[LIVROS] A Guerra Que Me Ensinou a Viver: Superação e sororidade em uma tocante história (resenha)

[LIVROS] A Guerra Que Me Ensinou a Viver: Superação e sororidade em uma tocante história (resenha)

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A Guerra que me ensinou a viver é a continuação de A Guerra que salvou minha vida (escrevemos sobre ele AQUI – sugerimos a leitura antes desta resenha!), da escritora Kimberly Brubaker Bradley. Se na primeira parte da história de Ada presenciamos os abusos sofridos e o medo constante, agora podemos respirar aliviadas ao acompanharmos o desenvolvimento da garota em meio à guerra.

ATENÇÃO: O texto abaixo contém pequenos spoilers que não afetam o prazer da leitura

Logo nas primeiras páginas voltamos a sentir aquele nó na garganta ao presenciarmos algumas cenas com Ada. Ela ainda sente medo e pensa que o pior pode acontecer, mas de modo menos constante do que antes. Ela ainda não tem um conhecimento adequado da língua inglesa e de seus significados. Portanto, sempre que ouve alguma palavra que não conhece, pensa que algo terrível pode e vai acontecer.

Ada e seu irmão Jamie continuam vivendo com Susan, agora em um chalé cedido pela família de Lady Thornton. Ali, perto dos estábulos – e de seu pônei Manteiga, dos trabalhadores rurais e da própria família Thornton é onde a história se desenvolve ao longo do livro.

A guerra ainda não acabou. Lord Thornton trabalha para a inteligência e seu filho, Jonathan, é aviador. Ainda há perigo de bombardeios e as janelas ainda precisam ser cobertas durante a noite, para que a iluminação das casas não denuncie sua localização para aviões alemães. A comida é racionada e o futuro, incerto.

Em meio a essa tensão toda, Lady Thornton cede sua mansão para que o Governo use e passa a morar no chalé com os demais. Susan ainda se vê obrigada a cuidar de uma nova garota, uma alemã judia cuja família que fugiu de Hitler se encontra em um campo de internamento (durante a segunda grande guerra, imigrantes alemães e italianos foram confinados em campos de internamento, sob suspeita de ligação, respectivamente, com os nazistas e fascistas).

Neste contexto, portanto, várias mulheres que mal se conhecem se veem obrigadas a conviver diariamente. Lady Thornton leva para o chalé seus costumes burgueses e refinados, Ada ainda não consegue lidar muito bem com ninguém e todos desconfiam e meio que detestam Ruth, a garota alemã. Além disso, Susan se vê obrigada a ajudar todas e tentar controlar a situação toda.

Confira os detalhes da belíssima edição da DarkSide Books:

(Recebemos o livro pela editora DarkSide Books, dentro de uma sacola xadrez e um cavalinho de madeira. A editora sempre mantém o capricho no envio dos livros, com a preocupação e o cuidado de escolher objetos e detalhes que combinam com o tema central da obra.)

Ao longo da obra, presenciamos como que, de maneira natural, a convivência entre essas mulheres tão diferentes entre si se torna algo forte e belo. Uma passa a aceitar a outra exatamente como ela é, e o amor entre todas fica cada vez maior e mais sincero. A Guerra que me ensinou a viver, assim como seu antecessor, ainda tem muitos momentos emocionantes e tocantes. Mas, se antes nos sentíamos angustiadas por Ada, agora nos emocionamos com cada vitória, por cada avanço que ela faz.

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A Guerra que me ensinou a viver mostra Ada superando seus piores traumas, mostra também como o companheirismo e o amor são elementos importantes e necessários na vida de qualquer pessoa, ainda mais de uma pessoa que passou por coisas tão terríveis, como no caso de Ada. Não há um antagonista no livro e a única ameaça é a da guerra. Ada não precisa lutar contra ninguém ou fugir; mas ela precisa se libertar de tudo o que ainda sente em relação à sua vida anterior. E, passo a passo, ela se mostra uma pessoa forte e resiliente. A obra trata ainda do luto e de como as pessoas reagem de maneiras diferentes ao perder alguém próximo.

A Guerra que me ensinou a viver não possui nenhum desfecho catártico ou grandioso, mas o final é apropriado e realista, além de belo reconfortante. Sentiremos falta de Ada, mas ficamos felizes por ela ter progredido tanto em sua vida, em todos os sentidos e, principalmente, por ter se permitido amar e também ser amada.


A Guerra Que Me Ensinou a ViverA Guerra que me ensinou a viver

Kimberly Brubaker Bradley

DarkSide Books

280 páginas

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Fundadora e editora-chefe do Delirium Nerd. Revisora. Apaixonada por gatos, café, cinema do oriente médio, quadrinhos e animações japonesas. Ouve muito Harry Styles e cantoras melancólicas.
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