Protagonistas nos bastidores: mulheres na história dos games, ontem e hoje

Protagonistas nos bastidores: mulheres na história dos games, ontem e hoje

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O Dia Internacional da Mulher é uma data histórica de luta, questionamento e crítica ao patriarcado e à forma como as mulheres são tratadas e representadas no mundo, mas também é um momento importante para enaltecer quem tem marcado a história em diversas áreas de atuação, principalmente aquelas que sempre foram consideradas território masculino.

O universo gamer, assim como outros setores do mercado de entretenimento, foi dominado por homens durante muito tempo. Apesar do cenário estar evoluindo, a maioria dos responsáveis por desenvolver jogos era formada por homens e, da mesma forma, os jogos produzidos eram destinados a um público consumidor composto majoritariamente por meninos. No entanto, lá na década de 80 algumas mulheres já lutavam por mais espaço e oportunidades e mandavam muito bem! Neste especial você confere algumas mulheres que mudaram a história dos games lá no início, quando tudo ainda era mato, criando jogos e até empresas de grande sucesso e servindo de inspiração para as mulheres gamers de hoje.

história dos games

Carol Shaw

Formada em Ciência da Computação pela Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, Carol Shaw é, apenas, a primeira mulher desenvolvedora de jogos do mundo. Contratada pela Atari em 1978, ela criou e programou o clássico jogo da velha 3D Tic-Tac-Toe para o Atari 2600. Em 1980 Shaw deixou a Atari e passou a trabalhar para a Activision, onde foi a programadora responsável pelo jogo River Raid (1982), seu trabalho de maior sucesso. Aliás, River Raid é um clássico de seu tempo tanto pelo recorde de vendas, com 1 milhão de cópias vendidas, como pela inovação: diferente de outros jogos de tiro da época, a aeronave controlada pelo jogador se movia verticalmente ao longo do rio, era possível controlar a sua velocidade e os alvos tinham comportamentos e movimentos aleatórios. Parece pouco hoje, mas em 1982 era um feito incrível, então devemos muito a Carol Shaw por mostrar ao mundo como fazer um jogo de sucesso.

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Dona Bailey

A carreira de Dona Bailey começou na General Motors, onde trabalhava como programadora e também onde se interessou por Space Invaders e pelo universo dos fliperamas. Para pôr os holofotes em sua direção, bastaria dizer que Bailey foi a única programadora de jogos trabalhando na Atari em 1980 após a saída de Carol Shaw, mas ela foi além e fez por merecer a atenção do mundo ao se tornar uma das criadoras de Centipede, um grande sucesso dos fliperamas lançado em 1981. O jogo que consistia em eliminar a centopeia e outros insetos, pontuando a cada round, foi aclamado pela crítica e pelos jogadores, mas também se tornou um marco por construir uma fã-base feminina muito significativa para a época. Dona Bailey deixou a Atari em 1982 e mais tarde se afastou do cenário devido ao machismo intenso na área, mas reapareceu em 2007 na Women in Games International Conference para compartilhar suas experiências enquanto programadora, e hoje é uma das maiores incentivadoras das mulheres na indústria de jogos eletrônicos.

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Anne Westfall

Além de programadora de jogos, Anne Westfall foi uma das fundadoras da Free Fall Associates, hoje conhecida por Free Fall Games, a primeira desenvolvedora independente a ser comprada pela Activision. Foi também a programadora responsável pelos clássicos e premiados Archon: The Light and the Dark (1983) e Archon II: Adept (1984). Além de inovador, por misturar conceitos e estratégias do jogo de xadrez com a ação de uma luta entre dois oponentes, Archon foi um dos 5 primeiros jogos publicados pela Eletronic Arts, que também publicou o segundo título. Anne Westfall fez a diferença fora da programação também, ao fazer parte do conselho administrativo da Game Developers Conference durante alguns anos.

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Roberta Wiliams

Ela é, basicamente, uma das mais importantes desenvolvedoras e designers de jogos da história. Uma das fundadoras da On-Line Sistemas (1980), que mais tarde veio a se tornar a Sierra. Roberta Williams é conhecida como a criadora e um dos maiores nomes do gênero aventura gráfica, que utiliza um gráfico ou imagem estática para criar um ambiente no qual a jogabilidade pode acontecer de diversas formas. Os maiores títulos de sua carreira são Mystery House (1980), o primeiro jogo de aventura gráfica, a série King’s Quest, lançada em 1984 e que inovou ao trazer um mundo imenso para ser explorado pelos jogadores, e Phantasmagoria (1995), o primeiro jogo de sua carreira desenvolvido com a tecnologia full-motion vídeo, uma grande inovação para a época. Além de tudo isso, Roberta Williams foi diversas vezes premiada, reconhecida ao longo de sua carreira como uma das pessoas mais influentes da indústria de games e tem mais de 30 títulos creditados em seu nome. É praticamente a dona da indústria toda…

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Brenda Laurel

Brenda Laurel já trabalhou na Atari, lá na década de 80, na área de pesquisa e estratégia de software e pode-se afirmar que pesquisa é seu sobrenome: ela é considerada pioneira e uma das vozes mais importantes na pesquisa e desenvolvimento de realidade virtual, marcada pelos estudos em teoria da interatividade, e também na inclusão e desenvolvimento de jogos para meninas. Inclusive, Brenda Laurel é co-fundadora da Purple Moon (1996), a primeira companhia norte-americana especializada em desenvolvimento de jogos para meninas entre 8 e 14 anos. Os jogos de sua desenvolvedora são mais focados em escolhas da vida real ou do dia-a-dia e menos na customização dos personagens, sempre pensando nas preferências de seu público alvo, formado por jovens meninas. A Purple Moon teve duas grandes séries de jogos, Rocket e Secret Path, sendo que esta última foi comprada pela Mattel em 1999. Além disso, Laurel também é consultora de grandes companhias, como a Sony e a Apple, é pesquisadora, professora em universidades norte-americanas, defensora da diversidade e inclusão de minorias em videogames… Talentosa e consciente, é um mulherão pra gente se orgulhar sempre.

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Jane Jensen

Jane Jensen é formada em Ciências da Computação pela Universidade de Anderson, nos Estados Unidos, e enquanto trabalhava nos Serviços de Criação da Sierra foi a designer responsável pelo clássico King’s Quest IV, em parceria com Roberta Williams, e por Gabriel Knight: Sins of the Fathers, seu primeiro jogo solo (1993). Além de duas sequências, The Beast Within: A Gabriel Knight Mystery (1995) e Gabriel Knight 3: Blood of the Sacred, Blood of the Damned (1999), Jane Jensen também escreveu dois romances baseados no primeiro jogo. Co-fundadora da Oberon Media, Jensen revolucionou e moldou a forma como a narrativa dos jogos de aventura era criada na década de 90, tornando jogos casuais mais interessantes e envolventes, com puzzles mais complexos e histórias mais sofisticadas. Também é uma das fundadoras da Pinkerton Road, estúdio responsável por Moebius: Empire Rising e Gabriel Knight 20th Anniversary Edition, ambos com sua assinatura na criação, design e roteiro.

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Amy Briggs

Ela foi game tester na finada Infocom e também a primeira criadora de um jogo de aventura em texto desenvolvido para meninas, o Plundered Hearts. Lançado para computadores em 1987, foi o único jogo dentro do gênero romance produzido pela desenvolvedora. Amy Briggs se formou em Letras com especialização em Literatura Inglesa, o que a levou a escrever também o roteiro do jogo e a criar seus personagens. Inclusive, ela fez questão de escolher uma personagem feminina para ser a protagonista, enquanto os demais personagens da desenvolvedora eram homens ou não tinham gênero definido. Mais tarde Briggs escreveu e editou também outros jogos, como Gamma Force in Pit of a Thousand Screams (1988), e participou da concepção da série Zork Zero (1988).

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Estas são algumas mulheres que ficarão eternizadas na história da indústria de games porque deram o pontapé inicial no desenvolvimento de jogos, além de jogar luz na questão da representatividade feminina em um setor que, por tanto tempo, excluiu meninas e mulheres. Elas abriram portas para que muitas mulheres incríveis fizessem a diferença hoje, ocupando cargos de destaque não apenas desenvolvendo e programando, mas dirigindo e fundando grandes desenvolvedoras e publicadoras de jogos, escrevendo roteiros, compondo músicas, criando artes ou emprestando a voz para personagens e protagonistas femininas. E a atualidade do cenário gamer você confere na segunda parte do nosso especial! Até mais!

>> Leia aqui a Parte 2!


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No momento gamer casual. Em tempo (quase) integral Comunicadora, Relações Públicas e Pesquisadora. Pisciana e sonhadora, meio louca dos signos, meio louca dos gatos. Fã de tecnologia, games, e-sports e outras nerdices.
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