Big Little Lies – 1ª temporada: 7 razões para ver a adaptação!

Big Little Lies – 1ª temporada: 7 razões para ver a adaptação!

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No dia 02 de Abril chegou ao fim a série de 7 episódios transmitida pela HBO, inspirada no livro de Liane Moriarty, Pequenas Grandes Mentiras (Big Little Lies, no original), com resenha no site. E aqui estão os motivos pelos quais quem leu ou não o livro deve assistir a esta série, que narra a trajetória de mulheres em conflitos individuais e coletivos e uma morte misteriosa durante um evento escolar.

Big Little Lies

AVISO: NÃO CONTÉM SPOILERS

1. A violência contra a mulher como causa da união feminina

Da mesma forma que o livro no qual se baseia, a série conta a história de três mulheres que se tornam amigas em decorrência da experiência escolar de seus filhos. Unidas pelo acaso, Jane (Shailene Woodley), Madeline (Reese Whiterspoon) e Celeste (Nicole Kidman) se aproximam quando Ziggy (Iain Armitage), o filho de Jane, é acusado de agredir a pequena Amabella (Ivy George). O relacionamento entre as crianças inicia a discussão dos efeitos da violência contra a mulher na sociedade contemporânea e nas gerações futuras, de forma a unir as três protagonistas e seus conflitos individuais, os quais também podem ser considerados coletivos, dado que são frutos de uma cultura inteira.

2. Mães e profissionais

Tanto a adaptação quanto o livro fazem um retrato da sociedade em que mulheres podem conciliar carreiras profissionais bem-sucedidas, vida sexual e maternidade, embora ainda sejam julgadas por um estereótipo, como é o caso da poderosa Renata (Laura Dern), que é abalada com as agressões sofridas pela filha Amabella. Diante da acusação da filha, reúne seus próprios aliados em um conflito que se torna cada vez mais pessoal, mas sem ignorar outros fatores de sua vida, os quais não são muito abordados no livro.

Big Little Lies

3. Leveza e comicidade

Por se passar no jardim de infância – no livro, a história se passa no primeiro ano das crianças – a história apresenta problemas graves através de uma abordagem mais leve e relativamente cômica em determinados instantes, o que não exclui a seriedade dos problemas que aborda.

4. Problemática relevante, apesar do caráter leve

Do mesmo modo que no livro de Liane Moriarty, Big Little Lies fala, sobretudo, sobre o relacionamento de mulheres com uma sociedade em que a violência e o machismo ainda se encontram em números altos. A essência da história, concentrada em um caso de estupro, uma disputa familiar após o abandono do marido e um cenário de violência doméstica, ainda permanece ali, e ao redor destes fatos orbitam a vida de mulheres reais, que tentam se desvincular dos traumas e conviver com outros homens e mulheres. As protagonistas não são retratadas conforme a idealização da maternidade, mas como mulheres capazes de amar, odiar, ajudar e trair, como qualquer ser humano, o que é importante diante de tantas obras que santificam ou demonizam as mulheres.

5. (Des)Construção de perfis

Se há um ponto positivo em “Big Little Lies” é o aprofundamento na construção dos personagens secundários e dos antagonistas. Assim como o livro, embora de forma mais visível, indica que não existe um perfil para o agressor e que este se esconde em indivíduos aparentemente incapazes de praticar quaisquer atos do gênero. O agressor se mostrará o melhor marido aos amigos, um amante ideal. Admitirá o erro, justificará como um impulso, concordará em buscar uma solução, mas continuará cometendo os mesmos atos contra a mulher. E a série se esforça em desconstruir a imagem do homem opressor.

Big Little Lies

6. Parte técnica e atuação

Ao sucesso do enredo que instiga pelo mistério e pela crítica a uma realidade, acrescenta-se uma fotografia muito boa, assim como uma trilha sonora bastante agradável, fatores também importantes em uma produção. Do mesmo modo, as interpretações, ainda que não magníficas na totalidade, conseguem reproduzir a intenção da história.

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7. Tem muito poder e apoio feminino

Ainda que parte da história se constitua em rivalidades femininas, as causas indiretas dessas rivalidades são as relações com os homens. E quando as personagens se conscientizam disto, elas encontram a companhia das outras. O final da série evidencia ainda mais que as mulheres podem e devem se apoiar apesar das diferenças.

Big Little Lies

Big Little Lies” não é uma adaptação extremamente fiel. Adiciona alguns fatos que talvez não fossem necessários, embora contribuam para a humanização dos personagens, e deixa de abordar outros bastante relevantes, como os problemas de Jane com o corpo ocasionados pela experiência de violência. Também suaviza algumas relações e recria outras. Todavia, é uma adaptação que consegue captar a essência da obra de que se origina e, do ponto de vista feminista, realiza uma abordagem relevante e necessária na indústria televisiva, através de uma história, por vezes engraçada, que ainda assim tem seus momentos de emoção e seriedade.


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Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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