Vida Longa à The Eras Tour: a turnê vista pelos olhos de swifties

Vida Longa à The Eras Tour: a turnê vista pelos olhos de swifties

Em novembro de 2023, o Brasil recebeu a The Eras Tour, uma turnê que revisita todas as eras da carreira da cantora Taylor Swift. Viver a experiência de presenciar um show de seu artista favorito é um sonho que muitos fãs cultivam durante anos. No entanto, poucos eventos condensam a cultura dos fandoms da música pop da mesma maneira que a The Eras Tour. 

Com um público majoritariamente feminino, a comunidade de fãs de Taylor Swift, carinhosamente batizada de swifties, carrega uma identidade própria, com tradições especiais que ganham vida em seus shows.

A The Eras Tour celebra a carreira da artista, e parte dessa construção é fruto da maneira como seus álbuns e canções foram recebidos e ressignificados pelo público.

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Fãs durante primeira noite da The Eras Tour no Brasil
Fãs durante primeira noite da The Eras Tour no Brasil | Foto: Getty Images

Por isso, analisar a experiência dos fãs com essa turnê significa observar, também, como essas eras são construídas a partir de uma percepção coletiva do trabalho de Taylor.

Os elementos utilizados para representar cada bloco do show são resultados não apenas da visão da artista sobre seu próprio trabalho, mas da maneira como as próprias swifties receberam e abraçaram esses álbuns.

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Como redatoras e fãs de Taylor, não poderíamos deixar a The Eras Tour passar sem um texto especial para saudar todas as swifties que ajudaram a construir esse momento. Esta é a nossa carta aberta para celebrar a experiência de ser fã!

Flavia’s Version

The Eras Tour no Rio de Janeiro
Flavia, redatora do Delirium Nerd, na The Eras Tour | Foto: Arquivo pessoal

Eu preciso começar esse relato confessando que sempre considerei assistir a qualquer show de um artista internacional um sonho inatingível. Sou fã da Taylor desde os 11 anos e, em todas as vezes em que me imaginei assistindo a um de seus shows ao vivo, esse cenário mental vinha com um quê de ceticismo.

Desde o dia em que consegui meu ingresso, eu me perguntei secretamente se isso ia acontecer mesmo. Só acreditei vendo. Acho que nem nos meus sonhos mais selvagens (piadinha sem graça), eu pensei que teria a oportunidade de ver um pouquinho de cada álbum da Taylor representado em um mesmo show.

Essa é, definitivamente, a minha parte favorita dessa turnê! Saber que todo mundo pôde ouvir pelo menos uma música de seu álbum preferido, com a estrutura inteira do palco mudando para abraçar essa era, é um presente para os fãs que acompanham a cantora há mais tempo, mas que não tiveram a oportunidade de vivenciar outras turnês. Lembro de ter vivido muitas eras de Taylor de maneira bem intensa, e vê-las representadas ao vivo foi como voltar no tempo!

Acredito que, para todas as fãs de Taylor, ir a esse show é reencontrar algumas partes de si mesmas ao longo da vida. Revisitar essas eras é, também, revisitar muitos pedaços de nós mesmas que colocamos ali, partes de nós que vivemos e deixamos pelo caminho, e que foram embaladas, consoladas e, até mesmo, transformadas ao som dessas músicas.

Como Taylor canta na canção Holy Ground, dançamos por tudo o que passamos. Há um senso de pertencimento em estar lá e saber que essa experiência é coletiva!

Outra parte da The Eras Tour que me surpreendeu foi perceber o quanto eu gostava de fazer parte dessa comunidade de fãs. Desde o aeroporto até os dias em que fiquei hospedada no Rio de Janeiro, foi interessante ver o quanto as swifties mexiam com a atmosfera dos lugares. Onde quer que eu fosse, sempre havia uma menina com uma pulseirinha da amizade, uma mulher com uma camiseta da Taylor Swift ou alguma família falando sobre o show.

Era divertido chegar nos lugares e ouvir alguém me perguntar se eu também iria para a The Eras Tour. De todas as memórias que levei dessa experiência, ver essa empolgação de um monte de pessoas, principalmente meninas, espalhada por toda a cidade, é com toda a certeza uma das lembranças mais doces!

Pulseiras da amizade, tradição recente entre as swifties
Pulseiras da amizade, tradição recente entre as swifties | Foto: Reprodução

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Muitas vezes me peguei refletindo sobre o público do show, quase mais do que sobre o show em si. Talvez, ao olharmos para o palco nesses eventos, vejamos uma figura inatingível, alguém muito distante, quase envolto em certo mistério, mesmo sendo uma pessoa pública.

Esse sentimento não se aplica apenas à Taylor, mas a qualquer estrela da música. Mas, quando olhamos para o lado, temos a chance de encontrar alguém exatamente como nós, que um dia se emocionou com as mesmas músicas e alimentou as mesmas esperanças. Vimos pais e mães acompanhando suas filhas, casais apaixonados, melhores amigas realizando um sonho; um mundo inteiro acontecendo dentro de um estádio.

Essa magia de ser fã, de se sentir tão próximo de pessoas tão distantes, foi uma das minhas partes favoritas dessa experiência. De todas as coisas que eu esperava que a The Eras Tour seria, uma festa do pijama imensa definitivamente não estava na lista.

Gosto da ideia de que as mulheres possuem esses espaços que vamos construindo para nós (não apenas espaços físicos), onde podemos celebrar muitas de nossas vitórias pessoais condensadas no simples ato de ser apenas uma garota que gosta das músicas de uma cantora pop. Cada uma de nós sabe que há um significado pessoal em ir a esse show, e eu gosto da ideia de que temos isso em comum!

Bianca’s Version

The Eras Tour no Rio de Janeiro
Bianca, redatora do Delirium Nerd, na The Eras Tour | Foto: Arquivo pessoal

Qual é o tempo necessário para me preparar para a primeira turnê brasileira de uma das minhas artistas favoritas? Essa era uma das milhares de perguntas que rondavam meus pensamentos desde quando recebi meu ingresso para a The Eras Tour, em junho deste ano.

Em cinco meses, consegui reservar hotel, comprar passagens aéreas, produzir dezenas de pulseiras da amizade e preparar um figurino que deixasse claro que eu definitivamente nunca saí da minha era Red.

Porém, em nenhuma hipótese, esses mesmos cinco meses foram tempo suficiente para me preparar emocionalmente para uma das experiências mais mágicas da minha vida!

Enfrentei o sol escaldante do final de semana mais quente do ano no Rio de Janeiro, quase onze horas de fila com calor e chuva, e em momento algum sequer pensei em reclamar de estar naquela situação, porque eu queria estar ali.

Fiz amizades incríveis com pessoas que compartilhavam do mesmo exato sentimento que eu, com quem compartilhei histórias de vida e até planejei um reencontro em algum momento das nossas jornadas.

A adrenalina de estar esperando para ver alguém que, mesmo não tendo nenhum contato direto com você, faz parte da sua vida há anos, é mágica em um nível que não existem palavras que possam descrever! E mais mágico ainda é poder compartilhar desse sentimento com milhares de pessoas de diferentes lugares do país e do mundo.

Um dos aspectos mais tocantes de toda essa experiência foi justamente ver o carinho que o fandom compartilha entre si. Pessoas que nunca se viram antes agindo como uma família, compartilhando água, comida e sombra, porque, no final das contas, é isso que realmente somos: uma grande família.

Apesar de o fandom dos swifties ser diverso, eu, como mulher, fiquei emocionada ao ver tantas mulheres de diferentes idades, sozinhas ou acompanhadas de amigos ou familiares, todas unidas por uma mesma causa, escancarando sua paixão pela Taylor Swift sem medo de julgamentos.

Traduzindo em palavras simples: viver isso me fez sentir como se eu tivesse encontrado meu lugar no mundo!

Swifties durante The Eras Tour
Swifties durante The Eras Tour | Foto: Jeff Kravitz

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Sim, esse texto é sobre o show da Taylor, mas sinto que não faria sentido escrevê-lo sem falar da Sabrina Carpenter, pois o show dela foi o primeiro momento de êxtase da noite.

Apesar de estar performando como ato de abertura, a presença de palco, repertório, entrega e a dedicação na interação com o público a tornam uma artista com porte de um show principal que poderia facilmente reunir tanto público quanto Taylor Swift.

Saber do apreço que Sabrina tem por Taylor (a começar pelo vídeo de abertura de seu show, onde ela ainda criança cantava Picture to Burn) tornou tudo ainda mais especial.

Mas o verdadeiro apogeu começou nos dez minutos que precederam a entrada de Taylor no palco. Apesar de falarmos aqui sobre experiências individuais, era evidente que todas as sessenta mil pessoas presentes no Engenhão naquela noite sentiam o mesmo.

Ver aquele relógio surgir no palco fez meu coração disparar e meus olhos lacrimejarem instantaneamente, e acho que aqueles foram os dez minutos mais longos da minha vida.

Os últimos dez segundos, em uma contagem regressiva conjunta em voz alta com todas aquelas pessoas, me fizeram tremer como eu nunca tremi na minha vida (e aqui deixo meus agradecimentos a quem inventou o modo de estabilidade disponibilizado nas câmeras dos celulares).

Desde que estava com meu ingresso em mãos, era quase que um ritual diário assistir a vídeos da entrada de Taylor nos shows da turnê. Assim, acabei decorando todas as falas do prelúdio enquanto os dançarinos entravam no palco. Mas nada me preparou para o quanto eu tremi e chorei, principalmente ao ouvir “My name is Taylor, and I was born in 1989!”.

Foi como se todos os anos que passei ouvindo suas músicas no meu quarto ou no meu fone de ouvido passassem diante dos meus olhos, como se aquela gravação falasse diretamente comigo e dissesse “ei, olha onde você chegou!”. E quando ela entrou no palco… Queria poder descrever o que eu senti naquele momento, mas é impossível!

Foram tantas emoções misturadas que não existem palavras que descrevam o que se passava dentro de mim àquela altura. São em horas como essa que você descobre que pode chorar, sorrir, gritar e cantar a plenos pulmões, tudo ao mesmo tempo. Mas, acima de tudo, são momentos como esse que fazem tudo valer a pena.

Estar presente na The Eras Tour foi como ver minha vida sendo representada durante três horas em cima daquele palco. Poder cantar todas as músicas o mais alto que eu conseguia, algumas vezes olhando diretamente para o rosto da Taylor, foi a realização de um dos meus maiores sonhos!

Hoje, escrevendo esse texto, me teletransporto para novembro de 2023, e inevitavelmente, choro mais uma vez. Não de tristeza por tudo já ter passado, mas de alegria, por ter tido a oportunidade de viver uma das melhores noites da minha vida. Lembrar dessa experiência mágica me faz sentir imersa para sempre na letra de Long Live.

Nós fizemos parte das multidões enlouquecidas, vimos os confetes caindo e brilhamos muito mais do que imaginamos em nossos melhores sonhos. E, sim, se um dia tivermos filhos, quando eles apontarem para todas as recordações desses momentos, diremos não apenas o nome da Taylor, mas de todas as pessoas que tornaram aquela uma das melhores experiências das nossas vidas. Vida longa à The Eras Tour!

Texto escrito em conjunto com a autora Flávia Azolin

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Uma jornalista apaixonada por música, literatura e cinema. Seus maiores hobbies incluem criar playlists para personagens fictícios e falar sobre Taylor Swift nas redes sociais.
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