[SÉRIES] Representatividade lésbica em Skins: Emily e Naomi

[SÉRIES] Representatividade lésbica em Skins: Emily e Naomi

Sabemos que a lesbianidade sempre foi desafiadora, pois mulheres lésbicas negam a presença masculina, o que  é uma afronta ao patriarcado. A importância de termos mulheres lésbicas sendo retratadas em filmes, séries, livros, jogos e em toda a cultura pop é urgente, pois a invisibilidade com a mulher lésbica sempre existiu. Dentre um mar de invisibilidade a diversas formas de amar e ser amada, encontramos Skins, uma série que consegue retratar o amor de duas mulheres lésbicas tal como é.

Skins é uma série britânica lançada em 2007 que arrebatou o coração de muita gente. Criada por Bryan Esley e por seu filho, Jamie Brittain, Skins estreou na rede britânica de TV E4 e logo passou a ser um sucesso, tanto de crítica como de audiência. Conseguindo abordar temas como: amor, drogas, suicídio, descobertas sexuais e mais mil coisas da vida, a série é considerada uma das melhores no quesito “retrato da realidade”, principalmente quando falamos da adolescência.

A série possui um diferencial, a cada duas temporadas, mudam-se os personagens, a história e toda a trama. Acompanhamos gerações, a 1ª geração é composta pela 1ª e 2ª temporada, a 2ª geração composta pela 3ª e 4ª temporada e a 3ª geração composta pela 5ª e 6ª temporada. Porém, o que todas as gerações têm em comum é que todas abordam assuntos relacionados à adolescência e sempre acompanhamos um grupo de adolescentes que estão lidando com seus dilemas pessoais. Além de mostrar sem melindres a vida desses adolescentes, a série dá um show retratando uma bagagem de diversidade. Viemos aqui hoje falar sobre a representatividade lésbica presente na 2ª geração de Skins, com (quem conhece já sabe) o casal Emily e Naomi.

Skins

 

EMILY E NAOMI

Emily é uma típica adolescente tímida que vive sob a sombra de sua irmã popular, Katie. Sempre vendo Katie sendo desejada por todos os caras, tendo mil amizades e sendo a típica queen, Emily é o oposto! E para piorar, elas são gêmeas e ambas vão estudar na mesma escola de ensino médio. Emily não se encaixa muito bem em sua nova escola e logo encontra uma conhecida do passado,  Naomi.

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Skins

[contém pequenos spoilers]

Naomi e Emily tiveram algum mal-entendido há poucos anos e no começo, Naomi não fica muito feliz em reencontrá-la. Logo nas primeiras oportunidades, Emily tenta se aproximar de Naomi e sentimos aquele climão no ar. Não demora muito para se apaixonarem e logo começarem a ter um relacionamento. Nesse tempo de assumir o relacionamento acompanhamos Emily lutando por sua sexualidade e afirmando para sua irmã, mãe e pai seu amor por outra mulher.

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O amor das duas protagonistas é mostrado naturalmente, sem aquele fetiche e sexualização que tanto encontramos em filmes lésbicos, mas que não retrata relacionamento lésbico. Observamos toda a descoberta amorosa e sexual que ambas vão desenvolvendo, seu entusiasmo em estarem lado a lado, suas dores relacionadas a uma família que possui preconceitos e até seus questionamentos sobre a vida e “quem sou eu?” Acompanhamos a etapa de “negação” (que muitas pessoas LGBT’s passam) da sexualidade, onde “I’m not gay” é dito firmemente, para depois, ser assumida a própria orientação sexual. Ou seja, encontramos duas mulheres adolescentes que estão descobrindo o amor por outras mulheres na adolescência!

Skins

Em diversos filmes LGBT’s, mulheres lésbicas são retratadas com ainda mais fetiche que o normal, ou então encontramos o velho “final trágico para lésbicas”, onde nada dá certo e o casal do shipp nunca fica junto. Agora, quantos filmes e séries que possuem protagonismo lésbico e as mulheres podem ter a oportunidade de ficarem juntas mesmo em meio a tantas adversidades?

Se ser adolescente já é difícil, a complicação ainda aumenta quando se descobre ser LGBT na adolescência, que costuma ser uma fase bastante vulnerável. Mulheres lésbicas são vítimas de lesbofobia, que diferentemente da homofobia, mulheres lésbicas sofrem com as violências vivenciadas tanto pelo gênero quanto pela sexualidade. No Brasil, não possuímos estatísticas que quantifiquem os ataques lesbofóbicos, mas podemos afirmar que são muitos.

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A mídia possui esse papel fundamental de visibilizar os fatos e conseguir criar pontes internas de identificação com ícones pop e seus personagens. A importância de possuirmos referências lésbicas na cultura pop que retratem o que é a lesbianidade é uma forma de resistência. Pois, nada melhor do que assistir a um filme ou série, ler um livro ou uma HQ ou jogar um jogo e se identificar com a personagem em questão. A partir do momento em que nos enxergamos nestes meios culturais, conseguimos dizer “eu existo.” Skins é uma raridade cinematográfica, onde nos é fornecida uma representação e visibilidade lésbica de uma maneira sensível à própria realidade.

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O dia 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Nessa mesma data, em 1969, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e drag queens se uniram contra as batidas policiais que ocorriam com frequência no bar Stonewall-Inn, em Nova York. O episódio marcou a história do movimento LGBT, que continua lutando por direitos e visibilidade.

Em homenagem à data, durante o mês de junho, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Momentum Saga, Nó de Oito, Ideias em Roxo, Preta, Nerd & Burning Hell, Séries por Elas, e o Prosa Livre.

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Feminista e estudante de serviço social. Ama Star Wars e é viciada em gatos. Adora conversar sobre gênero e brinca de ser gamer nas horas vagas. Nunca superou o fim de The Smiths.
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