The L Word Generation Q: primeiras impressões da terceira temporada e a memória da segunda

The L Word Generation Q: primeiras impressões da terceira temporada e a memória da segunda

Em novembro de 2022 estreou a terceira temporada de The L Word Generation Q, com o lançamento um episódio por semana, 10 no total, pelo canal Showtime. Neste texto estamos nos baseando nos três primeiros. Sem previsão de estreia oficial no Brasil, a primeira temporada está disponível no Prime Video.

Aviso: o texto contém spoilers

A segunda temporada de The L Word Generation Q

Para quem não viu, ou não se lembra, podemos recapitular. 10 episódios na temporada passada garantiram entretenimento e boas emoções para todas as pessoas que assistiram. É mantido o nível da primeira temporada. A diversidade do elenco, a excelência na parte técnica. A trilha sonora que só toca vozes “não masculinas” – mesmo que você não estivesse sofrendo, não doeu Dani (Arienne Mandi) chorando com Olivia Rodrigo? – e o enquadramento que traz os detalhes para a nossa atenção. Bonito de ver.

Porém, arrepios sensitivos à parte, precisamos falar sobre o roteiro. Traz discussões necessárias nunca trazidas, como sexualidade de pessoas com deficiência e pessoas trans. Inclusive entre si. Aliás, sempre bom notar o tempo de tela que o sexo tem em The L Word. E isso pode ser um grande aviso de gatilho, porque tem para todos os gostos. Assim como tem vários tipos de dramas, à sua escolha. E não só sobre corações partidos, mas também temos alcoolismo, abandono e outras tantas questões existenciais que vivem no peito de qualquer pessoa real.

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Além disso, como não é só de drama e dor que vive alguém, aspectos positivos dos relacionamentos também tiveram seus devidos créditos. Isso porque quando vemos Dani e Gigi (Sepideh Moafi) juntas percebemos que não sabíamos o quanto precisávamos desse casal até começar a acontecer.

O andamento do roteiro de The L Word Generation Q é lento, mas isso garante a atenção. Ainda em continuidade com a primeira temporada, é uma série do nosso tempo. Você pode até se sentir amiga e parte da vida daquelas pessoas. O último episódio, e gancho, é que deixa a dúvida: será mesmo que abraçamos a novidade?

Elenco da série The L Word Generation Q
Imagem: Reprodução Showtime

Primeiras impressões da terceira temporada

A terceira temporada começou exatamente no ponto que termina a segunda. No momento que toda fã de The L Word original previa e ansiava e toda nova fã da série entendia o drama lésbico a ser enfrentado: Betty (Jennifer Beals) e Tina (Laurel Holloman) assumindo que são apaixonadas uma pela outra. Não. De novo não. Ainda. Sim, ainda uma Tina batendo uma porta na cara da Betty e dizendo que ela é muito ruim nisso.

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Depois dessa cena, o letreiro na tela aparece dizendo que um ano se passou. E isso não te deixa alerta? Afinal, um ano em termos padrões pode significar sete anos de emoções na vida de uma lésbica.

Porém, no primeiro episódio da terceira temporada, o roteiro segue sem muitas informações desse ano que passou, tirando a surpreendentemente mudada Betty Porter. Mais gentil, empática, praticante de retiros de silêncio. Além disso, Finley (Jacqueline Toboni) voltando da reabilitação.

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A expectativa é grande, afinal, como dito aqui, as temporadas anteriores deixaram o padrão alto. Só que, a realidade sendo dita de forma direta, o roteiro da terceira temporada está empenhado em destruir tudo. E, cá entre nós, a única cena de destruição possível foi a de Shane (Katherine Moaning) e Finley quebrando paredes juntas.

Lembra da comunicação aberta entre Gigi e Dani? Sim, o sinal ficou mudo. Além disso, toda a aparente calmaria construída no ano corrido, começa a ser perturbada. Fica a reflexão se são escolhas ruins de roteiro numa série ótima em produção, ou se, ao invés disso, plots twists sairão de velhos arcos conhecidos.

The L Word Generation Q: primeiras impressões da terceira temporada
Imagem: Reprodução Showtime

A incerteza sobre o restante da temporada

No segundo episódio, chamado de “Los Angeles Traffic” (O Tráfico de Los Angeles), Betty empreende uma corrida pelas ruas para ir atrás de uma Tina presa no trânsito. Trânsito esse causado por um acidente que Gigi sofreu. Muito drama posterior envolvido, mas neste momento o que nós interessa é Betty alcançando Tina – após ter deixado para trás Angie (Jordan Hull) dirigindo um carro com Alice (Leisha Halley) e Shane no banco de trás – e lhe dizendo que gostaria de ir embora com ela.

Sim, o ponto alto desta temporada até agora é essa mudança brutal de Betty. Comportamento louvável, mas não podemos deixar de comentar que Jennifer Beals, a intérprete de Betty, deu uma entrevista recente dizendo que a diminuição de tempo de tela de sua personagem se dá devido à necessidade de se contar novas histórias.

Rumores sobre a permanência e a volta de personagens a parte, mesmo torcendo para que Gigi não nos deixe e Helena (Rachel Shelley) realmente reapareça, vamos acompanhar e torcer para que essas novas histórias sejam contadas de novas maneiras e não dentro dos clichês esperados para Shanes, Alices e Finleys.

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Lésbica, feminista, produtora de conteúdo, fluente em inglês e memes brasileiros. Sua trajetória pode ser seguida de uma adolescente emo para uma hipster meio torta, sempre bebendo muito café. Ativista dos direitos humanos, é fundadora do Coletivo Fé.ministas que trabalha feminismo e religião. Nunca nega um bom papo, mas se o assunto estiver relacionado com cultura nerd, signos ou gatos trabalha na base dos slides com muita convicção.
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