“Folklore: Sessões no Long Pond Studio” e a nova fase de Taylor Swift

“Folklore: Sessões no Long Pond Studio” e a nova fase de Taylor Swift

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Após o sucesso de seu mais recente álbum, intitulado Folklore, Taylor Swift lançou um documentário pela plataforma de streaming Disney Plus. O Folklore: Sessões no Long Pond Studio é uma obra quase complementar ao álbum, que oferece novas versões das músicas já tão amadas pelo público enquanto esclarece algumas informações sobre as inspirações das letras.

O documentário conta com a presença de Aaron Dessner, Jack Antonoff e Justin Vernon, nomes que fizeram parte da composição e produção do Folklore. Jack Antonoff tem trabalhado com Taylor Swift já há um longo tempo, produzindo alguns de seus álbuns mais ilustres. Outro nome que fez parte do álbum foi de William Bowery, confirmado no documentário como um pseudônimo para Joe Alwyn, atual namorado de Taylor.

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Taylor Swift em Folklore: Sessões no Long Pond Studio
Taylor Swift em Folklore: Sessões no Long Pond Studio. (Créditos: Disney+)

Folklore: um produto de tempos difíceis 

Certamente a produtividade de Taylor Swift impressiona. Enquanto os fãs ainda digeriam o Folklore, uma onda de novos conteúdos foram lançados pela cantora, que tem explorado uma nova fase de seu trabalho, muito mais densa e intimista do que o público esperava, especialmente após as explosões de cores da era Lover.

O Folklore foi um resultado da quarentena ao mesmo tempo em que foi um reflexo e uma reflexão sobre ela. No profundo de todas as histórias contadas por Taylor no álbum, as sessões no Long Pond confirmam o que já era possível sentir através das músicas 一 no cerne de tudo está o coração da artista, coração este que ela coloca em todas as suas obras.

Um dos detalhes mais interessantes para os fãs é a possibilidade de ouvir Swift falando sobre suas inspirações para escrever cada música. ‘’Mirrorball’, por exemplo, que foi composta enquanto Taylor refletia sobre a necessidade de se sentir produtiva mesmo em meio à pandemia, certamente reflete uma agonia coletiva. Mesmo em meio à um ano tão apocalíptico, seguimos todas em uma corda bamba, fazendo malabarismos para conciliar obrigações e emoções. 

Aaron Dessner e Taylor Swift no documentário Folklore: The Long Pond Studio Sessions
Aaron Dessner e Taylor Swift no documentário Folklore: The Long Pond Studio Sessions. (Créditos: Disney+)
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O domínio de narrativas que são simultaneamente intrapessoais e interpessoais continuou a se derramar pelo documentário. Algumas músicas que falam sobre saúde mental, como ‘’This is me trying’’, tiveram um merecido destaque, que talvez uma primeira ouvida superficial no álbum não fizesse jus.

A cantora falou, enquanto discutia sobre suas inspirações ao escrever a música, a respeito do quanto pessoas que lutam contra algum vício ou alguma doença psicológica viviam constantemente uma batalha que não é reconhecida. O Long Pond é mais do que um presente aos fãs, ele é uma reflexão sobre a pertinência do trabalho de Taylor Swift. 

“Pulled the car off the road to the lookout

Could’ve followed my fears all the way down

And maybe I don’t quite know what to say

But I’m here in your doorway

I just wanted you to know

That this is me trying”

(“Estacionei o carro na estrada do mirante

Poderia ter seguido meus medos até o fim

E talvez eu não saiba exatamente o que dizer

Mas estou aqui na sua porta

Eu só queria que você soubesse que esta sou eu tentando”)

– This is me trying

Ainda assim, um detalhe definitivo para alimentar as teorias dos fãs foram as conversas sobre a trilogia Cardigan/Betty/August. A compositora compartilhou alguns detalhes da mitologia de seu álbum que certamente valeram à pena para os ouvintes que dedicaram muito tempo tentando decifrar as histórias contadas no Folklore.

Long Pond é um complemento bem-vindo 

A ambientação do documentário também funciona de forma perfeitamente síncrona à história que se propõe contar. O Long Pond faz um papel de fornecer uma imersão visual nas narrativas do Folklore, e que complementa muito bem a estética do álbum. O processo de produção do álbum, apresentado no início do documentário, também é um conteúdo extra interessante para os fãs. 

Taylor Swift no documentário Folklore: The Long Pond Studio Sessions
Taylor Swift no documentário Folklore: The Long Pond Studio Sessions. (Créditos: Disney+)
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A oportunidade de ver o álbum sendo performado pela primeira vez por seus colaboradores juntos, deleitando-se naquilo que criaram, também faz justiça à importância do Folklore para a carreira de Taylor. A construção da performance de cada música no documentário complementa as reflexões feitas anteriormente. Certamente é um dos feitos mais memoráveis de Swift, mas ele não seria o que é sem a presença de nomes como Antonoff e Dessner. 

Jack Antonoff no documentário Folklore: The Long Pond Studio Sessions
Jack Antonoff no documentário Folklore: The Long Pond Studio Sessions. (Créditos: Disney+)

O lançamento do seu nono álbum de estúdio, o Evermore, simultaneamente encerrou e deu continuidade à era Folklore. Chamado por Taylor de a irmã do Folklore, esse álbum simboliza a continuidade dessa fase criativa da cantora, onde ela tem explorado o melhor de si.

Se o intimismo e a melancolia costumavam ser partes pequenas de seus álbuns anteriores, agora ela parece disposta à adentrar intensamente nesse estado criativo. O tom delicado e agridoce da música ‘’Daylight’’, que marcou o fim do Lover, parece ter sido um arauto do que seguiria a nova fase artística de Taylor. 

Apesar da continuidade dessas narrativas, o Evermore anuncia que provavelmente o público não terá mais videoclipes da era Folklore, sendo ”Cardigan” a única canção que contou com esse extra. Assim, o Long Pond faz o papel de saciar um pouquinho essa sede dos fãs por mais conteúdos visuais desse novo período da artista. 

Cardigan - Taylor Swift
Cena do clipe Cardigan. (Créditos: Vevo)
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Com o recente lançamento do álbum Evermore, ainda fresco na mente do público, é difícil prever qual o próximo passo na carreira de Swift. Esses passos profundos dentro da floresta do Folklore trazem resultados avassaladores.

Taylor explicou no Long Pond que a canção ‘’seven’’ remetia a um período de infância, onde ela se preocupava menos em esconder seus sentimentos e demonstrar ‘’civilidade’’, e se sentia em um estado de liberdade para gritar suas emoções a plenos pulmões. Os frutos de seu trabalho mostram que ela tem passado um tempo de qualidade no bosque de sua mente, ora chorando lágrimas que ricocheteiam, ora gritando ferozmente. 


Edição, revisão e arte em destaque por Isabelle Simões.


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Estudante do curso de Jornalismo. Gosta muito de cinema, literatura e fotografia. Embora ame escrever, é péssima com informações biográficas.
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