Obsessão: suspense, protagonismo feminino e relações tóxicas

Obsessão: suspense, protagonismo feminino e relações tóxicas

Às vezes, quando perdemos as pessoas que amamos, tentamos encontrar algo ou alguém que possa substitui-las; às vezes isso pode não ser uma boa ideia.

“Obsessão” (Greta), filme de 2018 que estreou nos cinemas nacionais dia 13 de junho desse ano, é dirigido por Neil Jordan, escrito por ele e por Ray Wright, estrelando Chlöe Grace Moretz, Isabelle Huppert e Maika Monroe. Fomos conferir o filme no cinema Petra Belas Artes, nosso parceiro, e deixamos a seguir nossas impressões. O texto a seguir não contém spoilers.

Frances McCullen (Chlöe Grace Moretz) acabou de se mudar para Manhattan para viver com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Frances, que perdeu a mãe há pouco tempo, agora trabalha e tenta levar a vida. Ao encontrar uma bolsa perdida no metrô, resolve devolvê-la, e conhece Greta Hideg (Isabelle Huppert), uma mulher solitária que diz estar tentando lidar com a morte do marido e a vida sem a filha, que mora em Paris. Mas Greta não é o que parece e Frances se encontra em perigo quando aceita essa relação em sua vida.

Obsessão
Frances McCullen (Chlöe Grace Moretz) e Greta Hideg (Isabelle Huppert) em cena de “Obsessão” (Imagem: divulgação)

Com um elenco e cenas majoritariamente femininas, conhecemos personalidades, escolhas e opiniões diferentes de mulheres que são visivelmente distantes uma das outras, mas que se relacionam, se ajudam e se desentendem.

A trama toda gira em torno de problemas humanos e não femininos, como costuma acontecer quando estamos falando de um filme com uma maioria de mulheres como protagonistas. Uma garota que perdeu a mãe encontra em uma estranha uma figura materna e uma amiga preocupada com a situação em que essa garota se meteu. Não estamos falando de términos de relacionamentos, homens, intrigas femininas ou competição o tempo todo, estamos falando de uma trama que não apela para esse tipo de estereótipo para manter a narrativa.

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Obsessão” também é bastante objetivo: estamos focadas no relacionamento de Greta e Frances e poucas coisas são mostradas além disso, somente o relacionamento conturbado de Frances com o pai, de certa forma importante para o desenrolar da história; mesmo que não tenhamos outros tantos detalhes, o que nos é mostrado é suficiente para conhecermos e compreendermos as personalidades daquelas três personagens. Frances é uma garota que perdeu alguém que amava e tem dificuldade de seguir em frente; Greta tem problemas e usa de um discurso bastante tóxico para que as pessoas não a abandonem mais; e Erica é uma mulher mimada, porém bastante independente do julgamento alheio.

Obsessão
Erica Penn (Maika Monroe) e Frances McCullen (Chlöe Grace Moretz) em cena de “Obsessão” (Imagem: divulgação)

Obsessão” é um filme sucinto, com uma hora e meia de duração que não percebemos passar, intrigante, que nos faz não quer tirar a concentração do que está acontecendo ali na tela, e nos faz imergir na história. O desfecho foi algo que surpreendeu muito positivamente também. Imaginamos que ninguém esperava que aqueles minutos finais fossem daquele jeito e é uma grata surpresa a quebra de expectativa do espectador da forma como acontece. É um filme bastante simples, realmente, mas muito bacana, cumpre bem o que promete, tem cenas e situações interessantes e vale a pena ser visto.

O filme ainda está em cartaz nos cinemas. Você pode assistir o trailer abaixo:


Edição realizada por Gabriela Prado.

Escrito por:

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler tomando um café quentinho.
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