Os Últimos Românticos do Mundo: uma distopia queer sobre o fim do mundo

Os Últimos Românticos do Mundo: uma distopia queer sobre o fim do mundo

Com cenas rodadas em Recife, Jaboatão dos Guararapes e em Bonito, interior de Pernambuco, o curta-metragem “Os Últimos Românticos do Mundo” é uma fábula queer futurista que propõe, através da distopia, uma nova perspectiva de futuro diante do caos provocado pelo fim do mundo que se aproxima. Uma nuvem cor de rosa é o fenômeno natural causador desse prenúncio apocalíptico. Assim, o filme é todo elaborado com tonalidade rósea, que pode ser percebida não apenas no figurino das personagens, na direção de arte, como também nos filtros usados para dar um relevo oitentista às cenas estilizadas.

Talvez ‘Os Últimos Românticos do Mundo’ seja o filme que eu gostaria de ter visto, bem mais novo, na Sessão da Tarde: uma história de amor, em meio ao fim do mundo, mas com personagens LGBTQ+”, comenta o diretor e roteirista Henrique Arruda. Com inúmeras referências que vão de jogos de videogame e filmes de ficção científica a clipes musicais de grandes nomes da cena pop mundial, associado ao tecnobrega brasileiro e à linguagem televisiva, o curta é uma grande ode ao amor e à possibilidade de se reinventar quando o mundo diz que é o fim. A montagem assinada por Sylara Silvério cadencia as imagens num ritmo que proporciona a surpresa do desfecho de forma orgânica e delicada como a proposta do filme sugere.

Cena do filme “Os últimos românticos do mundo”
Cena do filme “Os Últimos Românticos do Mundo”. (Foto: Barbara Hostin/divulgação)

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O trabalho de som resgata, no uso de sintetizadores, uma homenagem aos sci-fii americanos. A trilha sonora, que cria verdadeiras releituras de vídeo-clipes consagrados, é um deleite visual e narrativo, já que está totalmente a serviço do argumento do filme, que é protagonizado por uma astro da cena musical do universo criado pelo filme.

Longas estradas desertas, lagos acidentados e cabarés futuristas compõem o conjunto de cenários que emulam uma distopia com inspirações no neon realista com ares pós-modernos. Os carismáticos protagonistas Pedro e Miguel, interpretados respectivamente por Carlos Eduardo Ferraz e Mateus Maia, convocam os espectadores a serem felizes e usarem o amor como uma arma em tempos difíceis.

Ao final da projeção, o filme exibido na Mostra Panorama, da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, foi ovacionado pela plateia nitidamente emocionada. Que feliz e fortuito que agora haja esse filme para inspirar os jovens LGBTQ+ desejosos por se verem com uma representação positiva nas telas. “Os Últimos Românticos do Mundo” é um filme arejado, despojado, otimista e disruptivo. Para a nossa sorte, já temos um “San Junipero” para chamar de nosso.

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Aquariana, mora no Rio de Janeiro, graduada em Ciências Sociais e em Direito, com mestrado em Sociologia e Antropologia pelo PPGSA/UFRJ, curadora do Cineclube Delas, colaboradora do Podcast Feito por Elas, integrante da #partidA e das Elviras - Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema. Obcecada por filmes e livros, ainda consegue ver séries de TV e peças teatrais nas horas vagas.
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