5 novos clássicos de k-drama para assistir na Netflix

5 novos clássicos de k-drama para assistir na Netflix

Com o passar dos últimos anos, o consumo do audiovisual do leste asiático cresceu de maneira relevante, principalmente com a popularização dos streamings, que facilita a disseminação dessas obras. A Netflix, por exemplo, investe massivamente em k-drama (dramas sul-coreanos) devido à sua indiscutível popularidade. Assim como, também, o prestígio das grandes premiações e eventos cinematográficos, como Cannes, que elegeu Park Chan-wook como Melhor Diretor por Decision to leave (2022) e Song Kang Ho (Parasite) com o prêmio de Melhor Ator por Broker (2022). Essas questões elevam o interesse do público em consumir tais obras.

O elenco de Broker em Cannes 2022; IU, cantora famosa na Coreia do Sul, fez sua estreia em filmes com essa obra.
O elenco de Broker em Cannes 2022; IU, cantora famosa na Coreia do Sul, fez sua estreia em filmes com essa obra. | Crédito: NME

A cada trimestre, mais ou menos, são lançados novos dramas na Coreia do Sul, nos mais diversos gêneros. Diariamente, novos elencos, roteiros, diretores são aprovados e divulgados ao público. Em razão disso, são muitas opções que, para conhecer algum k-drama ou iniciar uma nova maratona, fica super difícil escolher um! Pensando nisso, criamos uma lista de k-dramas que podem ser considerados novos clássicos do ramo.

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Mas o que define o clássico? Seriam os dramas que, além de serem um primor na produção e roteiro, conseguiram se destacar entre tantas opções anuais: abordagem de alguma temática considerada polêmica, o tratamento com fatos históricos e como foi a recepção com o público para além dos limites da Ásia. Ou seja, como a audiência internacional recepcionou a obra, do mesmo modo como a crítica especializada reagiu a esse produto. Os dramas selecionados aqui tiveram destaques nos elementos expostos, mas sua popularidade também pode variar com a inovação na história ou sua maneira de ser contada. 

Goblin (2016) é considerado um dos k-dramas mais clássicos do leste asiático.
Goblin (2016) é considerado um dos k-dramas mais clássicos do leste asiático. | Crédito: tvN

De qualquer modo, adiantamos: são cinco histórias tocantes, únicas e, caso seja sua primeira vez com o formato, fará você tirar sua carteirinha do Dramaland!

Observação: as indicações seguirão com a sinopse, o motivo de serem clássicos e as informações serão limitadas para que não haja a oportunidade de nenhum spoiler sequer escapar.

Pousando no Amor (2019)

k-dramas disponíveis na Netflix
Imagem promocional do k-drama “Pousando no amor”. | Crédito: divulgação

Disponível: Netflix, 16 episódios, de 1 hora cada.

Sinopse: Yoon Se-Ri (Son Ye-Jin) é uma aristocrata sul-coreana, ou seja, é uma mulher independente, rica e vive com o melhor do mundo capitalista que a Coreia do Sul é capaz de lhe oferecer. Após uma desastrosa aventura de perapente, ela acaba invadindo o território da Coreia do Norte. Acolhida pelo capitão norte-coreano Lee Jeonghyeok (Hyun Bin), ela fica ilegalmente no país até conseguir retornar ao seu lar.

Como é de se esperar do estilo da produção, a construção narrativa traz muito drama no desenvolvimento da história, a fim de trazer emoção no desenvolvimento das personagens. Além disso, Pousando no amor também é recheado de comédia e ação, principalmente romance, que acaba vigorando nessa história!

Por que é um clássico? 

Além de trazer uma química sem igual entre o casal protagonista – que foi tão grande que extrapolou os limites da ficção e os atores Hyun Bin e Ye-Jin se casaram na vida real, no início de 2022 – a história traz uma discussão interessante sobre os conflitos ideológicos que vão além do amor. São discutidas as relações de poder capital e consumo entre o capitalismo e comunismo, além das discrepâncias entre os dois países e seus modelos econômicos, de que maneira aqueles indivíduos poderiam se relacionar tendo culturas tão complexas. Esse ponto é, querendo ou não, de interesse global. 

Fotos do casamento de Hyun Bin e Seo Ye Jin. | Crédito: divulgação
Fotos do casamento de Hyun Bin e Seo Ye Jin. | Crédito: divulgação
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Mais do que o romance e as diferenças entre os dois sistemas, conflitos familiares, o anseio pela unificação das duas nações, também expõe como funciona um país sob um regime ditatorial. Ainda que possa não ter sido feito de maneira 100% fiel à realidade norte-coreana, afinal, é o país mais fechado do mundo, a construção do roteiro foi feita a partir de depoimentos de norte-coreanos que hoje vivem na Coreia do Sul.

Somando a isso, o drama foi um completo sucesso tanto na Coreia quanto internacionalmente; a explosão de audiência para conhecer a história de amor proibida atraiu o interesse de muitos telespectadores para conhecer o mundo dos dramas. E conheceram da melhor maneira com uma história cheia de conflitos geopolíticos, ação, humor e, principalmente, amor.

Vincenzo (2021)

k-dramas disponíveis na Netflix
Imagem promocional do k-drama Vincenzo. | Crédito: Netflix

Disponível: Netflix, 20 episódios, 1 hora e 20 minutos cada.

Sinopse: Quando Vincenzo (Song Joong-ki), sul-coreano com cidadania italiana, decide retornar ao seu país natal, Coreia do Sul, ele imaginava que apenas recuperaria um tesouro guardado e poderia viver sua vida em paz. O que o concierge da máfia italiana não imaginava é que, ao voltar para suas origens, ele encararia muito trabalho a ser feito.

Além de reencontrar com sua identidade sul-coreana, o advogado também mostra como o sistema é sujo e a necessidade de fazer justiça com as próprias mãos é urgente. Tudo isso em razão de proteger os inquilinos de um prédio que lhe é propriedade – e é onde ele guarda seu tesouro -, visto que os mesmos estariam vulneráveis à corrupção do governo dali. Pobreza, traições, injustiça: tudo condensado com muita ação e, surpreendentemente, humor em 20 episódios.

Por que é um clássico? 

O drama foi um estrondo no primeiro semestre de 2021: todo o dramaland parou para acompanhar a produção da Netflix. Recheado de muita ação, a história apresenta um protagonista anti-herói na história – o que não é nada comum nos roteiros sul-coreanos, pois o padrão é o protagonista ser o mocinho, cheio de caráter e ética. 

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E com isso, entramos no outro ponto capaz de tornar Vincenzo um novo clássico: o nosso protagonista, ainda que demonstre ser muito caridoso, não mede escrúpulos para fazer justiça. Caberá ao público julgar suas atitudes… Talvez não sigam o senso de moralidade comumente estabelecido, mas a ideia de “justiça seja feita” é bem difundida.

Elenco de "Vincenzo", k-drama disponível na Netflix
O “squad” de Vincenzo. | Crédito: Netflix

O elenco possui muita química e a maneira como eles interagem entre si, conseguem construir uma equipe, que junto ao protagonista e sua equipe de advogados, busca fazer justiça e lutar pelo que é certo. Nessa relação, eles, além de se fortalecerem no campo da amizade, protagonizam cenas de ação balanceada; mas, para além disso, também protagonizam excelentes cenas de humor com piadas e pegadinhas.

Entremeado nesse background de justiça e corrupção, Vincenzo estabelece uma narrativa equilibrada em intrigas, planos, plot twists, personagens carismáticos e uma ação cheia de humor.

Squid Game (2021)

Imagem promocional do k-drama "Squid Game".
Imagem promocional do k-drama “Squid Game”. | Crédito: Netflix

Disponível: Netflix, 9 episódios, 1 hora cada.

Sinopse: Seong Gi-hun (Lee Jung Jae) é um homem divorciado de 40 anos, que mora na casa da mãe idosa e não paga pensão para a filha de 10 anos. Afundado em dívidas, ele vive fugindo dos agiotas que deve. Mas ele vê sua situação mudar quando ganha a oportunidade de participar de um jogo com o prêmio milionário. O que ele não esperava ver era que tal jogo, na verdade, se tornaria uma luta pela própria vida.

Para ganhar o tal prêmio, ele não só deve tentar sobreviver a todo custo, mas também fazer com que seus concorrentes percam a própria vida. Sendo uma interessante metáfora de como o capitalismo aprisiona e sufoca nossa vida, Round 6 (título brasileiro para a trama) traz 9 episódios eletrizantes do gênero death games.

Por que é clássico?

O drama foi um sucesso mundial, tornando-se a série com mais horas assistidas da história da Netflix, acumulando mais de 1 bilhão de horas na contagem. Além disso, também passou um mês exato como o show mais assistido no Top 10 em todos os países da plataforma de streaming.

Somando ao sucesso comercial e internacional, o drama que levou 12 anos para ir às telinhas também recebeu o prestígio da crítica e acumulou diversos prêmios, entre eles o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para o Oh Yeong Su, que venceu pelo seu personagem 001. A série também levou o SAG Awards (prêmio do Sindicato de Atores) de Melhor Ator para Lee Jung Jae pelo seu personagem Gi-hun, e a atriz estreante Jung Hoyeon levou o de Melhor Atriz (drama) por sua personagem, a Kang Sae-byeok, que fugiu da Coreia do Norte em busca de conseguir uma vida melhor para o seu irmão mais novo.

Lee Jung Jae e Jung Hoyeon no SAG Awards. | Crédito: O Povo
Lee Jung Jae e Jung Hoyeon no SAG Awards. | Crédito: O Povo

Além da evidente crítica ao capitalismo, o k-drama faz duras críticas ao governo sul-coreano que não oferece apoio, recursos ou oportunidades para a população pobre de seu país, sempre favorecendo os mais ricos. Na constituição dos jogos, são usadas referências aos jogos de rua e infantis da cultura da Coreia do Sul; tanto que a tradução do título original, Squid Game [jogo da Lula] é o nome de uma das brincadeiras mais populares de lá.

Hospital Playlist (2020-2021)  

Imagem promocional do k-drama “Hospital Playlist”. | Crédito: divulgação

Disponível: Netflix; 1ª temporada (12 episódios, média de 1 hora e 20 minutos cada), 2ª temporada (12 episódios cada, média de 1 hora e 20 minutos cada).

Sinopse: essa opção é para aqueles que amam acompanhar uma rotina hospital e querem conhecer mais sobre os médicos que compõem a instituição. Além de sermos inseridos na vida dos cinco médicos, que se conhecem desde a faculdade e estão juntos desde 1999, também exploramos suas relações com a vida e morte, cuidado, conflitos pessoais e, curiosamente, música! Pois mais do que viver o paralelo entre o profissional e o pessoal, o drama também vai apresentar o amor desses médicos pela música. Em razão desse amor eles possuem uma banda e, no final de cada episódio, prestigiamos uma apresentação musical do grupo.  

O elenco do k-drama "Hospital Playlist" ensaiando
O elenco de “Hospital Playlist” ensaiando. | Crédito: VOI.id

Por que é um clássico?

O gênero hospitalar já é um clássico dentro do audiovisual; ainda que tenham inúmeras obras sobre o assunto, todos terão audiência, pois é muito aclamado. Contudo, o diferencial em Hospital Playlist é que, além de oferecer essa imersão ao cotidiano médico, o k-drama balanceia perfeitamente os dramas da equipe médica em sua jornada profissional e sua vida pessoal. Dessa maneira, a obra mostra como um lado auxilia no funcionamento do outro. 

Reply 1988 (2015)

Imagem de divulgação de "Reply 1988" | Fonte: Netflix
Imagem promocional do k-drama “Reply 1988”. | Crédito: Netflix

Disponível: Netflix e fansubs, 20 episódios, de 1 hora e 20 cada, aproximadamente. 

Sinopse: ambientada em uma Seul dos anos de 1980, o k-drama apresenta a vida de 5 adolescentes que cresceram juntos: Jung Hwan (Ryoo Joon-Yeol), Sun-Woo (Ko Gyung-Pyo), Taek (Park Go-Bum), Dong-Ryong (Lee Dong-Hwi) e Duk-Sun (Hyeri), a única menina do grupo. O drama traz uma ambientação muito fiel aos anos 1980 e, com isso, explora diversos capítulos da história sul-coreana naquele momento, como conflitos políticos e as dificuldades econômicas sofridas pelas famílias de alguns dos protagonistas.

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Mas, sobretudo, expõe um momento tão primordial da adolescência: a transição para a juventude juntamente com o processo de amadurecimento, perdas, coração partido e a consciência do pertencimento ao mundo que vive e seu papel nele. É uma história emocionante sobre crescer e estudar suas possibilidades na própria vida.

A trama também traz, no final de alguns episódios, um paralelo dos personagens já adultos e maduros, com famílias constituídas, assim fazendo reflexões sobre o processo de crescimento, arrependimentos, escolhas e, enfim, nostalgia e saudades de um momento que eles juraram jamais sentir falta                   

Por que é um clássico?

Assim como Stranger Things (2016-atual) teve parte do seu sucesso atrelado a uma ambientação fiel a essa época, o mesmo acontece com Reply 1988: a imersão é completa e cheia de detalhes. Além de um roteiro cuidadoso e minucioso, a história do k-drama é posicionada na Seul (capital da Coreia do Sul), que iria sediar as Olimpíadas de 1988, logo, todo o enredo é pautado, inicialmente, nesse momento de orgulho patriota e ansiedade pelos jogos.

Os cinco adolescentes protagonistas do k-drama "Reply: 1988"
Os cinco adolescentes protagonistas do k-drama “Reply: 1988”. | Crédito: divulgação.

Não só sobre as Olimpíadas e esportes o roteiro conta, mas também é explorado a moda sul-coreana, os hábitos alimentares, os aspectos sociais e culturais entre amigos, vizinhos e familiares. Uma parcela do que era a Coreia do Sul daquela época é apresentada ao público; para a população certamente foi bem nostálgico. Contudo, a audiência ocidental, que não acompanha dramas ou desconhece a história da Ásia, esse drama é uma belíssima abertura sobre o assunto. Uma indicação ideal para quem deseja conhecer mais dos dramas e da história da Coreia do Sul.

k-drama: novos clássicos para assistir na Netflix
A ambientação dos anos 1980 é exposta nos cenários, decoração, vestimentas e penteados. | Crédito: Inzpy

Falando sobre sociedade e cultura, o drama também conta, de uma maneira respeitosa a história da Coreia do Sul, sobre os conflitos políticos e econômicos sofridos naquela época. Como o Estado poderia desejar expor uma imagem falaciosa do país? Nas apresentações televisivas e marketing do evento, Seul poderia ser rica e popular, mas o retrato apresentado em Reply 1988 apresenta uma população pobre, passando necessidades e tentando sobreviver a própria realidade.

Além de apresentar essas dificuldades, o k-drama também conta, cuidadosamente, de que maneira os estudantes e o povo contrário ao governo sofria retaliações, agressões e prisões injustas. Por fim, Reply 1988 é uma história emocionante sobre amadurecer, crescer e ser consciente de si e do outro.

Autora:

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Ket tem 23 anos, é formada em Letras - Língua e Literatura Portuguesa, pela UFAM. Nasceu e criou-se em Manaus, onde ainda mora. Não é capaz de conceber uma realidade em que as mulheres não sejam livres, uma vez que sua vida inteira viveu em um lar matriarcal. Gosta de histórias tristes, é fascinada pela cultura Sul-coreana e chora com animes.
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