Madonna: a irreverência da cantora do pop ao longo dos anos

Madonna: a irreverência da cantora do pop ao longo dos anos

Não é novidade que o pop sempre foi feito de escape para que artistas expressem seus pontos de vista políticos, religiosos e afins. E não há ninguém melhor nesse aspecto do que a rainha do pop Madonna, que ao longo de toda a sua carreira enfrentou incansáveis críticas toda vez que teve a coragem de falar e cantar o que pensa.

O debut de Madonna

Desde o seu debut, a Madonna mostrou que não põe barreiras no que diz respeito à mostrar o que pensa. E como geralmente acontece com as mulheres, isso trouxe sérias consequências para a sua carreira.

Já no começo dos anos 80, a artista aparece usando assessórios de crucifixo, símbolo crucial do catolicismo (que futuramente vira tendência da década), chamando assim a atenção para algo que seria um grande conflito na sua carreira, a sua maneira de expressão religiosa.

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O debut de Madonna
Madonna nos anos 80. | Reprodução

“Like a Virgin” e a apologia ao sexo

Um ano após seu debut, Madonna lança o single Like A Virgin, onde canta sobre sentir-se tocada como se fosse pela primeira vez. Não bastando a letra um tanto quanto provocativa, a cantora é convidada a se apresentar na Video Music Awards (VMA) da MTV, performance que se tornaria lendária e chocaria os conservadores da época.

Na performance, a cantora usou um vestido de noiva com um cinturão escrito “boy toy”, que pode ser traduzido como “brinquedinho”. Segundo conservadores, a cantora fez apologia ao sexo antes do casamento e dançou de forma provocativa. No entanto, essa não seria a última vez que Madonna incomodaria os conservadores.

Madonna durante sua apresentação icônica de "Like a Virgin" no primeiro VMA, em 1984.
Apresentação icônica de “Like a Virgin” no primeiro VMA de 1984. | Divulgação

“Like a prayer” e a banalização de símbolos religiosos

Mais tarde, em 1989, Madonna lança Like a Prayer, cujo videoclipe foi considerado uma afronta à igreja católica. No vídeo, a cantora beija um santo, queima cruzes e até se apropria das marcas nas mãos de Jesus Cristo causadas pelos pregos.

Já pode se imaginar o resultado disso tudo. A repercussão foi tanta que até o papa João Paulo II se manifestou pedindo que Madonna não pisasse os pés na Itália. Mas a irreverência da cantora não pararia por aí.

“Justify my love” e as referências do sadomasoquismo

No começo da década de 90, Madonna lança Justify My Love, um clipe com várias referências ao sadomasoquismo e recheado de referências sexuais. O mesmo foi banido pela MTV, e em resposta Madonna o lança em VHS como vídeo single, vendendo milhões de cópias.

Madonna abriu caminho para outras artistas do pop

Ao longo dos anos, Madonna foi conquistando respeito através de muita luta, críticas e ataques. Assim, ela abriu caminho para que outras artistas femininas, que compartilhassem da sua mesma irreverência, pudessem se expressar sem medo. Cantoras como Lady Gaga, Ariana Grande e Miley Cyrus puderam se estabelecer e falar de temas polêmicos mais seguramente após sua trajetória desde então.

Lady Gaga no clipe de "Judas"
Lady Gaga no clipe de “Judas” | Divulgação

Não que Madonna tenha conseguido transformar toda a indústria e mudar a forma de como mulheres são tratadas, pois até hoje o machismo tenta calar as mulheres e impedi-las de mostrarem o escancarar de suas almas.

O erotismo e o alter ego de Madonna

Continuando no caminho de explorar sua sexualidade de forma cultural, em 1992, Madonna Lança o álbum “Erotica”, que era um tipo de making off do seu sex book intitulado “Sex”, onde Madonna assume o alter ego “Dita” e escreve sobre suas fantasias sexuais.

Nesse período foi onde Madonna se consagrou como lendária e revolucionária. Numa época onde dificilmente mulheres cantavam e falavam de sexo, Madonna canta abertamente sobre, enquanto atua em clipes explicitamente eróticos.

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Madonna em ensaio fotográfico para seu livro "Sex"
Madonna em ensaio fotográfico para seu livro “Sex”, publicado em 1992. | Reprodução

Apesar das críticas (que foram muitas), a artista não parou por aí. Além de ter que lidar com críticas por se permitir cantar sobre sexo e fazer tudo que homens sempre foram aplaudidos por fazerem, Madonna atinge barreiras de idade.

A problemática em envelhecer

Aos 64 anos, Madonna continua cantando, mesmo ouvindo que “está velha demais para esse lugar no pop” e coisas do gênero. Mesmo consagrada e com uma carreira brilhante, o sexismo não permite que mulheres assim como ela apenas continuem a fazer o que gostam e sabem.

Em resposta a todos esses comentários que surgiram em 2008 após o lançamento do seu álbum “Hard Candy”, ao ser eleita “Mulher do ano” pela Billboard em 2016, a cantora deu um discurso poderoso. Ela falou sobre suas inspirações no início da carreira e como, ao se inspirar em figuras como David Bowie, acreditava que não havia barreiras ou regras.

E realmente não existem, se você for um homem. Quando se é mulher, a indústria se encarrega de colocá-la em uma caixa, cercada de coisas que ela deve fazer.

Madonna recebendo o prêmio de Mulher do Ano pela Billboard em 2016.
Madonna recebendo o prêmio de Mulher do Ano pela Billboard em 2016. | Reprodução

O discurso de Madonna na Billboard 

Em seu discurso, ela pontua algumas dessas coisas:

Se você é uma garota, você tem que jogar o jogo. Você tem permissão para ser bonita, fofa e sexy. Mas não pareça muito esperta. Não aja como você tivesse uma opinião que vá contra o status quo. Você pode ser objetificada pelos homens e pode se vestir como uma prostituta, mas não assuma e se orgulhe da vadia em você. E não, eu repito, não compartilhe suas próprias fantasias sexuais com o mundo.

Seja o que homens querem que você seja, e mais importante, seja alguém com quem as mulheres se sintam confortáveis por você estar perto de outros homens. E por fim, não envelheça. Porque envelhecer é um pecado. Você vai ser criticada e humilhada e definitivamente não tocará nas rádios.”

Em reposta a tudo isso, a artista diz que podem chamá-la de controversa, mas que a coisa mais controversa que ela fez foi permanecer aqui. E é isso que esperamos de artistas que têm a coragem de ser irreverentes, que elas permaneçam! E abram caminho para as artistas que virão depois delas.

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