Lady Killer – Volume 2: Josie Schuller retorna mais sanguinária que antes!

Lady Killer – Volume 2: Josie Schuller retorna mais sanguinária que antes!

Josie Schuller, a dona de casa exemplar que amamos conhecer em 2019, retorna com mais sede de sangue no segundo volume do quadrinho “Lady Killer“. Lançado pela Darkside Books, nesta continuação o diferencial está em sua produção inteiramente feminina. Além dos marcantes traços de Joëlle Jones, também responsável pelo roteiro, a obra conta com o trabalho das coloristas Michelle Madsen e Laura Allred, e tradução de Raquel Moritz. Esse time de mulheres trouxe um toque ainda mais especial para a continuação, que trará fantasmas do passado nesta edição.

No primeiro volume de “Lady Killer”, a narrativa eletrizante de Josie apresentou diversas surpresas. Trabalhando como assassina profissional para uma empresa, a personagem utilizava a imagem da dona de casa dedicada como um inteligente disfarce para executar seu trabalho sem qualquer suspeita. Afinal, quem poderia imaginar que uma esposa que prepara o jantar na hora certa todos os dias e trata o marido e as filhas com amor e atenção poderia ser uma cruel assassina em série? No entanto, tal disfarce não dura muito tempo. No final do primeiro volume, a verdadeira identidade de Josie Schuller é descoberta pela sogra, trazendo um plot twist arrebatador. E agora, o que seria desse anjo do lar sanguinário?

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Cena (em inglês) do início do segundo volume de "Lady Killer".
Cena (em inglês) do início do segundo volume de “Lady Killer”.

“Lady Killer” continua retratando o assédio

No segundo volume de “Lady Killer”, Josie muda-se para a Flórida com o marido e as filhas e resolve se tornar empreendedora. Dessa vez, ela deseja ter o seu próprio negócio, onde não receberá ordens de nenhum outro homem, já que isso não deu muito certo como foi visto no primeiro volume. Abandonando as vendas de produtos da Avon, agora ela passa a vender de porta em porta os famosos tupperwares, e a primeira cena do quadrinho já revela o que esperar de Josie no restante da obra. Ao utilizar mais um disfarce perfeito para ir de encontro as vítimas, Josie escolhe seus próprios casos e foca em sua carreira de assassina profissional.

O tema do assédio continua a ser explorado aqui. Seja através dos toques inapropriados do chefe de seu marido, ou através do assédio que sofre segundos antes da sua próxima vítima morrer. Em geral, os homens no quadrinho sempre buscam se aproveitar de Josie de alguma forma. Portanto, a obra não mede esforços para deixar isso bem claro e mostrar o machismo estrutural impregnado nos diversos espaços. Além disso, outra surpresa será revelada nesta edição: um conhecido de longa data de Josie aparecerá para desafiar os seus negócios e por sua família em risco.

Josie Schuller em "Lady Killer", quadrinho criado por Joëlle Jones e lançado no Brasil pela Darkside Books.
Bela, recatada e com pensamentos sanguinários. (Imagem: reprodução)

Subversão do estereótipo da sogra detestável

No primeiro volume, vimos que Josie não se dava bem com a sogra, até que sua verdadeira persona é revelada por ela. Assim, num primeiro momento, podemos pensar que a HQ cairá no velho estereótipo da sogra insuportável, dando abertura para uma rivalidade feminina na história. No entanto, o roteiro perspicaz de Joëlle Jones brinca com tal esterótipo ao aprofundar a narrativa da sogra neste segundo volume. Assim, conhecemos mais sobre o passado dela e temos algumas descobertas que vão se encaixar surpreendentemente com a narrativa de Josie.

Também será mostrado passagens sobre a infância de Josie, de tal forma que podemos compreender os caminhos que a levaram se tornar uma assassina. Neste momento da HQ é impossível não lembrarmos do livro “Lady Killers“, onde a autora Tori Telfer apresenta fatos do passado das assassinas mais cruéis da história, numa tentativa de compreender a verdadeira motivação dessas mulheres por trás dessas escolhas.

Josie e sua sogra no segundo volume de “Lady Killer”. (Imagem: reprodução)

A edição da Darkside Books

O capricho da edição da Darkside Books continua presente. Assim como o primeiro volume, o segundo conta com uma primeira capa removível que simula uma caixa de sabão em pó, além da HQ acompanhar um par de luvas amarelas de látex (quando adquirido diretamente na loja da editora) para limpar todo o sangue deixado por Josie após o final da leitura. Nas páginas finais, ainda temos extras contendo esboços da arte de Joëlle e ilustrações de outros artistas.

Joëlle Jones foi a primeira mulher a desenhar duas edições inteiras seguidas da HQ Batman (durante a fase Renascimento DC) desde sua primeira aparição, em 1939, além de ser atualmente a responsável pela arte e roteiro dos quadrinhos da Mulher-Gato. Em dezembro de 2019, a artista veio pela primeira vez ao Brasil como convidada para a celebração dos 80 anos do Batman na CCXP, além de ter marcado presença no Artists’ Alley para deleite dos fãs.

Conclusão do segundo volume de “Lady Killer”

O terror slasher de Joëlle Jones ganha novas camadas nesse segundo volume que supera o primeiro. Através das cozinhas e cômodos familiares que aparentam certa tranquilidade, temos uma protagonista que esconde seus martelos e luvas sangrentas, desafiando a docilidade esperada das mulheres nos subúrbios americanos dos anos 60. Josie Schuller é uma assassina impiedosa que esperamos acompanhar futuramente por diversos volumes. Afinal, mulheres também podem ser tão cruéis quanto os homens e “Lady Killer” é a prova ilustrada disso.


Lady Killer, Volume 2, de Joëlle Jones e Michelle Madsen (resenha)Lady Killer – Volume 2

Joëlle Jones (Autora e Ilustradora)

Tradução: Raquel Moritz

Cores: Laura Allred e Michelle Madsen

Darkside Books

144 páginas

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Fundadora e editora-chefe do Delirium Nerd. Revisora. Apaixonada por gatos, café, cinema do oriente médio, quadrinhos e animações japonesas. Ouve muito Harry Styles e cantoras melancólicas.
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