[OPINIÃO] Em defesa de Kelly Marie Tran e o lado obscuro dos fãs de Star Wars

[OPINIÃO] Em defesa de Kelly Marie Tran e o lado obscuro dos fãs de Star Wars

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Star Wars, franquia cinematográfica criada por George Lucas, é um fenômeno da cultura pop mundial e, ao longo de gerações, tem angariado uma legião de fãs. Porém, infelizmente, nem todos os fãs possuem bom senso e ataques contra membros da produção e do elenco tem sido cada vez mais comuns e frequentes.

O caso mais recente envolve a atriz Kelly Marie Tran, responsável pela interpretação da personagem Rose Tico em Star Wars VIII: Os Últimos Jedis. Integrante da Rebelião, Rose protagoniza um interessante eixo narrativo ao lado de Finn (vivido por John Boyega), arriscando-se para deter o avanço da Primeira Ordem.

Nascida nos Estados Unidos e filha de pais Vietnamitas, Tran é a primeira mulher com descendência asiática a conseguir destaque na saga. Um papel que deveria impulsionar a carreira de Tran, sendo inclusive comemorado pela atriz, acabou revelando-se uma armadilha e ela se viu obrigada a apagar fotos de seu perfil público no Instagram, devido aos constantes comentários racistas e misóginos que suas postagens vinham sofrendo.

Os ataques começaram na época de estreia do filme e, até hoje, estavam acontecendo. O perfil da atriz ainda existe, entretanto, não possui nenhuma foto e conta com apenas uma mensagem: “Afraid, but doing it anyway.” [“Com medo, mas farei isso de qualquer forma.”]. A razão para tanto ódio é bastante simples: Kelly Marie Tran não se encaixa nos padrões para roteiros cinematográficos criados por alguns homens.

Ao que parece, mulheres não devem protagonizar filmes. Para elas, devem-se relegar os papéis secundários. Preferencialmente com personagens femininos dependentes dos masculinos. Além disso, é fundamental que as personagens femininos sejam sexualizadas, a fim de alimentar as fantasias eróticas desses homens.

Mas Rose não é assim! Ela é uma mulher segura e determinada, capaz de enfrentar várias agruras para ajudar a Rebelião. Não é uma mocinha em perigo e não precisa ser salva por ninguém. Aliás, se não fosse por ela, Finn não estaria no próximo filme. Isso parece assustar e incomodar certos homens e enxurradas de comentários machistas, misóginos e ameaças surgem no perfil das atrizes. Vale lembrar que Daisy Ridley foi vítima de ataque semelhante ao sofrido por Tran. 

Kelly Marie Tran
Kelly toda feliz com os toys da Rose. Como não amar essa mulher? <3
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Estranho perceber que esses sujeitos se consideram os “verdadeiros fãs” de Star Wars! Seus graves problemas de interpretação não lhes permitem perceber algumas coisas. O extremismo que demonstram (e que não deve ser confundido com conservadorismo), não tem eco com o enredo de Star Wars. Seja nos filmes, nas séries, nos quadrinhos ou nos livros, a busca por justiça, igualdade e liberdade é presença constante nos roteiros.

Pessoas e alienígenas, das mais diversas origens, convivem em busca do bem maior. Em Star Wars não existe separação. Homens, mulheres, gays, lésbicas, bissexuais, Mon Calamaris, Wookiees, Twi’leks, Togrutas, Gungans, Cereanos, etc, têm direito a sua integridade respeitada. Não importando se o indivíduo faça parte da Rebelião ou do Império. É contraditório gostar de algo que exalte tais temas e exemplos e, ao mesmo tempo, discriminar pessoas. A situação é triste e preocupante, pois o crescimento da franquia pode ser ameaçado pelo “piti desses nerds preconceituosos”.

Kelly, estamos com você!

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Nerd, pedagoga, escritora, leitora, gamer, integrante da casa de Lufa-lufa, amante de ficção científica (Star Trek, Star Wars e Doctor Who) e literatura fantástica. Deseja ardentemente que o outro lado da vida seja uma grande Biblioteca.
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