SK8 the Infinity: um anime caloroso para momentos tristes

SK8 the Infinity: um anime caloroso para momentos tristes

As famosas animações japonesas, conhecidas como animes, possuem uma variedade imensurável de títulos nos mais diversos gêneros, distribuídos em centenas de categorias. A partir disso, é possível concluir que há animes para todos os tipos de público, uma vez que a variação de temas pluraliza, inclusive, com a diversidade de público: temos animes sobre culinária, com temáticas bélicas, ficção, fantasia, que exploram mitologia e política, além de romance, esporte e os colegiais – tema dos quais o anime SK8 the Infinity, que falaremos a seguir, será tratado.

Os animes possuem destaque a nível mundial, então é possível imaginar a influência comercial a qual eles detêm. Não é à toa que, tanto os canais da TV aberta quanto os de sinal pago e as redes de streaming, invistam tanto em uma programação com animes dentro da sua grade. Inclusive, na variedade de animes se pode incluir filmes, como Your Name, que é um fenômeno mundial e sagas com diversas temporadas, tais como One Piece e Naruto

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Mas nos animes também é possível encontrar algo mais íntimo e pessoal: a possibilidade de se identificar com a jornada daqueles personagens. Uma característica quase inerente em animes é a presença de aprendizagens e lições de vida. É possível encontrar enredos que explorem momentos de transições das personagens, isto é, em que são apresentados momentos de crescimento, de enfrentar medos e desafios, encarar a incerteza do futuro, assim como também de se entender como indivíduo dentro da sociedade e encarar as próprias diferenças entre os outros.

Levando em consideração estes pontos citados, o anime a seguir busca explorar esses momentos da vida: em SK8 the Infinity encontramos Reki, que constrói um ciclo de amizades em meio a uma crise de identidade.

Do que se trata SK8 the Infinity

Em SK8 the Infinity, sob responsabilidade da mesma diretora de Banana Fish, Hiroko Utsumi, conhecemos a típica – e maravilhosa – fórmula da amizade dos dois opostos que se atraem. Enquanto Reki, o menino ruivo colegial, se apresenta expansivo, agitado e inquieto; Langa, por outro lado, é taciturno, letárgico e expõe timidez que beira a arrogância e frieza com seus cabelos gélidos. Unidos por essas divergências, os dois criam uma amizade instantânea em que ensinarão e aprenderão muito um com o outro.

anime SK8 the Infinity

Ambos têm um primeiro contato na escola, no momento em que Langa é apresentado como o aluno novato que recentemente chegou do Canadá. No entanto, a amizade se introduz com Langa chegando, de maneira despretensiosa, com interesse em trabalhar na oficina de skate em que Reki trabalha por meio-período. Com isso, o plot central de SK8 the Infinity tem início.

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Dentro do mundo skatista da Ilha de Okinawa, local em que a história se passa, existe uma corrida ilegal chamada S e ocorre uma montanha perigosa, cheia de declives e precipícios. Seu perigo atravessa a ilegalidade e localidade, ali é um espaço sem lei e sem regras, ou seja, não existe nenhuma moral ou ética para quem desejar ser o vencedor entre os desafios propostos. Em uma das edições do S, Reki leva Langa para fazerem uma entrega da oficina e também para lhe apresentar a dinâmica da competição.

Devido a um ferimento, Reki não pôde se comprometer a competição, e Langa, mesmo sem qualquer conhecimento sobre skateboarding, se voluntaria para competir no lugar do amigo. No Canadá, Langa se apresentava talentoso no snowboarding, o esporte que se concentra em correr entre a neve com uma prancha. Aproveitando dessa sua experiência prévia, Langa se apropriou de macetes do snowboarding com o skate e se mostrou habilidoso.

As personalidades de SK8 the Infinity

Nesse momento, são apresentados alguns outros personagens relevantes para a construção do enredo, tais como Cherry Blossom, com cabelo longo e rosa, elegante e charmoso; Joe, com cabelos verdes, é um skatista musculoso, atraente e competitivo; Shadow, que é feroz, agressivo e sádico e, por último, Miya, de apenas 13 anos, mas que possui um talento e habilidades únicas no esporte, o que muitos o tem como arrogante; além de ser um prodígio no esporte – o que lhe trouxe episódios de solidão e exclusão – ele também é um forte candidato a fazer parte da equipe Olímpica japonesa de esporte.

Curiosidade: Skate  agora é um esporte olímpico! Miya comentar tantas vezes sobre isso, durante o anime, seria uma espécie de easter egg em referência aos Jogos Olímpicos de Tóquio, que ocorrerão em 2021.

SK8 the Infinity animw
É interessante observar que cada personagem possui uma paleta de cores bem evidente, condizente com sua personalidade | Via: Toxina Animes

O interessante é que todos, com exceção de Miya, aparentam ter uma vida dupla e “na vida real” nenhum deles apresenta a mesma personalidade que possuem durante a competição: Cherry Blossom é um calígrafo renomado, Joe é dono de um restaurante de especialidade italiana e Shadow, na verdade, é muito doce e gentil trabalhando em uma floricultura.

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A união deles se concentra em tentar vencer – e entender – sadismo do antagonista do anime: Adam. O personagem também possui uma vida dupla, de manhã é um executivo rico e misterioso e à noite, no S, apresenta uma personalidade beirando à loucura. A partir da participação de Langa na competição, Adam nutre uma obsessão pelo rapaz e tenta, a todo custo, tê-lo como sua Eva – e o contexto disso não ficou tão evidente, mas pelo pouco explorado, era algo que ele buscava há muito tempo.

Reki e o processo de amadurecimento

SK8 the Infinity
Via: Meta Galaxia

Outro pronto explorado foi a autoestima de Reki: por mais que ele tenha ficado feliz com o amigo tenha também se encontrando no skate, o adolescente acabou por se sentir abalado em não ter a mesma notoriedade que Langa. Devido a isso, ele acaba entrando em uma crise existencial, com questionamentos se valia a pena todo o esforço que o mesmo fazia pelo esporte, ou se ele ainda se sentia bem-vindo ao praticar e entra em um loop depressivo.

A tristeza em que se encontrava o impedia de ver o quão talentoso ele era com o skate, não necessariamente com a prática, mas também com a produção e criação de novos instrumentos, criando raciocínios de treinos e a possibilidade de mais manobras para o esporte.

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Essa introspecção faz com que o personagem não se afaste somente do skate, mas também de seus recém-novos amigos. Langa é o que mais sente impacto e fica muito atordoado. Nesse momento do anime podemos observar o valor que uma nova amizade tem em nossos ciclos: mesmo com Langa sendo “bem-sucedido” (no contexto da animação), com admiradores – inclusive do melhor skatista da competição, Adam – e um novo grupo unido de amizades, o personagem sente falta, principalmente, de Reki.

O processo de superação feito aqui é uma das melhores partes: Reki reencontra, por si só, aquilo que ele sempre pregou, que o skate – e generalizando em um contexto mais amplo, mas aquilo que amamos e gostamos de fazer – não deve ser feito para todos vangloriarem e sim, primeiramente, para você mesmo se sentir vivo, confortável e se divertir. Ainda que esse discurso possa soar meio bobo, afinal, estamos em uma pandemia há mais de um ano, é bom reencontrar um discurso centrado em esperança e amizade.

Expectativas para a segunda temporada

Essa primeira temporada de SK8 the Infinity foi evidentemente introdutória. Buscou-se apresentar os ofícios de todos os personagens e inserir, superficialmente, elementos de seus passados (principalmente no núcleo adulto).

Com segunda temporada prevista para o inverno de 2023, espera-se que mais elementos sejam aprofundados e explorados, tais como o passado de Adam e o processo para entender o que levou a se tornar alguém tão ambicioso e egoísta, entender um pouco mais da amizade e do passado entre Joe, Cherry e Adam, além de explorar o processo de amadurecimento de Reki, Langa e Miya.

E esperemos, também, que incluam mulheres em SK8 the Infinity; afinal, nos treze episódios, não apareceu nenhuma personagem feminina que praticasse skate ou tivesse mais que três linhas de fala.


Revisão por Isabelle Simões.

Escrito por:

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Ket tem 23 anos, é formada em Letras - Língua e Literatura Portuguesa, pela UFAM. Nasceu e criou-se em Manaus, onde ainda mora. Não é capaz de conceber uma realidade em que as mulheres não sejam livres, uma vez que sua vida inteira viveu em um lar matriarcal. Gosta de histórias tristes, é fascinada pela cultura Sul-coreana e chora com animes.
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