos momentos bons que viveu com alguém e sentir falta daquele amor que parecia não caber no peito. Também é natural se sentir triste por esse sentimento mágico ter se findado, bem como a raiva por tudo ter acabado por conta da falta de dedicação de quem lhe causava borboletas no estômago.

A capacidade criativa de Taylor Swift impressiona desde seu primeiro álbum. A cantora demonstra habilidades para conversar com o público e fazê-lo sentir-se representado em sem ser agressiva quanto a momentos sensíveis da vida. As metáforas bem pensadas e descrição de situações românticas usuais a diferenciam de outros artistas pela compreensão dos momentos mais vulneráveis de uma vida amorosa.

Relançamentos e a luta na justiça pelos direitos das composições

A batalha de Taylor Swift pelos direitos sobre suas composições teve início em junho de 2019. Tudo começou quando a Big Machine Records, gravadora cujo contrato Swift manteve até 2018, foi vendida para o empresário Scooter Braun. Desde a efetivação da venda, os direitos dos seis primeiros álbuns de Taylor pertencem a Braun, já que anteriormente pertenciam à gravadora. 

Swift tentou, sem sucesso, recuperar o acesso aos lucros relativos às suas primeiras obras, e afirma que não foi avisada sobre as negociações envolvendo seu trabalho. Decidiu, então, deixar a Big Machine e assinar um contrato com a Universal Music em 2018, gravadora pela qual lançou o álbum Lover no ano seguinte.

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Taylor Swift assina contrato com a Universal Music
Taylor Swift assinando seu contrato com a Universal Music | Foto: Reprodução / Instagram

Em abril de 2021, Swift começou o processo de regravação e relançamento de seus primeiros trabalhos, agora com a marca (Taylor’s Version). A estreia das novas versões foi Fearless, originalmente lançado em novembro de 2008.

Durante a guerra fria entre Taylor e Scooter, grandes nomes tomaram o partido da cantora nas redes sociais. Nomes como Selena Gomez, Halsey, Iggy Azalea, Camila Cabello, Brendon Urie, Cara Delevingne, Alessia Cara, Este Haim, Martha Hunt e Todrick Hall defenderam Taylor publicamente. Alguns famosos como Justin Bieber, Demi Lovato e Sia se manifestaram a favor de Scooter Braun.

Cara Delevigne apoia Taylor Swift
Comentário de Cara Delevigne defendendo Taylor Swift | Foto: Reprodução / Instagram

O ressurgimento gracioso do coração partido

Em meio às batalhas judiciais e tentativas de reconquistar seus direitos, Taylor lança a versão estendida de All Too Well em novembro de 2021. Junto à canção, Swift apresenta um videoclipe estrelado por Sadie Sink e Dylan O’Brien, intitulado All Too Well: The Short Film”.

A história do declínio de um relacionamento segue os versos escritos por Swift. A narrativa aborda uma menina jovem que se relaciona com um homem mais velho, vive uma relação de altos e baixos e acaba se decepcionando. Ao final do curta, a protagonista escreve um livro sobre o romance, tornando-se uma escritora de sucesso.

Existem paralelos entre a ficção e a história da compositora com Jake Gyllenhaal (apesar de o ator negar que a canção tenha algo a ver com ele). Entre os pontos que remetem ao relacionamento com o astro de Hollywood, estão a semelhança na caracterização de Dylan com traços de Jake, a diferença de idade dos protagonistas e o fato de ele estar sempre cercado por pessoas mais velhas e frequentar festas com personalidades famosas.

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All Too Well: The Short Film
Capa de divulgação de “All Too Well: The Short Film” | Foto: Reprodução

O curta foi escrito e dirigido por Taylor, que provou que sua dedicação continua trazendo resultados impressionantes, independentemente da história já ser conhecida pelo público. Em entrevista para a Variety, da disse estar orgulhosa pois sabe que esse o fato de ser uma situação difícil de ser contada, faz dela uma boa história.

De fato, a narrativa comprovou a fala de Taylor, já que, além da aclamação da crítica, venceu as categorias “Vídeo do Ano”, “Melhor Vídeo de Longa Duração” e “Melhor Direção” no Video Music Awards 2022. Com as novas indicações, Swift precisa abrir espaço nas prateleiras para os novos prêmios que com certeza chegarão logo.

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Uma quase jornalista apaixonada por música, literatura e cinema. Seus maiores hobbies são criar playlists para personagens fictícios e falar sobre Taylor Swift nas redes sociais.
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